14 de janeiro de 2010

Nem tudo são flores

Mesmo após a compra do Manchester City pelo United Group, de Abu Dhabi, é o seu rival o United que segue no posto de clube mais rico do futebol mundial. Pelo segundo ano seguido, os Red Devils lideram a lista de clubes mais valiosos do planeta, não só entre as equipes de futebol, mas também entre todos os esportes.

Dono da marca esportiva mais forte do planeta, o United tem seu patrimônio avaliado em cerca de U$1,870 bilhão, 500 milhões a mais que o segundo colocado - entre os clubes de futebol -, o Real Madrid.

O poder do clube pode ser notado em qualquer lugar, pois a equipe é uma das mais badaladas onde quer que chegue e conta com torcedores espalhados por todo o globo. A última década do século passado foi fundamental para que tudo isso pudesse acontecer, pois, a partir dos anos 90, tornou-se o principal time do futebol inglês, vencendo quase tudo que disputou. Nesse período, conquistou 11 dos 16 títulos possíveis da Premier League.

O sucesso dentro dos campos repercutiu fora deles, fazendo com que o clube se expandisse pela Europa e demais regiões do planeta, permitindo que se tornasse popular, rentável e cada vez mais rico.

Mas nem tudo são flores! Em meio a tanto sucesso financeiro, a equipe vermelha de Manchester corre o risco de ficar sem uma das suas maiores jóias: Old Trafford. A família Glazer, proprietária do clube, pode colocar à venda o lendário estádio da equipe para saldar dívidas.

Ainda não está nada certo, mas existe a possibilidade de o Teatro dos Sonhos passar para outras mãos. De acordo com o Daily Mail, o clube, apesar de rico, possui dívidas e poderá se desfazer também de jogadores para cumprir seus compromissos.

O clube mais forte do mundo tem seus problemas fora dos gramados, mas será que afetarão também a força do time dentro de campo? Resta esperar e ver se o grande campeão inglês dos últimos tempos continuará com sua escrita de vencedor, no esporte e nas finanças.

13 de janeiro de 2010

Os cinco pecados de Rafa Benítez

Benítez ouve atentamente as dicas táticas de Sammy Lee

1) Desenvolver propensão a vexames. A eliminação do Liverpool pelo Reading na terceira fase da FA Cup foi mais humilhante que a do Manchester United pelo Leeds. São dois pontos fundamentais. Apesar de os Peacocks amargarem a terceira divisão, tratam-se de um conjunto em boa fase, que lidera o campeonato que disputa. O Reading, ao contrário, é o 21º colocado do Championship. Ademais, os Reds tiveram 210 minutos (120 dos quais em Anfield) para superar seu adversário.

Aliás, o Liverpool tem forte propensão a vexames. A derrota por 2 a 0 para o Portsmouth nesta temporada , por exemplo, deve ser encarada de forma muito pessimista. Mesmo em 2008/09, quando o time perdeu apenas duas vezes na Premier League, houve um revés extremamente condenável. O conjunto de Benítez caiu no Riverside diante do Middlesbrough, que seria relegado à segunda divisão. O placar de 2 a 0 praticamente acabava com as realistas pretensões de título dos Reds.

2) Limitar-se ao esquema de cabeceira. Benítez não abandonaria o 4-2-3-1 nem por um decreto póstumo de Bill Shankly ou Bob Paisley. Ele ensaiou uma mudança na partida contra o Wigan, quando adotou o simples e eficiente 4-4-2 e o Liverpool venceu por 2 a 1, mas logo desistiu da ideia. O sistema implementado pelo espanhol na temporada passada tem suas qualidades, é bem verdade. Mas emperra a partir do momento em que Fernando Torres não está saudável ou Gerrard faz a sociedade se lembrar de que ele é humano. Trocando em miúdos, na ausência de Xabi Alonso, o sistema depende excessivamente de desempenhos individuais. Se o Santíssimo Binômio de Merseyside não vai bem, o 4-2-3-1 entra em colapso.

3) Esquecer-se de contratar atacantes. Lembra-se da questão envolvendo a saúde de Torres? Pois bem. O espanhol, apesar de excelente, tem afeição por contusões. Quando ele não pode jogar, quem vai a campo é o francês N'Gog, o autêntico atacante esforçado, porém seriamente limitado. Kuyt e Babel dificilmente são escalados no comando do ataque. Voronin dificilmente era escalado. Por isso, o ucraniano deixou o clube rumo ao Dynamo Moscou.

