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27 de agosto de 2011

Resumo dos jogos deste sábado da terceira rodada da Premier League

A terceira rodada da Premier League foi iniciada neste sábado com seis jogos. Confira o resumo de cada uma das partidas.

Aston Villa 0x0 Wolverhampton Wanderers


E no primeiro jogo da rodada, tivemos uma partida bem fraca tecnicamente, podemos dizer que sonolenta. Placar de 0 a 0 foi justo. O Aston Villa conquistou o seu segundo empate em três jogos e ocupa o sexto lugar, enquanto o Wolves perdeu a sequência de vitórias e está em 3º. O time da casa era quem tentava algo mais, no 4-3-3, enquanto o visitante se limitava aos contra-ataques. Na próxima rodada, dia 10/09, o Aston Villa vai até Liverpool encarar o Everton, enquanto o Wolverhampton recebe o Tottenham no Molineux.

Wigan Athletic 2x0 Queen Park Rangers


E numa partida bem confusa, o Wigan se manteve invicto em casa, enquanto o QPR que parecia ir bem na Premier League, perdeu o segundo jogo seguido. Com dois gols de Di Santo (isso mesmo, você não leu errado) o time da casa assumiu a sétima colocação. Enquanto o QPR que até foi bem no jogo (como nos outros dois jogos) está em 11º. Na próxima rodada, o Wigan vai até Manchester enfrentar o City no dia 10/09, enquanto o QPR recebe o Newcastle (no dia 12/09).

Blackburn Rovers 0x1 Everton


Com direito a show particular de Tim Howard, o Everton venceu fora de casa o Blackburn por 1 a 0, com gol de Arteta, no finalzinho. O jogo foi muito brigado (literalmente, foram 7 cartões amarelos e dois jogadores se lesionaram), o time da casa se deu ao "luxo" de perder dois pênaltis e levou a pior, quando Arteta de pênalti fez o gol do jogo. Os Rovers continuam se pontuar e é o lanterna, enquanto os Toffees ocupam o 10º lugar. Na próxima rodada o Everton recebe o Aston Villa no Goodison Park no dia 10/09, enquanto o Blackburn vai até Londres enfrentar o Fulham no dia 11/09.

Chelsea 3x1 Norwich City


E o jogo no Stamford Bridge, os Blues conseguiram a segunda vitória e agora ocupa o segundo lugar, enquanto os Canários continuam sem vencer e estão em 14º. Apesar do placar, o jogo foi bem disputado, mas a qualidade do elenco do Chelsea prevaleceu sobre o modesto Norwich e o time da casa saiu vitorioso. Os gols da partida foram marcados por  Bosingwa, Lampard e Mata (a sua estreia na EPL) a favor do Chelsea, e Holt para o Norwich. Na próxima rodada o Chelsea enfrenta o Sunderland no Stadium of Light no dia 10/09, enquanto Norwich recebe o WBA em casa no dia 11/09.

Swansea City 0x0 Sunderland


E o jogo no Liberty Stadium o time da casa empatou em zero com os Black Cats. Jogo movimentado, porém os goleiros Vorm (Swansea) e Mignolet (Sunderland) impediram os gols. O Swansea ocupam o 15º lugar, enquanto o Sunderland está em 13º. Na próxima rodada, no dia 10/09, o Swansea vai até Londres enfrentar o Arsenal, enquanto o Sunderland recebe o Chelsea.

Liverpool 3x1 Bolton Wanderers


O Liverpool recebeu o Bolton no Anfield, venceu bem e apresentou um bom futebol. Os Reds conquistaram a segunda vitória e agora ocupam a liderança, enquanto os Trotters perderam a segunda e ocupam o 9º lugar.  Com amplo domínio o Liverpool fez 3 a 0 com certa facilidade (Henderson, Skrtel e Adam), e numa infelicidade de Carragher, o Bolton fez o gol de honra aos 92 minutos com Klasnic. Na próxima rodada, no dia 10/09, o Liverpool enfrenta o Stoke fora de casa, enquanto o Bolton recebe o Manchester United no Reebok Stadium.

Neste domingo, teremos ainda quatro jogos: Newcastle United x Fulham, Tottenham Hotspur x Manchester City, West Bromwich Albion x Stoke City e Manchester x United. A classificação da Premier League ficou da seguinte maneira:

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Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos_)

20 de agosto de 2011

Resumo dos jogos deste sábado da segunda rodada da Premier League

A segunda rodada da Premier League foi iniciada neste sábado com seis jogos. Confira o resumo de cada uma das partidas.

Sunderland 0x1 Newcastle



No duelo que abriu a jornada, o Sunderland começou melhor e atacou o Newcastle. Jogando em casa, no Stadium of Lights, os Black Cats criaram chances, principalmente com Sessegnon e Larsson, mas a bola não entrou, ora por Krul defendendo, outrora pela bola tirada em cima da linha por Barton, supostamente com o braço. O árbitro Howard Webb mandou seguir. Preso na defesa no primeiro tempo, os Magpies se arrumaram na etapa final e conseguiram organizar mais jogadas de ataque. E foi o Newcastle que abriu o marcador com Ryan Taylor, de falta, aos 17 minutos. O técnico Steve Bruce mexeu rapidamente no Sunderland, mas não adiantou nada e viu seu time perder em casa o clássico do nordeste inglês (chamado de Tyne-Wear Derby).

Arsenal 0x2 Liverpool


O primeiro clássico de times grandes da temporada teve desfecho ruim para o Arsenal, que perdeu por 2x0, mesmo jogando no Emirates Stadium. O time até que foi bem, criou algumas oportunidades, com Frimpong e Nasri (um dos poucos que se salvaram das vaias), mas também se expôs ao contra-ataque. Carroll e Adam davam trabalho à Szczesny. No segundo tempo, os Gunners tiveram boa chance com Van Persie, mas Reina salvou. Perto do fim, o Arsenal levou o castigo. O primeiro gol dos Reds foi de Ramsey, contra, após falha generalizada da defesa; e o segundo foi de Suárez, que tocou pras redes sem goleiro. A fraca atuação dos londrinos fizeram a torcida vaiar o time no final do jogo. Para o Liverpool, a vitória levou a equipe para quatro pontos em dois jogos.

Swansea 0x0 Wigan


Na primeira partida do Swansea como mandante na Premier League, o time não saiu do zero contra o Wigan. Mas o jogo não foi tão ruim como o resultado sugere. No primeiro tempo, os Cisnes tiveram a iniciativa e o Wigan se fechava, explorando o contra-ataque. O placar não foi aberto porque o Swansea teve incompetência na hora da finalização. Nos 45 minutos finais, o duelo foi mais equilibrado e o Wigan poderia ter vencido em um pênalti, mas Watson perdeu, quando bateu e Vorm defendeu. É o primeiro ponto dos Cisnes na volta à primeira divisão. Já os visitantes foram para o segundo empate em dois jogos.

Everton 0x1 QPR


A estreia do Everton (não jogou na primeira rodada diante o Tottenham devido aos ataques em Londres) não foi das melhores. O QPR foi ao Goodison Park mordido pela goleada sofrida na primeira rodada (4x0 do Bolton) e foi determinado a tentar pontuar. E aos 30 minutos, o time conseguiu isso, com Tommy Smith, que fez 1x0. Na etapa final, os Toffes pressionaram desesperadamente, mas sem sucesso. Os Rangers se recuperam da humilhação de sábado passado e conquistam seus três primeiros pontos na Premier League.

Aston Villa 3x1 Blackburn


Aproveitando a fragilidade do adversário, o Aston Villa venceu com tranquilidade o Blackburn por 3x1, no Villa Park. Agbonlahor e Emile Heskey colocaram o Villa com 2x0 de vantagem no primeiro tempo. O Blackburn não conseguia sair para o jogo e tomou ainda mais sufoco. Na etapa final até conseguiu diminuir com Pedersen, mas logo levou o terceiro, com Darren Bent. Com isso, o Aston Villa foi para quatro pontos. Já o Blackburn segura a lanterna, com ainda nenhum ponto.

Chelsea 2x1 West Bromwich


Na partida que fechou o sábado, o Chelsea, a duras penas, venceu o West Bromwich por 2x1, em Stamford Bridge. Mas o resultado apertado foi o de menos para o técnico André Villas-Boas, que venceu oficialmente seu primeiro jogo pelos Blues. No primeiro tempo o WBA logo abriu o placar, com Long, depois de Ramires errar passe no meio-campo. O Chelsea esbarrou no meio-campo do adversário, devido a forte marcação que o WBA tinha. Na etapa final, os londrinos mudaram de atitude e empataram com Anelka, aos 8. Porém, o West Bromwich também assustava com Scharner. Fernando Torres, apagado, deu lugar a Drogba, e isso fez os Blues melhorarem ainda mais no poder ofensivo, tanto que, aos 38 minutos, Malouda empurrou para as redes, após jogada de Bosignwa, definindo a vitória do Chelsea, que foi para quatro pontos na Premier League. Os Baggies seguem sem ganhar, com duas derrotas.

A rodada será completada neste domingo com Wolves x Fulham, Norwich x Stoke City e Bolton x Manchester City. Na segunda-feira, Manchester United x Tottenham se enfrentam no Old Trafford.

Por: Márcio Donizete (@marciodonizete)

13 de agosto de 2011

Resumo dos jogos de sábado da primeira rodada da Premier League

Neste sábado foi dado o início da Premier League 2011-12. Estaremos analisando os primeiros* jogos da rodada.

Blackburn 1x2 Wolverhampton


No confronto em Ewood Park, Blackburn e Wolves fizeram um jogo razoável. No primeiro tempo, quem abriu o placar foi o estreante Formica, mas pouco depois o Wolves tratou de empatar a partida com Fletcher. Já na segunda etapa, no rebote de uma cobrança errada de Doyle, Ward deu números finais à partida. Foi uma partida bem parelha, com chance para ambos os lados, domínio maior do Wolves no primeiro tempo, e no segundo o Blackburn que buscou mais o jogo. Ambos possuem time para ficar no meio da tabela. Na próxima rodada o Blackburn enfrentará o Aston Villa fora de casa, enquanto o Wolves recebe o Fulham.

