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27 de agosto de 2011

Resumo dos jogos deste sábado da terceira rodada da Premier League

A terceira rodada da Premier League foi iniciada neste sábado com seis jogos. Confira o resumo de cada uma das partidas.

Aston Villa 0x0 Wolverhampton Wanderers


E no primeiro jogo da rodada, tivemos uma partida bem fraca tecnicamente, podemos dizer que sonolenta. Placar de 0 a 0 foi justo. O Aston Villa conquistou o seu segundo empate em três jogos e ocupa o sexto lugar, enquanto o Wolves perdeu a sequência de vitórias e está em 3º. O time da casa era quem tentava algo mais, no 4-3-3, enquanto o visitante se limitava aos contra-ataques. Na próxima rodada, dia 10/09, o Aston Villa vai até Liverpool encarar o Everton, enquanto o Wolverhampton recebe o Tottenham no Molineux.

Wigan Athletic 2x0 Queen Park Rangers


E numa partida bem confusa, o Wigan se manteve invicto em casa, enquanto o QPR que parecia ir bem na Premier League, perdeu o segundo jogo seguido. Com dois gols de Di Santo (isso mesmo, você não leu errado) o time da casa assumiu a sétima colocação. Enquanto o QPR que até foi bem no jogo (como nos outros dois jogos) está em 11º. Na próxima rodada, o Wigan vai até Manchester enfrentar o City no dia 10/09, enquanto o QPR recebe o Newcastle (no dia 12/09).

Blackburn Rovers 0x1 Everton


Com direito a show particular de Tim Howard, o Everton venceu fora de casa o Blackburn por 1 a 0, com gol de Arteta, no finalzinho. O jogo foi muito brigado (literalmente, foram 7 cartões amarelos e dois jogadores se lesionaram), o time da casa se deu ao "luxo" de perder dois pênaltis e levou a pior, quando Arteta de pênalti fez o gol do jogo. Os Rovers continuam se pontuar e é o lanterna, enquanto os Toffees ocupam o 10º lugar. Na próxima rodada o Everton recebe o Aston Villa no Goodison Park no dia 10/09, enquanto o Blackburn vai até Londres enfrentar o Fulham no dia 11/09.

Chelsea 3x1 Norwich City


E o jogo no Stamford Bridge, os Blues conseguiram a segunda vitória e agora ocupa o segundo lugar, enquanto os Canários continuam sem vencer e estão em 14º. Apesar do placar, o jogo foi bem disputado, mas a qualidade do elenco do Chelsea prevaleceu sobre o modesto Norwich e o time da casa saiu vitorioso. Os gols da partida foram marcados por  Bosingwa, Lampard e Mata (a sua estreia na EPL) a favor do Chelsea, e Holt para o Norwich. Na próxima rodada o Chelsea enfrenta o Sunderland no Stadium of Light no dia 10/09, enquanto Norwich recebe o WBA em casa no dia 11/09.

Swansea City 0x0 Sunderland


E o jogo no Liberty Stadium o time da casa empatou em zero com os Black Cats. Jogo movimentado, porém os goleiros Vorm (Swansea) e Mignolet (Sunderland) impediram os gols. O Swansea ocupam o 15º lugar, enquanto o Sunderland está em 13º. Na próxima rodada, no dia 10/09, o Swansea vai até Londres enfrentar o Arsenal, enquanto o Sunderland recebe o Chelsea.

Liverpool 3x1 Bolton Wanderers


O Liverpool recebeu o Bolton no Anfield, venceu bem e apresentou um bom futebol. Os Reds conquistaram a segunda vitória e agora ocupam a liderança, enquanto os Trotters perderam a segunda e ocupam o 9º lugar.  Com amplo domínio o Liverpool fez 3 a 0 com certa facilidade (Henderson, Skrtel e Adam), e numa infelicidade de Carragher, o Bolton fez o gol de honra aos 92 minutos com Klasnic. Na próxima rodada, no dia 10/09, o Liverpool enfrenta o Stoke fora de casa, enquanto o Bolton recebe o Manchester United no Reebok Stadium.

