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15 de setembro de 2011

Preguiçosos na Champions League, Manchester e Chelsea priorizam o clássico


Titulares poupados, desempenhos sem grande intensidade e a escolha por priorizar claramente o clássico do próximo domingo. Essa foi a tônica dos jogos de Chelsea e Manchester United na primeira rodada da Champions League. O Blues venceram o Bayer Leverkusen por 2 a 0 no Stamford Bridge, enquanto os Red Devils empataram com o Benfica em 1 a 1, fora de casa.

O Manchester preferiu utilizar um time mais experiente. Entraram Fletcher, Carrick, Giggs, Valencia e Park, saindo Cleverley (contundido), Anderson, Nani, Young e Chicharito. Em geral, o time foi dominado pelos portugueses. Quando quis um pouco mais de jogo, teve o controle e atuou no campo de ataque. Isso aconteceu no final do primeiro tempo e no começo do segundo.

Giggs, o mais experiente do elenco, fez o gol que garantiu um ponto que ficou de bom tamanho para o Manchester United. Em um grupo que conta ainda com Basel e Otelul Galati, a classificação em primeiro lugar não deverá ser problema.

No domingo, todos os jovens, com exceção de Cleverley, devem voltar ao time. Carrick deve ser o primeiro volante. A expectativa é que a mobilidade mostrada nas primeiras rodadas da Premier League faça a diferença contra o estático Chelsea.

Os Blues não pouparam tantos jogadores como seu rival. Dos titulares absolutos, ficaram de fora apenas Terry e Lampard. A vitória de 2 a 0 foi construída com boas atuações de David Luiz e Mata (foto), que foram inclusive os autores dos gols. Anelka entrou na segunda etapa e também teve boa atuação. Apesar do grupo ser um pouco mais complicado (conta ainda com Valência e Genk), os ingleses também deverão ficar com a liderança.

Contra o Manchester, resta saber quem fará o trio de meio campo com Lampard e Mikel. O escolhido, pelo poder de marcação, deve ser Raul Meireles. Outra dúvida está instalada no ataque. Mata é jogador de mais mobilidade e titular absoluto. Fernando Torres será o centroavante. Anelka, Kalou, Malouda e Sturridge brigam pela terceira vaga. Aposto em Anelka.

Apesar de não ter brilhado nesse começo de temporada, o Chelsea é muito forte e não será facilmente batido como o Arsenal. Os Blues devem apostar em um jogo truncado e de forte marcação. Na frente, a esperança fica por conta dos espanhois Mata e Fernando Torres. O segundo, que não deslanchou no novo clube, sempre é destaque contra o Manchester.

24 de maio de 2011

Chicharito: de aposta a peça-chave

Sem os mesmos holofotes de seus companheiros, Javier Hernán é peça-chave do atual time do Manchester United


Quando Javier Hernández foi contratado pelo Manchester United, a imprensa mexicana qualificou a ida daquele mexicano, que poucos conheciam na época, para a Inglaterra como estrondosa e espetacular. A imprensa inglesa, porém, não deu o mesmo alarde à transferência. Com isso, Chicharito chegou ao United como uma grande incógnita, uma verdadeira aposta.

Perto de ter se transferido para o PSG, em 2009, o clube francês só não o contratou pelo fato de acreditar que um jogador com um preço tão baixo (o passe de Chicharito, na época, valia cerca de 1 milhão de dólares) não seria de boa qualidade. Senso assim, para a felicidade dos torcedores Red Devils, a transferência não vingou.

Com a iminente recusa do PSG, Chicharito seguiu no Chivas, conquistando cada vez mais o status de ídolo da torcida mexicana. O atacante foi ganhando também o interesse de diversos clubes; o Manchester, porém, não titubeou, foi mais rápido e contratou o jogador.

Chegando com o status de aposta, Hernández necessitou de um jogo para crescer dentro do United. A Supercopa da Inglaterra, conquistada no início da temporada, sobre o grande rival Chelsea, presenciou uma atuação de gala de Chicharito, que logo foi ganhando a confiança de Fergunson.

