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21 de março de 2011

Para continuar sonhando

Hitzlsperger e Ba são alguns dos reforços do West Ham em 2011 que lutam para evitar a despromoção do clube na atual temporada

Vendo o West Ham atuar mal e sem conseguir deixar a zona de rebaixamento e supostamente ameaçado de demissão, Avram Grant foi à busca de reforços na janela aberta em janeiro. Tentando reforçar todos os seus setores, o israelense assegurou a aquisição de quatro jogadores; agora, colhe os frutos da investida no mercado.

Invictos há mais de um mês e tendo conquistado oito dos últimos doze pontos disputados, os Hammers deixaram a zona de rebaixamento. O time passou a jogar melhor e dá sinais de que realmente pode se manter na Premier League por mais uma temporada. Sem dúvidas, as novas caras que apareceram em Upton Park foram e estão sendo decisivas para isso.

A princípio, Demba Ba parece ter sido a melhor aquisição feita pelo West Ham. O explosivo atacante tem sido fundamental para o crescimento da equipe após ter marcado quatro vezes em seis jogos pelo time. O belo upgrade que deu ao ataque dos londrinos já suscita questionamentos na Inglaterra: afinal, dias antes de ser contratado pelo clube, o senegalês não se transferiu para o Stoke City por não ter passado nos exames médicos – embora haja boatos de que ele realmente possui uma contusão degenerativa no joelho.

As ótimas aparições de Ba no time principal até mesmo fizeram os torcedores se esquecerem da chegada por empréstimo de Robbie Keane, que estava machucado até pouco tempo e jogou pouco pelo West Ham. Porém, ao marcar um dos gols na vitória fora de casa sobre o Blackpool, mostrou que pode ajudar muito o clube enquanto tenta reconstruir sua carreira. Aliás, outro que segue o mesmo processo é Wayne Bridge, primeira aquisição dos Hammers em janeiro. Após uma estreia pífia contra o Arsenal, o lateral-esquerdo vem crescendo de produção: sua atuação contra o Tottenham no último sábado, quando conseguiu deter os avanços dos perigosos Lennon e Bale, foi digna de aplausos – é sempre bom lembrar que um de seus pontos fracos é justamente sua capacidade defensiva.

Nada, no entanto, supera a estreia que o West Ham viu no meio campo. Hitzlsperger foi contratado em julho, mas somente pode começar a jogar em fevereiro devido a duas graves contusões. Suas poucas atuações, entretanto, tem sido fantásticas: o alemão tem sido um excelente suporte a Scott Parker, tirando das costas do inglês toda a responsabilidade que tinha de armar o jogo e liderar a equipe. No final das contas, sua entrada foi frutífera a todos, até mesmo ao já excelente Parker, eleito em fevereiro o Jogador do Mês.

A entrada de Hitzlsperger, aliás, combinado com a volta de Noble, deu ótimas opções a Avram Grant. O técnico vem montando um ótimo 4-3-3, com Parker fechando o meio campo e Ba, Cole e Obinna formando o ataque. Com isso, o time tem um meio muito criativo e que sabe trocar passes e jogar com a bola no pé e um setor ofensivo muito incisivo e vigoroso, com os africanos da linha de frente municiando um Cole ameaçado por Piquionne, que, embora seja mais fraco, marcou mais vezes. No geral, é um time perigoso na frente e que compensa certa fragilidade defensiva que não foi capaz de ser totalmente corrigida com contratações.

Antes cotadíssimo para cair, o West Ham pode ver a sonho de permanecer na Premier League se tornar realidade. Porém, a sequência dos oito jogos restantes é complicada: os Hammers terão de Manchester United, Chelsea e Manchester City – os dois últimos fora de casa. Mais do que nunca, além de contar com a força dos últimos reforços, terão de conquistar o máximo de pontos possíveis contra Aston Villa (casa), Blackburn (casa) e Wigan (fora) todos concorrentes diretos na luta contra o descenso.

Imagem: Goal

4 de fevereiro de 2011

A hora da verdade

A chegada de Kenny Dalglish foi fundamental para a ascensão do Liverpool na tabela

Micheal Jordan uma vez disse que nos "Play-offs [fase decisiva da NBA, liga de basquete norte-americana] é onde se separa os homens dos meninos". O mesmo se aplica aos próximos cinco meses da Premier League. Mesmo sem convencer, o líder Manchester United segue invicto na liga desde abril - uma sequência de 29 jogos sem perder. É cedo para cravar se os Red Devils repetirão o feito do Arsenal de 2003-04, porém, a cada rodada, fica mais evidente que os cinco pontos de diferença para o segundo colocado e um jogo a menos colocam a equipe mancuniana como favorita ao título.