Neste domingo, teremos ainda quatro jogos: Newcastle United x Fulham, Tottenham Hotspur x Manchester City, West Bromwich Albion x Stoke City e Manchester x United. A classificação da Premier League ficou da seguinte maneira:

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Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos_)

21 de agosto de 2011

Resumo dos jogos deste domingo da segunda rodada da Premier League

A segunda rodada da Premier League teve sua continuidade neste domningo, com três jogos. Confira o resumo de cada um.

Norwich 1x1 Stoke


O jogo realizado no Carrow Road foi equilibrado e emocionante. No primeiro tempo, o Norwich teve mais iniciativa e chegava mais perto da abertura de placar, e conseguiu aos 38 minutos, com De Laet, que desviou cobrança de falta e fez 1x0. Na segunda etapa, o Stoke foi para cima e cavou uma expulsão do adversário: Barnett foi retirado pelo árbitro Neil Starbrick após conter avanço de Walters, que ficaria na cara do goleiro Ruddy. Pênalti, que o mesmo Walters bateu e o arqueiro dos Canaries defendeu. Desânimo do Stoke? Nada disso. O time insistiu e Jones, aos 48 minutos do segundo tempo, aproveitou cruzamento da direita e deu números finais ao duelo: 1x1. Ambos têm dois pontos em dois jogos na Premier League.

Wolves 2x0 Fulham


O Wolves não começava uma temporada com duas vitórias desde 1998/99. O adversário, Fulham, esteve invicto contra os Lobos na temporada passada (3x1 e 1x1). Teoricamente a partida seria uma parada indigesta para o Wolverhampton, mas a equipe de Mick McCarthy estava animada, após boa estreia contra o Blackburn, na vitória por 2x1. O jogo teve homenagem à Frank Munro, ex-idolo do Wolves, que morreu esta semana. Em campo, os Cottagers se fecharam, esperando a pressão dos mandantes, mas não seguraram. Doyle e Jarvis, no final do primeiro tempo, colocaram os Lobos com 2x0 de vantagem. Na etapa final, o Fulham mexeu duas vezes no intervalo, com as entradas de Dembele e Sidwell, mas esbarraram no goleiro Hennessey, que evitou que o Wolves tomasse um gol. Resultado que deixa o Wolverhampton com 100% de aproveitamento, enquanto os londrinos ainda não venceram no campeonato.

Bolton 2x3 Manchester City


No último jogo do domingo, Manchester City e Bolton fizeram um combate movimentado, com cinco gols. Melhor para o City, que venceu por 3x2 e é líder ao lado do Wolves (o Manchester United, amanhã, também pode ser líder com 100% de aproveitamento), com duas vitórias em dois jogos. O domínio em grande parte dos 90 minutos foi dos Citizens, que marcaram no primeiro tempo com Silva e Barry, o último em um golaço de fora da área. Klasnic diminuiu logo após, em trama com Petrov, que cruzou e o croata completou para o gol. Na segunda parte, o Manchester City ampliou logo no começo, com Dzeko, que ganhou da defesa e bateu na saída de Jaaskelainen. Mas o Bolton voltaram à partida com Davies: 3x2. Com o placar parelho, o duelo ficou mais equilibrado, mas o City segurou e conseguiu o triunfo em pleno Reebook Stadium. O Bolton Wanderers permanece com três pontos e viu ser freado após golear o QPR por 4x0, na rodada inaugural.

O Campeonato Inglês fecha a segunda rodada com o jogo entre Manchester United x Tottenham, amanhã, no Old Trafford, às 16h (de Brasília).

Por: Márcio Donizete (@marciodonizete)

13 de agosto de 2011

Resumo dos jogos de sábado da primeira rodada da Premier League

Neste sábado foi dado o início da Premier League 2011-12. Estaremos analisando os primeiros* jogos da rodada.

