Mostrando postagens com marcador Portsmouth. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Portsmouth. Mostrar todas as postagens

20 de março de 2010

Queda anunciada

Coyle é protagonista da história que praticamente definiu os rebaixados

O Pompey vivia sua ruína financeira, e a escalação parecia pior a cada jogo. Owen Coyle deixava o Turf Moor rumo ao Reebok Stadium. Jimmy Bullard confirmava a fama de jogador mais propenso ao departamento médico do que ao campo. O movimento das placas futebolísticas na Inglaterra já indicava, em janeiro, quais seriam os rebaixados ao Championship. Arrisquei-me a dizer isso, aliás, em uma das colunas que escrevi para a Trivela. Apesar de haver muitos outros times frágeis, já é seguro afirmar que Portsmouth, Hull City e Burnley não devem disputar a Premier League na próxima temporada.

Curiosamente, uma vitória do Portsmouth parece ter sacramentado o fracasso do trio. Como o clube perdeu nove pontos por conta do caos financeiro-administrativo, as esperanças são meramente matemáticas. Mesmo assim, a equipe conseguiu vencer o Hull por 3 a 2, de virada. Os gols azuis foram marcados por Tommy Smith (que balançou as redes pela primeira vez no clube após 838 minutos), Nwankwo Kanu e Jamie O'Hara, emprestado pelo Tottenham e um dos poucos destaques da equipe na temporada. O resultado frustrou a estreia de Ian Dowie no comando dos Tigers. Ele substituiu o injustamente demitido Phil Brown e viu sua equipe perder uma chance incrível de aproximar-se de Wolverhampton e West Ham.

O Hull poderia ter caído já na última temporada. Um início avassalador e os problemas do Newcastle compensaram um segundo turno terrível e preocupante. Em 2009-10, Brown não encontrou boas alternativas ofensivas. Jozy Altidore, Jan Vennegoor of Hesselink, Amr Zaki: ninguém deu certo. Como Geovanni sucumbiu, a equipe marca poucos gols. A ida de Michael Turner, pilar defensivo em 2008-09, para o Sunderland também faz diferença. Assim, os Tigers têm o pior saldo de gols da Premier League: -35. Além disso, o tempo que Bullard perdeu por conta de mais uma grave lesão parece crucial para o iminente rebaixamento.

Outro resultado emblemático foi a vitória do Wigan sobre o Burnley por 1 a 0. O gol do colombiano Hugo Rodallega colocou os Latics sete pontos acima da zona de rebaixamento. Os últimos dois triunfos dos Clarets foram a 31 de outubro, na 11ª rodada, e a seis de fevereiro, na 25ª. A saída do treinador Owen Coyle causou uma queda vertiginosa do aproveitamento em casa, fator que sustentava a equipe na faixa intermediária da tabela durante o primeiro turno. Brian Laws, ex-comandante do Sheffield Wednesday, não se acertou em Burnley e já é fortemente contestado.

Quanto àqueles que devem confirmar a manutenção na Premier League:

West Ham: A temporada é desastrosa, decepcionante. O pacotão ofensivo contratado em janeiro - Ilan, Mido e McCarthy - sinaliza a indecisão de uma diretoria que se perde pelas próprias palavras. Ainda que Guille Franco jogue mais do que eu recomendaria a um time competitivo, os Hammers provavelmente não caem. E não é exagero dizer que eles devem esta quase exclusivamente às fragilidades de Portsmouth, Hull e Burnley.

Wolverhampton: Mick McCarthy é o treinador que trata a corrida contra o rebaixamento de modo mais sério. Por vezes, fundamentalista. Mas é certo que suas sandices, como a escalação de uma equipe completamente reserva contra o Manchester United, funcionam quando falamos em confrontos diretos. Os Wolves devem permanecer porque vencem quando realmente precisam.

Wigan: É difícil decifrar o Wigan. Uma equipe que derrota, com autoridade, Chelsea e Liverpool no DW Stadium e perde de modo retumbante (12 a 1 no placar agregado!) para o Tottenham merece estudo de caso. De todo jeito, Rodallega consegue marcar em quase todos os momentos decisivos. Ademais, a irregularidade e a imponderabilidade sempre foram suficientes para escapar do rebaixamento.

