18 de dezembro de 2009

Bolinhas um tanto cruéis

Fotógrafo teria flagrado reações de Roy Hodgson e David Moyes ao sorteio

A UEFA sorteou hoje os confrontos eliminatórios de suas ligas. Os seis clubes ingleses ainda vivos nas competições continentais conheceram seus adversários. As bolinhas não foram muito generosas com os amigos de Elizabeth II. Embora todos tenham considerável possibilidade de seguir em frente, apenas o Liverpool é claramente favorito. Veja por quê:

Liga dos Campeões, oitavas-de-final

Internazionale (Itália) 40% x 60% Chelsea
. "Não sei se é o Chelsea que faz parte da minha história, ou se sou eu que faço parte da história do Chelsea". José Mourinho proferia a dúvida, com alguma razão, há uma semana. Parecia prever o encontro com Carlo Ancelotti, seu rival durante um ano na Itália. O sorteio foi uma espécie de azar recíproco. A Inter, que não poderia enfrentar o Barcelona, enxergava os Blues como os potenciais oponentes mais perigosos, enquanto estes certamente preferiam não enfrentar Mourinho. De todo jeito, o Chelsea é ligeiramente mais forte em todos os setores e, com Drogba em forma, deve superar o difícil inimigo.

Porto (Portugal) 45% x 55% Arsenal. O confronto também é familiar. Na temporada passada, Porto e Arsenal estiveram no mesmo grupo. Após vitórias dos anfitriões por 4 a 0 no Emirates e por 2 a 0 no Dragão, ambos se classificaram. Em 2009/10, os portugueses ainda tentam se adaptar à vida sem Lucho e Lisandro, mas já entraram definitivamente na luta pelo pentacampeonato nacional. Hulk é muito perigoso, e os Gunners precisarão da plena competência dos bons Vermaelen e Gallas. Ainda assim, liderado por van Persie, de quem se espera saúde, Fàbregas e Arshavin, o Arsenal é favorito para garantir a vaga com uma boa vitória em Londres.

Milan (Itália) 40% x 60% Manchester United. O confronto poderia ser mais equilibrado se o Milan de Leonardo não tivesse espantado a Europa ao não vencer nenhum jogo em casa na primeira fase. Especialmente a derrota para o Zurich faz qualquer um acreditar que o esquema matreiro de Alex Ferguson, com o fortíssimo meio comandado por Fletcher e o ataque com o solitário Rooney, será capaz de arrancar ótimo resultado no San Siro. Em Old Trafford, de repente com Berbatov e Owen também participando da brincadeira em algum momento do jogo, o exposto sistema defensivo do Milan poderá revelar suas fragilidades coletivas, embora Thiago Silva e Nesta sejam excelentes. Se controlar razoavelmente Pato, Ronaldinho e o provavelmente empolgado David Beckham, o United passa.

Liga Europa, 16-avos de final (como dizem os bons amigos portugueses)

Unirea Urziceni (Romênia) 30% x 70% Liverpool.
Não é responsável descartar o Unirea. Os romenos tiveram sorte na Liga dos Campeões quando caíram no grupo de Sevilla, Stuttgart (em péssima fase) e Glasgow Rangers, é bem verdade. Mas foram perspicazes, conseguiram oito pontos, venceram o Sevilla em casa e chegaram à última rodada com possibilidade de seguir adiante. Por isso, se o Liverpool voltar ao marasmo do 4-2-3-1, sem criar novas alternativas, pode se complicar. Vale lembrar que, durante a péssima campanha na Champions, os Reds venceram o débil húngaro Debreceni apenas por 2 a 0 no placar agregado. De todo jeito, se ficar, Rafa Benítez deve melhorar o conjunto até fevereiro, algo fundamental para passar por Fenerbahçe ou Lille nas oitavas-de-final.