Blackburn 1x2 Wolverhampton


No confronto em Ewood Park, Blackburn e Wolves fizeram um jogo razoável. No primeiro tempo, quem abriu o placar foi o estreante Formica, mas pouco depois o Wolves tratou de empatar a partida com Fletcher. Já na segunda etapa, no rebote de uma cobrança errada de Doyle, Ward deu números finais à partida. Foi uma partida bem parelha, com chance para ambos os lados, domínio maior do Wolves no primeiro tempo, e no segundo o Blackburn que buscou mais o jogo. Ambos possuem time para ficar no meio da tabela. Na próxima rodada o Blackburn enfrentará o Aston Villa fora de casa, enquanto o Wolves recebe o Fulham.

Fulham 0x0 Aston Villa


O jogo em Londres, no “caldeirão” Craven Cottage não foi muito empolgante. Com cara de início de temporada mesmo. Poucas chances, que os excelentes goleiros Schwarzer e Given souberam defender. A partida também contou com algumas estreias, pelo lado do Fulham: Martin Jol (técnico) e John Arne Riise (lateral); pelo lado do Villa: Alex McLeish (técnico), Shay Given (goleiro) e Charles N’Zogbia (winger). Dois times que têm qualidade para brigar por uma vaga na Europa League, mas precisam melhorar muito ainda. Na próxima rodada, o Fulham enfrentará o Wolves fora de casa, enquanto o Aston Villa recebe o Blackburn.

Liverpool 1x1 Sunderland


No jogo em Anfield, talvez o melhor da rodada. Muita expectativa para ambos os times, que movimentaram bastante o mercado da bola. Cada tempo um time dominou. O primeiro foi todo do Liverpool, pressionando bastante os Black Cats, mostrando valer todo o dinheiro gasto. Mas não souberam aproveitar as chances que tiveram, Suárez perdeu um pênalti, mas depois numa cobrança de falta batida por Adam ele desviou de cabeça. Aliás, bom primeiro tempo dos estreantes, Charlie Adam (pelos passes quase perfeitos), Stewart Downing (pela movimentação junto à Suárez) e José Enrique (pela solidez defensiva), porém Jordan Henderson foi mal (mal posicionado também). No segundo tempo, o Liverpool voltou totalmente fora de ritmo, parecia cansado, diferente do Sunderland que foi com tudo pra cima dos Reds. E numa falha da defesa vermelha, os Black Cats chegaram ao gol, e que gol, um belo voleio de Larsson. Há muito trabalho a ser feito por Kenny Dalglish e Steve Bruce, o Liverpool é candidato direto ao título, enquanto o Sunderland pode ser capaz de surpreender e ficar na frente de equipes como Arsenal e Tottenham. Na próxima rodada, o Liverpool vai até o Emirates Stadium enfrentar o Arsenal, enquanto o Sunderland recebe o Newcastle.

QPR 0x4 Bolton


A partida entre QPR e Bolton no Loftus Road foi bem interessante, foi ao lado de Liverpool 1x1 Sunderland o melhor jogo de sábado. O estreante QPR não levou muita sorte (definitivamente, o veterano Dyer sofreu outra lesão), jogou até bem no primeiro tempo, mas não soube aproveitar as chances que teve. Diferente do Bolton, que marcou nos acréscimos com Cahill (que deve sair do time em breve, rumo ao Arsenal ou Liverpool). No segundo tempo, aí sim, domínio total do Bolton. O time de Coyle fez três gols em 12 minutos, matando o QPR. Apesar do placar elástico sofrido, o QPR tem um time que dá para ficar no meio da tabela, já o Bolton briga por uma vaguinha na Europa League. Na próxima rodada o QPR vai até Liverpool enfrentar o Everton, enquanto o Bolton recebe o Manchester City.