Após momentos de instabilidade, Liverpool, Chelsea e Fulham começam a recuperar o tempo perdido. Sob o comando de Kenny Dalglish, os Reds estão mais motivados e rendendo acima do esperado - vide Raúl Meireles - em campo. Na sétima colocação, o clube de Merseyside vai embolar ainda mais a briga por uma vaga na Liga Europa. Os Blues parecem ter afastado a má fase do período pós-demissão do auxiliar Ray Wilkins, e com as chegadas de David Luiz e Fernando Torres, terão condições de brigar em alto nível por uma vaga na Liga dos Campeões, ameaçada pelas ascensões de Manchester City e Tottenham Hotspur nos últimos anos. Já os Cottagers parecem finalmente ter encontrado com Mark Hughes o bom futebol que levou a equipe à final da Liga Europa na temporada passada.

O sinal amarelo está ligado para o Blackpool. Os Tangerines conseguiram manter Charlie Adam e trouxeram Kornilenko, Beattie, Reid e Puncheon. No papel, excelente. Entretanto, os reforços são claramente ofensivos, e a defesa, o calcanhar de Aquiles da equipe, não foi reforçada, seguindo exposta e falhando constantemente. Na zona do rebaixamento, o West Ham é quem, aparentemente, tem as melhores condições de brigar contra os descenso. O'Neil e Keane adicionaram qualidade aos setores mais críticos da equipe e as boas fases de Obinna e Green dão esperanças aos torcedores dos Hammers.

Após uma movimentada janela de transferências de janeiro, saberemos nos próximos meses quem brigará por alguma coisa ("homens") e quem estará "a passeio" no campeonato ("meninos").

3 de janeiro de 2011

A carapuça serviu?

Mesmo tendo conseguido bons resultados nas últimas rodadas - um deles contra os Wolves de Mick McCarthy -, West Ham de Avram Grant não apresentou uma grande evolução em campo

Com apenas doze pontos conquistados em dezessete jogos, o West Ham, na metade de dezembro, encontrava-se na última posição. Diante desse quadro, surgiram boatos de que um ultimato havia sido dado ao técnico Avram Grant, cobrando do israelense bons resultados nos jogos contra Blackburn, Fulham e Everton – sendo que os dois primeiros seriam jogados fora de casa.

Coincidência ou não, os resultados apareceram depois do possível ultimato. Na sequência citada, os Hammers se saíram bem: empataram com o Blackburn em 1 a 1, derrotaram o Fulham em pleno Craven Cottage por 3 a 1 e empataram com o Everton também por 1 a 1 – um resultado notável, pois o West Ham havia jogado 48 horas antes, enquanto os Toffees estavam devidamente descansados. Depois disso, os londrinos sacramentaram sua reação ao derrotar o concorrente direto Wolverhampton por 2 a 0. A impressão que ficou é a de que o ultimato havia sido benéfico, dado os feitos consideráveis conquistados no fim de 2010/começo de 2011: quatros jogos sem perder, oito dos últimos doze pontos conquistados e fuga da zona do rebaixamento, posto do qual não havia saído desde o início da temporada.

Porém, os resultados, embora positivos, não significam que a equipe teve uma grande evolução nos últimos dias. Mais do que isso, aliás: encobertam graves problemas do West Ham de Avram Grant e até mesmo de Gianfranco Zola, técnico da temporada passada. A equipe continua cometendo graves erros defensivos; é excessivamente dependente de Scott Parker, meia que faz praticamente tudo na equipe e, sabe-se lá como, não é constantemente pretendido por times mais fortes; possui dificuldade para encontrar outros bons meias, principalmente pelos lados do campo; e não possui atacantes com um bom poder de finalização.

