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7 de setembro de 2009

O vendaval do mercado

A crise econômica pode ter freado o ímpeto de algumas equipes. Mas, ao mesmo tempo, obrigou alguns clubes à venda de jogadores importantes. Por isso, o último período de transferências na Inglaterra foi tão movimentado quanto qualquer outro. Como neste final de semana não houve rodada na Premier League em virtude das partidas envolvendo seleções nacionais, o Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno aproveita a segunda-feira para eleger três destaques (positivos e negativos) da janela de contratações de agosto.

Equipe mais fortalecida: Manchester City. Os Sky Blues contrataram todos os que aceitaram a fortuna do investidor Mansour bin Zayed Al Nahyan e desfizeram-se de todos os que inchavam inutilmente o elenco - especialmente na parte ofensiva. O aspecto mais louvável da ação comercial do City foi o enfraquecimento de concorrentes. Arsenal, Everton, Aston Villa e Manchester United brigam com o conjunto de Mark Hughes na parte superior da tabela, correto? Então, os Citizens buscaram suas principais aquisições justamente em seus rivais. Adebayor, Touré (Arsenal), Lescott (Everton), Barry (foto, Aston Villa) e Tévez (Manchester United) agora jogam no City of Manchester Stadium.

A única perda significativa foi a de Daniel Sturridge, atacante inglês muito promissor. Ele recebeu uma proposta do Chelsea, aceitou, e o City foi obrigado a liberá-lo por conta de determinações da legislação inglesa. Um erro, sim. Mas que não apaga todos os acertos do clube no período de transferências. As contratações foram cirúrgicas (apesar de muitas) e estratégicas. A prova é o bom início na Premier League: três jogos, três vitórias. Time-base: Given; Richards, Touré, Lescott, Bridge; Barry, Wright-Phillips, Ireland; Tévez, Adebayor, Robinho.

Equipe mais enfraquecida: Portsmouth. A crise financeira chegou ao investidor francês Alexandre "Sacha" Gaydamak, antigo proprietário do Portsmouth. Endividado, ele teve de vender os principais jogadores, como Peter Crouch (foto) e Glen Johnson. Até que, num belo dia, Sacha resolveu aceitar a proposta de Sulaiman Al Fahim, que acabou por comprar o clube. Entretanto, nem o poderoso empresário do mundo árabe conseguiu montar um elenco forte, até pelo tempo escasso. Ao contrário, ele ainda vendeu o croata Niko Kranjcar, o mais lúcido de seus jogadores, ao Tottenham.

As contratações são muito modestas: Aaron Mokoena (capitão da África do Sul e, agora, também do Portsmouth), Steve Finnan, Tommy Smith, Tal Ben Haim (bem ruim, como sempre digo), Michael Brown e Anthony Vanden Borre (eterna promessa belga do Football Manager). O começo desastroso - quatro derrotas - e as perdas significativas indicam que o Portsmouth será rebaixado.

Time-base: James; Finnan, Kaboul, Ben Haim, Hreidarsson; Vanden Borre, Mokoena, Brown, Smith; Utaka, Piquionne.

Quem pode surpreender: Sunderland. Uma das boas mudanças nos Black Cats foi a chegada do treinador Steve Bruce, que teve ótimos anos no Wigan. Mas também é fato que, embora pouco destacado por grande parte da imprensa, o elenco do Sunderland melhorou muito em relação à última temporada. A única saída de maior impacto foi a de Djibril Cissé, que foi para o Panathinaikos, sendo que ele estava emprestado à equipe na época passada. As contratações, por sua vez, foram ótimas.

O ataque ganha Fraizer Campbell, ex-Manchester United, e o ótimo Darren Bent, que não conseguiu reeditar no Tottenham seus bons dias de Charlton Athletic. O meio-de-campo está muito, mas muito mais forte com o albanês Lorik Cana, que estava no Marseille, e Lee Cattermole (foto), que era comandado por Bruce no Wigan. A defesa também é superavitária em relação a 2008/09. Chegam ao Stadium of Light o excelente Michael Turner, antigo zagueiro do Hull City, o paraguaio Paulo da Silva, ex-Toluca, e o ganês John Mensah, emprestado pelo Lyon. O Sunderland tem, até aqui, duas vitórias e duas derrotas.

Time-base: Gordon; Bardsley, Anton Ferdinand, Turner, Mensah; Malbranque, Cattermole, Cana, Richardson; Kenwyne Jones, Bent.

E o Big Four (Liverpool, Man Utd, Arsenal e Chelsea)? Acredite: o único que não piorou seu elenco foi o Chelsea, que contratou Zhirkov e Sturridge e não teve perdas importantes. O Manchester United, mesmo com Owen, Valencia e Obertan, piora sem Cristiano Ronaldo e Tévez. Assim como o Arsenal, sem Touré e Adebayor, embora o conjunto tenha começado a temporada com o mais agradável futebol do país.

O Liverpool, por sua vez, não tem mais Xabi Alonso. O italiano Alberto Aquilani é bom substituto, mas tem características distintas, talvez não tão essenciais aos Reds quanto as de Xabi. O grande mérito de Rafa Benítez no mercado foi o acerto com Glen Johnson. Mas ainda é arriscado afirmar que a equipe não cai em relação à temporada passada.

Imagens: Zimbio, Team Talk, The Northern Echo