Wigan 1x1 Norwich


No DW Stadium, jogo fraco tecnicamente, até porque ambos os times irão brigar para não cair. No primeiro tempo, Watson (Wigan) é quem inaugurou o placar, numa cobrança de pênalti. E nos acréscimos Hoolahan, após falha bisonha da defesa do Wigan, principalmente do goleirão Al Habsi, empatou a partida. No segundo tempo, times pouco criaram, e o jogo ficou no empate mesmo. Na próxima rodada, o Wigan vai até o País de Gales enfrentar o Swansea, enquanto o Norwich recebe o Stoke.

Newcastle 0x0 Arsenal


E no último jogo de sábado, uma partida bem fraca, sabendo da qualidade dos elencos. O jogo ficou marcado por uma confusão entre Gervinho e Barton. No primeiro tempo, pouca movimentação das equipes, o time da casa não conseguia criar, já o Arsenal ficava muito dependente das jogadas de Gervinho, que foi inclusive muito bem, mas não o bastante para ajudar a abrir o placar. No segundo tempo, o Newcastle passou a ter mais chances, enquanto o Arsenal ainda não se encontrava em campo. A segunda etapa aliás foi marcada por uma confusão. Gervinho simulou um pênalti na área, onde o árbitro não marcou, só que os jogadores do Newcastle partiram pra cima do marfinense, entre eles o que adora confusão, Barton, que chegou a trocar algumas agressões com o winger do Arsenal. Depois da confusão, o árbitro expulsou Gervinho e deu apenas um amarelo para Barton. O Arsenal sentiu bastante a falta da qualidade técnica de Nasri e Fàbregas, é um problema a ser trabalhado por Wenger. Já o Newcastle, falta aquele homem que chame mais a responsabilidade, um que desequilibre a partida. Na próxima rodada o Newcastle irá enfrentar o Sunderland fora de casa, enquanto o Arsenal receberá o Liverpool em casa.

*Lembrando que a partida entre Tottenham e Everton foi adiada, devido a onde de violência que vem ocorrendo na Inglaterra.

Neste domingo, teremos mais dois jogos: Stoke x Chelsea e West Bromwich x Manchester United. Manchester City e Swansea jogam na segunda.

Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos_)

6 de novembro de 2010

A importância do padrão

O escocês Alex McLeish treinou o conterrâneo Owen Coyle no Motherwell em 1997-98. Agora no Bolton, o ex-atacante segue as lições do mestre.

Martin Petrov, free agent até há pouco, teve o direito de definir seu destino no mercado de verão. Com boa reputação na Inglaterra por conta das três temporadas no Manchester City, o búlgaro preferiu a transferência para o Bolton. A decisão suscitou diferentes impressões. Petrov poderia estar em um time melhor. Petrov escolheu o Reebok Stadium apenas porque queria ser protagonista. Petrov, aos 31 anos e sem utilização regular no último deles em Manchester, estava, na verdade, em franca decadência.

Qualquer que seja a menos mentirosa dessas teses, a visão quase consensual era a de que o left winger poderia inspirar seu novo clube a um estilo distante do chamado futebolton. Mesmo assim, não parecia fácil comprar a ideia de que uma equipe já habituada à medíocre e dura luta contra o rebaixamento apresentaria grandes novidades. Hoje, o Bolton é o quinto colocado da Premier League, com 15 pontos. Petrov pode ter acertado. A substituição de Gary Megson por Owen Coyle no comando técnico explica muito. A despeito de sua polêmica decisão de deixar o Turf Moor no meio da temporada passada, o ex-treinador do Burnley, carismático e emocionalmente vinculado ao Bolton, construiu uma espécie de família Coyle no Reebok.

