15 de fevereiro de 2011

Prévia: Arsenal x Barcelona

No último jogo, brilhou Messi, com quatro gols. E agora? (101 great goals)

*Texto também publicado no Quatro Tiempos

O sorteio da Champions League marcou o decantado encontro entre Arsenal e Barcelona por mais um ano consecutivo (na temporada passada, o confronto foi nas quartas-de-finais). As duas equipes, que fizeram a final da competição em 2005-06 – onde o Barcelona sagrou-se bi-campeão -, são assiduamente elogiadas por praticarem um futebol bonito e vistoso, mas com uma diferença significativa: enquanto o Arsenal joga bonito mas sucumbe na hora decisiva, os azulgrenais conseguem unir o útil ao agradável e são vitoriosos. Na temporada passada, os Gunners foram engolidos por um Lionel Messi inspirado e mais uma vez ficaram no quase na competição europeia. O Barcelona, por sua vez, parou na retranca montada por José Mourinho nas semifinais e não conseguiu a manutenção do título europeu e o sonhado (ou obsessivo, segundo Mourinho) troféu no Santiago Bernabéu.

Se classificará o mágico Barcelona, comandado por Messi, Iniesta, Xavi, Pedro e Villa, ou Arsenal, que "calar a boca dos críticos" e vencer um time grande na Champions? A prévia deste grande confronto – um dos mais esperados das oitavas de finais – foi feita em parceria com os amigos do Quatro Tiempos, blog especializado no futebol espanhol. Acompanhe a prévia de Arsenal x Barcelona e depois, nos dois endereços, o resumo do embate. Victor Mendes conta os detalhes dos espanhóis.


A temporada até aqui
Arsenal: No geral, a temporada é satisfatória. O Arsenal vem fazendo boa campanha na Premier League, estando na segunda posição e a quatro pontos do líder Manchester United. O bom momento vivido pela equipe é animador: os Gunners não perdem desde 13 de dezembro, quando foram batidos pelo Manchester United por 1 a 0; desde então, foram seis vitórias e três empates. Porém, o clube poderia até mesmo estar na ponta caso não tivesse tido alguns tropeços inaceitáveis, como as derrotas para West Brom e Newcastle em casa e os empates contra Wigan e Newcastle (quando chegou a estar vencendo por 4 a 0) fora. Nas copas, o desempenho é bom: os comandados de Wenger decidirão a final da Carling Cup contra o Birmingham e terão a chance de conquistar seu primeiro título desde 2005, além de terem um confronto tranquilo pela quinta rodada da FA Cup, contra o Leyton Orient, da terceira divisão, fora de casa. A decepção é a participação na Champions League: se enfrentará o Barcelona, é somente porque conseguiu a proeza de ser o segundo no grupo mais fraco da competição, com direito a derrotas para Shakhtar e Braga.

Barcelona: Líder da liga com cinco pontos de vantagens para o Real Madrid, podemos considerar que o Barcelona deu a voltar por cima na temporada. Os blaugranas começaram a temporada como favorito a tudo que disputasse, por ter a base da seleção campeã mundial e Lionel Messi em seu plantel. Mas - acreditem - logo se tornou uma incógnita. Por causa da má preparação de jogadores que participaram da Copa, o Barcelona mostrou-se uma equipe cansada em campo e chegou a perder pontos contra Hércules e Mallorca na Liga, além de empates contra Rubin Kazan e Copenhague na Champions, o que já faziam uma parte de seus torcedores (além da crítica) ficarem com um pé atrás com a equipe. Porém, os preparadores físicos já avisavam que a equipe só chegaria ao seu auge entre outubro e dezembro. E acertaram na mosca: durante esse período, o Barcelona voltou a animar, e seu trio de ataque, tímido até então, começou a ficar avassalador. No superclássico, o Barcelona abusou do bom futebol e aplicou ao seu rival histórico uma manita. Na Copa del Rey, o Barça teve dificuldades para eliminar o Athletic Bilbao, mas avançou graças ao critério de desempate e está na final do torneio, onde enfrenta o Real Madrid.