Sporting Lisboa (Portugal) 60% x 40% Everton. O confronto das lamentações. São duas equipes que poderiam oferecer muito mais a seus torcedores nesta temporada. O Sporting ocupa a terrível sétima posição na Liga Sagres, com 18 pontos em 13 jogos, atrás, por exemplo, do Rio Ave. Os Toffees, apesar do ótimo - e, há que se destacar, inusitado - empate contra o Chelsea, ainda temem a zona de rebaixamento na Premier League. Mesmo projetanto Landon Donovan no Goodison Park, a fase técnica parece ser pior do que a dos portugueses. O embate pode até ser equilibrado, mas o placar agregado de 7 a 0 que os lisboetas do Benfica impuseram ao Everton na primeira fase faz o Sporting ser favorito também psicologicamente. Se surpreender, o time de David Moyes ainda será o lado mais fraco contra Galatasaray ou Atlético de Madrid na fase seguinte.

Shakhtar Donetsk (Ucrânia) 65% x 35% Fulham. O sorteio foi maldoso com o bom time do Fulham. O encontro com os últimos vencedores da Copa da UEFA será muito árduo. O núcleo brasileiro dos mineiros (refiro-me ao apelido do clube, advindo das minas de Donetsk), especialmente de Ilsinho, Jádson, Fernandinho e Luiz Adriano, costuma ser terrivelmente bom diante de times médios. Mas os Cottagers têm alguma chance, sim. Roy Hodgson é um treinador de mão cheia e, após levar o clube à sétima colocação da Premier League em 2008/09, já se recuperou do mau começo de temporada. Com Schwarzer, Hangeland, Murphy, Duff e Dempsey em dois dias iluminados, a equipe pode sonhar em eliminar os defensores do título. O problema é que as bolinhas foram realmente perversas com os londrinos e lhes reservaram Ajax ou Juventus no improvável próximo estágio.

Imagem: Daylife

17 de dezembro de 2009

A 17ª rodada: começa a maratona

Benítez abandona o piloto automático para tentar ganhar o que ainda é possível: troféus individuais

Sunderland 0 x 2 Aston Villa. Steve Bruce prova à Inglaterra que não é um treinador fenomenal. Bastou o volante Lee Cattermole sair do time por lesão para o Sunderland se afundar na tabela. O Villa, por outro lado, assume papel de protagonista na Premier League. James Milner, agora pela faixa central do meio de campo, é o "novo Barry". Na terça-feira, uma assistência (para o gol de Heskey) e um gol. A equipe de Martin O'Neill se consolida na quarta posição e é clara candidata a uma vaga na próxima Champions. No mínimo.

Birmingham City 2 x 1 Blackburn. O conjunto de Alex McLeish confirma a excelente fase da cidade. Com dois gols, Jerome mostra que não apenas de Chucho Benítez vive o ataque dos Blues. Um treinador "orgulhoso de sua equipe" e um salto para a sétima colocação - à frente do Manchester City - são os rescaldos da quinta vitória consecutiva do time de St. Andrews. Pode um elenco ainda limitado e com um lateral-direito que desistiu da aposentadoria (o irlandês Stephen Carr) chegar à Liga Europa? Se van Nistelrooy aceitar participar do desafio, o sonho é válido.

Manchester United 3 x 0 Wolverhampton. Há pouco para falar do luxuoso treino do Manchester United contra os lobos do segundo escalão (pensando no Burnley, Mick McCarthy poupou os titulares). Os Red Devils, aliás, não fizeram um grande jogo. Wayne Rooney dependeu de uma bobagem homérica do zagueiro Ronald Zubar para, de pênalti, abrir a porteira. Vidic, com seu autêntico cabeceio-tijolada, marcou o segundo. No segundo tempo, Valencia fez a única coisa de que lembraremos do campo de jogo: um golaço, após passe acrobático de Berbatov. O United segue firme na caça ao Chelsea.