Fulham 0x0 Aston Villa


O jogo em Londres, no “caldeirão” Craven Cottage não foi muito empolgante. Com cara de início de temporada mesmo. Poucas chances, que os excelentes goleiros Schwarzer e Given souberam defender. A partida também contou com algumas estreias, pelo lado do Fulham: Martin Jol (técnico) e John Arne Riise (lateral); pelo lado do Villa: Alex McLeish (técnico), Shay Given (goleiro) e Charles N’Zogbia (winger). Dois times que têm qualidade para brigar por uma vaga na Europa League, mas precisam melhorar muito ainda. Na próxima rodada, o Fulham enfrentará o Wolves fora de casa, enquanto o Aston Villa recebe o Blackburn.

Liverpool 1x1 Sunderland


No jogo em Anfield, talvez o melhor da rodada. Muita expectativa para ambos os times, que movimentaram bastante o mercado da bola. Cada tempo um time dominou. O primeiro foi todo do Liverpool, pressionando bastante os Black Cats, mostrando valer todo o dinheiro gasto. Mas não souberam aproveitar as chances que tiveram, Suárez perdeu um pênalti, mas depois numa cobrança de falta batida por Adam ele desviou de cabeça. Aliás, bom primeiro tempo dos estreantes, Charlie Adam (pelos passes quase perfeitos), Stewart Downing (pela movimentação junto à Suárez) e José Enrique (pela solidez defensiva), porém Jordan Henderson foi mal (mal posicionado também). No segundo tempo, o Liverpool voltou totalmente fora de ritmo, parecia cansado, diferente do Sunderland que foi com tudo pra cima dos Reds. E numa falha da defesa vermelha, os Black Cats chegaram ao gol, e que gol, um belo voleio de Larsson. Há muito trabalho a ser feito por Kenny Dalglish e Steve Bruce, o Liverpool é candidato direto ao título, enquanto o Sunderland pode ser capaz de surpreender e ficar na frente de equipes como Arsenal e Tottenham. Na próxima rodada, o Liverpool vai até o Emirates Stadium enfrentar o Arsenal, enquanto o Sunderland recebe o Newcastle.

QPR 0x4 Bolton


A partida entre QPR e Bolton no Loftus Road foi bem interessante, foi ao lado de Liverpool 1x1 Sunderland o melhor jogo de sábado. O estreante QPR não levou muita sorte (definitivamente, o veterano Dyer sofreu outra lesão), jogou até bem no primeiro tempo, mas não soube aproveitar as chances que teve. Diferente do Bolton, que marcou nos acréscimos com Cahill (que deve sair do time em breve, rumo ao Arsenal ou Liverpool). No segundo tempo, aí sim, domínio total do Bolton. O time de Coyle fez três gols em 12 minutos, matando o QPR. Apesar do placar elástico sofrido, o QPR tem um time que dá para ficar no meio da tabela, já o Bolton briga por uma vaguinha na Europa League. Na próxima rodada o QPR vai até Liverpool enfrentar o Everton, enquanto o Bolton recebe o Manchester City.

Wigan 1x1 Norwich


No DW Stadium, jogo fraco tecnicamente, até porque ambos os times irão brigar para não cair. No primeiro tempo, Watson (Wigan) é quem inaugurou o placar, numa cobrança de pênalti. E nos acréscimos Hoolahan, após falha bisonha da defesa do Wigan, principalmente do goleirão Al Habsi, empatou a partida. No segundo tempo, times pouco criaram, e o jogo ficou no empate mesmo. Na próxima rodada, o Wigan vai até o País de Gales enfrentar o Swansea, enquanto o Norwich recebe o Stoke.

Newcastle 0x0 Arsenal


E no último jogo de sábado, uma partida bem fraca, sabendo da qualidade dos elencos. O jogo ficou marcado por uma confusão entre Gervinho e Barton. No primeiro tempo, pouca movimentação das equipes, o time da casa não conseguia criar, já o Arsenal ficava muito dependente das jogadas de Gervinho, que foi inclusive muito bem, mas não o bastante para ajudar a abrir o placar. No segundo tempo, o Newcastle passou a ter mais chances, enquanto o Arsenal ainda não se encontrava em campo. A segunda etapa aliás foi marcada por uma confusão. Gervinho simulou um pênalti na área, onde o árbitro não marcou, só que os jogadores do Newcastle partiram pra cima do marfinense, entre eles o que adora confusão, Barton, que chegou a trocar algumas agressões com o winger do Arsenal. Depois da confusão, o árbitro expulsou Gervinho e deu apenas um amarelo para Barton. O Arsenal sentiu bastante a falta da qualidade técnica de Nasri e Fàbregas, é um problema a ser trabalhado por Wenger. Já o Newcastle, falta aquele homem que chame mais a responsabilidade, um que desequilibre a partida. Na próxima rodada o Newcastle irá enfrentar o Sunderland fora de casa, enquanto o Arsenal receberá o Liverpool em casa.

*Lembrando que a partida entre Tottenham e Everton foi adiada, devido a onde de violência que vem ocorrendo na Inglaterra.

Neste domingo, teremos mais dois jogos: Stoke x Chelsea e West Bromwich x Manchester United. Manchester City e Swansea jogam na segunda.

Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos_)

30 de julho de 2011

Disputa de terceiro lugar e final da Barclays Asia Trophy


A Barclays Asia Trophy, torneio de pré-temporada promovido pelo grande patrocinador da Premier League, teve, hoje, seu desfecho com a disputa do 3° lugar e a disputa do título.

Como prometido, aqui está a análise das últimas duas partidas da competição:

Disputa do 3° lugar: Blackburn 3 x 0 Kitchee

 
Na disputa do 3° lugar, o Blackburn fez sua obrigação e venceu o Kitchee, equipe chinesa, por 3 a 0, em gols marcados por Formica, Blackmann e Dunn.

Diante de uma equipe bastante fraca tecnicamente, os Rovers fizeram o que deveriam fazer. Pressionaram desde início, não deram espaço para o rival e aproveitou as boas oportunidades que teve, aliado a uma boa atuação de David Dunn, o time inglês não encontrou grandes dificuldades e venceu bem o fraco time chinês.

Mais uma vez a deficiência técnica do Kitchee veio a tona. O time é muito fraco, tentou até algumas vezes levar perigo ao Blackburn, mas não conseguiu criar boas jogadas. Em meio a um grande sufoco, a equipe ainda conseguiu obrigar o goleiro Bunn a fazer uma única boa defesa.

O homem do jogo, sem dúvida, foi David Dunn. O meia criou as melhores jogadas do Blackburn, compôs muito bem o meio-campo e para fechar com chave de ouro deixou o seu gol, acabando por ser a peça-chave para o terceiro lugar conquistado pelos Rovers.

Final: Chelsea 2 x 0 Aston Villa


Nada de surpresas na final da Barclays Asia Trophy. O grande favorito, Chelsea, confirmou seu status e sem grandes dificuldades venceu a equipe do Aston Villa por 2 a 0, gols marcados por Anelka e Fernando Torres.

Com grandes perdas na janela de transferência, o Villa mostrou que as coisas para esta temporada serão difíceis. A equipe de Alex McLeish foi presa fácil para o Chelsea, que dominou o jogo desde o início, criou diversas oportunidades e viu seu adversário levar perigo a sua meta em pouquíssimas vezes.

O domínio do Chelsea não refletiu no placar. A equipe criou muitas oportunidades e deu grandes sinais de que uma goleada seria construída, entretanto, os Blues pararam na muralha Shay Given, que mais uma vez teve que fazer o impossível para salvar sua equipe.

O homem do jogo poderia ser muito bem Anelka, grande destaque do Chelsea, no entanto, destaco a atuação de um jogador da equipe derrotada. Given mais uma vez foi brilhante, fechou o gol do Villa e mostrou que tem tudo para crescer ainda mais nessa temporada.

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

27 de julho de 2011

As semifinais da Barclays Asia Trophy


A Barclays Asia Trophy é uma competição organizada pelo principal patrocinador da Premier League, que realiza o torneio na Ásia em busca de conquistar um novo mercado e divulgar o futebol por lá.

Apesar de ser apenas um torneio amistoso, a competição é interessante por 3 das 4 equipes que a disputam serem times da Premier League, o que acaba por ganhar nossa atenção, pois, assim, podemos conhecer e ver como tais equipes virão para a temporada.

A competição, que é disputada por Chelsea, Aston Villa, Blackburn e Kitchee (equipe chinesa), terá apenas suas duas semifinais, e, depois, teremos a final e a disputa de terceiro lugar.

Aqui em nosso blog, você encontrará nossa análise sobre todos os jogos, já começando por hoje com as duas semifinais.

Aston Villa 1 x 0 Blackburn


Após perder peças importantes para a próxima temporada, o Aston Villa estreou bem no torneio de pré-temporada. A equipe conquistou uma boa vitória sobre o Blackburn por 1 a 0, gol marcado por Darren Bent, que mostrou ter tudo para se tornar o destaque da equipe nessa temporada.

O Aston Villa de Alex McLeish entrou retrancado, apostando no contra-ataque, e permitiu muitas vezes o Blackburn chegar a seu campo de ataque levando muito perigo.

A partida foi bastante competitiva, os Rovers se comportaram muito bem diante de um adversário fechado, entretanto, em muitos momentos, deixou espaços para o Villa contra-atacar e criar suas jogadas mais perigosas.

Sem conseguir criar muitas chances, os Villans conquistaram a vitória na base do oportunismo. Contratado a peso de ouro, o atacante Dareen Bent foi capaz de empurrar para as redes e mostrar que chega para ocupar a vaga de protagonista no time.

Sobre a vitória do Aston Villa, a considero injusta. O Blackburn teve um maior domínio da partida, criou mais oportunidades e só não conseguiu chegar ao gol por ter parado em Shay Given, que fez grandes defesas, podendo até mesmo ser considerado o melhor jogador da partida.

Chelsea 4 x 0 Kitchee


Diante da equipe mais fraca da competição, o Kitchee, que é o atual campeão chinês, o Chelsea não fez feio. Os Blues não demonstraram todo seu potencial, mas jogaram o bastante para golear a equipe chinesa por 4 a 0, gols de Lampard, Luzardo (contra), Drogba e Sturridge.