Pontos fortes
Arsenal: Reconhecidamente um time técnico, o Arsenal preza pelo domínio da posse de bola e acaba se destacando por um estilo vistoso – não a toa é a equipe que pratica o futebol mais atraente da Inglaterra. Logo, o setor ofensivo é o ponto forte da equipe. O poderio dos Gunners começa pelo seu meio-campo. Fabregas continua em ótima forma, mas agora ganhou a companhia de dois ótimos nomes: Wilshere, um dos maiores talentos ingleses recentes, e Song, que evoluiu absurdamente na atual temporada, sendo o meia mais marcador e aparecendo bem lá na frente. No ataque, o destaque é van Persie: o holandês vem atuando muito bem atuando centralizado e, com 10 gols já em 2011, rapidamente se tornou o vice-artilheiro da equipe. O artilheiro, aliás, é Nasri, outro que cresceu demais. Ora no meio, ora como winger pelo lado esquerdo, o francês se tornou, junto com Fabregas, o dono do time. Porém, se machucou pela FA Cup e não enfrentará o Barcelona no jogo de ida.

Barcelona: A saída de Ibrahimovic, contratação mais cara da história do clube culé, chegou a fazer falta durante os primeiros jogos da temporada, mas acabou sendo assimilada com naturalidade graças a rápida adaptação de Villa à equipe. Sem o sueco, mas com o Guaje, Pedro e Messi, o Barcelona apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente no 4-3-1-2, com Messi fazendo o papel de enganche (jogando atrás de Pedro e Villa), ou no 4-3-2-1, com Messi de falso nove. Quanto aos setores da equipe, destacam-se o meio-campo e o ataque. O futebol de Busquets ascendeu muito após a Copa e o canterano, que pecava por erros infantis, está mais maduro, dando segurança e participando bem dos ataques. Destacam-se também a visão de jogo privilegiada de Xavi, a técnica, qualidade e imprevisibilidade de Iniesta, os gols decisivos de Pedro e Villa e o poder de decisão de Messi.

Pontos fracos
Arsenal: A defesa é claramente o ponto fraco da equipe. O miolo de zaga não é dos mais seguros, e a contusão de Vermaelen deixa o setor ainda mais vulnerável: Koscielny até dá conta do recado, mas Squillaci vem se provando um zagueiro cada vez menos confiável – tanto que foi barrado pelo não mais que regular Djorou. O lateral-esquerdo Clichy possui sérios problemas para defender. E para piorar, os Gunners não possuem um grande goleiro: Szczesny parece ser melhor do que o fraco Fabianski, mas, embora não tenha falhado gravemente, ainda é uma figura que não passa tanta segurança, principalmente por causa da sua imaturidade. Esses problemas, contra um time com o poderio ofensivo como o do Barcelona, podem ser fatais – e o confronto no Camp Nou na última edição da competição já mostrou isso. Atrapalha também o fato de alguns reservas estarem em má fase, limitando as escolhas do time: Bendtner está mal, Chamakh ainda é irregular, Rosicky não reedita boas atuações do passado e Arshavin só melhorou um pouco após assumir a vaga do contundido Nasri – porém, longe de suas atuações logo após sua contratação.

Barcelona: Difícil citar um ponto fraco nessa equipe quase perfeita do Barcelona. Mas o Barcelona da era Guardiola costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Contra Inter de José Mourinho, a partida no Camp Nou ficou marcada pelo muro armado pelo técnico de Setubal, mas no Meazza os meneghino derrotaram o Barcelona de uma maneira pouca vista antes, escancarando o problema que o Barcelona passa quando é atacado. Outras fraquezas da equipe sobressai quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e quando Xavi sofre uma forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal da temporada passada, Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: asfixou Xavi e não deixou Messi receber perto da área.

