13 de março de 2010

O Liverpool não merece a Champions

Adorado pelos torcedores, Mascherano é raridade em Anfield

Por ora, esqueçamos os números. Eles ainda indicam que o Liverpool pode conquistar uma vaga na próxima Liga dos Campeões. Pensemos de modo prático. O que têm sido os Reds na temporada? O que fazem melhor em relação a Tottenham, Manchester City e Aston Villa? As respostas passam, antes de tudo, pelo grupo de jogadores. Um time sério não está autorizado a atrelar seu sucesso a um jogador. Quando começaram a vender atacantes de maneira desenfreada, Hicks, Gillett e Benítez desrespeitaram a premissa. O Liverpool depende completamente de Fernando Torres. Precisa que ele jogue ainda que esteja fisicamente mal, muito mal.

Esta semana reservou aos scousers cenas lamentáveis de um Torres fora de forma, que precisou retomar suas atividades de modo precoce, repentino. O Liverpool não mais tem Cissé, Crouch ou Robbie Keane. Kuyt não é um atacante de fato desde 2008, quando foi definitivamente adaptado à função de right winger. Contra o Everton, no melhor jogo dos Reds na temporada, Babel provou que não pode ser centroavante. Ele substituiu N'Gog e se prestou a um papel pior que o desempenhado pelo francês. Este, aliás, já jogou mais minutos do que o recomendável a um atacante de seu calibre. Atabalhoado, dá algum trabalho a defensores adversários, mas parece se limitar a uma correria improdutiva e alguns lances estranhos.

O meio-campo, setor que impulsionava o desempenho do time há algumas temporadas, não funciona bem. O Liverpool contava com Sissoko e Alonso, mas se pôs a agonizar com um infrutífero revezamento entre Lucas, que não se achou em Anfield, e Aquilani, incrivelmente fora de ritmo e obrigado a assumir funções defensivas a que não se acostumou na Roma. Gerrard, por sua vez, faz a pior temporada desde que passou a capitanear a equipe, em 2003. Os meias laterais não têm feito nada além de exibições de esforço. O ótimo início de ano de Kuyt, que precisou marcar gols em profusão diante da ineficácia de N'Gog, já foi pulverizado. O único em boa fase é Mascherano, responsável pela substancial melhora da defesa em 2010.

Ainda que em boa fase, o sistema defensivo não está livre de problemas individuais. Carragher é ídolo da torcida. Alguns scousers nutrem maior admiração pelo zagueiro do que por Gerrard. Mas sua temporada é tão fraca, que já não são raros os comentários relativos a uma possível saída após o fim do contrato. Na lateral direita, Mascherano e o próprio Carragher se revezam por conta da lesão de Glen Johnson, que retornou, ainda longe da boa forma, na última segunda-feira. Na esquerda, Benítez sabe o que faz com a instabilidade física de Fábio Aurélio: deixa-o no banco e aventura-se com o argentino Insúa, que até evoluiu pela insistência, mas ainda não é grande alternativa.

Um exercício interessante para mensurar a situação do Liverpool é montar uma seleção parcial da Premier League restrita aos jogadores dos quatro clubes que disputam a quarta posição: Given; Corluka, Dunne, Collins, Warnock; Lennon, Mascherano, Milner, Bellamy; Tévez, Defoe. Honestamente, não há pessimismo na inclusão de apenas um jogador dos Reds. O fato apenas evidencia as fragilidades de uma equipe que não soube aproveitar a excelente temporada passada. Os erros administrativos e a péssima alocação de recursos (ou seja, de atletas por posição), aliados ao mau momento da maioria do time, são determinantes para afirmar que o Liverpool não merece a Champions.

Imagem: Telegraph

11 de março de 2010

Crítica: Man Utd 4 x 0 Milan

Ao Milan, só restou fazer o que Beckham fez: aplaudir o Manchester United e sua torcida

Texto gentilmente cedido pelo QuattroTratti.

Por Braitner Moreira:

Wayne Rooney, outra vez. O camisa 10 do Manchester United poderia ter definido praticamente sozinho para o Manchester United os 4 a 0 do jogo do Old Trafford, um Teatro dos Sonhos que tornou-se o maior dos pesadelos italianos. Mas o Shrek não esteva só, longe disso. Para azar do Milan, que viu-se fora da Liga dos Campeões por um acachapante 7 a 2 no resultado agregado - mesma diferença de gols (8 a 3) que tirou a Roma do torneio, no mesmo estádio, há três anos. Um Milan, tudo bem, que sentiu demais a lesão de três titulares: Nesta, Pato e Antonini. Mas que dificilmente conseguiria qualquer resultado muito diferente, mesmo com o time completo.