Depois de um jogo muito bom entre Aston Villa e Blackburn, Chelsea e Kitchee protagonizaram um jogo de um time só. A tradicional equipe londrina não precisou "suar a camisa" para aplicar a goleada no time chinês.

Armado muito bem em um 4-2-3-1 por André Villas-Boas, os Blues apresentaram um meio-campo eficiente, que trabalhou bem a bola e criou oportunidades muito boas quando partiu para a cima da nada brilhante linha defensiva do Kitchee.

O homem do jogo não poderia ser outro, se não Didier Drogba. O atacante infernizou a defesa chinesa, criou muito boas oportunidades e mostrou que esta temporada poderá ser a sua temporada.

Além do atacante, vale a pena destacar também Benayoun que voltou a fazer uma eficiente partida nesta pré-temporada. Mostrando que, enfim, poderá se firmar como uma boa opção no elenco do Chelsea.

Nota rápida: A final entre Chelsea e Aston Villa será realizada no sábado, assim como a disputa do 3° lugar entre Blackburn e Kitchee. Ambos os jogos ganharão destaque aqui no blog.

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

20 de janeiro de 2011

O homem de 47 milhões de libras

Charlton Athletic (£2.5m), Tottenham (£16.5), Sunderland (£10m) e Aston Villa (£18m) desembolsaram, juntos, cerca de £47 milhões por Darren Bent

Dizem que o "futebol é uma caixinha de surpresas". E estes não estão errados. Nem o mais cético torcedor do Sunderland acreditou, ao abrir seu tablóide favorito pela manhã, na - bombástica - notícia de que Darren Bent requisitou por escrito sua transferência para outro clube logo após o empate no Tyne-Wear's derby com o Newcastle. Um pedido como esse só se justifica pelo fato do jogador estar descontente, infeliz no clube, como foram os recentes casos de Carlos Tevez e Wayne Rooney, ambos apaziguados pelas diretorias dos clubes.

No quadro do atacante de 26 anos, entretanto, não há em vista algo que o tenha aborrecido. Apesar da temporada pouco produtiva (8 gols marcados em 20 jogos disputados), Bent, em nenhum momento, teve sua titularidade ameaçada pelas chegadas de Asamoah Gyan e Danny Welbeck (emprestado pelo Manchester United). O técnico Steve Bruce, inclusive, chegou a deixar o ganês no banco em várias partidas a favor da manutenção de Bent entre os titulares. Quando isso não foi possível, Bruce escalou o trio, deslocando Welbeck para a ponta esquerda.

Como se a polêmica criada já não fosse suficiente, um acerto-relâmpago (em cerca de dois dias) com o Aston Villa tratou de jogar álcool no fogo. Rumores indicam que os Lions entraram em contato com o atleta antes do pedido de transferência, que é visto pela mídia como uma artimanha feita para facilitar a sua liberação. A reação vinda do nordeste inglês não poderia ter sido menos explosiva. Além da alcunha de mercenário, Bent tem recebido ameaças constantes em sua página no Twitter.

O único ponto negativo para o Aston Villa é o salgado preço de £18 milhões, que pode chegar a 24 com base nas atuações do atleta. Excetuando-se o lado financeiro, em campo, os Villans voltam (pelo menos na teoria) a serem competitivos. Bent e Jean II Makoun (volante contratado junto ao Lyon) têm potencial para dar ao time comandado por Gérard Houllier o tão almejado equilíbrio entre o meio e o ataque. Quem não gostou nem um pouco desta história foi o ex-técnico dos Lions, Martin O'Neill. Na sua época, gastar £18m era coisa de Manchester City...

5 de janeiro de 2011

Roleta inglesa

Roy Hodgson, do Liverpool: dos ameaçados, o mais encrencado

A 22ª rodada da Premier League aproximou o Manchester United de uma caminhada tranquila para o título. Mas o grande impacto dos jogos de hoje pode acontecer sobre as estatísticas do desemprego no Reino Unido. Teriam sido as últimas falhas de Carlo Ancelotti, Roy Hodgson, Gerard Houllier e Avram Grant em seus atuais vínculos?

Demitir o italiano seria, apesar da péssima forma, uma atitude intempestiva - ainda que bem natural para Roman Abramovich. Sim, Scolari caiu com o Chelsea na quarta posição, com razoáveis 49 pontos em 25 jogos, a sete do líder. Ancelotti está em quinto, com péssimos 35 pontos em 21 partidas, a nove do Manchester United. Carletto, entretanto, é campeão inglês e, claramente, tem o apoio do elenco. Por ora, é preciso reparar os efeitos da demissão do assistente Ray Wilkins e agir fortemente no mercado para corrigir o antigo problema da defesa rasa. A questão é mesmo histórica: em 2007, José Mourinho chegou a montar a retaguarda com Geremi, Essien, Paulo Ferreira e Ashley Cole.

Hodgson tem problemas ainda mais sérios no Liverpool, não vem de título e tampouco tem 10 dos pontos de Ancelotti. Roy venceu apenas um dos últimos 28 jogos fora de casa pela Premier League. O triunfo contra o Bolton é a exceção à regra. Entre um Fulham mais preocupado com a Liga Europa e um Liverpool em crise, ele não atribuiu consistência a seus conjuntos. Em Craven Cottage, era aceitável - até admirável, por conta da nobre causa paralela. Em Anfield, não é. A pesada derrota para o fraco Blackburn de Steve Kean não deve ser perdoada. Os Reds precisam, sim, de vários reparos em janeiro. Mas não precisavam estar na 12ª posição, quatro pontos acima da zona de rebaixamento. Se sobreviver agora, Hodgson certamente terá de vencer, pela FA Cup, o Manchester United em Old Trafford.

A situação de Houllier no Aston Villa é um tanto diferente. A presença na zona do rebaixamento assusta, mas pode ainda não apontar para um trabalho desastroso. O elenco pobre, associado a uma incrível sequência de lesões (sobretudo entre os meias centrais), dificultou o desenvolvimento do time. Está claro que este Villa, sem O'Neill, Barry, Milner e um finalizador decente, não poderia lutar por competições europeias. A derrota para o Sunderland mesmo com um conjunto mais próximo do ideal viabiliza a eventual demissão do treinador francês. Mas não há dúvida de que a possível dispensa pode ser tachada de prematura.

No West Ham, é necessário compreender o que é excepcional: o nono posto conquistado com Zola em 2008-09 ou as péssimas campanhas seguintes? O plantel também é fraco, e Grant não poderia ir além da corrida contra o rebaixamento. A goleada para um Newcastle sem Carroll realmente é condenável. No entanto, à exceção do desastre de St. James' Park, o time se comportou bem após o ultimato da cúpula a Grant. Os oito pontos conquistados nos quatro jogos anteriores aproximam os Hammers da saída da zona de rebaixamento. Parece ser hora de dar um crédito ao agora cauteloso israelense.

Imagem: Telegraph

15 de dezembro de 2010

De mãos dadas no fundo do poço

Tudo o que Birmingham e Aston Villa tem feito até agora é brigar para sair da parte de baixo da tabela

A cidade de Birmingham é certamente uma das mais importantes da história do heavy metal. Afinal, de lá saíram grandes medalhões do estilo - o Black Sabbath, talvez a banda mais importante do gênero, e o Judas Priest -, além de outras bandas importantes, como o Napalm Death, precursor do grindcore. As soturnas e macabras letras e músicas da banda de Ozzy Osbourne e Toni Iommi, aliás, representam muito bem o atual momento de certos times da gloriosa cidade que atuam na Premier League.

A tabela não mente: Aston Villa e Birmingham não fazem boas campanhas na competição nacional. Após terem tido um bom desempenho na temporada passada (terminaram em 6º e 9º, respectivamente), ambos os clubes namoram a zona de rebaixamento: enquanto o Villa está na 14ª posição e com quatro pontos a mais do que o Wigan, 18º colocado, os Blues estão apenas em 16º e a dois pontos dos Latics. E pela forma atual, terão de melhorar muito se quiserem se livrar dessa incômoda posição.

Antes de tudo, é preciso reconhecer que a briga por boas posições na atual temporada é muito complicada. O fato de dois clubes - mais precisamente Tottenham e Manchester City - terem se fortalecido e estarem brigando de igual para igual com o chamado Big Four (quase reduzido a um Big Three) praticamente monopolizou a briga pelos quatro primeiros lugares. O crescimento de equipes como Bolton e Sunderland dificultou a disputa por vagas na Liga Europa. E a surpreendente resistência dos emergentes West Bromwich e Blackpool torna mais árdua a luta no bloco intermediário.

Porém, os rivais da cidade de Birmingham possuem totais condições de ao menos se localizarem no bloco intermediário. O Aston Villa, mesmo perdendo Milner para os Citizens, mantiveram a boa base dos últimos anos. E o Birmingham, que tinha um time visivelmente limitado, conquistou profundidade dentro de seu elenco com os reforços de Zigic, Beausejour e Hleb. Visto por esse lado, não era de se esperar uma queda tão brusca de ambas as equipes.

É justamente aí que entra a imprevisibilidade. Foi ela que, por exemplo, começou a minar as chances dos Lions na competição e terminou de afundar o clube mais adiante: antes do começo do campeonato, o ótimo Martin O'Neill inesperadamente deixou vago o cargo de técnico do clube; tempos depois, enquanto o Villa fazia uma campanha razoável mesmo sem o norte-irlandês no comando, uma terrível sequência de lesões assolou o elenco do time. O cenário chegou a ser tão desolador e macabro que nem Black Sabbath e bandas por eles influenciadas conseguiriam escrever letras para retratar a dramática e esquisita situação.

Brincadeiras a parte, a verdade é que o mais do que lotado departamento médico do Villa ajuda a prejudicar a campanha da equipe na competição. Se Gerard Houllier tinha suas dificuldades para montar sua formação ideal - que já não são poucas tendo que escalar Heskey ou Carew no ataque -, elas foram extremamente escancaradas a partir do momento em que o treinador se viu sem quase todos os seus meias titulares e reservas, tendo que apelar para jogadores jovens e inexperientes. Isso ajudou o time a ficar quatro jogos sem vencer, conquistando apenas um de doze pontos possíveis até que os Lions batessem o West Brom por 2 a 1 no último sábado.