Expectativas
Arsenal: Embora as declarações de Arsene Wenger mostrem segurança e confiança, uma análise fria da situação mostra que o Arsenal é o azarão para esse confronto. As equipes possuem estilos parecidos, mas os Gunners parecem ser inferiores em todos os quesitos. A chance dos ingleses está na possibilidade de se fazer duas partidas sólidas e perfeitas, a exemplo do que a Internazionale fez contra o Barça na temporada passada. Porém, isso talvez seja uma tarefa difícil para uma equipe que peca pela imaturidade do jovem elenco e pelo frágil setor defensivo. A garantia é de que Fabregas e cia não passarão o tempo todo encolhidos e tentarão sair para o jogo sempre que possível, tornando a partida agradável de ser vista.

Barcelona: Apesar de ser ligeiramente favorito, Guardiola tenta tirar a pressão do Barcelona a cada coletiva e sempre muda o discurso, dizendo que o confronto é parelho e não há favorito. Sem muita confiança em Milito (apesar do apelo feito para o argentino continuar no time) e com a baixa de Puyol praticamente confirmada, Guardiola resolveu improvisar Abidal, abrindo uma brecha para a titularidade de Maxwell na latera esquerdal, e o francês não tem decepcionado: vem jogando com uma consistência surpreendente no miolo de zaga. Há duas semanas, no confronto contra o Atlético de Madrid, Abidal anulou Agüero, principal jogador rojiblanco na temporada. Por mais que o Barcelona seja favorito por todo futebol que tem mostrado nos últimos anos, o Arsenal é um grande europeu e vai para a partida com um sentimento de revanche, pelos recentes resultados entre as duas equipes. Não há dúvidas que os dois jogos serão os mais esperados da temporada europeia até o momento.

Prováveis escalações
Arsenal: Szczesny; Sagna, Koscielny, Djorou e Clichy; Song, Wilshere e Fabregas; Walcott, Arshavin e van Persie.

Barcelona: Víctor Valdés; Daniel Alves, Piqué, Abidal, Maxwell; Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.

Prévia: Milan x Tottenham

Van de Vaart e Bale são as esperanças do Tottenham no confronto contra o Milan pela Champions League

*Texto também publicado no Quattro Tratti

Meses atrás, o Tottenham de Gareth Bale visitava Milão e dava um susto na Inter, depois de ensaiar um vexame histórico. Pela segunda vez na temporada, os Lilywhites retornam a Milão para um duelo da Liga dos Campeões, e, muito provavelmente, desta vez Bale não jogará, para alívio do Milan. O confronto acontecerá apenas pela segunda vez em partidas oficiais. O primeiro, na década de 70, aconteceu nas semifinais da Copa Uefa: os ingleses venceram por 2 a 1 na partida de ida, disputada no San Siro, e seguraram o 1-1 na volta. Naquela temporada, o Tottenham se sagraria campeão da competição pela primeira vez em sua história. Desta vez, o jogo não tem exatamente o mesmo significado, mas também guarda ares de decisão e expectativas de superação para os londrinos e de retorno ao caminho vencedor, do lado milanista.

Como foi feito na última temporada, contaremos com a parceria dos amigos do Quattro Tratti, especializado no futebol italiano. Confira a prévia de Milan x Tottenham e o resumo do encontro, mais tarde, nas duas páginas. Nelson Oliveira escreve sobre os rossoneri.

