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14 de julho de 2011

A classe de 1992

Post publicado originalmente no blog do Frederico Jota

Uma das mais vitoriosas gerações de jogadores do futebol inglês está, pouco a pouco, encerrando um ciclo digno de dar inveja. Os atletas que recolocaram o Manchester United no topo do futebol mundial e deram ao clube a hegemonia inglesa tornaram os Red Devils símbolo de temor para os adversários entraram para a história como a Classe de 1992, referência ao ano em que eles chegaram ao profissional através das mãos sempre competentes de Alex Ferguson. Em pouco mais de um mês, dois desses atletas se despediram dos gramados, o excelente meia Paul Scholes e o lateral-direito Gary Neville.

Neville, ex-capitão da equipe foi um jogador que mostrou muita eficiência e liderança enquanto defendeu o Manchester United. Aliás, foi o único clube que defendeu. Jogou nada menos do que 602 partidas pelos Red Devils. Além da camisa vermelha, apenas a da Seleção Inglesa foi utilizada pelo atleta.

A despedida de Gary Neville em um amistoso contra a Juventus, produziu uma reunião histórica, que mereceu a reprodução de uma foto lendária, que mostro abaixo, em reprodução do site oficial do clube inglês. Na foto mais antiga, pela ordem, o responsável pelas categorias de base do clube em 1992, Eric Harrison. Depois, na sequência, Giggs, Butt, Beckham, Gary Neville, seu irmão Phil Neville, Scholes e Cook, que não estorou. Na foto logo abaixo, feita antes da despedida de Gary Neville, Ferguson está acompanhado pela mesma turma, com exceção, claro, de Cook, que foi parar no futebol do Azerbaijão.


Clique na foto para ampliar

Dessa turma toda, Giggs continua jogando o fino da bola. O terceiro mais talentoso dessa turma, depois de Giggs e Scholes, David Beckham, joga no Los Angeles Galaxy, mas teve uma recepção emocionante em Old Trafford no jogo de despedida de Gary Neville, quando envergou a camisa 7 (objeto de desejo para um colecionador de camisas como eu) e mostrou que, mesmo aos 35 anos, ainda é muito habilidoso e bate na bola como poucos.

A Classe de 1992 deu ao Manchester United uma posição de destaque primeiro na Inglaterra, quando, sob o comando de Alex Ferguson, começou a série incrível de títulos na Premier League. De 1992 para cá, são 12, número que fez com que o clube ultrapasasse o Liverpool, que, em 1990, tinha 18 títulos ingleses contra 7 de seus rivais - hoje o placar é 19 a 18 para o Manchester. Ainda na Inglaterra, Beckham, Gary Neville e companhia limitada levantou Copas da Inglaterra (hoje o Manchester United é recordista de títulos, com 11), Copas da Liga Inglesa e Supercopas Inglesas.

No cenário europeu, a base montada no clube em 1992 (e sempre muito bem coadjuvada por gente como Cole, York, Schmeichel, Solksjaer, Sheringham, Roy Keane) venceu uma das finais mais emocionantes da história da Champions League, contra o Bayern, em 1999, com dois gols nos acréscimos que valeram a taça e a virada. Quer relembrar como foi aquele jogo? Clique aqui. Ainda com gente da turma famosa e desta vez com reforços do nível de Cristiano Ronaldo e Van Der Sar, o Manchester venceu outra Champions, desta vez em 2008, contra o Chelsea. Nos dois anos da conquista da Europa, dois Mundiais, de quebra, contra Palmeiras e LDU.

A geração aos poucos vai se despedindo dos gramados. Giggs será o último. E ainda em alto nível. Podem apostar que vai conquistar mais títulos.