A verdade é que a boa sequência de resultados do West Ham veio muito por mais por aproveitar os erros dos adversários. Porém, isso não quer dizer que os Hammers passaram o tempo todo apostando nos erros dos rivais, e sim que falhas muitas vezes gritantes dos oponentes resultaram em gols dos londrinos. Tentos contra Everton e Wolves foram marcados através de jogadores do time oposto mandando a bola contra o próprio patrimônio, enquanto erros cruciais do Fulham consagraram Carlton Cole e Frederic Piquionne. Tentos que, aliás, em certos momentos saíram enquanto a equipe de Grant era dominada. Ou seja: de certa forma, os resultados positivos não vieram por tanto mérito dos Irons.

O jogo contra o Fulham, aliás, foi uma grande prova disso. Sem Parker, e consequentemente, sem criatividade e chegada ao ataque, os Hammers marcaram graças a falhas inacreditáveis dos adversários, que facilitaram a tarefa de Cole e Piquionne nos três gols ao praticamente entregarem a bola nos pés dos atacantes rivais já diante do goleiro Schwarzer. Já o tento marcado pelos Cottagers, que contou com grande participação da zaga dos visitantes, mostrou os defeitos da defesa de Grant, quando Aaron Hughes subiu sozinho e cabeceou para as redes enquanto a zaga assistia a tudo passivamente. Foi uma partida que, embora tenha ajudado o West Ham conquistar uma vitória importante fora de casa, continuou escancarando as suas recorrentes dificuldades e, de certa forma, diminuiu o brilho do seu feito.

De qualquer forma, alguns jogadores brilharam nesses últimos jogos – caso contrário, o West Ham não conseguiria bons resultados nem mesmo contando com vastos erros dos adversários. A atuação de um jogador merece ser destacada, talvez até mais do que a de Parker: Robert Green. O goleiro fadado a más lembranças da última Copa do Mundo literalmente fechou o gol nas últimas partidas, mais notadamente contra o Fulham e contra os Wolves, quando, mesmo em casa, os Hammers tiveram alguma dificuldade para se impor diante de um dos elencos mais enfraquecidos da Premier League. Grande parte da melhora do time até aqui se deve a ele. Outro jogador que merece ser citado é o jovem Freddie Sears, que foi chamado de volta do seu empréstimo do Scunthorpe para ganhar um lugar no time titular e inclusive marcar um gol contra os Wanderers.

Porém, isso é muito pouco se Faubert e Behrami continuam sem resolver o problema do lado direito, se Ilunga e Spector – a atípica atuação contra o Manchester United pela Carling Cup não conta – continuam falhando pelo lado esquerdo, se Barrera e Luis Boa Morte não levam ao time ao ataque pelo lado os campos e se Cole, Piquionne e Obinna desperdiçam milhares de chances em todos os jogos. Esses problemas já são duradouros – tanto que a espinha dorsal formada por Green, Upson e Parker já se mostrou insuficiente para colocar o time na metade da tabela.

É por isso que reforços são bem vindos. E a diretoria do West Ham, mesmo ainda convivendo com problemas financeiros, faz muito bem ao olhar com carinho para a janela de transferências, que acabou de ser aberta. Até agora, diz-se que os Hammers estão perto de contratar Steve Sidwell, meia do Aston Villa, e de conseguirem o empréstimo de Robbie Keane, atacante do Tottenham, e Wayne Bridge, lateral-esquerdo do Manchester City. Todos bons nomes e que adicionariam muito a áreas carentes do time – principalmente os dois últimos. Que continuem assim, porque o clube precisa.

Imagem: Zimbio

24 de outubro de 2010

A fracassada ousadia de Grant

Grant pode se juntar a Zola na lista de Hammers visionários - e desempregados

Carlo Ancelotti pode escalar Anelka, Drogba e Sturridge. Sim, é perfeitamente possível. Mesmo assim, há ressalvas. Ele precisaria de um Lampard muito comprometido com questões defensivas e um Essien todocampista. Há três temporadas, Kevin Keegan salvou o Newcastle do rebaixamento ao Championship a partir do momento em que adotou o esquema com três atacantes: Owen, Martins e Viduka. Mas Owen voltava muito, quase como um enganche, à Forlán em sua versão da Copa do Mundo. Mesmo em times com muitos recursos, um 4-3-3 de fato precisa de uma sustentação especial.

Pois bem. Avram Grant, que se revelou um bom treinador no Chelsea em 2007-08, quis se aventurar no West Ham. Afundado na última posição da Premier League após viver trauma similar - mas compreensível - na temporada passada com o Portsmouth, o israelense lançou mão de uma formação excessivamente ousada no jogo contra o Newcastle, no sábado. Além do inusitado tridente ofensivo - Piquionne à direita, Obinna à esquerda e Carlton Cole no comando -, o meio-campo carecia de combatividade, com Behrami e Noble à frente do sempre lúcido, porém sacrificado na primeira volância, Scott Parker.