Bolton 3 x 1 West Ham. Com oito jogadores lesionados (incluindo Kieron Dyer - não me diga! -, Matthew Upson e Carlton Cole), o West Ham prova que conseguirá colocar seu ótimo time na briga contra o rebaixamento. Do outro lado, o croata Ivan Klasnic marcou novamente e já pode ser apontado como o melhor atacante no Reebok Stadium. A vitória do ex-time do Jardel e do Jay-Jay Okocha foi muito importante, visto que os Wanderers deixaram os Hammers para trás e saíram da faixa que leva ao Coca-Cola Championship.

Chelsea 2 x 1 Portsmouth. Os Blues se esforçaram para tanto, mas não puderam passar vergonha na volta de Avram Grant ao Stamford Bridge. O gol de Anelka havia sido compensado pela ótima finalização de Piquionne, um dos piores atacantes da Premier League. Mas, como em quase todos os jogos do campeonato, a festa do Pompey não durou muito. Branislav Ivanovic (que não é irmão de Ana Ivanovic) resolveu cometer uma sandice, passou da linha que divide o campo, entrou na área e conseguiu cavar um pênalti (de fato, cometido). Frank Lampard, desta vez, não decepcionou seus adeptos e decidiu o jogo.

Burnley 1 x 1 Arsenal. O treinador do Burnley, Owen Coyle, preferiu não repetir a atitude de Mick McCarthy e apostou nos titulares contra o Arsenal. E deu certo! Mas os Clarets não arrancaram o empate apenas em virtude da coragem de Coyle. O time é, de fato, muito competente no Turf Moor: foram 18 pontos em 27 possíveis. Além de deixar a vitória escapar por um gol de Graham Alexander (um lateral escocês de 38 anos) e provar que não vai brigar pelo título apesar de a matemática insistir, o Arsenal ainda perdeu Fàbregas, autor do gol londrino, por lesão - que, felizmente, não parece séria.

Liverpool 2 x 1 Wigan. Rafa Benítez provavelmente não dormiu durante a madrugada de quarta-feira. Ele decidia se desistiria ou não de seu louvado e imprescindível 4-2-3-1, que, sem Xabi Alonso, afundou o Liverpool na lama nesta temporada. Surpreendentemente, ele abandonou por um jogo o seu esquema de cabeceira, recuou Gerrard e impulsionou a vitória do Liverpool sobre o Wigan por 2 a 1. O sistema com Steven entre os meias e os zagueiros adversários estava mais conhecido do que Pelé em Georgetown. N'Gog, acredite, e Fernando Torres, que entrou no segundo tempo, fizeram o mundo se lembrar que os Reds às vezes conseguem ganhar jogos.

Tottenham 3 x 0 Manchester City. Na noite seguinte à da insônia de Benítez, Sylvinho certamente passou pelo mesmo problema. Aaron Lennon, titular de Capello, não deixou o brasileiro respirar. Kranjcar, com dois gols, também mandou muito bem. Para não perder o costume, Jermain Defoe arrumou mais uma finalização clínica e chegou a seu 13º gol no campeonato, alinhando-se a Drogba na tabela de artilheiros. E o Manchester City? Os Sky Blues estiveram completamente apagados, especialmente no segundo tempo. O pálido Robinho é a figura emblemática, e o esquema de Mark Hughes, com um pobre marcador (Nigel de Jong) e Barry em péssima fase, prova que não se sustenta defensivamente.

Imagem: Flickr

Mico McCarthy?

Ferguson e McCarthy não estão fazendo um pacto pelo título do United

No próximo domingo, o Wolverhampton recebe o Burnley no Molineux. O jogo já motiva uma das maiores polêmicas da atual temporada da Premier League. O treinador irlandês Mick McCarthy, do Wolverhamtpon, decidiu poupar dez titulares diante do Manchester United, na última terça-feira. A equipe de Alex Ferguson venceu facilmente por 3 a 0. McCarthy alegou que precisava fazer descansar seu time principal para a partida do fim de semana, um confronto direto na luta contra o rebaixamento (os Wolves ocupam a 18ª posição, enquanto o Burnley é o 13º).