Texto de Frederico Jota
www.fredericojota.blogspot.com
www.twitter.com/FredericoJota

6 de janeiro de 2010

O problema da asa direita

Capello esteve no San Siro, mas precisa dar atenção a outros estádios e opções

Conforme desejava Fabio Capello, David Beckham retornou ao Milan. No primeiro jogo da nova etapa no San Siro, o meia foi uma das mais importantes peças no ótimo triunfo rossonero por 5 a 2 diante do Genoa. A contusão de Pato durante os treinos forçou a utilização de Beckham pela ponta direita, de onde habitualmente saem seus eficazes cruzamentos. Ademais, a abundante oferta de jogadores ingleses acostumados à faixa central do meio de campo induz o treinador italiano a encarar o reforço milanista como um right winger, posição natural do ex-ídolo do Manchester United.

Capello aprecia as características de Beckham. O eventual caráter crucial das bolas paradas indica que, se o camisa 32 do Milan mantiver a boa forma, certamente estará na Copa. Hoje, porém, ele não é titular. Aaron Lennon, do Tottenham, está em sua melhor temporada. São nove assistências na Premier League e, sobretudo, uma ousadia que tem atormentado os laterais-esquerdos adversários. Se Beckham está a um passo da África do Sul, Lennon já pode planejar o safari. Assim, o provável preenchimento das vagas da "asa direita" deve aguçar a capacidade de Capello de reinventar a composição do elenco inglês.

O site oficial da Premier League promove uma enquete sobre quem foi o melhor jogador do mês de dezembro no campeonato. Uma das opções é James Milner, do Aston Villa. Isso indica o ótimo momento do meia, um dos líderes do interessante plantel à disposição de Martin O'Neill. Assim como Lennon, Milner foi revelado pelo Leeds United e construiu sua carreira como right winger. Isso significa que ficará fora da Copa?

Não, definitivamente. O jogador do Villa possui dotes distintos em relação aos de Lennon. Talvez esteja mais próximo do estilo de jogo de Beckham. É muito técnico e tem como principal virtude a facilidade em bater na bola. Felizmente, ele facilita o trabalho de Capello por ser muito versátil. Com a chegada de Stewart Downing (outro candidato a uma vaga na Copa) ao Villa Park, Milner passou a atuar pela faixa central do meio de campo, sendo uma espécie de substituto de Gareth Barry. Ademais, pode perfeitamente ser escalado no lado esquerdo. Desta forma, ele foi o destaque inglês no amistoso contra o Brasil.

Sem precisar sair de Birmingham, encontramos outra peça que merece muita atenção. Ashley Young é o melhor jogador do Aston Villa nas últimas temporadas e deve ser tratado como nome certo para a Copa. Atualmente - para deixar Capello ainda mais hesitante -, Young joga aberto pelo lado direito do meio de campo. O lado positivo é a constante movimentação do jogador, apto a ser incluído em várias funções na convocação.

Outro jogador que merece menção é Shaun Wright-Phillips, o melhor do Manchester City até certo ponto da temporada. Está abaixo de todos os supracitados, é bem verdade, mas precisa ser considerado por sempre fornecer ao time um notável dinamismo através de suas velocíssimas investidas pela ponta direita. Mais distante da África está Theo Walcott, do Arsenal. Ao contrário de 2006, quando Sven-Goran Eriksson o convocou sem que precisasse jogar, a presença na próxima Copa está atrelada a um fantástco desempenho na segunda metade da temporada. Não acredito.

Proponho agora um exercício que considero sempre válido. Respeitando o que se vê hoje, os 23 que eu convocaria para a Copa são os seguintes:

Goleiros: Joe Hart, Robert Green, Ben Foster

Laterais: Glen Johnson, Ashley Cole, Micah Richards, Leighton Baines

Zagueiros: John Terry, Rio Ferdinand, Matthew Upson e Joleon Lescott

Meias: Aaron Lennon, Frank Lampard, Gareth Barry, Steven Gerrard, David Beckham, James Milner, Tom Huddlestone e Ashley Young (com pesar por não incluir Joe Cole)

Atacantes: Wayne Rooney, Jermaine Defoe, Peter Crouch e Darren Bent (com pesar por não incluir Michael Owen)

Imagem: The Independent