Bolton: Owen Coyle funcionou. Nos primeiros jogos, o ex-treinador do Burnley não fazia bom trabalho no Reebok Stadium. Seu desempenho, aliás, era muito semelhante ao do antecessor Gary Megson. No entanto, uma boa sequência - aqui destaco a vitória por 2 a 1 sobre o West Ham, no Upton Park - definitivamente afastou o Bolton da zona de rebaixamento.

Observação: A classificação da Premier League está na barra lateral do blog.

Imagem: NowGoal.com

4 de fevereiro de 2010

Dívidas vendidas

O Portsmouth, que amarga a lanterna da Premier League nesta temporada, escreve um capítulo curioso para a história do futebol. Em menos de um ano, a equipe tem agora seu quarto dono. Imerso em dívidas e à beira da falência, o Pompey deixou de pagar seus jogadores em quatro ocasiões - fato raro para o futebol inglês - e se viu negociando nesta última semana, mais uma vez, a venda do clube.

O proprietário agora é um empresário de Hong Kong, o chinês Balram Chainrai. O quarto dono do Portsmouth no ano adquiriu o clube após não receber um pagamento do antigo dono, Ali al-Faraj, de um empréstimo realizado através de sua empesa.

Essa teia de transferência da posse do clube - de Sulaiman al-Fahim para Sacha Gaydamack, de Sacha para Ali al-Faraj e de Faraj para Chanrai - não deve parar. O chinês, agora dono de 90% do Portsmouth, deverá vendê-lo em breve a um quinto dono. Chanrai venderia o clube para recuperar o dinheiro investido na equipe, que dificilmente trará lucro ao seu proprietário.

O Portsmouth vive uma fase terrível. Como se não bastasse a última colocação no campeonato inglês, há salários atrasados de jogadores e funcionários e uma dívida gigante para pagar. Impedido de contratar reforços, deve ver sua situação dentro de campo piorando cada vez mais. Fora dos gramados, o clube tenta recorrer da decisão e voltar ao mercado e se reforçar, mas, ao que tudo indica, dificilmente conseguirá. E o pior ainda pode estar por vir! Dependendo da decisão desse julgamento, o clube pode ser forçado a entrar em concordata e passar para administração pública.

Para o Portsmouth resta velha máxima: nem tudo é tão ruim que não possa piorar!


A crise não é só do Portsmouth!

A crise financeira no futebol da terra da rainha, evidenciada com as seguidas vendas do Pompey, não é exclusividade dessse clube. O todo poderoso Manchester United e o gigante Liverpool também veem suas contas no vermelho e podem passar pelo mesmo processo de venda em breve.

Os Red Devils, que pertencem à familia norte-americana Glazer, mesmo sendo o clube inglês que mais lucrou o último ano (R$140 milhões) vêm se afogando em dívidas para saldar os compromissos de seus donos, que não conseguem pagar os empréstimos realizados para efetuar a compra do próprio clube em 2005. Essa situação tem gerado até mesmo protestos da torcida do United, que tem comprado cachecóis verde-amarelos - em alusão às cores do Newton Heath, clube que deu origem ao Manchester - para pedir a volta aos valores originais.

O Liverpool está em situação parecida. Também com donos norte-americanos, os Reds sofrem com os altos salários pagos e o constante aumento de suas dívidas. A equipe não consegue buscar reforços e pode ser vendida em junho, caso não consiga arrecadar 100 milhões de Libras até lá para quitar parte de sua dívida com o Royal Bank of Scotland. Em má fase dentro de campo, o clube poderá ver a situação piorar, perdendo alguns de seus bons jogadores, entre eles o artilheiro Fernando Torres.

A crise financeira dos clubes do futebol mais rico do mundo preocupa, pois os times ingleses podem ser punidos pela UEFA e ficarem fora das competições européias. De acordo com Michel Platini, presidente da UEFA, deve-se promover a estabilidade dos clubes e, caso nao seja cumprida, eles poderão ser punidos.

16 de outubro de 2009

Crouch way of game

A nona rodada da Premier League terá um jogo emblemático: o Portsmouth recebe o Tottenham no Fratton Park. O fortalecimento dos Spurs tem relação direta com o enfraquecimento do Pompey. Recentemente, o treinador Harry Redknapp, o meia croata Niko Kranjcar e os atacantes Jermain Defoe e Peter Crouch deixaram o Portsmouth, todos rumo a White Hart Lane.