Não seria exagero dizer que o Birmingham também foi atingido pela imprevisibilidade. Tendo consciência de suas limitações, os Blues foram ao mercado durante o verão. Contrataram muito bem; porém, muito tarde: Hleb, Beausejour, Derbyshire r Jiránek se juntaram a Zigic e Foster já nos últimos dias, se não no último, em que a janela estava aberta, tendo que entrar em sintonia com o clube quando a Premier League já havia começado.

E para tristeza de seus torcedores, além do outrora sólido time não ter se encontrado na competição, os reforços não vingaram. Zigic, por exemplo, entrou em campo em quase todas as partidas, mas marcou apenas duas vezes; e Hleb, um dos destaques do Arsenal anos atrás, quando não está lesionado, está longe de reeditar suas grandes atuações pelos Gunners. O fato do talentoso bielorrusso não ter se reencontrado talvez seja um dos grandes problemas da equipe, que perde a chance de tirar proveito de um jogador que talvez tenha potencial para estar em clubes muito melhores do que o Birmingham. De qualquer maneira, o meia - que está novamente machucado - vai afundando com os Blues até agora, que só conseguiram três vitórias na Premier League e conseguiram até mesmo a proeza de perder para os Wolves na última rodada.

A esperança do Birmingham é se agarrar no passado e tentar repetir o que aconteceu na temporada passada, quando, após um começo titubeante, acumulou uma série de resultados positivos durante o meio do campeonato, o que rendeu uma boa posição final ao time. Porém, tal retrospecto é tudo o que o Aston Villa não precisa: afinal, o clube é conhecido por, nas últimas temporadas, ter uma sequência incrível de resultados negativos no período entre janeiro e março. Se a tendência se confirmar, Houllier terá muito trabalho tentando tirar a equipe de uma antes improvável estadia na zona de rebaixamento.

Imagem: Birmingham Mail

1 de dezembro de 2010

Denso dezembro

Frank: na alegria e na tristeza, fundamental

Por meio da seleção de acontecimentos representativos, o historiador britânico Eric Hobsbawm limitou "o breve Século XX" a um intervalo entre 1914 e 1991. Pela tradicional pesada sequência de jogos, podemos dizer que o denso mês de dezembro para a Premier League começa no próximo sábado e vai até 5 de janeiro. Se as condições climáticas permitirem, vai haver 70 jogos da Premier League no período. É óbvio que quaisquer outras sequências de sete rodadas são igualmente fundamentais, mas, em função da grande concentração de jogos em pouco tempo, um mês de crise não passará impune. Daí, falamos em quatro das várias questões que podem determinar a tabela ao fim da maratona:

Quais os efeitos da gloriosa noite em Upton Park? Dois gols de Spector, ex-Manchester United. Três assistências de Obinna. Assim, o West Ham, último colocado na Premier League, eliminou os Red Devils da Carling Cup com fantásticos 4 a 0 em Londres. Sim, Ferguson preservou vários titulares. Mas ele não contava com essa, não esperava perder. Por isso, dá para dizer que o escocês pagou sua dívida com Grant, o treinador do Chelsea na decisão da Champions em 2008, quando Terry e Anelka entregaram o título ao United. Resta saber qual será o impacto da goleada sobre a postura dos Hammers. Os alvos mais realistas ainda são Blackpool (11º) e West Bromwich (12º), sete pontos à frente. Confrontos do West Ham: Sunderland (f), Manchester City (c), Blackburn (f), Fulham (f), Everton (c), Wolves (c) e Newcastle (f).

Os meias centrais do Aston Villa vão se manter saudáveis? Petrov, Ireland, Reo-Coker, Clark, Sidwell e Delph chegaram a ficar simultaneamente lesionados. A responsabilidade dos jovens Bannan e Hogg cresceu abruptamente. Clark, Reo-Coker e Ireland estão teoricamente prontos para a maratona. Mas a liderança de Petrov, antigo homem de confiança de O'Neill no Celtic e no Villa, passará longe de campo até fevereiro. Menos por Houllier do que pelas contusões e a falta de profundidade, o time, eliminado da Carling Cup pelo rival Birmingham e na 15ª posição da liga, está meio perdido. As pretensões, ainda mais com a sequência complicada, parecem restritas a uma permanência confortável na elite. Confrontos do Villa: Liverpool (f), WBA (c), Wigan (f), Tottenham (c), Manchester City (f), Chelsea (f), Sunderland (c).

O que Mancini pensa sobre Adam Johnson? O gol marcado contra o Red Bull Salzburg na Liga Europa ratificou o caráter inexplicável da posição de Johnson no elenco do Manchester City. Milner rende muito mais como meia central, mas Mancini insiste em escalá-lo aberto. Johnson, Silva e Balotelli, como eventuais meias no 4-2-3-1, poderiam ajudar Tévez a atribuir mais profundidade ao time. As ambições do City passam necessariamente por mais ousadia. A rotação que Mancini impõe aos meias - e, na cabeça dele, Yaya Touré é meia - não é imposta aos aparentemente intocáveis De Jong e Barry. Confrontos do Manchester City: Bolton (c) - veja como Kevin Davies, capitão do Bolton, provocou os rivais de sábado -, West Ham (f), Everton (c), Newcastle (f), Aston Villa (c), Blackpool (c) e Arsenal (f).

Lampard vai jogar regularmente? O Chelsea precisa de seu vice-capitão para superar - ou pelo menos acompanhar - Manchester United e Arsenal. Aos 27 anos, Lampard atingiu a marca de 164 jogos consecutivos na liga. Aos 32, sua condição física parece bem distante daquela que, aliada à capacidade técnica, transformou-o no melhor jogador da era Mourinho. Após semanas fora de combate por contusão na virilha, ele pode ainda não retornar contra o Everton, no sábado. Apesar dos problemas físicos, Lampard segue insubstituível e, em forma, pode subverter a péssima herança de novembro. Em 2009-10, foram incríveis 22 gols e 17 assistências na liga. Preste atenção à sequência dos Blues. Confrontos do Chelsea: Everton (c), Tottenham (f), Manchester United (c), Arsenal (f), Bolton (c), Aston Villa (c) e Wolves (f).

18 de novembro de 2010

Com o Pires na mão?

Habitualmente adversários, Friedel e Pires agora somam forças e idades (76 anos) no Villa Park

Robert Pires, aos 37 anos, está de volta à Inglaterra. Gérard Houllier resgatou o compatriota da aposentadoria, e o antigo winger do Arsenal agora presta serviços ao Aston Villa. Pires esteve no Highbury entre 2000 e 2006. O francês era peça fundamental de um time vencedor e encantador, que conquistou, por exemplo, a Premier League de 2003-04 com campanha invicta. O protagonista era Thierry Henry, mas Robert também levantou um troféu individual no norte de Londres: o de jogador do ano pelos jornalistas ingleses, em 2001-02. Infelizmente para Houllier, a referência mais precisa de Pires não é geográfica, mas cronológica. Os últimos quatro anos, no Villarreal, foram somente razoáveis.

Exatamente por isso, o contrato dele com o Villa é de apenas seis meses. O assistente técnico Gary McAllister (que foi jogador de Houllier no Liverpool) vê o negócio como "uma grande oportunidade para os mais jovens". Pires, de fato, pode ensinar muito. São dois títulos na Premier League, três na FA Cup e, de quebra, uma Copa do Mundo. Por outro lado, Houllier imagina não ter contratado apenas um currículo, mas alguém que possa contribuir para tirar os Lions da nona posição no campeonato. A atitude do treinador francês não chega a ser desesperada, mas a aposta em Pires parece ter um quê de impotência para atrair contratações mais seguras.

O Aston Villa tem três entraves: a confiança cega em uma defesa com Collins e Dunne, os meias centrais na enfermaria e a ausência de um bom finalizador. Agbonlahor não atende a este quesito; Heskey e Carew não têm atendido a quesitos. E Pires não é a solução para nenhum dos problemas em questão. Imaginando o que fazia no Highbury, ele reforça o setor mais abastado do time: o dos wingers. Ashley Young e Downing são excelentes, e o jovem Albrighton tem evoluído muito bem. Tanto que Young é, nesta temporada, escalado à frente da linha dos quatro meias, o que abriu espaço a Albrighton pela direita.

Está claro que Pires não deve jogar, em intensidade e posicionamento, como na época de Arsenal. Wenger costumava colocá-lo à esquerda, com Ljungberg no flanco oposto. No Villa, ele pode cumprir função similar à de van der Vaart no Tottenham, no suporte a um atacante único. Isso, supõe-se, nos segundos tempos. Por ora, é difícil acreditar que um jogador de 37 anos, inativo desde maio, chega com fôlego para barrar um Albrighton em plena forma.

A expectativa é de que Pires seja, no Villa, mais uma voz da experiência, como quer McAllister, e um jogador de rotação, para ajudar Houllier na movimentação do elenco. Não se pode exigir mais. Na Inglaterra, as aventuras pós-Arsenal de alguns nomes daquela geração vitoriosa não representam um bom modelo: Ljungberg no West Ham, Lauren no Portsmouth e Vieira no Manchester City não foram (ou não é, no exemplo de Vieira) exatamente um sucesso. Pires pode começar a escrever uma história um pouco diferente a partir de domingo, contra o Blackburn.

Imagem: BBC

14 de novembro de 2010

Primo pobre

Rooney e metade dos laterais-direitos de Ferguson, há três anos, em Macau

O Manchester United tinha tudo para vencer, mas não resistiu e empatou novamente: 2 a 2, em Birmingham, diante do Aston Villa. O placar deixou a equipe na terceira posição da Premier League, com média inferior a dois pontos por jogo - o mínimo aceitável para o padrão recente do clube. A paixão do conjunto por empates é tão intensa, que os Red Devils, ainda invictos, acumulam seis em sete jogos como visitante. A única vitória, por sinal, veio através de dois movimentos à moda Solskjaer do promissor Chicharito Hernández, que inspirou os 2 a 1 sobre o Stoke. Na ocasião, não merecia mais do que outro empate contra o enérgico time de Tony Pulis.