A temporada até aqui

Milan: Um mercado ambicioso, com a contratação de jogadores que agregaram talento ao elenco, como Ibrahimovic, Robinho e Boateng, no verão, além de Cassano, no inverno, ajudaram o Milan a voltar a brigar pelo título no campeonato italiano. Hoje, os rossoneri são líderes da Serie A com 52 pontos, três de vantagem sobre o vice-líder Napoli e oito sobre a Inter, que tem um jogo a menos mas é a principal concorrente ao título, ao menos em potencial. O Diavolo assumiu a liderança na 11ª rodada e, desde então, tem reinado na Serie A. Para manter a soberania, conta com Ibrahimovic, campeão nacional de maneira consecutiva há nove temporadas, garantia de pontos importantes até mesmo quando o time não está inspirado. O desempenho da equipe tem sido um pouco inferior nas últimas rodadas, depois que um alto número de lesões se abateu sobre Milanello, aliado ao cansaço decorrente da maratona de jogos de janeiro, que levou o Milan a e classificar para as semifinais da Coppa Italia contra o Palermo, mas perder parte da vantagem que tinha sobre os concorrentes na Serie A. Na Liga dos Campeões, o time ainda não engrenou: fez má fase de grupos e terminou em segundo no grupo E, com 8 pontos.

Tottenham: Alavancado pela chegada de van der Vaart e pelo crescimento de Bale, o Tottenham tem feito uma campanha agradável na Premier League e vem brigando de igual para igual com as equipes grandes. Prova disso é que, do grupo dos clubes top, só perdeu para o Manchester United em Old Trafford, além de ter voltado a vencer um dos integrantes do “Big Four” fora de casa após 68 jogos – na ocasião, bateu o rival Arsenal, de virada, por 3 a 2. Devido ao sólido desempenho no geral, os Spurs se encontram na 4ª posição – posto que, no entanto, seria melhor caso a equipe não tivesse empatado tanto em casa (cinco vezes em treze oportunidades). Porém, o destaque é mesmo a campanha na Champions League: os londrinos ficaram em primeiro num grupo difícil e que tinha a atual campeã Internazionale, com direito a mágicas atuações de Bale nos dois confrontos contra os italianos e uma vitória memorável sobre eles em White Hart Lane.

Pontos fortes

Milan: Max Allegri apostou em uma equipe mais equilibrada desde a primeira parte da temporada, desde que bancou a saída de Ronaldinho do onze inicial para a entrada de Boateng ou Seedorf. Tem colhido os frutos: hoje, mesmo quando Robinho, em sua melhor fase no futebol europeu, atua como trequartista, atrás dos atacantes, o Milan não parece mais um time sem esquema tático definido e não fica com um homem a menos para ajudar na marcação no centro do campo. Se Allegri tem conseguido sucesso na parte tática até com Robinho, o que dizer da aposta no avanço de Thiago Silva ao meio-campo por causa da falta de opções no setor? O brasileiro se saiu muito bem na volância (ao lado de um Gattuso recuperado) e ainda deu espaço para Yepes, que rapidamente se tornou um dos pilares do time, que tem a melhor defesa do campeonato, com 19 gols sofridos. No ataque, Ibrahimovic, obviamente, é o jogador que desequilibra: só na Serie A, marcou 13 gols e deu 10 passes para gols de companheiros, contradizendo aqueles que dizem que ele não joga um futebol coletivo. Na LC, colocará seu poder de decisão à prova mais uma vez.

Tottenham: O meio-campo do Tottenham é tão forte e talentoso que talvez possa ser considerado o melhor da Inglaterra. Os wingers são excelentes: Lennon pode não estar numa forma tão exuberante quanto a da temporada passada, mas ainda assim, com sua velocidade e habilidade para entortar adversários, é peça fundamental para equipe. Bale é simplesmente um dos grandes nomes da temporada europeia – tanto que é cogitado para ir para um dos grandes clubes do continente na temporada que vem. Enquanto isso, Modric, na faixa central, consegue aliar combatividade com muita criatividade. Porém, é impossível se esquecer de citar van der Vaart: por causa dele, Harry Redknapp mudou seu tradicionalíssimo 4-4-2 para um 4-4-1-1. Jogando como o homem de ligação entre o meio e o ataque, o holandês tem sido soberbo: somente na Premier League, já marcou 10 vezes e foi autor de sete assistências. É preciso também citar as outras ótimas opções que os Spurs têm para o meio: Huddlestone é bom marcador e Kranjcar e Pienaar são reservas muito úteis.