Com Owen, o Bolton é mais agressivo e, especialmente, adquiriu automatismos. A escalação pode até não se repetir, por conta de um ou outro empecilho, mas não há dúvidas sobre o time e o esquema preferenciais dos Trotters: (4-4-2) Jaaskelainen; Steinsson, Knight, Cahill, Robinson; Lee, Muamba, Holden, Petrov; Davies, Elmander. Mesmo o ponto fraco, os laterais, vão bem. Steinsson, mais cedo, superou Bale no excelente triunfo por 4 a 2 sobre o Tottenham. Os wingers Lee e Petrov (ou mesmo o reserva Matthew Taylor, quando necessário) aceleram o jogo com qualidade, e os atacantes Elmander e Kevin Davies participam muito e têm número satisfatório de gols no campeonato. Mais do que pela pontuação, que não salta aos olhos, o Bolton impressiona pela demonstração de força diante dos grandes.

O padrão que já parece garantir a confortável permanência dos Trotters na Premier League - e até abre espaço a objetivos um tanto mais ousados - é similar ao que levantou o Birmingham na temporada passada. O conjunto de Alex McLeish jogava quase sempre da mesma forma: Hart; Carr, Johnson, Dann, Ridgewell; Larsson, Bowyer, Ferguson (Gardner), McFadden; Chucho Benítez, Jerome. A limitação ofensiva era compensada pela firmeza do time, que sofreu apenas 47 gols em 38 jogos (média de 1,24 por jogo). Nesta temporada, Ben Foster foi vazado 14 vezes em 11 partidas (média de 1,27). A retaguarda, dos ótimos Dann e Roger Johnson, manteve-se forte, mas, ao contrário do que se esperava, o ataque continuou marcando um gol por jogo.

No papel, o Birmingham é bem melhor hoje. McLeish tem as opções de Hleb para a meia e Zigic para o ataque. O elenco é mais profundo, e um simples desfalque (como o de McFadden, que retorna só em fevereiro) não é, em tese, suficiente para desmontar o time. Mas as escalações diferentes são. Agora, o treinador escocês não mantém sequer o 4-4-2. Ora isola Jerome, ora isola Zigic. Ou escala os dois. A presença constante e aparentemente injustificada de jogadores limitados, como Keith Fahey e Garry O'Connor, parece anular o ganho de qualidade do Birmingham no último verão. Além de Hleb e Zigic, chegaram ao St Andrew's Foster (para substituir Hart, é bem verdade), Beausejour, Jiranek, Valles e Derbyshire. Com tantas alternativas ofensivas - e sem precisar depender de Chucho, que retornou ao Santos Laguna -, não é aceitável a marca de um gol por partida.

E não se pode sofrer dois do West Ham, que, antes dessa rodada, havia marcado tantos gols na Premier League quanto Malouda ou Kevin Nolan. O empate por 2 a 2 deixou os Blues na 14ª posição, cinco postos abaixo em relação à classificação final na temporada passada. O aproveitamento do Birmingham despencou de 44% em 2009-10, quando começou mal, para 36% em 2010-11. É claro que a amostra desta edição do campeonato ainda é pequena, de 11 jogos. Entretanto, parece evidente que a perda dos automatismos daquele time quase imutável, o mesmo por nove rodadas consecutivas e imbatível por doze (na divisão de elite, a maior sequência da história do clube), tem tudo a ver com a instabilidade.

Em menos de um ano, o Birmingham deixou de ser a sensação da Inglaterra para se preocupar com a queda. O Bolton, por sua vez, foge ao estereótipo do jogo feio - embora ainda use bastante a bola longa - e passa a ser respeitado mesmo pelos grandes, que, no Reebok Stadium, jamais terão facilidade. Você sabe, hoje, qual o time titular do Birmingham? E o do Bolton? O simples exercício ajuda a entender o que tem acontecido aos dois clubes. Como os treinadores têm competência comprovada e os elencos contam com bons recursos, é mais fácil o Birmingham se achar do que o Bolton se perder.