Durante boa parte do confronto no Villa Park, o United foi controlado pelos enfraquecidos Lions. Sim, o Aston Villa é, quando completo, um time deveras interessante. Nas últimas semanas, entretanto, Gérard Houllier tem sido vítima de uma desagradável coincidência - alguns chamariam de Lady Murphy. De repente, quase todos os meias centrais do elenco resolveram se juntar ao promissor Fabian Delph na enfermaria. Além da antiga revelação do Leeds United, estão lesionados Petrov, Ireland, Reo-Coker, Sidwell e Clark. Sobraram Barry Bannan, que já havia sido utilizado quatro vezes no campeonato, e Jonathan Hogg, que estreou na Premier League justamente contra o Manchester United.

É intrigante o fato de Carrick e Fletcher não os terem dominado antes dos minutos finais, os da reação. Bannan é promissor, mas Hogg pareceu muito titubeante - o que era até natural. Mas não foi por ali que os mancunianos se perderam e concederam dois gols ao Aston Villa. A diferença entre os dois times ficou restrita a um lado. Enquanto Albrighton, à direita, não fez muito mais do que a conclusão do lance do segundo gol, Downing, à esquerda, promoveu a festa contra Wes Brown, que, duas temporadas depois, voltou a ser frequentemente escalado na lateral. Ashley Young, no suporte a Agbonlahor, também atormentou o defensor aposentado da seleção, responsável pelo pênalti que abriu a porteira.

Brown é um dos oito laterais-direitos que Ferguson escalou em um intervalo de dois anos. O'Shea, Rafael, Neville, De Laet, Fábio, Fletcher e Carrick também passaram por lá. A ausência de um nome confiável para a posição é, por um lado, explicada pelo baixo número de bons laterais destros na Inglaterra. O zagueiro Ivanovic, valendo-se da lesão de Bosingwa e dessa escassez, foi o melhor da temporada passada. Glen Johnson, aquele que tem mais recursos, não engana ninguém desde os tempos de Portsmouth. Quando surge um talentoso, como Séamus Coleman, do Everton, há certa tendência a um deslocamento ao meio-campo - Phil Neville e Hibbert disputam a lateral no Goodison Park.

Ainda assim, é inaceitável que o United não tenha um sólido especialista à disposição. Neville não aguenta mais, e Rafael, a melhor das opções, ainda não consegue defender a contento. A Ferguson, faltou sagacidade no mercado de verão, quando, após ser eliminado da Champions em virtude de uma emblemática falha de seu lateral (que era Rafael, mas poderia ter sido qualquer outro), manteve-se apático e não acionou seus olheiros para aproveitar alguma oportunidade. Por exemplo, o jovem César Azpilicueta, agora no Olympique de Marselha, deixou o Osasuna por 9,5 milhões de euros. Pré-convocado à Copa do Mundo por Vicente del Bosque, o espanhol é um dos mais promissores na posição e, se em Old Trafford estivesse, poderia criar uma ótima concorrência com Rafael em longo prazo.

Hoje, a resolução do problema depende apenas da evolução do brasileiro. É muito pouco. Assim como tem sido insuficiente o investimento nas últimas temporadas, do qual a falta de um lateral-direito confiável é só um símbolo. Novidades da última janela de transferências, Smalling e Hernández taparam dois importantes buracos do elenco, mas a verdade é que a queda de Rooney e a grave lesão de Valencia deixam o time pior do que em 2009-10. É aquela história: não se pode entregar toda a responsabilidade a somente um indivíduo. No ano passado, o clube, que perdia Tévez e Ronaldo, reforçou-se com Owen, Obertan e Valencia.

Sem novos grandes investimentos, é muito difícil apostar no Manchester United. A era dos automatismos, do tic-tac de Paul Scholes (que fez falta contra o Aston Villa) e da velocidade de Giggs, está acabando. Apesar do sensacional início de temporada do meia central, Ferguson não pode mais apostar na velha guarda como base do time. E nem em sua filosofia de polivalência, que lhe dá o direito de escalar quase um terço do elenco na lateral direita. Não é necessário gastar efusivamente - até porque a situação financeira do clube não parece permitir isso. Mas Sir Alex (ou seu sucessor) precisa aproveitar oportunidades para tapar todos os buracos - não apenas os do elenco, mas especialmente os do time titular.

Imagem: China Daily

1 de novembro de 2010

Preconceito

Não se trata do show de horrores protagonizado por supostos cidadãos no Twitter, que não aceitam derrotas eleitorais, fantasiam razões para uma vitória legítima e, sem qualquer argumento minimamente aceitável, discriminam os brasileiros do Nordeste. Trata-se da décima rodada da Premier League, que, tal qual o bom senso em redes sociais, derrubou ideias preconcebidas.

No clássico de Birmingham, Gérard Houllier fez valer sua autoridade. Stephen Ireland, moeda de troca na transferência de Milner para o Manchester City, começa a causar problemas no Villa Park. Após chegar com status de substituto direto e inconteste do agora jogador dos Citizens (meia central na maior parte da temporada passada, pelo Aston Villa), o irlandês não tem agradado ao treinador francês. "Precisa treinar mais duro", diz o ex-manager do Liverpool. Contra o Birmingham, Stephen, que jogara mal diante do Sunderland, na rodada anterior, foi rebaixado ao banco de reservas. Com vários desfalques, Houllier prescindiu da classe do ex-meia do City em benefício do jovem Barry Bannan, o escolhido para substituir Sidwell no segundo tempo. Ireland amargou a reserva até o fim.

Cardiopata, Gérard voltou ao futebol inglês, pelos portões do Villa Park, sob desconfiança: ele seria emocionalmente forte para suportar momentos agudos ou tomar certas decisões? Houllier sabia que, mesmo mal em outros aspectos, Ireland poderia resolver o jogo com sua capacidade técnica e que seria essencial para cobrir a ausência de Petrov, uma vez que a meia central ficou travada com Sidwell e Reo-Coker. Mas também sabe que vale a pena demonstrar autoridade agora. É melhor do que apostar a qualquer custo numa vitória no dérbi e perder as rédeas de seu mais habilidoso e preguiçoso meia. Ireland, sabemos, não tem cabeça. Houllier pode oferecer esse atributo a ele. Logo o francês, que, especialmente em virtude da cardiopatia, era tachado de fraco do ponto de vista disciplinar.

Roberto Mancini, ao contrário, precisa retomar o controle do grupo do Manchester City. Há quem diga que não existe mais clima para o italiano. Mas é preciso paciência: há duas rodadas, seu trabalho não era contestado externamente. O que precisamos questionar é a excessiva dependência de Tévez. A derrota para o Arsenal veio com um Carlitos ilhado após a expulsão de Boyata. Foi apenas a consumação de uma realidade já transformada em natural: o argentino corre por mais de um jogador e cria a maioria das próprias chances de gol. O problema foi escancarado na absurda derrota para o Wolverhampton, no Molineux, quando Tévez estava fora de combate. A dependência do City em relação ao Apache, aparentemente superior às de Boca, Corinthians e West Ham, soa contraditória para um elenco repleto de opções ofensivas, mas sem tanta gente para abraçar grandes responsabilidades.

O Newcastle, por sua vez, consegue se sustentar ofensivamente. Com dois atacantes fortes - Carroll e Ameobi -, os Magpies golearam sumariamente o Sunderland (que teve o desastroso Titus Bramble, ex-Newcastle, expulso no segundo tempo) no Tyne-Wear derby. O hat-trick do capitão Kevin Nolan foi o destaque dos fantásticos 5 a 1. Não se esperava que a facilidade encontrada no Championship seria reproduzida, mesmo esporadicamente, na Premier League. Pois bem. Ainda que muito irregular, o conjunto de Chris Hughton mostra que velocidade, profundidade e capacidade de finalização, características marcantes desse time, são importantes em qualquer instância. É evidente que a possibilidade de grandes resultados do Newcastle contra equipes do primeiro escalão esbarra numa mera questão de qualidade. Entretanto, ao contrário do que muitos supunham, o veloz time de Hughton é capaz de vencer - e bem - disputas como a do domingo, de inestimável relevância emocional para os torcedores.

Emoções à prova. Os adeptos do Liverpool têm experimentado a sensação mais frequentemente do que gostariam. A segunda vitória consecutiva na Premier League não foi suficiente para atribuir aos triunfos um caráter natural, rotineiro. Pela primeira vez, Hodgson venceu longe de Anfield. Motivação suficiente para uma verdadeira festa no site oficial do clube, que tratou o 1 a 0 sobre o Bolton, que afastou o clube da zona de rebaixamento, como um título. É notório o exagero, ainda que, de fato, os Reds tenham melhorado substancialmente após o dérbi de Merseyside, o primeiro confronto sob os olhares de John Henry, novo proprietário do clube. Entretanto, um aspecto precisa ser considerado: Maxi Rodríguez.

Três titulares do Liverpool pareciam ser os pontos falhos do time: Lucas, Maxi e Konchesky. O brasileiro tem evoluído. Contra Blackurn e Bolton, jogos aceitáveis, mais próximos de seu desempenho na seleção de Mano que de suas apáticas exibições prévias, sob o comando de Benítez ou de Hodgson. Mas o destaque, mesmo, é o argentino. Substituto de Kuyt, Rodríguez parece, aos poucos, retomar o curso do futebol que impressionava no Espanyol, no Atlético, ou mesmo na seleção, especialmente na Copa do Mundo de 2006. Melhor fisicamente, Maxi, autor do gol da vitória no Reebok Stadium, é novamente dinâmico, produtivo. Embora ainda cometa falhas em situações importantes, a movimentação, a contribuição defensiva e a ameaça à retaguarda adversária não podem ser desprezadas. Aqui, o preconceito é deste blogueiro. Preconceito superado pela admissão da melhor forma de Rodríguez.

Contudo, Konchesky segue muito mal. Os problemas com Lee, do Bolton, não foram os únicos que ele não conseguiu solucionar. As ideias preconcebidas de Hodgson, positivas em relação a seu lateral-esquerdo no Fulham e duvidosas sobre Carlos Salcido, custam caro ao Liverpool. Salcido, que fez ótima Copa e era importante peça para o PSV, deixou de ser contratado pelos Reds, que preferiram Konchesky. O Fulham, sagaz, aproveitou para capturar o mexicano, que, por sinal, está na seleção da rodada de Garth Crooks, da BBC. Hoje, está claro que o NESV vai contratar um lateral-esquerdo em janeiro. Fábio Aurélio raramente está saudável, e Konchesky é, por ora, um desastre. Decisão infeliz, a de Hodgson, que até poderia ter segurado Insúa.

