Robert Pires, aos 37 anos, está de volta à Inglaterra. Gérard Houllier resgatou o compatriota da aposentadoria, e o antigo winger do Arsenal agora presta serviços ao Aston Villa. Pires esteve no Highbury entre 2000 e 2006. O francês era peça fundamental de um time vencedor e encantador, que conquistou, por exemplo, a Premier League de 2003-04 com campanha invicta. O protagonista era Thierry Henry, mas Robert também levantou um troféu individual no norte de Londres: o de jogador do ano pelos jornalistas ingleses, em 2001-02. Infelizmente para Houllier, a referência mais precisa de Pires não é geográfica, mas cronológica. Os últimos quatro anos, no Villarreal, foram somente razoáveis.
Exatamente por isso, o contrato dele com o Villa é de apenas seis meses. O assistente técnico Gary McAllister (que foi jogador de Houllier no Liverpool) vê o negócio como "uma grande oportunidade para os mais jovens". Pires, de fato, pode ensinar muito. São dois títulos na Premier League, três na FA Cup e, de quebra, uma Copa do Mundo. Por outro lado, Houllier imagina não ter contratado apenas um currículo, mas alguém que possa contribuir para tirar os Lions da nona posição no campeonato. A atitude do treinador francês não chega a ser desesperada, mas a aposta em Pires parece ter um quê de impotência para atrair contratações mais seguras.
O Aston Villa tem três entraves: a confiança cega em uma defesa com Collins e Dunne, os meias centrais na enfermaria e a ausência de um bom finalizador. Agbonlahor não atende a este quesito; Heskey e Carew não têm atendido a quesitos. E Pires não é a solução para nenhum dos problemas em questão. Imaginando o que fazia no Highbury, ele reforça o setor mais abastado do time: o dos wingers. Ashley Young e Downing são excelentes, e o jovem Albrighton tem evoluído muito bem. Tanto que Young é, nesta temporada, escalado à frente da linha dos quatro meias, o que abriu espaço a Albrighton pela direita.
Está claro que Pires não deve jogar, em intensidade e posicionamento, como na época de Arsenal. Wenger costumava colocá-lo à esquerda, com Ljungberg no flanco oposto. No Villa, ele pode cumprir função similar à de van der Vaart no Tottenham, no suporte a um atacante único. Isso, supõe-se, nos segundos tempos. Por ora, é difícil acreditar que um jogador de 37 anos, inativo desde maio, chega com fôlego para barrar um Albrighton em plena forma.
A expectativa é de que Pires seja, no Villa, mais uma voz da experiência, como quer McAllister, e um jogador de rotação, para ajudar Houllier na movimentação do elenco. Não se pode exigir mais. Na Inglaterra, as aventuras pós-Arsenal de alguns nomes daquela geração vitoriosa não representam um bom modelo: Ljungberg no West Ham, Lauren no Portsmouth e Vieira no Manchester City não foram (ou não é, no exemplo de Vieira) exatamente um sucesso. Pires pode começar a escrever uma história um pouco diferente a partir de domingo, contra o Blackburn.
Imagem: BBC