A missão de Leonardo era complicada. Começava tentando deixar a confiança de seus comandados em alta mesmo depois da pesada derrota no San Siro. De quebra, o time perdeu em parcelas seus três titulares: primeiro Pato, que tinha esperanças de entrar em campo, foi o primeiro a se ver fora; depois Nesta, outra vez fora ao ser vetado a 24 horas do jogo; e por último Antonini, que havia sentido a coxa contra a Roma e acabou de fora do time titular ainda mais na véspera. Péssimo para o Milan. Os substitutos Abate e Huntelaar fizeram duas das piores atuações do time na Europa, nos últimos anos. Já Jankulovski, de volta à lateral-esquerda, mostrou por que o clube tentou empurrá-lo para a rival Inter há pouco mais de um mês.

O Manchester United também tinha seus problemas, é claro. Mas vá dizer para um torcedor milanista que os Devils tinham seis ausentes entre lesão e suspensão, três deles habitualmente titulares. Quem tinha de sofrer era o Milan, claro. Afinal, os mancunianos nunca perderam uma partida continental em casa por mais de um gol de diferença. E já em Milão tinham deixado a encaminhada a primeira eliminição italiana no confronto entre as equipes, já em sua quinta edição.

Em campo, o Milan tinha uma defesa inédita e inesperada: Abate, Thiago Silva, Bonera e Jankulovski. Na frente, ainda Huntelaar perdido pela direita, mas dessa vez com Ronaldinho com mais liberdade pelo centro. Já Ferguson optou por Neville na lateral-direita para segurá-lo, um defensor mais eficiente que Rafael. Ironia: Neville, livre e solto na intermediária, cruzou para Rooney marcar o primeiro gol da partida, aos 13 minutos. O capitão subiu sozinho para armar a jogada, ao invés de ter sido acompanhado por Ronaldinho. Na área, a falha dupla de Thiago Silva e Bonera permitiu ao Shrek marcar seu terceiro gol na disputa, o terceiro de cabeça.

Os italianos bem que tentavam dominar, mas nunca de forma efetiva. No banco, as opções eram tão escassas quanto as que já jogavam. O mais jovem dos sete à disposição de Leonardo era Gattuso, com 32 anos nas costas. A impressão era de que um time moderno jogava contra outro de duas décadas atrás, perdido no tempo desde Sacchi e Capello. Todas as jogadas saíam dos pés de Pirlo ou de um esparso Ronaldinho, mais presente no primeiro tempo e bem sumido no segundo. Ofensivamente, Ambrosini chegou perto da nulidade em sua pior partida na temporada.

No intervalo, com Seedorf no lugar de um lesionado Bonera e Ambrosini como zagueiro, ao Milan restava esperar algum milagre. Complicado. Enquanto Beckham se aquecia para voltar ao Old Trafford, onde não pisava desde 2003, bastava 49 segundos do segundo tempo para outro gol de Rooney, agora em ótimo lance de Nani. Aos 14 minutos, era Park quem transformava a derrota em humilhação, depois de passe em profundidade de Scholes enquanto Ambrosini e Jankulovski apenas observavam. A entrada de Beckham bem que gerou aplausos e uma melhora no jogo milanista. Mas nada que impedisse o belo gol de Fletcher, também de cabeça, num cruzamento de Rafael.

Virar a página é obrigação para o Milan não deixar o ritmo cair e perder de vez o rumo, também na Serie A. Nem Leonardo pode ser culpado por toda a catástrofe, apesar de escolhas equivocadas para a partida - mas havia, realmente, alguma opção tão melhor à disposição? Uma enquete da Gazzetta dello Sport com cerca de 14 mil votos até aqui dá pouco mais de 11% de responsabilidade ao treinador. Enquanto mais da metade dos votantes culpa as péssimas escolhas do início do mercado do clube. Bom para o United, que se reflete bem nas palavras de Sir Alex Ferguson: não há quem escolher daqui pra frente. Quem vier, será encarado de frente. E como.