Enquanto seu maior concorrente pela vaga na equipe titular, Dimitar Berbatov, anotava hat-tricks diante de equipes pequenas e de qualidade ruim (embora também tenha feito o mesmo contra o Liverpool), Hernández decidia clássicos e jogos importante. Não tardou para o mexicano ser a preferência de Fergunson...

O dinamismo e movimentação de Chicharito aliou-se perfeitamente a estrela intocável, Wayne Rooney, quando este voltou à sua boa fase. O atacante mexicano acabou tornando-se peça-chave do time Red Devil, sendo que, com sua ausência, o estilo de jogo do Manchester é totalmente diferente.

Scott Parker e Gareth Bale foram eleitos os melhores da Premier League, mas em eficiência e importância, por que não escolher Chicharito? É uma boa discussão a ser iniciada.

16 de março de 2011

Para mudar a história

Grande temporada de estreia de Chicharito mostra que ele pode ser o primeiro mexicano a finalmente brilhar em campos ingleses

Já virou rotina. O Manchester United não convence, parece ser dominado por sua excessiva cautela em certos momentos, mas, quando não é traído pela sua própria postura – como aconteceu na edição passada da Champions League, contra o Bayern de Munique, sempre consegue resultados positivos devido à sua impressionante eficácia. Na classificação contra o Olympique de Marseille, ontem, pela competição europeia, a situação se repetiu.

Na vitória de 2 a 1 sobre os franceses, Javier Hernandez foi o herói dos Red Devils, ao marcar dos dois gols da equipe inglesa. Chicharito, aliás, vai coroando cada vez mais sua excelente temporada de estreia. Com 16 gols em toda a temporada, o jovem atacante já é o vice-artilheiro dos mancunianos e conquistou a torcida e o técnico Sir Alex Ferguson. A confiança é tanta que o mexicano foi o responsável por barrar Berbatov quando o búlgaro fazia, disparadamente, a sua melhor campanha pelo clube.

Primeiro mexicano a jogar na Premier League, Jared Borgetti não conseguiu se aproveitar de seus ótimos cabeceios para se firmar no Bolton de Sam Allardyce

Com o seu brilho precoce pelo Manchester United e um excelente futuro pela frente, Hernandez caminha para mudar o sucesso dos mexicanos nos campos ingleses e se tornar o primeiro deles a brilhar por lá, depois de algumas histórias de fracasso. Seus conterrâneos começaram a desbravar a Terra da Rainha desde que Jared Borgetti assinou com o Bolton na temporada 2005-06. Porém, o atacante nunca conseguiu se firmar pelos Wanderers, e deixou o clube logo na temporada seguinte, após marcar apenas dois gols na Premier League e outros cinco em outras competições. Nery Castillo, atacante de sucesso no Olympiacos, teve uma passagem infrutífera pelo Manchester City na temporada 2007-08.

Nem mesmo jogadores da excelente geração que conquistou o Mundial Sub-17 em 2005 conseguiram brilhar. Na verdade, pelo futuro que pareciam ter, foram, inclusive, os que mais decepcionaram. Giovanni dos Santos teve um desempenho apagadíssimo pelo Tottenham e logo perdeu espaço diante de tantas boas opções ofensivas. Já Carlos Vela nunca convenceu no Arsenal, sempre se destacando mais pelas inúmeras chances de gols perdidas, e só começou a ter certo sucesso agora, emprestado ao West Bromwich.

Há ainda dois jogadores que estrearam na atual temporada junto com Chicharito: o winger Pablo Barrera, pelo West Ham, e o lateral Carlos Salcido, pelo Fulham. Os dois, porém, estão longe de ter o status do atacante do Manchester United: Barrera se tornou apenas mais uma das opções ofensivas nada confiáveis dos Hammers, enquanto Salcido, após bons tempos no PSV, é um jogador de altos e baixos pelos Cottagers. Por hora, fica somente a Hernandez, portanto, o fardo de manter a honra dos mexicanos na Inglaterra.