Sendo assim, o blog Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno não poderia deixar para trás a oportunidade de delinear um dos mais peculiares perfis da Premier League: o de Peter Crouch. Inglês de Macclesfield, o atacante inicialmente chama a atenção por conta de dois fatores: sua altura (2,01m) e sua digníssima esposa.

Extravagância e bela companheira à parte, Crouch geralmente é analisado de maneira distorcida. Alguns desinformados costumam limitar sua descrição a "um grandalhão, trombador, que faz gols de cabeça e não tem habilidade". É mentira! Peter é ótimo jogador. Obviamente, faz uso de suas características físicas, mas, acima de tudo, é um futebolista inato. Como bem diz e mostra este vídeo, o atacante do Tottenham é um dos mais subestimados do futebol moderno.

Peter Crouch é um cigano. Começou no Tottenham e, ainda muito jovem, passou por Queens Park Rangers, Portsmouth, Aston Villa e Norwich City. Isso tudo ainda no anonimato mundial, embora fosse razoavelmente conhecido na Inglaterra. Na temporada 2004/05, sua performance no Southampton foi fantástica a ponto de o treinador do Liverpool, Rafael Benítez, interessar-se por seus atributos. O grandalhão desengonçado e bom de bola iria, pois, jogar em Anfield Road.

Nos três anos em que defendeu os Reds, Crouch mostrou todo o seu repertório: dribles (sim, ele sabe fazer isso), vários gols de voleio, gols e assistências de cabeça e, acima de tudo, muita entrega ao jogo coletivo. Em 2008, Benítez entendeu que o estilo dinâmico que gostaria de impor ao Liverpool não era compatível com as características de Crouch. Acredito, nesse sentido, que colocá-lo no mercado foi um erro. O inglês seria uma importantíssima cobertura a Fernando Torres, algo hoje inexistente em Anfield.

Quem aproveitou foi o Portsmouth, que, por 11 milhões de libras, garantiu o retorno do jogador ao Fratton Park. Ainda nos tempos de Harry Redknapp, Crouch formou uma ótima dupla ofensiva com Jermain Defoe. Todavia, com a crise financeira do Pompey e o consequente esvaziamento do elenco, o simpático atacante acabou por se tornar uma ilha de qualidade do meio para frente. Ele teria de sair do clube se quisesse algo maior na carreira.

E assim aconteceu. Por 10 milhões de libras, o Tottenham o levou para Londres, de volta às suas origens futebolísticas. Em White Hart Lane, Peter ainda é o terceiro atacante na escala de preferência de Harry Redknapp, atrás de Defoe e do capitão Robbie Keane. Contudo, seu desempenho recente já lhe permite vislumbrar uma vaga no time titular.

Aos 28 anos, Crouch tem vários motivos para celebrar sua trajetória parcial. O maior deles é o seu desempenho na Seleção Inglesa, à qual presta serviços desde 2005. Seus números impressionam: são 35 jogos, sendo 17 como titular, e 18 gols. Os dois últimos foram marcados na quarta-feira passada, contra a Bielorrússia, pelas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo.

Fora do âmbito profissional, há indícios de que Crouch seja uma figura bem-humorada. O mais forte é a dança do robô, que executava ao comemorar seus gols. A coreografia ficou famosa a ponto de virar inspiração para um comercial. Veja abaixo como Crouch "surpreende" seus aprendizes.



Vale a pena ler o que a hilariante Desciclopédia tem a dizer sobre Peter Crouch.

Imagem: Portsmouth Today

7 de setembro de 2009

O vendaval do mercado

A crise econômica pode ter freado o ímpeto de algumas equipes. Mas, ao mesmo tempo, obrigou alguns clubes à venda de jogadores importantes. Por isso, o último período de transferências na Inglaterra foi tão movimentado quanto qualquer outro. Como neste final de semana não houve rodada na Premier League em virtude das partidas envolvendo seleções nacionais, o Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno aproveita a segunda-feira para eleger três destaques (positivos e negativos) da janela de contratações de agosto.

Equipe mais fortalecida: Manchester City. Os Sky Blues contrataram todos os que aceitaram a fortuna do investidor Mansour bin Zayed Al Nahyan e desfizeram-se de todos os que inchavam inutilmente o elenco - especialmente na parte ofensiva. O aspecto mais louvável da ação comercial do City foi o enfraquecimento de concorrentes. Arsenal, Everton, Aston Villa e Manchester United brigam com o conjunto de Mark Hughes na parte superior da tabela, correto? Então, os Citizens buscaram suas principais aquisições justamente em seus rivais. Adebayor, Touré (Arsenal), Lescott (Everton), Barry (foto, Aston Villa) e Tévez (Manchester United) agora jogam no City of Manchester Stadium.