Manchester United 4x0 Milan

Manchester United: van der Sar; Neville (Rafael), Ferdinand, Vidic, Evra; Scholes, Park; Valencia, Fletcher, Nani; Rooney (Berbatov).

Milan: Abbiati; Abate (Beckham), Thiago Silva, Bonera (Seedorf), Jankulovski; Flamini, Pirlo, Ambrosini; Huntelaar, Borriello (Inzaghi), Ronaldinho.

Árbitro: Massimo Busacca, da Suíça.

Gols: Rooney (2), Park e Fletcher.

Cartões amarelos: Scholes (United); Flamini e Ronaldinho (Milan).

Foto: Getty Images

9 de março de 2010

A evolução que impulsiona o Arsenal

Arsène Wenger já mira o horizonte de modo mais concreto

Esqueça os três gols de Bendtner. O atrapalhado centroavanete dinamarquês chegou facilmente ao hat-trick porque este lhe foi oferecido - e ele, desrespeitando seus princípios, aceitou. As reais grandes figuras de Arsenal 5 x 0 Porto, partida que levou os Gunners às quartas-de-final da Liga dos Campeões, foram Arshavin, Song, Diaby e Nasri. Quero falar sobre os três últimos, que, de certa forma, justificam a mais conhecida política de Arsène Wenger. Contratar jovens faz sentido apenas se houver acompanhamento, evolução e, especialmente, manutenção. O africano e os franceses se enquadram nesses aspectos.

Alexandre Song Billong é sobrinho do capitão camaronês, o desastroso Rigobert Song. Foi revelado pelo francês Bastia e, após um período de experiência, chegou a Londres definitivamente em 2006. Era um volante tímido, nada imponente e cometia muitos erros na saída de bola. Desde a temporada passada, porém, o jogador de 22 anos evoluiu vertiginosamente. Hoje, Alex é titular do Arsenal, o homem que atua à frente da zaga, controla os primeiros passes e desarma os adversários. Song não mais irrita os torcedores e é tão seguro quanto era Gilberto Silva nos tempos de Highbury.

Vassiriki "Abou" Diaby também foi contratado em 2006. Ex-jogador do Auxerre, o francês não é exatamente um primor técnico. No entanto, progrediu muito de alguns anos para cá. É um jogador esguio, que aprendeu a acertar mais passes. Ainda que não seja titular absoluto, Diaby é muito importante. Em 84 jogos pelo Arsenal, marcou 12 gols. Um número razoável para um meio-campista essencialmente combativo. E também revelador de uma característica fundamental: Abou é dinâmico, participa de muitas jogadas e tem ótimo traquejo no jogo aéreo.

A maior evolução, entretanto, é a de Samir Nasri. Mas o Petit Zizou também já foi tachado de uma das mais decepcionantes contratações de Wenger. Assim como Song e Diaby, o franco-argelino não parecia confiante quando chegou ao Emirates, em 2008. Melhorou justamente quando teve de assumir grandes responsabilidades. Usualmente escalado nas pontas do ataque, Nasri já consegue responder muito bem à necessidade de exercer a função de Fàbregas.

Hoje, contra o Porto, ele ratificou o ensaio do último domingo, quando executou uma assistência fantástica para o gol do espanhol. Nas ausências de Ramsey e Fàbregas, a antiga joia do Olympique de Marselha foi o principal organizador do Arsenal, marcou um belíssimo gol e, seguindo a tendência de suas últimas e ótimas atuações, conduziu o grande triunfo. Do time e das conviccões de Wenger. Mesmo que os Gunners tenham problemas - alguns deles, fortuitos - e não sejam favoritos em níveis nacional e continental.

Imagem: Daily Mail

8 de março de 2010

Podcast - Rodada 29



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6 de março de 2010

Imponderável

Bendtner é o símbolo da descrença no Arsenal

Em janeiro, quando o Arsenal estava em boas condições na disputa pelo título inglês, Alex Ferguson lançou mão de seu tradicional jogo psicológico. O vitorioso treinador garantiu que a corrida pela taça ficaria restrita a Chelsea e Manchester United. De lá para cá, os Gunners fizeram força para dar razão ao escocês. Perderam mais duas vezes para seus rivais diretos, completando quatro derrotas nos confrontos contra Blues e Red Devils, e mantiveram a incômoda liderança da tabela de lesões entre as equipes da Premier League. Contudo, o conjunto de Arsène Wenger conclui a 29ª rodada com estratégicos 61 pontos. A terceira posição deixou de ser um fardo e passou a atribuir otimismo aos torcedores. O próprio Ferguson reviu conceitos e disse enxergar o Arsenal "em vantagem na luta pela conquista".