McCarthy não é louco. Ele tomou a decisão pensando na própria experiência contra equipes do Big Four em 2009/10. Diante de Arsenal (no Molineux) e Chelsea (no Stamford Bridge), foram duas goleadas por 4 a 0. Antes do último final de semana, o Wolverhampton certamente planejava suas duas partidas seguintes com relativo pessimismo. A equipe enfrentaria fora de casa o Tottenham e o Manchester United. Qualquer ponto conquistado nesse par de jogos seria fantástico. Os Wolves foram a Londres, surpreenderam a Inglaterra e venceram por 1 a 0 o time de Aaron Lennon e Jermain Defoe. Kevin Doyle marcou um gol bem no início do encontro, e os Spurs impuseram ao Wolverhampton uma pressão que exigiu muito desgaste defensivo.

Com o planejamento para os dois difíceis confrontos superando as expectativas, McCarthy entendeu que o time não tinha nada a perder contra o conjunto de Alex Ferguson. Preservar sua equipe titular não representou pura falta de confiança nos jogadores. Foi apenas uma atitude racional de quem sabia que, após sofrer goleadas de Arsenal e Chelsea, seria muito complicado arrancar um ponto do United em Old Trafford. A Premier League investiga o caso, como sempre deve fazer diante de situações polêmicas. Entretanto, a menos que surja um fato comprometedor, a atitude do treinador dos Wolves parece válida

A BBC, através das palavras do jornalista Phil McNulty, mostra o outro lado da história. O articulista cita o exemplo do adversário do Wolverhampton no domingo para contestar Mick McCarthy. Ontem, o Burnley recebeu o Arsenal e empatou por 1 a 1. O treinador Owen Coyle, como já era esperado, não copiou a ideia de McCarthy e mandou a campo os seus titulares. Por isso, muitos (especialmente McNulty) dizem que os pequenos clubes "não devem levantar a bandeira branca" quando enfrentam equipes do Big Four - ainda Chelsea, Manchester United, Arsenal e Liverpool.

Concordo. É óbvio que, sempre de acordo com suas possibilidades, as equipes menores têm a obrigação de dificultar a vida dos grandes. O próprio Burnley já venceu o Manchester United na segunda rodada. E aqui entra um outro ponto fundamental. A campanha dos Clarets em casa é excelente. São cinco vitórias, três empates e uma derrota no Turf Moor, desempenho que sustenta o time fora da zona de rebaixamento. Sendo assim, Owen Coyle simplesmente decidiu apostar no que acreditava.

McCarthy, por outro lado, preferiu pensar nos seus planos. O passado, cumprido através da excelente vitória contra o Tottenham, e o futuro, em que o jogo contra o Burnley e a condição física dos seus atletas são cruciais na desgastante sequência de jogos que a Premier League sempre impõe nesta época do ano.

Observação: ainda hoje, o resumo da 17ª rodada.

Foto: Getty Images

15 de dezembro de 2009

Mestre do improviso em apuros

O diretor de teatro David Moyes perdeu seus melhores atores do fundo do palco

Antes de a temporada começar, havia expectativas muito distintas para as cidades de Liverpool e Birmingham. O Liverpool, atual vice-campeão inglês, era apontado por muitos como o grande favorito para a conquista desta edição da Premier League. O Everton, que chegou à quinta colocação em 2008/09, tinha boas perspectivas para repetir a campanha. Por outro lado, do segundo maior aglomerado urbano inglês não chegavam visões otimistas. O Birmingham City voltava da divisão de acesso, e o Aston Villa perdia seu organizador: Gareth Barry.