Pontos fracos

Milan: As laterais continuam sendo o problema mais grave do Milan, principalmente pelo fato de enfrentar um time que joga com wingers. Se ao menos Bale não deve jogar a partida de ida e Oddo poderá ficar menos preocupado, a expectativa é que Antonini tenha dificuldades com Lennon e obrigue Allegri a deslocar Flamini frequentemente para ajudar o lateral. Além disso, atualmente, o Milan tem nove jogadores lesionados no seu departamento médico. A bruxa solta atingiu sobretudo o meio-campo rossonero, que não poderá contar com Ambrosini e Pirlo para as duas partidas das oitavas e Boateng para a ida. Van Bommel e Emanuelson, reforços contratados em janeiro para substituírem os lesionados e darem possibilidade de os titulares descansarem, não puderam ser inscritos na Liga dos Campeões porque já atuaram por outras equipes antes. O mesmo discurso vale para Cassano, que vem salvando o Milan em algumas partidas e é o parceiro ideal para Ibrahimovic no ataque, ao invés de Pato. A dupla formada pelo brasileiro e pelo sueco nem sempre funciona bem e pode minar as esperanças milanistas de abrir uma boa vantagem no jogo de ida.

Tottenham: A defesa dos Spurs não chega a ser tão confiável. O miolo de zaga, com Dawson e Gallas, é bom, mas poderia ser melhor se King ou Woodgate, zagueiros eternamente machucados, pudessem substituir o francês. Gomes é um bom goleiro, porém, é capaz de em um jogo só fazer defesas fantásticas e cometer uma falha terrível que comprometa o resultado da sua equipe. O problema maior, no entanto, são as laterais: tanto o lateral-direito Hutton quanto o esquerdo Assou-Ekotto são limitados e marcam mal. O primeiro já voltou a ser substituído pelo não mais que regular Corluka, mas o segundo não tem um reserva. O preço pela deficiência pelos lados da defesa é caro: por exemplo, performances pífias de Hutton e Ekotto foram determinantes para a Internazionale, em casa, abrir 4 a 0 diante dos Spurs na fase de grupos da Champions League.

Expectativas

Milan: A melhor temporada milanista em anos. Sem títulos há três temporadas, os rossoneri estão empolgados com o desempenho na temporada e, vivos nas três competições que disputam, podem repetir a tripletta da rival Inter na última temporada, possibilidade considerada altamente improvável meses atrás. No ambiente do clube, Tottenham é encarado como um adversário bastante acessível e a expectativa é de tentar abrir uma boa vantagem logo na partida de ida, aproveitando a ausência de Bale, fantasma nerazzurro na fase de grupos. Cair novamente para um inglês nas oitavas da LC definitivamente não está nos planos da equipe de Milão. O otimismo é grande e Allegri não demonstra ter um plano B, para o caso de ter que viajar para decidir a classificação em Londres sem um resultado positivo debaixo do braço. Cuidado para não entrar em campo de salto alto é fundamental.

Tottenham: Ter de enfrentar o Milan nas oitavas-de-final foi um baque para o Tottenham, que pensou que teria um confronto mais tranquilo ao se classificar em primeiro no seu grupo. E a tarefa dos ingleses deverá se bem difícil, pelo menos no jogo de ida: o volante Huddlestone não jogará e Modric, se recuperando de uma apendicite, muito provavelmente também não; já Bale e van der Vaart, ainda se recuperando de contusões, são dúvidas, mas deverão ir a campo. E enquanto há a expectativa de voltar a ver Bale brilhar no San Siro, há o medo de ver a defesa entrar em colapso novamente e levar um verdadeiro chocolate no primeiro tempo. O problema é que falhas do tipo são imperdoáveis e muito difíceis de serem revertidas num mata-mata.