Agora, no clímax da escassez ofensiva, o Liverpool corre desesperadamente atrás de qualquer espécie de cobertura. Comenta-se a respeito das possíveis contratações do russo Roman Pavlyuchenko, do Tottenham, e do marroquino Marrouane Chamakh, do Bordeaux. A chegada do winger argentino Maxi Rodríguez é positiva, mas não resolve o problema em questão. Dificuldade para a qual contribuiu o empréstimo do jovem e competente húngaro Krisztián Németh ao AEK Atenas no início da temporada.

4) Distorcer o conceito de lateral-esquerdo. Apesar da excelente temporada passada de Fábio Aurélio, a primeira após a saída de John-Arne Riise, Rafa Benítez prefere fugir do trivial e fazer apostas exóticas. O lateral titular é Emiliano Insúa, de 21 anos, em quem Diego Maradona apostou nas Eliminatórias para a Copa. O argentino é bom em alguns fundamentos, como o cruzamento. Mas é um jogador dessalinizado, comete erros infantis, e seus lances verdadeiramente produtivos são apenas esporádicos. Aqui, ao contrário do que ocorre em outras posições, não há rotação. Insúa é, de fato, a primeira opção. Mesmo que ninguém compreenda.

Ainda assim, Fábio Aurélio e Andrea Dossena já foram utilizados nesta temporada. Benítez se convenceu de que escalar dois laterais canhotos poderia lhe oferecer grandes alternativas. Quem acompanhou a partida contra o Portsmouth, a pior do Liverpool em anos, sabe que a tática naufragou. Naquela ocasião, foram escolhidos Insúa e Dossena, que formaram uma combinação pior do que o lado esquerdo reserva do Wolverhampton. Falo sério: o aparentemente obeso camaronês George Elokobi e o "Ryan Giggs do Championship" - como fora apelidado - Michael Kightly (neste momento, lesionado) fariam melhor. O lado bom desta história é a transferência de Dossena para o Napoli.

5) Prometer o que não pode cumprir. Um fracasso não é medido simplesmente pelo desempenho, mas pela relação entre este e as expectativas. E Rafa Benítez as criou de maneira irresponsável. Há pouco mais de um mês, garantiu que o Liverpool estará na próxima Liga dos Campeões. Como diria @oclebermachado, pode chegar? Pode. Mas, honestamente, é improvável.

A soberania do trio Chelsea, Manchester United e Arsenal já limitava as chances à quarta vaga. A situação piorou quando Carlos Tevez converteu-se no melhor jogador do campeonato, e o Manchester City, agora de Roberto Mancini, atingiu o status de "time confiável". A aparente imutabilidade das quatro primeiras posições, somada às ótimas campanhas de Aston Villa e Tottenham, deveria fazer o espanhol encarar a conquista de um posto na Champions como uma meta dificíl ao extremo. Ele não está privado de transmitir otimismo. Mas teria de saber que a Liga Europa pode lhe representar um ambiente mais familiar durante as próximas temporadas. Se houver as tais próximas temporadas.

Imagem: The Guardian

11 de janeiro de 2010

Podcast - Rodada 21



Daniel Leite escreveu a Coluna de Inglaterra desta semana na Trivela. Ela trata da conveniente situação do Chelsea na Premier League. Veja aqui.

Para conferir a classificação do campeonato, acesse o site oficial da Premier League.

Você também pode fazer o download deste podcast.

7 de janeiro de 2010

Aposentadoria precoce

Muitos jogadores têm sua carreira prejudicada pelo grande número de lesões. Casos como esse são comuns no mundo do futebol, e vários nomes podem ser lembrados sem muito esforço, como Ronaldo, Pedrinho (que até virou um adjetivo para os autores desse blog), Owen, Robben, Joe Cole, van Persie e tantos outros que sofrem ao longo dos anos dedicados à prática desse esporte.

O incomum é ver um jogador, aos 26 anos, abandonar o futebol por não conseguir curar uma lesão que o impedia de fazer aquilo de que gosta: jogar futebol. Esse é o caso de Dean Ashton, atacante inglês que se retirou do futebol em dezembro passado devido a uma lesão no tornozelo.