Imagens: Breaking Football News, Telegraph, Sporting Life

24 de março de 2010

Obrigado, Big Sam

Sam Allardyce não é fenomenal, mas sabe conduzir a evolução de um time

Ele pode ser adepto de invencionices. Suas equipes têm, de fato, certa propensão a jogar de modo insosso. Ainda assim, Sam Allardyce tem se notabilizado na Inglaterra como um bom treinador. De 1991 a 1996, comandou Limerick, da Irlanda, e Blackpool. Em 1997-98, pelo Notts County, Big Sam conquistou a quarta divisão com 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, estabelecendo uma série de recordes. Em outubro de 1999, chegou ao Bolton para realizar um dos mais consistentes trabalhos dos últimos tempos no futebol inglês.

A temporada 1999-2000 já indicava que Allardyce faria algo bom no Reebok Stadium. Mesmo na segunda divisão, o Bolton incrivelmente chegou às semifinais das Copas da Inglaterra e da Liga. No ano seguinte, os Trotters derrotaram o Preston por 3 a 0 na final dos playoffs e ascenderam à Premier League após três anos de ausência. Depois de duas temporadas de corrida contra o rebaixamento, a equipe melhorou repentinamente. Em 2003-04, Big Sam levou o clube à primeira metade da tabela e à decisão da Copa da Liga. Em seguida, vieram a sexta posição e a vaga na antiga Copa da UEFA. A consistência provocou especulações quanto à possibilidade de Allardyce substituir Sven-Goran Eriksson na seleção inglesa.

Com o cargo ocupado por Steve McClaren, o treinador do Bolton assumiria o Newcastle em 2007. Aliás, foi no St. James' Park que ele criou uma imagem tenebrosa perante seus críticos. Apesar do início promissor, uma sequência de maus resultados, aliada a supostos problemas de relacionamento com o elenco dos Magpies, levou as partes a um rompimento amigável logo em janeiro de 2008, apenas cinco meses após o começo da temporada. Por conta das ambições exageradas e da maior visibilidade internacional do Newcastle, Big Sam não é encarado por muitos como alguém competente. Mas, à exceção de Kevin Keegan durante alguns meses, quem fez algo realmente substancial pelos Magpies nos últimos tempos?

Allardyce voltou à tona em dezembro de 2008 com a indigesta missão de salvar o afundado Blackburn, campeão inglês em 1995, do rebaixamento. E ele foi bem sucedido. Transformou uma equipe completamente desacreditada em um conjunto ainda desagradável de se ver, mas bem melhor de se torcer. Mais confiante, o Blackburn de 2009-10 já é capaz de impor dificuldades aos grandes - ainda que apenas no Ewood Park - e vencer confrontos diretos pelas posições intermediárias. Assim, o elenco de Paul Robinson, Míchel Salgado e El-Hadji Diouf é o 11º colocado da Premier League.

Na temporada passada, com Roque Santa Cruz e Benni McCarthy indisponíveis, Allardyce escalou o zagueiro congolês Christopher Samba, de 1.93m, como centroavante por algumas rodadas. Invencionice até certo ponto, sim. Mas prova a disposição de Sam em se adaptar a condições adversas. Por isso, ele melhorou quase todos os clubes em que trabalhou. Parece claro que não é treinador para grandes equipes, para sustentar projetos muito ambiciosos. Contudo, ele soube fazer os poucos destaques técnicos do Blackburn - Givet na defesa, Gamst Pedersen e David Dunn no meio - funcionarem muito bem. A boa exploração do baixo potencial certamente leva os torcedores de vários dos clubes treinados por Big Sam a uma postura de agradecimento em relação a ele.

Imagem: The Guardian

20 de março de 2010

Queda anunciada

Coyle é protagonista da história que praticamente definiu os rebaixados

O Pompey vivia sua ruína financeira, e a escalação parecia pior a cada jogo. Owen Coyle deixava o Turf Moor rumo ao Reebok Stadium. Jimmy Bullard confirmava a fama de jogador mais propenso ao departamento médico do que ao campo. O movimento das placas futebolísticas na Inglaterra já indicava, em janeiro, quais seriam os rebaixados ao Championship. Arrisquei-me a dizer isso, aliás, em uma das colunas que escrevi para a Trivela. Apesar de haver muitos outros times frágeis, já é seguro afirmar que Portsmouth, Hull City e Burnley não devem disputar a Premier League na próxima temporada.