No entanto, a real situação é completamente diferente. A cidade de Liverpool "conquistou" até agora 41 pontos em 32 jogos contra incríveis 59 pontos em 34 partidas de Birmingham. No próximo domingo, o Everton recebe o Birmingham num jogo em que não pode ser considerado favorito. Afinal, o conjunto de Alex McLeish chegou hoje à quinta vitória consecutiva e saltou para a fantástica sexta posição. Além disso, ainda que após empates diante de Tottenham e Chelsea, o momento dos Toffees é terrível, digno de uma postagem dedicada exclusivamente a ele.

Aquele time da temporada passada que fez excelente campanha na Premier League e disputou a final da Copa da Inglaterra não existe mais. O prestigiado treinador David Moyes fez o conjunto funcionar por muito tempo sem nenhum atacante. Com Fellaini e Cahill se revezando à frente em virtude das contusões de Saha e Yakubu, Moyes apostou num autêntico 4-6-0, que, com muito esforço, transformava-se num 4-5-1. O esquema fez da defesa azul uma muralha, e o ataque, de certa forma, conseguia se arrumar à custa da força física dos meias belga e australiano.

David Moyes provava em 2008/09 que sabe lidar com profundas limitações. Neste campeonato, porém, ele se atrapalhou. O Everton é hoje o 15º colocado com vergonhosos 17 pontos em 16 partidas. Na Liga Europa, os Toffees levaram um banho do Benfica na fase de grupos: 7 a 0 no placar agregado. A explicação para a péssima fase passa por números fundamentais: na temporada anterior, o time levou 37 gols em 38 jogos. Nesta, Tim Howard já foi 30 vezes vazado em apenas 16 partidas. Na média, a equipe concede aos adversários o dobro dos gols que costumava sofrer.

Tudo está bem claro. O Everton perdeu Joleon Lescott, seu principal defensor, para o Manchester City. Neste momento, todos os zagueiros centrais do elenco principal estão contundidos. Sem contar com Jagielka, Distin e Yobo, Moyes precisa apelar para combinações indigestas. Diante do Tottenham, a equipe atuou em 70% do tempo com dois laterais-direitos no miolo da zaga: Tony Hibbert (que é fraco até na lateral) e Lucas Neill. Contra o Chelsea, Heitinga foi adaptado na posição e jogou ao lado de Neill.

A solidez caiu por terra, e Moyes teve de abandonar sua mentalidade defensiva, visto que precisava de gols para compensar o peneirão em que se converteu sua zaga. Curiosamente, a equipe conquistou melhores resultados - os dois últimos empates, em jogos difíceis - quando se arriscou mais. Louis Saha já marcou dez gols na Premier League, está em ótima fase e, acompanhado por Jô ou Yakubu, tem conseguido incomodar os adversários.

Mesmo sendo uma espécie de mestre do improviso, um estrategista que sabe contornar falhas no elenco, Moyes não pode fazer Neill ou Hibbert virarem zagueiros centrais competentes. Ele soube superar dificuldades ofensivas, mas as defensivas lhe saem muito caro. Fellaini e Cahill são ótimos trombadores, ganham jogadas no aspecto físico, mas não têm tanto talento para marcar e, pior do que isso, enfrentam dificuldades quando precisam assumir a responsabilidade da criação.

O conjunto se perde com os dois pelo meio e, sem Osman e o eternamente lesionado Arteta, não consegue ser efetivo na distribuição de bolas mais agudas. Como o sistema de marcação está falho, o time entra em colapso. Infelizmente para David Moyes, a solução é abrir o time e tentar superar a constante avalanche de gols dos adversários. O treinador dos Toffees vive um pesadelo por ter de se adaptar a sua nova realidade e adotar filosofia semelhante à de Jair Picerni.

Imagem: Daily Mail

14 de dezembro de 2009

Podcast - Rodada 16



Para conferir a classificação do campeonato, acesse o site oficial da Premier League.

Você também pode fazer o download deste podcast.