A combinação até funcionou no começo, com Piquionne, deslocado à esquerda, a assistir Carlton Cole, que não - não! - é bom finalizador como sugeriam os descabidos interesses de Liverpool e Arsenal. Entretanto, mesmo um time inconsistente como o Newcastle conseguiu fazer a festa. Sem pegada no meio, o West Ham foi completamente dominado por Gutiérrez, Tioté, Nolan e Barton, que sempre podiam contar com Carroll na referência. A totalmente merecida virada dos Magpies deixa claro que o problema não é o esquema, mas a má distribuição das peças. Se Grant prefere o 4-3-3, pode investir nele, mas não sem antes verificar questões fundamentais: os laterais conseguem compensar a ausência de wingers?; os pontas marcam a saída de bola?; haverá combatividade suficiente no meio?

Manejando seu elenco de forma adequada, Grant pode chegar a uma formação mais segura, que, em tese, seria suficiente para afastar os Hammers do fundo do poço. Vejamos: Green; Winston Reid, Upson, Gabbidon, Ilunga; Hitzlsperger (quando recuperado), Parker, Noble; Behrami, Cole, Barrera. É claro que a baciada de atacantes, especialmente Obinna, que tem agradado a muitos, tem de ser explorada. Mas a distribuição mais cautelosa dos jogadores parece vantajosa a um West Ham que culpava Gianfranco Zola por seus problemas de 2009-10, mas já pode crer que sua temporada fora da reta foi 2008-09, a do ótimo nono lugar inspirado pelo outrora bom trabalho do treinador italiano.

O grande Samir Nasri
O francês foi o melhor da ótima vitória por 3 a 0 do Arsenal contra o Manchester City. A expulsão de Boyata foi o evento que determinou o rumo do jogo, mas, em outros tempos, os Gunners teriam mais problemas para superar um conjunto que, sim, era mais confiante ao início do encontro. O que mudou? A consistência de Nasri, o grande jogador do Arsenal na temporada, inspirou o triunfo incontestável. Aliás, dele e de Song, figuras sobre quem falamos há um tempo. Ainda em evolução impressionante, os dois minimizam os pontos falhos e atribuem à equipe a chance de vencer grandes jogos. Ou, pelo menos, de jogar muito bem nesses momentos decisivos, como na derrota para o Chelsea em Bridge.

O Solskjaer mexicano
A maioria se lembra dos tempos do norueguês como jogador em Manchester. Não era tecnicamente fantástico, mas, na Champions ou na Premier League, tinha uma estrela absurda para marcar em ocasiões importantes. Assim parece ser Chicharito, que já mostrou ter um senso de oportunidade muito, muito apurado. A diferença é que Hernández, que, com dois gols, decidiu a partida em Stoke-on-Trent, ainda tem muito espaço de evolução. Por ora, a comparação, feita pelo jornalista Phil McNulty, da BBC, é suficiente para descrever o ainda reserva mexicano, como quase sempre foi Ole Gunnar: uma alternativa aos titulares. Mas, em algum tempo, seu notável potencial pode aproximá-lo mais de van Nistelrooy.

Liverpool bem melhor
O conjunto de Roy Hodgson não se limitou a vencer o Blackburn por 2 a 1. Com satisfatórias 20 finalizações (oito no alvo), o Liverpool sufocou os Rovers de um inspirado Paul Robinson. As melhoras de Joe Cole e Fernando Torres foram fundamentais para tanto. E também para, pela primeira vez, negar a possibilidade de o time, ainda na zona de rebaixamento, terminar a Premier League entre os três piores. Por outro lado, a efusiva comemoração na Inglaterra pela vitória revela que ninguém confia na equipe. Muito em função dos resultados recentes, mas também por conta da presença dos contestáveis Konchesky, Lucas e Maxi, que hoje não foram exatamente mal, mas têm desapontado demais. No frigir dos ovos, o triunfo alivia os torcedores do 18º colocado, mas não tira do NESV a responsabilidade de reparar a lateral esquerda, a volância e o ataque em janeiro.

Imagens: The Mirror, Metro, Site do Liverpool