Curiosamente, uma vitória do Portsmouth parece ter sacramentado o fracasso do trio. Como o clube perdeu nove pontos por conta do caos financeiro-administrativo, as esperanças são meramente matemáticas. Mesmo assim, a equipe conseguiu vencer o Hull por 3 a 2, de virada. Os gols azuis foram marcados por Tommy Smith (que balançou as redes pela primeira vez no clube após 838 minutos), Nwankwo Kanu e Jamie O'Hara, emprestado pelo Tottenham e um dos poucos destaques da equipe na temporada. O resultado frustrou a estreia de Ian Dowie no comando dos Tigers. Ele substituiu o injustamente demitido Phil Brown e viu sua equipe perder uma chance incrível de aproximar-se de Wolverhampton e West Ham.

O Hull poderia ter caído já na última temporada. Um início avassalador e os problemas do Newcastle compensaram um segundo turno terrível e preocupante. Em 2009-10, Brown não encontrou boas alternativas ofensivas. Jozy Altidore, Jan Vennegoor of Hesselink, Amr Zaki: ninguém deu certo. Como Geovanni sucumbiu, a equipe marca poucos gols. A ida de Michael Turner, pilar defensivo em 2008-09, para o Sunderland também faz diferença. Assim, os Tigers têm o pior saldo de gols da Premier League: -35. Além disso, o tempo que Bullard perdeu por conta de mais uma grave lesão parece crucial para o iminente rebaixamento.

Outro resultado emblemático foi a vitória do Wigan sobre o Burnley por 1 a 0. O gol do colombiano Hugo Rodallega colocou os Latics sete pontos acima da zona de rebaixamento. Os últimos dois triunfos dos Clarets foram a 31 de outubro, na 11ª rodada, e a seis de fevereiro, na 25ª. A saída do treinador Owen Coyle causou uma queda vertiginosa do aproveitamento em casa, fator que sustentava a equipe na faixa intermediária da tabela durante o primeiro turno. Brian Laws, ex-comandante do Sheffield Wednesday, não se acertou em Burnley e já é fortemente contestado.

Quanto àqueles que devem confirmar a manutenção na Premier League:

West Ham: A temporada é desastrosa, decepcionante. O pacotão ofensivo contratado em janeiro - Ilan, Mido e McCarthy - sinaliza a indecisão de uma diretoria que se perde pelas próprias palavras. Ainda que Guille Franco jogue mais do que eu recomendaria a um time competitivo, os Hammers provavelmente não caem. E não é exagero dizer que eles devem esta quase exclusivamente às fragilidades de Portsmouth, Hull e Burnley.

Wolverhampton: Mick McCarthy é o treinador que trata a corrida contra o rebaixamento de modo mais sério. Por vezes, fundamentalista. Mas é certo que suas sandices, como a escalação de uma equipe completamente reserva contra o Manchester United, funcionam quando falamos em confrontos diretos. Os Wolves devem permanecer porque vencem quando realmente precisam.

Wigan: É difícil decifrar o Wigan. Uma equipe que derrota, com autoridade, Chelsea e Liverpool no DW Stadium e perde de modo retumbante (12 a 1 no placar agregado!) para o Tottenham merece estudo de caso. De todo jeito, Rodallega consegue marcar em quase todos os momentos decisivos. Ademais, a irregularidade e a imponderabilidade sempre foram suficientes para escapar do rebaixamento.

Bolton: Owen Coyle funcionou. Nos primeiros jogos, o ex-treinador do Burnley não fazia bom trabalho no Reebok Stadium. Seu desempenho, aliás, era muito semelhante ao do antecessor Gary Megson. No entanto, uma boa sequência - aqui destaco a vitória por 2 a 1 sobre o West Ham, no Upton Park - definitivamente afastou o Bolton da zona de rebaixamento.