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10 de dezembro de 2009

A íntima relação entre gols e janeiro

Elizabeth II segue para a Espanha e deve acertar com van Nistelrooy

Janeiro será um mês de revelações na Premier League. A partir das manobras no mercado de transferências, conheceremos os clubes afundados na miséria, os dispostos a cometer loucuras por uma posição melhor e, especialmente, os treinadores mais inocentes na elaboração dos elencos durante o verão europeu.

No último quesito, os mais espertalhões foram as raposas felpudas Harry Redknapp, do Tottenham, e Alex Ferguson, do Manchester United. Os elencos de Spurs e Red Devils não têm carências evidentes. O United só vai atrás do experiente zagueiro Sol Campbell porque um cometa passou sobre Manchester e lesionou simultaneamente Ferdinand, Vidic, Evans e Brown. O plantel do Manchester City também é abastado, porém em virtude do infinito dinheiro à disposição. Mark Hughes não parece ser um gestor de recursos comparável a Max Gehringer.

Mesmo Carlo Ancelotti, do Chelsea, parece ter cometido um erro. Ele terá de inventar um companheiro para Anelka durante a Copa das Nações Africanas, quando Drogba e Kalou estarão em Angola. Para tanto, pode confiar mais no excelente jovem Daniel Sturridge, ex-Manchester City, ou adotar o 4-3-3 com Joe Cole e Malouda pelas pontas. E, obviamente, orar para Anelka manter-se saudável.

Os campeões da inocência, porém, são Arsène Wenger e Rafa Benítez. A princípio, os times de Arsenal e Liverpool são ótimos. Ambos têm meias criativos e conseguem se sustentar com apenas um atacante. O problema é que os centroavantes em questão, dos quais os conjuntos dependem demasiadamente, são Robin van Persie e Fernando Torres, que às vezes parecem sofrer de osteoporose precoce.

Conforme todos previam, os dois enfrentam lesões relativamente graves. Resultado? Os Gunners (não) se viram com Eduardo, Bendtner e o anão de jardim Arshavin, enquanto os Reds descarregam toda a responsabilidade por gols nas costas do pálido francês David Ngog.

Por isso, as duas equipes já procuram reforços ofensivos. O capitão do Arsenal, Francesc Fàbregas, pede um centroavante "com as características de Didier Drogba". Sem chance de contratar alguém tão competente, Wenger pensa no francês André-Pierre Gignac (Tolouse), que se destacou em alguns jogos pela seleção de Raymond Domenech, e no poste Carlton Cole, do West Ham.

O Liverpool, por sua vez, tem objetivos mais humildes. Após cogitar o competente uruguaio Luís Suárez, do Ajax, Rafa Benítez já se contentaria com uma iminente troca interna: o descontente holandês Ryan Babel iria para o Tottenham, e o encostado russo Roman Pavlyuchenko jogaria em Anfield Road.

Contudo, como as coisas em janeiro não funcionam tão abertamente quanto em agosto, todas as equipes da Premier League que precisam de um atacante (segundo rumores, Liverpool e Arsenal em menor escala) concentram-se num mesmo objetivo: Ruud van Nistelrooy, jogado para escanteio no Real Madrid após uma dúzia de lesões. A Inglaterra quer de volta a antiga máquina goleadora do Manchester United. Parece até questão diplomática.

Além de Reds e Gunners, estariam interessados no holandês Sunderland (com Kenwyne Jones e Darren Bent, é difícil de entender), Fulham, Blackburn, Bolton e Birmingham. Chamo a atenção para o Birmingham, do excelente treinador escocês Alex McLeish. Se ele conseguir acrescentar van Nistelrooy a seu humilde, porém disciplinado elenco, uma vaga na próxima Liga Europa pode ser um objetivo real, ainda que estranho. Por ora, os Blues ocupam a nona posição.

O West Ham, muito abaixo das expectativas, prepara uma aposta alternativa. O treinador italiano Gianfranco Zola, talvez pensando na possível perda de Carlton Cole (ou em sua atual contusão), estuda a contratação de Adriano, do Flamengo. Seria gratuita, mas também inusitada. Associar o Imperador à exigência londrina de pontualidade e disciplina não é uma fórmula das mais seguras.