A única perda significativa foi a de Daniel Sturridge, atacante inglês muito promissor. Ele recebeu uma proposta do Chelsea, aceitou, e o City foi obrigado a liberá-lo por conta de determinações da legislação inglesa. Um erro, sim. Mas que não apaga todos os acertos do clube no período de transferências. As contratações foram cirúrgicas (apesar de muitas) e estratégicas. A prova é o bom início na Premier League: três jogos, três vitórias. Time-base: Given; Richards, Touré, Lescott, Bridge; Barry, Wright-Phillips, Ireland; Tévez, Adebayor, Robinho.

Equipe mais enfraquecida: Portsmouth. A crise financeira chegou ao investidor francês Alexandre "Sacha" Gaydamak, antigo proprietário do Portsmouth. Endividado, ele teve de vender os principais jogadores, como Peter Crouch (foto) e Glen Johnson. Até que, num belo dia, Sacha resolveu aceitar a proposta de Sulaiman Al Fahim, que acabou por comprar o clube. Entretanto, nem o poderoso empresário do mundo árabe conseguiu montar um elenco forte, até pelo tempo escasso. Ao contrário, ele ainda vendeu o croata Niko Kranjcar, o mais lúcido de seus jogadores, ao Tottenham.

As contratações são muito modestas: Aaron Mokoena (capitão da África do Sul e, agora, também do Portsmouth), Steve Finnan, Tommy Smith, Tal Ben Haim (bem ruim, como sempre digo), Michael Brown e Anthony Vanden Borre (eterna promessa belga do Football Manager). O começo desastroso - quatro derrotas - e as perdas significativas indicam que o Portsmouth será rebaixado.

Time-base: James; Finnan, Kaboul, Ben Haim, Hreidarsson; Vanden Borre, Mokoena, Brown, Smith; Utaka, Piquionne.

Quem pode surpreender: Sunderland. Uma das boas mudanças nos Black Cats foi a chegada do treinador Steve Bruce, que teve ótimos anos no Wigan. Mas também é fato que, embora pouco destacado por grande parte da imprensa, o elenco do Sunderland melhorou muito em relação à última temporada. A única saída de maior impacto foi a de Djibril Cissé, que foi para o Panathinaikos, sendo que ele estava emprestado à equipe na época passada. As contratações, por sua vez, foram ótimas.

O ataque ganha Fraizer Campbell, ex-Manchester United, e o ótimo Darren Bent, que não conseguiu reeditar no Tottenham seus bons dias de Charlton Athletic. O meio-de-campo está muito, mas muito mais forte com o albanês Lorik Cana, que estava no Marseille, e Lee Cattermole (foto), que era comandado por Bruce no Wigan. A defesa também é superavitária em relação a 2008/09. Chegam ao Stadium of Light o excelente Michael Turner, antigo zagueiro do Hull City, o paraguaio Paulo da Silva, ex-Toluca, e o ganês John Mensah, emprestado pelo Lyon. O Sunderland tem, até aqui, duas vitórias e duas derrotas.

Time-base: Gordon; Bardsley, Anton Ferdinand, Turner, Mensah; Malbranque, Cattermole, Cana, Richardson; Kenwyne Jones, Bent.

E o Big Four (Liverpool, Man Utd, Arsenal e Chelsea)? Acredite: o único que não piorou seu elenco foi o Chelsea, que contratou Zhirkov e Sturridge e não teve perdas importantes. O Manchester United, mesmo com Owen, Valencia e Obertan, piora sem Cristiano Ronaldo e Tévez. Assim como o Arsenal, sem Touré e Adebayor, embora o conjunto tenha começado a temporada com o mais agradável futebol do país.

O Liverpool, por sua vez, não tem mais Xabi Alonso. O italiano Alberto Aquilani é bom substituto, mas tem características distintas, talvez não tão essenciais aos Reds quanto as de Xabi. O grande mérito de Rafa Benítez no mercado foi o acerto com Glen Johnson. Mas ainda é arriscado afirmar que a equipe não cai em relação à temporada passada.

Imagens: Zimbio, Team Talk, The Northern Echo