Outro ponto importante do esboço de recuperação do Liverpool é a defesa, que minimizou a incidência de gols tolos. O mérito é de muita gente, até de Lucas. Mas uma das grandes vítimas de ideias preconcebidas da liga é quem mais tem se notabilizado pela maior segurança. Sim, Sotirios Kyrgiakos. A presença do ex-zagueiro do AEK, contratado na temporada passada, sempre era razão para desespero. Entretanto, sua participação tem sido providencial. Sem Johnson e Agger, Hodgson precisa de Carragher na lateral direita. Soto (em alusão a Sotirios), como é chamado pelos torcedores, é seguro, arruma bem a defesa e, eventualmente, contribui com gols. O grego não está entre os melhores defensores do mundo, mas não merece ser ridicularizado. Aliás, ninguém merece (ideias preconcebidas).

Imagens: Telegraph, site do Fulham

7 de setembro de 2010

Assuntos independentes

Vamos incorporar a lógica de trocadilhos desprovidos de criatividade do feriado, tais como "a Independência do basquete brasileiro", e falar sobre assuntos parcialmente desconexos:

Gérard Houllier próximo do Aston Villa. Alguns torcedores do Liverpool não gostam dele porque pensam que, com Benítez, o clube esteve mais próximo de conquistar a Premier League. É verdade, mas a comparação não é apropriada. Houllier resgatou o time de uma década perdida, a de 90. Quanto ao espanhol, seu grande mérito foi elevar o patamar dos Reds em nível continental, mesmo em 2005, quando o título veio após as circunstâncias mais estranhas e através do mais fraco elenco em Anfield nos últimos tempos. Mas o fato é que, após a Champions retornar a sua "casa britânica", o Liverpool investiu mais, muito mais.

Se, então, a comparação reside em competições paralelas à Premier League, Houllier precisa ter seu trabalho muito valorizado. Com algumas contratações preciosas, como a de Sami Hyypia, e atribuindo protagonismo a Owen e Gerrard, ele resgatou a mentalidade vencedora do clube. Apenas no memorável ano de 2001, o treinador francês conquistou as copas da UEFA, da Inglaterra, da Liga e a Community Shield. O Aston Villa, que não levanta uma taça desde 1996, precisa de alguém como Houllier. Kevin MacDonald, o interino, manteria a linha de Martin O'Neill. Mas, após a equipe jogar bem apenas contra o West Ham na temporada, essa opção pode não ser a mais animadora. Ademais, o repasse de um estilo aprovado a outro profissional não é segurança de sucesso.

Inglaterra voando nas Eliminatórias. Decola porque é bem escalada. Como dissemos aqui mesmo, não pode haver receio de renovar - e isso inclui a dura substituição de peças emblemáticas, como Lampard, de 32 anos. Afora a presença de figuras da estirpe de Shaun Wright-Phillips, abaixo de pelo menos seis wingers ingleses, não há muito o que contestar na seleção inglesa pós-Copa. A ótima vitória de hoje, por 3 a 1 em terreno suíço, é a confirmação de que Capello precisa emular Del Bosque. Este senhor, campeão do mundo, não convocou à Copa Marcos Senna e Daniel Güiza, fundamentais no título da Euro. É claro que Aragonés comandava a Fúria naquela ocasião, mas é fato que um sentimento nacional de gratidão foi ignorado. Por isso, seguindo o exemplo do sucesso, insistimos: se Darren Bent e Adam Johnson estão arrebentando, que permaneçam, em detrimento de Joe Cole e Mr. Em - ops, este já se aposentou da seleção. De definitivamente agradável, fica a sensação de que a seleção chegará facilmente à Euro, ao contrário, por exemplo, de França e Portugal.

Curiosidade. A certa altura, havia seis jogadores do Manchester City defendendo a Inglaterra contra a Suíça: Hart, Lescott, Barry, Milner, Wright-Phillips e Adam Johnson. O último, por sinal, foi o melhor em campo após substituir, aos 13 do primeiro tempo, o lesionado Walcott. A política de contratações em Eastlands passa, felizmente, por jogadores ingleses.

Salvem o Reino Unido. Hoje, a Escócia fez um papelão no Hampden Park. Diante de 37 mil pessoas, a seleção de Darren Fletcher, sempre melhor em Manchester que em Glasgow, garantiu a vitória por 2 a 1 sobre Liechtenstein no minuto 96, com gol do zagueiro Stephen McManus, do Middlesbrough. Aquele que seria um dos mais desastrosos resultados da história do futebol escocês quase veio pelos pés de um oponente com apenas um jogador considerável (o bom e velho Mario Frick, que fez 1 a 0 no começo do segundo tempo!), cujo país tem apenas 34 mil habitantes. Portanto, um número menor que o público que assistiu ao cotejo.

Apesar de líder do grupo I das Eliminatórias para a Euro, a Escócia, acompanhada por Espanha e República Tcheca, não deve ir longe em seu propósito de retornar às grandes competições. O empate contra a Lituânia na primeira rodada também não empolga. Assim como a derrota do País de Gales, diante de Montenegro. Gales, que, excessivamente dependente de Bale e do ainda lesionado Ramsey, certamente terá muitos problemas no grupo G, o da Inglaterra. A Irlanda do Norte, por sua vez, foi muito bem ao derrotar a Eslovênia fora de casa, mas, ao lado de Itália e Sérvia, não deve resistir por muito tempo. Sem a companhia de seus parceiros de Reino Unido em grandes torneios desde 1998, quando a Escócia, na chave do Brasil, jogou a Copa da França, os ingleses certamente vão continuar isolados.

Não se trata de um manifesto de indignação, visto que as demais seleções britânicas não têm mesmo muitos recursos. Mas, especialmente para escoceses e galeses, o exemplo da Irlanda não é algo inatingível. Com todos os grandes jogadores na Inglaterra, esses conjuntos poderiam, ao menos, esboçar um real desafio pela vaga. Algo que, recentemente, ocorreu apenas quando o excelente Alex McLeish, hoje no Birmingham, liderou a Escócia na corrida pela Euro 2008.

Imagens: A Bola, Guardian, Sport.

10 de agosto de 2010

As duas missões de Ancelotti

O atacante Daniel Sturridge será importante nos dois processos que devem nortear a temporada do Chelsea: a corrida por títulos e a renovação

Pense no suposto time titular do Chelsea e em quais dos onze jogadores podem manter seu status durante os próximos quatro anos. Com certa dose de pessimismo, não deve haver muitos nomes além de Cech, Ivanovic, Essien e Ramires (imaginando o importante papel que Ancelotti provavelmente atribuirá ao brasileiro).

Os novos tempos em Stamford Bridge, de gastos restritos às necessidades imediatas, são agradáveis sob determinado ponto de vista. Afinal, após sete anos sob os cuidados de Roman Abramovich, os Blues já têm aquilo a que o Manchester City ainda não tem acesso: identidade, mentalidade vencedora, um padrão estabelecido. Contudo, um elenco com sete peças-chave que, em janeiro de 2011, terão 30 anos ou mais exige cuidados e um trabalho gradual de renovação.

Assim, a temporada 2010-11 não impõe ao Chelsea apenas a missão de reeditar ou Double ou tentar o primeiro título da Champions. Carlo Ancelotti tem, ainda, a obrigação de começar a utilizar os jovens com frequência. Notadamente, existe muito potencial a ser explorado. O time sub-21 que pode ser formado apresenta boas revelações: Delac; Bruma, Rajkovic, van Aanholt, Bertrand; Cork, Mellis, Woods; Sturridge, Borini, Kakuta.

Todos esses garotos integram ou já integraram seleções de base de seus países. Oito deles jogaram pelo menos uma vez no estágio sub-21. O lateral-direito/zagueiro Jeffrey Bruma acaba de ser convocado por Bert van Marwijk para a seleção holandesa. O zagueiro Slobodan Rajkovic, que esteve emprestado ao PSV e ao Twente nas últimas três temporadas, já defendeu o conjunto principal da Sérvia. Também sérvio, o ótimo meia central Nemanja Matic, de 22 anos, deve se juntar ao processo de renovação.

É interessante, aliás, que haja nomes talhados para utilização imediata na retaguarda. Se, por um lado, o Chelsea tem pelo menos sete defensores com boa reputação internacional, por outro é justamente esse setor que apresenta mais jogadores em decadência. Terry e Ashley Cole, por exemplo, não conseguem se apresentar bem de modo regular. O capitão dos Blues contina capaz de produzir grandes exibições, como na vitória da Inglaterra sobre a Eslovênia, na fase de grupos da Copa do Mundo, mas também pode falhar sucessivamente, como na goleada imposta pelos alemães nas oitavas-de-final.

Ashley, por sua vez, viveu grandes momentos na temporada passada, mas os erros esporádicos (que se converteram em constantes na Community Shield, contra o Manchester United) e os problemas psicológicos, bem sintetizados por algumas de suas declarações, colocam em xeque o valor do lateral-esquerdo no elenco. Se ele se mantiver mal, o reserva Zhirkov pode ser eventualmente escalado, mas não é confiável do ponto de vista defensivo.

A armação da defesa ainda suscita dúvidas. Para este blog, Ivanovic foi o melhor lateral-direito da Premier League 2009-10, mas o retorno de Bosingwa e a fase instável dos zagueiros - técnica de Ricardo Carvalho e física de Alex - podem convencer Ancelotti a escalá-lo ao lado de Terry. Mais à frente, parece interessante que a formação à italiana, implementada na primeira metade da temporada passada, volte à tona.

Com o rápido e técnico Ramires, Carletto ganha uma ótima opção de saída pela direita, o que deixaria o time "simétrico", visto que Malouda, ponta no eventual 4-3-3, foi instrumental no vértice esquerdo do losango durante a temporada passada. A versatilidade de Essien, o melhor jogador da estranha pré-temporada (três derrotas em quatro jogos), permitirá sua escalação à frente dos zagueiros, enquanto Lampard (mesmo aos 32 anos, ele ainda será essencial) pode dar conta da ligação com os atacantes.