Mas ele pode acertar em cheio, sim. Os Hammers têm excelentes valores que atuam pelos lados do campo: Hines, Stanislas, Diamanti, Behrami e Jiménez. Esses jogadores serão ainda mais úteis se criarem jogadas para Adriano, um finalizador de primeira classe. Caso Carlton Cole fique, melhor ainda! Seria uma nova edição das torres gêmeas, à moda San Antonio Spurs nos tempos de Tim Duncan e David Robinson.

Diante disso, é impossível dissociar o mês de janeiro de um eventual aumento no número de gols de algumas equipes. As principais carências dos elencos da Premier League são ofensivas, e o mercado de inverno promete adicionar atacantes à competição. Que Terry, Vidic, Lescott, Skrtel e Vermaelen estejam preparados.

Imagem: O Globo

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9 de dezembro de 2009

Owen refresca memória dos chefes

Sacou, Fergie?

O atacante Michael Owen, do Manchester United, notabilizou-se não apenas por sua excelente média goleadora, mas também por desempenhos históricos. Quem não se lembra do fantástico gol contra a Argentina na Copa de 1998? Sua capacidade para marcar ficou especialmente clara em 2001, quando recebeu a Bola de Ouro da Revista France Football. Seu principal momento no ano foi o incrível hat-trick contra a Alemanha, em Munique, pelas eliminatórias europeias para a Copa do Mundo.

Na iminência de completar 30 anos, Owen chegou ontem ao 14º hat-trick da carreira. A vitória por 3 a 1 diante do Wolfsburg garantiu ao Manchester United o primeiro lugar em seu grupo na Champions League. Seu último hat-trick havia sido em dezembro de 2005, na vitória por 4 a 2 do Newcastle sobre o West Ham. Na Liga dos Campeões, Owen tinha marcado três gols numa partida pela última vez quando ainda era jogador dos Reds, em 2003, no triunfo por 3 a 1 do Liverpool sobre o Spartak Moscou.

A princípio, Michael tinha tudo para não conseguir seus objetivos imediatos, que parecem atrelados a mais minutos pelo United e uma vaga no grupo que Fabio Capello levará à África do Sul em 2010. Alex Ferguson tem usado na Premier League um esquema com atacante único. Obviamente, o eleito sempre é Wayne Rooney. Mesmo que o escocês desista da ideia, Owen ainda precisa enfrentar dura competição com o búlgaro Dimitar Berbatov. No que concerne ao English Team, o treinador italiano não fecha as portas ao artilheiro, mas ressalta que ele precisa "jogar bem (e isso também significa muito tempo) e marcar gols".

Sua complicada situação no elenco dos Red Devils parecia incompatível com qualquer chance de disputar a Copa. Mas, aliando histórico e experiência a seu atual desempenho, Owen pode, de fato, reerguer sua carreira. Quarto artilheiro do English Team em todos os tempos com 40 gols em 89 jogos (perde apenas para Bobby Charlton, Gary Lineker e Jimmy Greaves), o atacante já foi sete vezes o capitão da Inglaterra. Ademais, o camisa 7 do United tem aproveitado todos os minutos em campo e enfrentou apenas uma leve lesão desde agosto, algo importante quando pensamos no tempo que Owen já perdeu em virtude de problemas físicos.

Se o épico gol contra o Manchester City serviu para a torcida do United se esquecer do passado no Liverpool, o hat-trick de ontem faz Alex Ferguson e Fabio Capello se lembrarem de sua existência. O treinador escocês já elogiou o atacante de maneira enfática, destacando sua capacidade de finalização e posicionamento, além da melhora recente nos treinos. A Inglaterra agora aguarda um posicionamento do comandante italiano. E espera que ele não leve Emile Heskey para a Copa em detrimento de Michael Owen.

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Imagem: The Telegraph