Imagem: BBC

24 de outubro de 2010

A fracassada ousadia de Grant

Grant pode se juntar a Zola na lista de Hammers visionários - e desempregados

Carlo Ancelotti pode escalar Anelka, Drogba e Sturridge. Sim, é perfeitamente possível. Mesmo assim, há ressalvas. Ele precisaria de um Lampard muito comprometido com questões defensivas e um Essien todocampista. Há três temporadas, Kevin Keegan salvou o Newcastle do rebaixamento ao Championship a partir do momento em que adotou o esquema com três atacantes: Owen, Martins e Viduka. Mas Owen voltava muito, quase como um enganche, à Forlán em sua versão da Copa do Mundo. Mesmo em times com muitos recursos, um 4-3-3 de fato precisa de uma sustentação especial.

Pois bem. Avram Grant, que se revelou um bom treinador no Chelsea em 2007-08, quis se aventurar no West Ham. Afundado na última posição da Premier League após viver trauma similar - mas compreensível - na temporada passada com o Portsmouth, o israelense lançou mão de uma formação excessivamente ousada no jogo contra o Newcastle, no sábado. Além do inusitado tridente ofensivo - Piquionne à direita, Obinna à esquerda e Carlton Cole no comando -, o meio-campo carecia de combatividade, com Behrami e Noble à frente do sempre lúcido, porém sacrificado na primeira volância, Scott Parker.

A combinação até funcionou no começo, com Piquionne, deslocado à esquerda, a assistir Carlton Cole, que não - não! - é bom finalizador como sugeriam os descabidos interesses de Liverpool e Arsenal. Entretanto, mesmo um time inconsistente como o Newcastle conseguiu fazer a festa. Sem pegada no meio, o West Ham foi completamente dominado por Gutiérrez, Tioté, Nolan e Barton, que sempre podiam contar com Carroll na referência. A totalmente merecida virada dos Magpies deixa claro que o problema não é o esquema, mas a má distribuição das peças. Se Grant prefere o 4-3-3, pode investir nele, mas não sem antes verificar questões fundamentais: os laterais conseguem compensar a ausência de wingers?; os pontas marcam a saída de bola?; haverá combatividade suficiente no meio?

Manejando seu elenco de forma adequada, Grant pode chegar a uma formação mais segura, que, em tese, seria suficiente para afastar os Hammers do fundo do poço. Vejamos: Green; Winston Reid, Upson, Gabbidon, Ilunga; Hitzlsperger (quando recuperado), Parker, Noble; Behrami, Cole, Barrera. É claro que a baciada de atacantes, especialmente Obinna, que tem agradado a muitos, tem de ser explorada. Mas a distribuição mais cautelosa dos jogadores parece vantajosa a um West Ham que culpava Gianfranco Zola por seus problemas de 2009-10, mas já pode crer que sua temporada fora da reta foi 2008-09, a do ótimo nono lugar inspirado pelo outrora bom trabalho do treinador italiano.

O grande Samir Nasri
O francês foi o melhor da ótima vitória por 3 a 0 do Arsenal contra o Manchester City. A expulsão de Boyata foi o evento que determinou o rumo do jogo, mas, em outros tempos, os Gunners teriam mais problemas para superar um conjunto que, sim, era mais confiante ao início do encontro. O que mudou? A consistência de Nasri, o grande jogador do Arsenal na temporada, inspirou o triunfo incontestável. Aliás, dele e de Song, figuras sobre quem falamos há um tempo. Ainda em evolução impressionante, os dois minimizam os pontos falhos e atribuem à equipe a chance de vencer grandes jogos. Ou, pelo menos, de jogar muito bem nesses momentos decisivos, como na derrota para o Chelsea em Bridge.

O Solskjaer mexicano
A maioria se lembra dos tempos do norueguês como jogador em Manchester. Não era tecnicamente fantástico, mas, na Champions ou na Premier League, tinha uma estrela absurda para marcar em ocasiões importantes. Assim parece ser Chicharito, que já mostrou ter um senso de oportunidade muito, muito apurado. A diferença é que Hernández, que, com dois gols, decidiu a partida em Stoke-on-Trent, ainda tem muito espaço de evolução. Por ora, a comparação, feita pelo jornalista Phil McNulty, da BBC, é suficiente para descrever o ainda reserva mexicano, como quase sempre foi Ole Gunnar: uma alternativa aos titulares. Mas, em algum tempo, seu notável potencial pode aproximá-lo mais de van Nistelrooy.