A contusão o afastava dos gramados desde agosto de 2006, quando em um treino, após um choque com Shaun Wright-Phillips, quebrou o tornozelo e ficou fora de toda a temporada 2006/2007. Tudo isso quando acabava de ter sua primeira convocação para a seleção inglesa, para um amistoso contra a Grécia.

Ashton ainda voltou aos gramados em julho de 2007 e foi novamente convocado para a seleção de seu país, mas, mais uma
vez, ficou fora do futebol, agora por uma ruptura dos ligamentos do joelho.

O atacante ainda conseguiu atuar na temporada 2008/2009, marcando logo dois gols na estreia pela competição. Ao todo foram onze na temporada e, finalmente, seu primeiro (e último) jogo pelo English Team: no dia 1º de julho de 2008, contra Trinidad & Tobago. Em 13 de setembro de 2008, a última lesão da carreira do jogador o afastaria de vez dos gramados. O tornozelo que o tirara da temporada 2006/2007 voltava a ser o problema.

Sem jogar desde então, Ashton passou por cirurgias e tratamento intensivo para curar a lesão. Mas, em dezembro de 2009, a outrora boa promessa do futebol inglês decidiu não mais lutar contra as lesões e abandonar o futebol, para a tristeza dos torcedores do West Ham.


Ao longo de sua carreira, Ashton defendeu o Crewe Alexandra, o Norwich City e o West Ham, além das seleções de base da Inglaterra e um único jogo pela seleção principal. Ao todo, foram 103 gols nessa curta carreira de mais um jogador atrapalhado pelo destino e perseguido pelas lesões cada vez mais comuns no futebol.

6 de janeiro de 2010

O problema da asa direita

Capello esteve no San Siro, mas precisa dar atenção a outros estádios e opções

Conforme desejava Fabio Capello, David Beckham retornou ao Milan. No primeiro jogo da nova etapa no San Siro, o meia foi uma das mais importantes peças no ótimo triunfo rossonero por 5 a 2 diante do Genoa. A contusão de Pato durante os treinos forçou a utilização de Beckham pela ponta direita, de onde habitualmente saem seus eficazes cruzamentos. Ademais, a abundante oferta de jogadores ingleses acostumados à faixa central do meio de campo induz o treinador italiano a encarar o reforço milanista como um right winger, posição natural do ex-ídolo do Manchester United.

Capello aprecia as características de Beckham. O eventual caráter crucial das bolas paradas indica que, se o camisa 32 do Milan mantiver a boa forma, certamente estará na Copa. Hoje, porém, ele não é titular. Aaron Lennon, do Tottenham, está em sua melhor temporada. São nove assistências na Premier League e, sobretudo, uma ousadia que tem atormentado os laterais-esquerdos adversários. Se Beckham está a um passo da África do Sul, Lennon já pode planejar o safari. Assim, o provável preenchimento das vagas da "asa direita" deve aguçar a capacidade de Capello de reinventar a composição do elenco inglês.

O site oficial da Premier League promove uma enquete sobre quem foi o melhor jogador do mês de dezembro no campeonato. Uma das opções é James Milner, do Aston Villa. Isso indica o ótimo momento do meia, um dos líderes do interessante plantel à disposição de Martin O'Neill. Assim como Lennon, Milner foi revelado pelo Leeds United e construiu sua carreira como right winger. Isso significa que ficará fora da Copa?

Não, definitivamente. O jogador do Villa possui dotes distintos em relação aos de Lennon. Talvez esteja mais próximo do estilo de jogo de Beckham. É muito técnico e tem como principal virtude a facilidade em bater na bola. Felizmente, ele facilita o trabalho de Capello por ser muito versátil. Com a chegada de Stewart Downing (outro candidato a uma vaga na Copa) ao Villa Park, Milner passou a atuar pela faixa central do meio de campo, sendo uma espécie de substituto de Gareth Barry. Ademais, pode perfeitamente ser escalado no lado esquerdo. Desta forma, ele foi o destaque inglês no amistoso contra o Brasil.

Sem precisar sair de Birmingham, encontramos outra peça que merece muita atenção. Ashley Young é o melhor jogador do Aston Villa nas últimas temporadas e deve ser tratado como nome certo para a Copa. Atualmente - para deixar Capello ainda mais hesitante -, Young joga aberto pelo lado direito do meio de campo. O lado positivo é a constante movimentação do jogador, apto a ser incluído em várias funções na convocação.