Não há nada tão especial no Emirates. A única fase brilhante do time em 2009-10 foi no início da temporada, quando, curiosamente, especulava-se a perda do posto no Big Four para o Manchester City. O retorno dos Gunners à pauta está atrelado a alguns escorregões do United e, especialmente, ao péssimo momento do Chelsea. Em fevereiro, os Blues perderam três vezes, duas pela Premier League. O pífio aproveitamento de 46% e os oito pontos desperdiçados pela equipe de Carlo Ancelotti reacenderam a corrida pelo título. O Arsenal, por sua vez, venceu os últimos quatro jogos, contra Liverpool, Sunderland, Stoke e Burnley. Nada demais, por ora. Mas é o suficiente para justificar o raciocínio atual de Ferguson. De certa forma, o Arsenal está em vantagem, sim.

O líder é o Manchester United, com 63 pontos em 29 jogos. O Chelsea tem 61 pontos em 28 partidas e supera o Arsenal, que já atuou 29 vezes, apenas no saldo de gols. Na 33ª rodada, os dois primeiros colocados se enfrentam em Old Trafford. O United ainda mede forças com Liverpool (c), Manchester City (f) e Tottenham (c), enquanto o Chelsea tem pela frente Aston Villa (c), Tottenham (f) e Liverpool (f). São quatro confrontos contra equipes de primeira classe para cada um. Já o Arsenal não é claramente favorito apenas na 34ª e na 36ª rodadas, quando, respectivamente, visita o White Hart Lane e recebe o Manchester City. Ainda que, com razão, desconfie-se dos Gunners, eles estão propensos a marcar muitos pontos.

Com sua formação principal, aquela do arrasador início de temporada, o Arsenal pode quase sempre vencer com segurança. No entanto, mesmo que tudo passe a dar certo, todos os titulares estarão à disposição apenas contra o Manchester City, na 36ª rodada, possivelmente a do retorno de van Persie. Até lá, Bendtner deve ser a primeira opção ofensiva, e a tendência ao sofrimento deve persistir. Pensemos sobre o que aconteceu hoje. Os Gunners enfrentaram, em circunstâncias favoráveis, o mais frágil dos oponentes. Fora de casa, o Burnley havia marcado apenas um ponto - contra o Manchester City, à época de Mark Hughes - em 13 jogos. Mesmo assim, conseguiu enervar Wenger no Emirates. Aliás, quem o fez, com requintes de crueldade, foi Bendtner. Com a sutileza de um viking, o centroavante dinamarquês perdeu um tonel de gols, e a vitória sempre esteve em xeque.

Com 70% de aproveitamento, habitualmente insuficientes para lutar pelo título, o Arsenal deve estar satisfeito com a ótima situação. Muitos dos 61 pontos, aliás, devem ser atribuídos a Fàbregas, em temporada abissal: 14 gols e 15 assistências. Parece claro que a conquista da Premier League passa necessariamente pela estabilidade física do espanhol nas últimas rodadas. A lesão de hoje aparentemente não foi grave, mas deixa reticentes mesmo aqueles que sempre acreditaram em algo que era consensualmente quase impossível há quatro rodadas. Ainda assim, sem pontuar em confrontos diretos e com infinitos problemas físicos e de profundidade no elenco, o Arsenal pode ser o mais estranho e orgulhoso campeão inglês dos últimos anos.

Imagem: Metro

3 de março de 2010

Os experimentos de Capello

Em noite de "perdão" a Terry, Capello ratifica escolhas

A Inglaterra precisava de um bom teste. Experimentar opções táticas, definir os donos de postos ainda vagos e colocar à prova o poder de forte postulante ao título mundial eram algumas das tarefas de Fabio Capello. O Egito foi, nesse sentido, o adversário perfeito. Mesmo em Wembley, impôs muitas dificuldades, fez um primeiro tempo superior, saiu na frente e valorizou uma boa vitória inglesa por 3 a 1, conquistada na etapa final sob a batuta dos reservas Peter Crouch, com dois gols, e Shaun Wright-Phillips, com um gol e uma assistência. Vamos, então, percorrer as posições que ainda suscitam dúvidas e pensar sobre os efeitos do amistoso de hoje.