Liverpool bem melhor
O conjunto de Roy Hodgson não se limitou a vencer o Blackburn por 2 a 1. Com satisfatórias 20 finalizações (oito no alvo), o Liverpool sufocou os Rovers de um inspirado Paul Robinson. As melhoras de Joe Cole e Fernando Torres foram fundamentais para tanto. E também para, pela primeira vez, negar a possibilidade de o time, ainda na zona de rebaixamento, terminar a Premier League entre os três piores. Por outro lado, a efusiva comemoração na Inglaterra pela vitória revela que ninguém confia na equipe. Muito em função dos resultados recentes, mas também por conta da presença dos contestáveis Konchesky, Lucas e Maxi, que hoje não foram exatamente mal, mas têm desapontado demais. No frigir dos ovos, o triunfo alivia os torcedores do 18º colocado, mas não tira do NESV a responsabilidade de reparar a lateral esquerda, a volância e o ataque em janeiro.

Imagens: The Mirror, Metro, Site do Liverpool

30 de setembro de 2010

Um grande futuro

Ao contrário de seus conterrâneos Carlos Vela e Giovanni dos Santos, Chicharito Hernández prova na Inglaterra que tem um grande futuro pela frente. Sorte do Manchester United, que ainda vê Federico Macheda no mesmo caminho

O Manchester United esteve longe de fazer uma boa partida ontem, na segunda rodada da Champions League. Não teve inspiração alguma na articulação de jogadas, deixou Berbatov completamente isolado no ataque e chegou a ser dominado pelo Valencia em certos momentos do jogo. Sorte que a qualidade da equipe espanhola não se equipara à vontade demonstrada em campo: o elenco atual está longe de ser comparado àquele perigoso do final da década passada e do começo do século XXI.

Porém, bastou uma jogada com um mínimo de qualidade para que os comandados de Sir Alex Ferguson vencessem a partida, mesmo que injustamente - pelo que foi produzido pelas equipes, o empate seria o resultado mais apropriado. Após jogada iniciada por Nani, o jovem ataque reserva dos ingleses decidiu a partida: Macheda tocou rapidamente para Chicharito Hernández, que finalizou muito bem, sem qualquer chances para o veterano goleiro César Sánchez (que já teve uma rápida passagem pelo Tottenham). Numa partida não mais que mediana, foi um dos únicos lances dignos de certa análise: além de possuir um bom ataque reserva, os Red Devils têm em mãos uma bela dupla para o futuro.

Algo que, na verdade, só foi realçado após este encontro internacional, pois ambos já mostraram isso há tempos: afinal, não é qualquer jovem que entra em momentos decisivos e consegue marcar gols fundamentais, como fez o italiano na temporada 08-09 num jogo importantíssimo contra o Aston Villa pela Premier League, ou o mexicano em quase todas as suas grandes atuações até agora - até mesmo um gol essencial pelo México em plena Copa do Mundo já marcou! Aliás, essa parece ser a marca registrada deles: parecerem incrivelmente predestinados para resolver jogos difíceis. Estrela? Pode até ser, mas certamente é mais do que isso: é prova de talento.

O curioso é que, dos quatro grandes da Inglaterra, o Manchester United é o único que possui um ótimo ataque a ser lapidado com muito cuidado. Na verdade, isso é algo que poderia até ser considerado normal; porém, não em um lugar que possui um clube grande que é conhecido por ser formado por muitos jovens e, consequentemente, revelar muitos talentos precoces - o Arsenal. Não deixa de ser estranho ver Arsène Wenger, um caçador de talentos nato, não ver Vela e Bendtner estourarem e substituírem Van Persie e Arshavin a altura quando preciso, enquanto Ferguson vê Hernández e Macheda se destacando e tendo grandes chances de vingarem.

O melhor de tudo é que, por ter um ataque formado por Rooney e Berbatov - que é um dos destaque da temporada até aqui - e Owen no banco, Ferguson não precisa depender necessariamente dos dois garotos em situações de emergência. Isso quer dizer que possuem menos chances de se queimarem ao serem "jogados na fogueira" e serem mal sucedidos. Entretanto, não deixa de ser curioso vê-los se destacando em momentos cruciais dos Red Devils, o que só prova o talento e o grande futuro que têm pela frente.

Imagem: BBC