Atacantes que podem, sim, ser Drogba e Anelka. Não há incertezas quanto à importância do marfinense, artilheiro da Premier League na temporada passada. No que se refere ao amigo de Raymond Domenech, tudo dependerá de seu desempenho imediato, posto que o francês parece em decadência. Ademais, o crescimento do abusado canhoto Daniel Sturridge deve produzir uma ameaça constante aos titulares e às defesas adversárias, além de uma opção mais imediata para a renovação ofensiva.

Salomon Kalou pode até ser titular quando o time for armado no 4-3-3. De toda maneira, o ex-atacante do Feyenoord ganhou moral com as boas exibições no fim da temporada passada. O francês Kakuta, aquele cuja transferência provocara a já impugnada determinação de que o Chelsea não poderia contratar até 2011, também é boa alternativa, pelo meio ou pelas pontas. De volta do empréstimo ao Blackburn, o argentino Franco di Santo aparentemente larga bem atrás.

Envelhecido por um lado e com algumas ótimas possibilidades de regeneração por outro, o Chelsea tem, por enquanto, um elenco menos farto do que na temporada passada. As saídas de Belletti e Deco empobrecem justamente a faixa que não conta com tantas opções. Os potenciais reservas para o meio-campo são Mikel (com a chegada e o papel de Ramires a serem confirmados), Matic e Benayoun, que cobre o posto e o número 10 deixados por Joe Cole, agora no Liverpool. Mesmo assim, com o ótimo Ancelotti a dividir-se entre as responsabilidades de vencer e renovar, o Chelsea pode repetir o sucesso da temporada passada.

Possível formação titular: Cech; Bosingwa, Ivanovic, Terry, Cole; Essien, Ramires, Malouda, Lampard; Drogba, Anelka.

Bem-vindos ao Liverpool
É o recado da imprensa inglesa a muitos, mas muitos jogadores. Com carências específicas em algumas posições, os Reds motivam especulações de todas as naturezas. É claro que Hodgson pretende reforçar o elenco. Mas será que demonstrou mesmo interesse por Brad Jones, Otamendi, Hangeland, Figueroa, Salcido, Konchesky, Luke Young, Jansen, Ziegler, Drenthe, Gilberto Silva, van der Vaart, Poulsen, Murphy, Defour, Wright-Phillips, Krhin, Duff, Scharner, Endo, Hleb, Gera, Crouch, Remy, Connor Wickham, Okaka Chuka e Trezeguet? Sim, amigos, esses 27 nomes já foram vinculados ao Liverpool em algum momento da pré-temporada. A chegada de Christian Poulsen, da Juventus, é iminente. A lateral esquerda, provavelmente sem Insúa (agora, deve ter sua venda ao Genoa consumada), também precisa de reparos. Mesmo assim, a grande maioria dessas especulações, por ora, é pura cascata. Naturalmente, o número de contratações jamais é equivalente ao de sondagens. Contudo, estão claros o exagero e o achismo na conduta de lançar aos ares as mais diversas e inusitadas possibilidades de transferências.

A decisão de Martin O'Neill
Após quatro anos de excelentes serviços prestados, Martin O'Neill decidiu deixar o Aston Villa. O competente treinador norte-irlandês, por sinal, jamais foi demitido. Ele mesmo escolheu sair dos cinco clubes para os quais trabalhou. Desta vez, a opção parece ter sido motivada pelas possíveis vendas de Milner e Ashley Young, que representariam um déficit de ambição, e pelo evidente desgaste com a cúpula do clube. O'Neill, que já foi vinculado ao Manchester United - como possível substituto de Ferguson daqui a algum tempo - e ao Liverpool (mais um!), terá, se quiser, um bom emprego em breve. Só não deve ser nesta temporada, posto que a decisão de deixar o Villa Park foi tomada tardiamente. Vários treinadores podem ocupar o posto vago. Apesar de relativamente arriscada, a possível aposta em Bob Bradley, da seleção estadunidense, parece ser a melhor delas.

Imagens: Soccerati e Metro

19 de julho de 2010

A reinvenção do Villa

Martin O'Neill luta para evitar a reedição das últimas temporadas: baixa expectativa, primeiro turno empolgante, derrotas em março e fim decepcionante

Não fossem algumas circunstâncias, a temporada 2009-10 do sexto colocado Aston Villa teria sido extremamente positiva. Os 64 pontos acumulados pelo conjunto de Martin O'Neill superaram as expectativas de agosto passado. A defesa remontada, com as chegadas de Dunne, Collins e Warnock, a transferência de Barry para o Manchester City e a escassez de peças ofensivas não sugeriam que o treinador norte-irlandês conseguiria conduzir a equipe a um real desafio por um posto na Liga dos Campeões. No fim das contas, ele ficou a seis pontos da quarta posição, que, com um pouco mais de profundidade no elenco, poderia ter ficado com o time de Birmingham.

A contratação de Downing foi o estopim para a criatividade de Martin O'Neill. Após algumas rodadas, quando o reforço se recuperou de lesão, o ex-treinador do Celtic promoveu um poderoso revezamento pelas pontas entre o antigo winger do Middlesbrough e o excelente Ashley Young. Os dois foram abertos, sem que se fixassem em um dos lados, no meio-campo mais ousado da temporada passada. O novo capitão Petrov, homem de cofiança de O'Neill desde os tempos de Escócia, foi posicionado na meia central ao lado do deslocado Milner, que se adaptou rapidamente à nova função e foi o principal jogador do Villa no ano. Mesmo sem nenhum grande marcador e com dois wingers incisivos, o 4-4-2 foi mantido, com Carew - ou Heskey - e Agbonlahor à frente.

Incrivelmente, esse Aston Villa teve a grande defesa do campeonato até a 32ª rodada, quando o Chelsea lhes impôs uma pesada goleada por 7 a 1. O vexame em Stamford Bridge se juntou a mais um desastroso mês de março, o dos rotineiros fracassos da gestão O'Neill. Ainda que eliminados na fase preliminar da Liga Europa pelo Rapid Viena, os Lions tiveram de enfrentar uma dura sequência de jogos em virtude das ótimas campanhas nas Copas da Liga e da Inglaterra. O ponto fundamental dessa história é que a trajetória cíclica da equipe nos últimos anos não é apenas coincidência.

Sem tanto dinheiro, o clube não garimpa muitos grandes reforços e, eventualmente, perde jogadores importantes. Mesmo assim, O'Neill reinventa seu sistema e impressiona a maioria dos críticos. Que atire a primeira pedra quem, ao fim do primeiro turno da temporada passada, não colocaria o Aston Villa na lista dos três melhores times do campeonato. No primeiro turno, Chelsea, Manchester United (em Old Trafford) e Liverpool (em Anfield) caíram diante dos Villans. Mesmo os céticos, sejam os nefastos da corrente "a Espanha sempre 'amarela'" ou aqueles que previam o colapso do time, admitiam isso.

O problema é a falta de profundidade. Sem Ashley Young, por exemplo, Martin O'Neill teria de recorrer a um meia central, que pode ser Sidwell, e deslocar Milner a um dos flancos. Se Downing também se lesionasse, o jovem Marc Albrighton seria a única opção para a posição. Na defesa, não há grandes opções, sobretudo no banco. Dunne até surpreendeu muita gente e, em certa medida, fez uma temporada satisfatória. Mesmo assim, a parceria com Collins não é tão segura quanto parece, como sugeriram as últimas rodadas, que levaram o Villa da primeira à quarta posição entre as defesas do campeonato. Os bons desempenhos do defensivo Cuéllar, pela direita, e de Warnock, reserva de Ashley Cole na Copa, pela esquerda, também contribuíram muito para a solidez até a 32ª jornada.

Praticamente sem reservas de boa qualidade, o time e o esquema se desgastam a certa altura, que geralmente coincide com março. O mês impôs à equipe, entre 2006 e 2010, 16 jogos sem vitória. Maldição à parte, será possível mensurar a ambição da cúpula do Aston Villa para 2010-11 através da resistência a eventuais novas investidas por Milner. Ao recusar uma proposta de 20 milhões de libras do Manchester City pelo meia, a diretoria estabelece que o clube não está disposto a perder terreno em troca dos sedutores cheques mancunianos. No entanto, apenas a manutenção do elenco não será suficiente na luta pelo quarto lugar, objetivo ousado, porém acessível se pensarmos nas últimas temporadas. O Villa precisa de peças de reposição para possíveis lesões e, especialmente, de atacantes mais eficazes.

Por ora, sem esses jogadores, parece fundamental que Martin O'Neill reinvente, mais uma vez, seu sistema de jogo. Assim como Milner, Fabian Delph é cria do Leeds United. Após ser preparado pelo norte-irlandês durante um ano, talvez seja o momento de sua promoção ao time titular. No 4-3-3, o meio-campo, sem marcadores inatos, ficaria mais seguro, Young e Downing teriam mais liberdade, e o time conviveria com as limitações de apenas um atacante. Se O'Neill adotar o esquema, o time ficará mais leve e terá, novamente, boas chances de surpreender no primeiro turno. Entretanto, o mês de março e o fim da temporada só serão agradáveis se o clube gastar bastante até 31 de agosto.

Possível formação titular: Friedel; Cuéllar, Dunne, Collins, Warnock; Petrov, Delph, Milner; Ashley Young, Agbonlahor, Downing.

Imagem: The Guardian

21 de abril de 2010

We miss you

O gol de Eto'o em Stamford Bridge fomentou várias discussões na Inglaterra

Em semana de Champions, fala-se de Champions. Enquanto todos ponderam sobre a possibilidade de a Internazionale eliminar o Barcelona, discutem o poder de decisão de Robben ou comparam o Lyon de 2010 ao Porto de 2004, as equipes inglesas vivem presas em seu universo particular, alheias aos grandes debates. Certa vez, disse aqui que a primeira ausência de clubes da Premier League em uma semifinal de Liga dos Campeões desde 2003 não caracteriza sequer um princípio de crise no futebol local. Embora ainda acredite nisso, é preciso analisar algumas questões para entender o que faltou aos britânicos nesta temporada.