Gol. Capello foi muito conservador ao não testar Joe Hart, de 22 anos. Parece claro que, com o patamar terciário de Ben Foster no Manchester United e a ótima temporada do goleiro do Birmingham, os três que vão à Copa já foram escolhidos. Além de Hart, David James e Robert Green são as opções mais óbvias. Ainda assim, parece não existir convicção sobre quem será o titular. A tendência é que Green seja a primeira opção, mas o arqueiro do West Ham está longe de transmitir segurança. O melhor goleiro é Hart. Pela capacidade, a inexperiência e a consequente necessidade de ensaios, poderia muito bem ter atuado contra os egípcios.

Lateral direita. Na Copa, se bem fisicamente, Glen Johnson será titular. As últimas convocações e a escalação contra o Egito indicam que Wes Brown é, definitivamente, a segunda opção. Para a Inglaterra. Porque, para o Manchester United, ele é apenas a quarta escolha de Ferguson para a posição. Antes de pensar em utilizá-lo no lado direito da defesa, o escocês verifica se O'Shea, Rafael e Neville estão disponíveis. Apesar de ter quebrado o galho por ali em outras temporadas, Brown mal joga no setor e, quando o faz, joga mal. Na seleção, as exibições recentes, inclusive a de hoje, foram muito fracas. Para piorar, sua polivalência não é um argumento forte. Micah Richards é titular do Manchester City e também pode jogar na faixa central.

Lateral esquerda. Foram convocados Stephen Warnock, que já havia recebido oportunidade, e Leighton Baines, lembrado pela primeira vez. Provavelmente pela ótima temporada, o lateral do Everton foi o escolhido para a partida contra o Egito. Baines fez um jogo discreto e seguro. Defensivamente firme, o ex-jogador do Wigan foi tímido no apoio, embora tenha participado do primeiro gol inglês. É bem possível que ele seja o elemento a ocupar a vaga abdicada por Wayne Bridge. A presença de dois laterais puros sugere que Capello não pretende improvisar, como poderia fazer elegendo Lescott e Milner como alternativas a Ashley Cole. Assim, Baines é uma opção sólida e ainda pode colaborar bastante através de cobranças de faltas e escanteios.

Asa direita. Titular inconteste da posição, Aaron Lennon enfrenta uma lesão séria. Por isso, era preciso procurar alternativas que pudessem oferecer um estilo de jogo semelhante ao do meia do Tottenham. Daí Capello ter convocado Theo Walcott, em temporada fraca pelo Arsenal. No entanto, o jovem winger, que esteve na Alemanha em 2006, foi muito mal contra o Egito. Para agravar o impacto de sua infeliz jornada, Shaun Wright-Phillips, que o substituiu após o intervalo, foi protagonista da virada inglesa. A princípio, não convocaria nenhum deles. De todo modo, após a atuação de hoje, é bem plausível imaginar que Wright-Phillips assegurou seu bilhete para a África do Sul.

Ataque. Rooney, Defoe, Crouch, Heskey e Carlton Cole estavam à disposição. No primeiro tempo, o acompanhante de Rooney foi Defoe, escolha justa pelas exibições do artilheiro do Tottenham na temporada. Entretanto, a fraca produção ofensiva inglesa na metade inicial aguçou a necessidade de uma referência mais imponente. Sensato, Capello deixou Heskey e Cole no banco. Como quase sempre, a opção por Crouch funcionou. Com dois gols (o segundo, irregular), o atacante chegou a uma expressiva marca pela seleção: 20 gols em 37 jogos. A atuação serviu para ratificar o lugar na Copa do esguio e técnico atacante, injustamente tachado de mero "grandalhão desconjuntado". Rooney e Defoe também estão garantidos. A quarta vaga pode ser de Cole, Darren Bent, Gabriel Agbonlahor, Bobby Zamora ou Michael Owen. Mas, lamentável e provavelmente, acabará nos pés de Heskey.

Foto: Getty Images

1 de março de 2010

Podcast - Rodada 28



Confira a lista dos convocados por Fabio Capello para Inglaterra x Egito no site oficial da Football Association.

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