Outro jogador que merece menção é Shaun Wright-Phillips, o melhor do Manchester City até certo ponto da temporada. Está abaixo de todos os supracitados, é bem verdade, mas precisa ser considerado por sempre fornecer ao time um notável dinamismo através de suas velocíssimas investidas pela ponta direita. Mais distante da África está Theo Walcott, do Arsenal. Ao contrário de 2006, quando Sven-Goran Eriksson o convocou sem que precisasse jogar, a presença na próxima Copa está atrelada a um fantástco desempenho na segunda metade da temporada. Não acredito.

Proponho agora um exercício que considero sempre válido. Respeitando o que se vê hoje, os 23 que eu convocaria para a Copa são os seguintes:

Goleiros: Joe Hart, Robert Green, Ben Foster

Laterais: Glen Johnson, Ashley Cole, Micah Richards, Leighton Baines

Zagueiros: John Terry, Rio Ferdinand, Matthew Upson e Joleon Lescott

Meias: Aaron Lennon, Frank Lampard, Gareth Barry, Steven Gerrard, David Beckham, James Milner, Tom Huddlestone e Ashley Young (com pesar por não incluir Joe Cole)

Atacantes: Wayne Rooney, Jermaine Defoe, Peter Crouch e Darren Bent (com pesar por não incluir Michael Owen)

Imagem: The Independent

4 de janeiro de 2010

O dilema de Owen Coyle

Se ficar em Burnley, Coyle não deve retornar ao Coca-Cola Championship

Ao vencer os playoffs do Championship em 2008/09, o Burnley voltou à primeira divisão da Inglaterra após 33 anos. A dramaticidade do retorno e a humildade do elenco induziram os críticos a apostar que os Clarets dificilmente escapariam do rebaixamento nesta temporada. Entretanto, o ótimo desempenho em casa - que inclui vitória sobre o Manchester United e empate com o Arsenal - tem mantido a equipe fora do indesejável grupo dos que deixarão a Premier League. Por isso, parece fácil entender por que, como lembra o jornalista britânico Phil McNulty, um grupo de 833 adeptos do Facebook "acredita" que o treinador do Burnley, Owen Coyle, é Deus.

A cúpula do Bolton, aliás, também aprecia o trabalho desse escocês de 43 anos. Após uma série de maus resultados, entre os quais está o empate em casa com o Burnley no Boxing Day, o eternamente contestado Gary Megson foi destituído do cargo de treinador dos Trotters. As especulações de que o comandante dos Clarets seria o substituto são crescentes. Há quem diga que os laços afetivos podem inclinar Coyle à mudança. Durante sua passagem pelo Reebok Stadium como jogador, entre 1993 e 1995, ele marcou 12 gols em 54 jogos.

Abandonando a análise imediata e pensando de forma mais ampla, parece claro que o Bolton representaria, de fato, uma importante evolução na carreira de Coyle. Os Wanderers estão na Premier League há nove temporadas ininterruptas, enquanto o Burnley ainda precisa avançar se não quiser dividir seus anos entre o primeiro e o segundo níveis do futebol inglês. Exatamente por interpretar a iminente troca dessa maneira, o escocês parece ter embarcado nas negociações. Mesmo assim, a atual reputação do treinador, as perspectivas de evolução (reitero que estamos falando de alguém de 43 anos) e o desenho da temporada mostram que a permanência no Turf Moor pode ser a decisão mais sábia.

Honestamente, é difícil definir qual dos dois times tem maiores perspectivas de permanência na Premier League. Hoje, o Burnley está quatro posições e dois pontos acima, mas o Bolton (na zona de rebaixamento) disputou dois jogos a menos. Mas não é essa a questão-chave. Lembremos de um caso local. Estevam Soares fazia ótima temporada no Barueri, que não indicava que poderia ser ameaçado pelo rebaixamento. Não obstante, o treinador aceitou o convite do Botafogo, clube inegavelmente maior, mas sob sério risco de disputar a Série B na temporada seguinte.

Agora, é fácil concluir que Estevam, após salvar o Botafogo do rebaixamento na última rodada, escolheu o melhor caminho. Contudo, um fracasso em General Severiano simplesmente anularia o bom trabalho na Grande São Paulo, onde ele poderia ficar até o fim da temporada 2009 para, enfim, assumir um grande clube. Toda mudança com o campenonato em andamento precisa ser muito bem calculada. No exemplo de Coyle, o destino pode castigá-lo de forma ainda mais enfática.