Prováveis escalações

Milan: Abbiati; Oddo, Yepes, Nesta, Antonini; Gattuso, Thiago Silva, Flamini; Robinho (Seedorf); Pato, Ibrahimovic.
Tottenham: Gomes; Corluka, Dawson, Gallas, Assou-Ekkoto; Lennon, Palacios, Sandro (Modric), Bale (Kranjcar); van der Vaart; Defoe (Crouch).

Imagem: Sky Sports

13 de fevereiro de 2011

27ª rodada - Comentários

Gol magistral de Wayne Rooney deu a vitória ao Manchester United no clássico contra o maior rival

A 27ª rodada da Premier League teve como destaque a vitória do Manchester United em cima do Manchester City (o que deixou os Citizens quase sem chances de conquistar o título), assim como o fim da sequência de vitórias e clean sheets do Liverpool. Abaixo, os comentários de cada jogo:

Manchester United 2 x 1 Manchester City (Nani, Rooney; Dzeko) – Kompany foi superbo pelos Citizens; porém, um de seus vacilos acabou gerando o gol da vitória dos Red Devils, quando Rooney aproveitou um momento de rara liberdade para fazer um lindo gol de bicicleta. O time da casa novamente não foi convincente, mas viu ótimas atuações de Giggs e de um Nani infernizando a vida de um fraco Zabaleta. Por sorte, quando a equipe recuou e sofreu o empate do rival, superior na segunda etapa, pode contar com um lance brilhante do Shrek. Já o City agora está relegado a disputar apenas uma vaga na Champions League.

Arsenal 2 x 0 Wolves (Van Persie (2))– Os Gunners não brilharam, mas construíram o placar com tranquilidade e ainda deram uma aula de contra-ataque no segundo gol. Van Persie, autor de ambos os tentos, mostrou estar em grande forma e já é o vice-artilheiro do clube na temporada. Enquanto o Arsenal está a quatro pontos da liderança, os Wolves continuam a caminhada para a Championship, mesmo tendo batido todos os grandes – exceto o Arsenal.

Blackburn 0 x 0 Newcastle – Depois dos quatro gols da semana passada, o Newcastle não conseguiu marcar, mesmo tendo crescido durante a partida até dominá-la por inteiro. As ótimas atuações de Tieté, Barton e Nolan não superaram a ineficiência nas finalizações, o ponto forte de um tal de Andy Carroll. Embora os treinadores tenham se mostrado satisfeitos, o resultado não foi bom: os Rovers não vencem há três jogos, e os Magpies, há cinco.

West Bromwich 3 x 3 West Ham (Dorrans, Thomas, Reid (gol contra); Ba (2), Cole) – Os Baggies foram para o intervalo vencendo por 3 a 0 e poderiam ter feito mais graças a já conhecida vulnerabilidade defensiva dos Hammers. Porém, os visitantes aproveitaram o momento instável do adversário e, comandados por Ba, autor de dois gols, chegaram a um improvável empate. O jogo mostrou a Roy Hodgson que terá muito trabalho pela frente, principalmente defensivo. Seu consolo é que seu forte é montar equipes bem sólidas.

Liverpool 1 x 1 Wigan (Meireles; Gohouri) – Raul Meireles tem estado sensacional desde a chegada de Kenny Dalglish, com cinco gols marcados desde então. Porém, seu tento não impediu um frustrante empate, numa partida em que os Reds abandonaram o seu atípico 3-4-2-1. Um balde de água fria, que mostra que o Liverpool ainda precisa melhorar se quiser lutar por Champions League – é inaceitável empatar em casa contra uma equipe na zona de rebaixamento, embora os Latics tenham atuado muito bem e merecido o empate.

Birmingham 1 x 0 Stoke (Zigic) – Não era possível esperar um grande jogo entre as duas equipes, duas das mais desinteressantes da Premier League – e realmente não houve um grande jogo. Houve, porém, um gol tardio de Zigic que consolidou a recuperação dos Blues – conquistou sete dos últimos nove pontos possíveis e se afasta cada vez mais da zona de rebaixamento. Enquanto isso, os Potters se mantêm no grupo intermediário.