Uma delas é o êxodo de jogadores. Ainda que os grandes clubes ingleses não sejam essencialmente vendedores, houve recentemente algumas perdas que soaram fundamentais para o fracasso. Atraídos por propostas mirabolantes, forçados a negociar por conta da vontade dos jogadores ou equivocados na avaliação do potencial dos atletas, os maiores times da Inglaterra perderam peças que podem ter representado a diferença entre o sucesso e o fracasso. O Ortodoxo e Moderno prepara, então, uma seleção formada por jogadores - e treinador - que recentemente (ou nem tanto) deixaram a Premier League e fazem falta a seus ex-clubes:

Jens Lehmann, Stuttgart, ex-Arsenal. O auge de Lehmann já passou há algum tempo, como sugeriu Wenger ao promover Almunia em 2007-08. Ainda assim, aos 40 anos, o goleiro da espetacular campanha doméstica de 2003-04 e da aventura europeia em 2005-06 seria útil no Emirates. O atual trio de arqueiros não passa qualquer espécie de segurança e ratifica o erro de avaliação do treinador francês. Mesmo experiente, Almunia, que até ensaia bons momentos, comete erros inexplicáveis. Em ainda maior escala, o jovem Fabianski já aterrorizou os torcedores do Arsenal em várias ocasiões, como nos estádios do Dragão, contra o Porto, e DW, diante do Wigan, no último domingo. Mannone, por sua vez, é um goleiro à moda Saulo (ex-Santos, hoje no Ituano).

Lucas Neill, Galatasaray, ex-Everton. O australiano não é exatamente brilhante. Aliás, ele integra esta coletânea apenas por conta da escassez de bons laterais-direitos que tenham recentemente deixado a Inglaterra (poucos estão na Premier League, por sinal). A venda de Neill para a Turquia foi, nesse sentido, deveras estranha. Em janeiro, o Everton ainda não havia se recuperado do péssimo início de temporada. Um dos maiores problemas de David Moyes era justamente a falta de jogadores de defesa, e Neill era constantemente improvisado na zaga central. Mesmo assim, o capitão dos Socceroos foi negociado com o Galatasaray por uma quantia ínfima, após apenas 15 partidas pelo Everton. Apesar da boa forma do time, os torcedores dos Toffees certamente ficam com a sensação de que o australiano poderia ter sido importante no confronto contra o Sporting, responsável pela eliminação do clube na Liga Europa.

Olof Mellberg, Olympiacos, ex-Aston Villa. Mellberg deixou o Villa Park, rumo a Turim, há duas temporadas. Da Juventus, o especialista em jogadas aéreas foi para o Oympiacos, da Grécia. A defesa do Villa parecia ter se acertado nesta edição da Premier League, mas muita gente desconfiava da parceria entre Richard Dunne e James Collins. Até que, em 27 de março, o Chelsea goleou os Lions por 7 a 1 e desmistificou uma solidez que parece depender mais do sistema de jogo, de laterais defensivos e da contribuição de Ashley Young e Downing do que exatamente da competência da dupla de zaga. Por isso, a experiência do sueco seria importante para Martin O'Neill. Em grandes jogos, como o supracitado, ou na desastrosa eliminação ainda na primeira fase da Liga Europa, para o Rapid Viena.

Gerard Piqué, Barcelona, ex-Manchester United. A princípio, o retorno de zagueiro a Barcelona, há duas temporadas, parecia compreensível. O sucesso do United já era embalado por Ferdinand e Vidic, o catalão Piqué queria jogar regularmente, e Evans era tratado como uma boa revelação. Mas hoje a avaliação não é essa. Ferdinand e Vidic sofrem constantemente com lesões, Evans não se mostrou tão seguro, e o Barcelona percebeu que ganhou um defensor de primeira classe. Se tivessem preservado Piqué, os Red Devils teriam um elenco muito mais seguro, um excelente zagueiro com 23 anos e a liberdade de ganhar muito dinheiro com a venda Vidic (caso fosse necessário) sem preocupação imediata com reposição. A precoce saída do espanhol parece fruto de um erro de avaliação de potencial.

John Arne Riise, Roma, ex-Liverpool. O forte lateral-esquerdo norueguês jogou em Anfield por sete anos. No fim de sua jornada em Liverpool, Riise não estava bem e já não era mais consistente do que Fábio Aurélio. Por isso, em 2008, o irmão mais velho de Bjorn Helge (do Fulham) foi negociado com a Roma. No Stadio Olimpico, o lateral reencontrou sua vocação ofensiva e é um dos destaques dos giallorossi na corrida pelo título da Serie A. Se ainda estivesse no Liverpool, Riise seria titular sem qualquer espécie de discussão. Com Fábio Aurélio quase sempre lesionado, Rafa Benítez foi obrigado a promover definitivamente o argentino Insúa, que muito evoluiu desde o início da temporada, mas ainda não transmite confiança aos scousers.

Cristiano Ronaldo, Real Madrid, ex-Manchester United. Talvez ele não faça mais falta do que fariam os 94 milhões de euros arrecadados com sua venda. Mesmo assim, Ronaldo representa para o United a diferença entre a real possibilidade de sucesso em todas as competições e um iminente fracasso na temporada. Felizmente para Ferguson, o equatoriano Antonio Valencia tem atendido completamente às expectativas. Além disso, Rooney abraçou o papel de protagonista, e Nani se recuperou a ponto de invadir o onze inicial do escocês em jogos importantíssimos, como o de Old Trafford de duas semanas atrás, contra o Bayern. Entretanto, ninguém pode substituir Cristiano Ronaldo e o seu magnífico repertório, que passa pelo posicionamento na asa direita, arrancadas, dribles e, especialmente, gols de todas as formas.

Xabi Alonso, Real Madrid
, ex-Liverpool. O elenco dos Reds é praticamente o mesmo da temporada passada. Houve algumas aquisições, como as de Glen Johnson e Aquilani, e outras vendas, como as de Arbeloa e Alonso. Então, o que pode explicar a diferença entre duas e dez derrotas ou entre 75 e 56% de aproveitamento? O volante espanhol é um dos melhores do mundo na combinação de poder de marcação e capacidade de organização. Xabi está, certamente, entre os três jogadores da década em Anfield. Além disso, é imprescindível ao sucesso do 4-2-3-1 de Benítez, esquema que melhor funcionou no Liverpool nos últimos tempos, mas que dependia de uma perfeita composição e de um jogador que fizesse a saída de bola parecer simples. Com Alonso, o Liverpool lutou pelo título até a 37ª rodada. Sem ele, não deve chegar ao penúltimo fim de semana da temporada com chances de classificação à próxima Champions.

Didier Zokora, Sevilla, ex-Tottenham. O volante marfinense chegou ao Ramón Sánchez Pizjuán em 2009, por nove milhões de euros. Como várias outras desta lista, a venda de Zokora ao Sevilla é compreensível. O Tottenham apostava, corretamente, no desenvolvimento de suas peças com características semelhantes às do africano: Tom Huddlestone e o hondurenho Wilson Palacios. Ambos são titulares de Harry Redknapp e fazem temporada satisfatória. Contudo, os Spurs carecem de experiência em 2009-10. A baixa média de idade, sobretudo no meio-campo, deu ao time um positivo caráter jovial, mas também o deixou propenso a tropeços inexplicáveis. As duas derrotas para o Wolverhampton na Premier League e a eliminação da FA Cup pelo Portsmouth são bons exemplos. Zokora seria uma liderança importante nesse sentido.

Arjen Robben, Bayern, ex-Chelsea. Desde a venda de Robben para o Real Madrid, o Chelsea não tem um winger de classe mundial. Apesar da impressionante evolução de Malouda, o holandês seria protagonista em Stamford Bridge (em qualquer lugar, aliás). A propensão a lesões não tira o brilho de um jogador que se habituou a decidir todos os jogos realmente importantes para o Bayern. Se o negócio com os madridistas foi um erro, a omissão no momento em que o craque foi colocado na lista de transferências pelos espanhóis também parece equivocada. Robben é bicampeão inglês pelos Blues e seria o homem certo a conduzi-los ao primeiro título na Liga dos Campeões.

Diego Forlán, Atlético de Madrid, ex-Manchester United. Se dependesse exclusivamente de seu desempenho em Old Trafford, Forlán não deveria passar perto desta lista. Após um ótimo desempenho no Independiente, da Argentina, Alex Ferguson decidiu apostar no uruguaio, que, em dois anos, marcou apenas 17 gols em 95 partidas pelo United, números insignificantes diante dos 150 gols em 210 jogos de seu contemporâneo Ruud van Nistelrooy. Forlán integra esta seleção porque, entre Villarreal e Atlético de Madrid, foi duas vezes artilheiro da Liga Espanhola e Chuteira de Ouro da Europa. Diego tem um instinto goleador que seria o complemento perfeito a Rooney e evitaria o constante aborrecimento com Berbatov.

Thierry Henry, Barcelona, ex-Arsenal. O caso do principal artilheiro da história do Arsenal é semelhante ao de Lehmann. Henry não vive boa fase, mas seria fundamental para Wenger. Depois que saiu do Emirates, em 2007, o atacante francês abriu uma lacuna que, com alguma dificuldade, foi preenchida por Adebayor. Após a saída do togolês, van Persie foi adaptado à função de centroavante. Deu certo, mas a tendência do holandês a graves lesões não permitiu sua efetivação definitiva. Por isso, quando olhamos para Bendtner (que até tem surpreendido nas últimas rodadas) e pensamos sobre o potencial e a identificação de Henry com o clube, é difícil não concluir que o principal nome da equipe nos últimos tempos seria essencial às pretensões nesta temporada.

José Mourinho, Internazionale, ex-Chelsea.
Carlo Ancelotti realiza bom trabalho em Stamford Bridge, mas é difícil que faça os torcedores se esquecerem de José Mourinho, o melhor treinador do mundo no conceito de muita gente. Apesar de ter se limitado a títulos nacionais durante sua passagem pelo Chelsea, o português criou um padrão de solidez e invencibilidade caseira que fez dos Blues o maior clube da Inglaterra em meados da última década. Para intensificar o sentimento de saudade, Mourinho tem conduzido a Internazionale de forma brilhante nesta edição da Champions. Com a eliminação da equipe londrina justamente pelo conjunto do Special One, é impossível ficar indiferente ao campeão europeu de 2004.

Imagens: Football Talk, Telegraph, The Guardian, Henry Goal