Observação: A classificação da Premier League está na barra lateral do blog.

Imagem: NowGoal.com

4 de janeiro de 2010

O dilema de Owen Coyle

Se ficar em Burnley, Coyle não deve retornar ao Coca-Cola Championship

Ao vencer os playoffs do Championship em 2008/09, o Burnley voltou à primeira divisão da Inglaterra após 33 anos. A dramaticidade do retorno e a humildade do elenco induziram os críticos a apostar que os Clarets dificilmente escapariam do rebaixamento nesta temporada. Entretanto, o ótimo desempenho em casa - que inclui vitória sobre o Manchester United e empate com o Arsenal - tem mantido a equipe fora do indesejável grupo dos que deixarão a Premier League. Por isso, parece fácil entender por que, como lembra o jornalista britânico Phil McNulty, um grupo de 833 adeptos do Facebook "acredita" que o treinador do Burnley, Owen Coyle, é Deus.

A cúpula do Bolton, aliás, também aprecia o trabalho desse escocês de 43 anos. Após uma série de maus resultados, entre os quais está o empate em casa com o Burnley no Boxing Day, o eternamente contestado Gary Megson foi destituído do cargo de treinador dos Trotters. As especulações de que o comandante dos Clarets seria o substituto são crescentes. Há quem diga que os laços afetivos podem inclinar Coyle à mudança. Durante sua passagem pelo Reebok Stadium como jogador, entre 1993 e 1995, ele marcou 12 gols em 54 jogos.

Abandonando a análise imediata e pensando de forma mais ampla, parece claro que o Bolton representaria, de fato, uma importante evolução na carreira de Coyle. Os Wanderers estão na Premier League há nove temporadas ininterruptas, enquanto o Burnley ainda precisa avançar se não quiser dividir seus anos entre o primeiro e o segundo níveis do futebol inglês. Exatamente por interpretar a iminente troca dessa maneira, o escocês parece ter embarcado nas negociações. Mesmo assim, a atual reputação do treinador, as perspectivas de evolução (reitero que estamos falando de alguém de 43 anos) e o desenho da temporada mostram que a permanência no Turf Moor pode ser a decisão mais sábia.

Honestamente, é difícil definir qual dos dois times tem maiores perspectivas de permanência na Premier League. Hoje, o Burnley está quatro posições e dois pontos acima, mas o Bolton (na zona de rebaixamento) disputou dois jogos a menos. Mas não é essa a questão-chave. Lembremos de um caso local. Estevam Soares fazia ótima temporada no Barueri, que não indicava que poderia ser ameaçado pelo rebaixamento. Não obstante, o treinador aceitou o convite do Botafogo, clube inegavelmente maior, mas sob sério risco de disputar a Série B na temporada seguinte.

Agora, é fácil concluir que Estevam, após salvar o Botafogo do rebaixamento na última rodada, escolheu o melhor caminho. Contudo, um fracasso em General Severiano simplesmente anularia o bom trabalho na Grande São Paulo, onde ele poderia ficar até o fim da temporada 2009 para, enfim, assumir um grande clube. Toda mudança com o campenonato em andamento precisa ser muito bem calculada. No exemplo de Coyle, o destino pode castigá-lo de forma ainda mais enfática.

Ainda que os Clarets não obtenham o passaporte para a próxima Premier League, Coyle certamente permanecerá no primeiro escalão, visto que seus precoces resultados já chamam a atenção dos críticos, e a sua imagem diante dos torcedores do Burnley é muito positiva. Por outro lado, a queda com o Bolton representaria um claro insucesso aos olhos do mercado, mesmo que sua culpa fosse mínima. Se conhece a história do revolucionário russo Vladimir Ilitch Lenin, Owen Coyle certamente se lembrará de dar um passo atrás (ou ficar onde está) para depois dar dois à frente.

Imagem: site oficial da Football League