Ainda que os Clarets não obtenham o passaporte para a próxima Premier League, Coyle certamente permanecerá no primeiro escalão, visto que seus precoces resultados já chamam a atenção dos críticos, e a sua imagem diante dos torcedores do Burnley é muito positiva. Por outro lado, a queda com o Bolton representaria um claro insucesso aos olhos do mercado, mesmo que sua culpa fosse mínima. Se conhece a história do revolucionário russo Vladimir Ilitch Lenin, Owen Coyle certamente se lembrará de dar um passo atrás (ou ficar onde está) para depois dar dois à frente.

Imagem: site oficial da Football League

3 de janeiro de 2010

Entre o vexame e a história

Rio Ferdinand no Leeds: naquele tempo, os Peacocks não conseguiam vencer o Manchester United em Old Trafford

O Manchester United era pela penúltima vez eliminado na terceira fase da FA Cup em 1984. O autor da façanha foi o Bournemouth, então comandado por Harry Redknapp. No ano seguinte, o Aberdeen, treinado por Sir Alex Ferguson, levava o título da liga escocesa. Foi o último campeonato não conquistado por Celtic ou Rangers. Sem dúvida, capítulos importantes do futebol britânico eram escritos. Afinal, Ferguson assumiu o Manchester United em 1986 e, desde então, não havia sido derrotado na Copa da Inglaterra por um time de divisão inferior, sempre passou ileso pela terceira rodada e, em qualquer competição, jamais fora vencido pelo Leeds United em Old Trafford.

Atualmente na liderança da League One (terceira divisão inglesa), os Peacocks acabaram com todos os tabus em questão. Quem acompanha futebol inglês sabe que a vitória do Leeds sobre o Manchester em Old Trafford foi absolutamente histórica. Quando, aos 20 minutos, o bom Jermaine Beckford - que pode acertar com o Newcastle para a próxima temporada - recebeu fantástico lançamento de Johnny Howson e derrotou Wes Brown e Kuszczak, todos imaginavam que aquele seria um momento isolado, cercado por absoluto domínio do Manchester United.

A verdade, porém, é que o Leeds sempre esteve muito bem. A defesa teve desempenho impecável, o goleiro Ankergren fez boas intervenções, o meio de campo batalhou e criou - especialmente com Howson -, e o praticamente desacompanhado Beckford deu muito trabalho a Evans e Brown durante toda a partida. A dez minutos do fim, inclusive, o reserva Snodgrass acertou a trave do Manchester após ótima cobrança de falta.

Outro pensamento equivocado seria a constatação de que Alex Ferguson não atribuiu muito valor ao jogo. Ele escalou a maioria dos titulares disponíveis, demonstrou nervosismo, mandou três atacantes a campo no segundo tempo e, para não perder o velho costume, reclamou muito da arbitragem. Por tudo isso, é bastante árdua a tarefa de escolher apenas uma visão para pensar sobre esse jogo histórico. A façanha do Leeds e do treinador Simon Grayson são proporcionais ao vexame do Manchester United. Nada é compreensível, apenas admirável ou lamentável.

O Leeds chegou à semifinal da Liga dos Campeões de 2001 e, três anos depois, iniciava sua sequência de decepções com o rebaixamento ao Championship. Destruídos pela própria ambição, os Peacocks devem encarar a vitória contra o Manchester United como uma espécie de re-batismo. Considerando que o clube já vive um momento financeiramente mais tranquilo e lidera a terceira divisão inglesa com ótima vantagem, o ideal é utilizar o triunfo para, sem empolgação e sonhos desmedidos, construir de modo sólido o projeto para voltar em breve à Premier League.

O Manchester United, por sua vez, precisa explorar o único lado positivo do vergonhoso 3 de janeiro. Para um time que ainda não jogou bem em 2009/10, as lacunas no calendário podem ser fundamentais. O resultado de hoje evidencia a dificuldade em furar fortes bloqueios (ainda que a defesa do Leeds tenha, de fato, jogado muito bem) e a incapacidade de controlar contra-ataques adversários. Foi assim que o United perdeu nesta temporada para Liverpool, Aston Villa e - definitivamente, não é brincadeira - Leeds United.

Imagem: Team Talk