Blackpool 1 x 1 Aston Villa (Grandin; Agbonlahor) – Jogos dos Tangerines são muito abertos e legais de se assistir; este não foi diferente, com um primeiro tempo realmente animador. O Blackpool poderia ter vencido; porém, não aproveitaram a superioridade numérica quando Makoun foi expulso. De qualquer maneira, foi um alívio para os comandados de Holloway ter conquistado seu primeiro ponto desde 12 de janeiro (!), enquanto o Villa continua irregular.

Sunderland 1 x 2 Tottenham (Gyan; Dawson, Kranjcar) – Excelente resultado para os Spurs, que venceram fora mesmo com um meio campo desfalcado: sem Modric, Bale e van der Vaart, Redknapp teve de contar com Pienaar, Jenas, Sandro e Kranjcar. Já o Sunderland continua sofrendo os efeitos de seus lapsos defensivos, da saída de Bent e da contusão de Welbeck; a contradição é que Gyan está muito bem sozinho no ataque e marcou novamente.

Bolton 2 x 0 Everton (Cahill, Sturridge) - Sturridge tem sido o mais eficaz possível em sua passagem pelo Bolton: marcou uma vez em todas as suas três atuações, sendo que o tento de hoje decretou a vitória dos Wanderers. O resultado é ótimo para a equipe de Owen Coyle, que só havia vencido um jogo dos últimos seis e ainda sonha com uma vaga numa competição europeia - e ela é perfeitamente alcançável. Já os Toffees continua abaixo do seu potencial.

Imagem: BBC

11 de fevereiro de 2011

Um clássico diferente

Ferguson acredita que a "superioridade histórica" do United sobre o City seja a chave para seguir comemorando vitórias no derby da cidade de Manchester

Poucos clássicos no mundo têm tantas peculiaridades como o derby mancuniano entre City e United. A rivalidade nem sempre foi o forte do confronto, já que os Citzens se tornaram definitivamente competitivos recentemente, com a compra do clube pelo Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan. Juntamente com o Arsenal, Red Devils e Sky Blues travam um disputado duelo pelo título desta edição da Premier League, considerada por muitos a mais equilibrada desde a sua instituição em 1992-93.

É comum ver, entre as equipes mancunianas, jogadores que vestiram a camisa de ambos e até mesmo treinaram o rival após a aposentadoria. O lendário Sir Matt Busby, que treinou o Manchester United em dois períodos, de 1945-1969 e 1970-1971, atuou de 1928 a 1936 com a camisa do Manchester City. Um exemplo recente é o do ex-atacante Red Devil e hoje técnico do Fulham Mark Hughes, mas que em 2008-09, treinou os Citzens. Somente entre jogadores, podemos citar Peter Schmeichel, Andy Cole, Brian Kidd (hoje auxiliar de Mancini no City) e Carlos Tevez.

Outro que merece destaque é Denis Law, ex-atacante escocês que jogou pelos dois clubes e que, curiosamente, marcou os tentos que definiram o rebaixamento do rival na temporada, como este, em 1974. Apesar deste feito "negativo", Law foi homenageado pelo Man Utd com uma estátua, ao lado das lendas George Best e Bobby Charlton. Quem tem apimentado a rivalidade nos últimos tempos é o argentino Carlos Tevez, que deixou a equipe comandada por Sir Alex Ferguson para se tornar um ídolo e capitão do arqui-rival.

Embora tivemos um insosso empate sem gols no primeiro turno, o embate deste sábado, às 10h45 - horário de Brasília -, em Old Trafford tende a ser eletrizante, já que ambos precisam vencer para se manter firmes em busca do êxito na competição. Se tomarmos por base o último confronto entre Manchester United e City no Teatro dos Sonhos - um alucinante 4 a 3, com direito a gol decisivo de Micheal Owen aos 101 minutos de jogo -, infeliz será o apaixonado pelo futebol quer perder este clássico... diferente.