
20 de janeiro de 2011
O homem de 47 milhões de libras

17 de janeiro de 2011
Uma leve aberração
Mesmo sem um time convincente, Sir Alex Ferguson está tentando levar o Manchester United ao mesmo feito conquistado pelo fantástico Arsenal da temporada 2003/04A campanha do Manchester United, ao contrário do que a classificação sugere, não é sensacional, tampouco empolgante – logo, pouco digna de um clube invicto no campeonato, como o Arsenal da temporada 2003/04. Com Rooney ainda abaixo do potencial – embora tenha dado leves sinais de reação contra os Spurs – e sem grandes destaques individuais, os comandados de Sir Alex Ferguson têm encontrado dificuldades para impressionar. E se em casa chegam muitas vezes a ser entediantes, com a equipe adotando uma postura um tanto quanto cautelosa quando está em vantagem no placar, fora devem até mesmo agradecer por não perderem.
Encontrando certa dificuldade longe de seus domínios, os Red Devils suaram muito para conquistar, por exemplo, empates contra Bolton, Sunderland e Aston Villa e uma vitória contra o West Brom, em partidas em que mereciam até mesmo terem sido derrotados. Na partida contra os Baggies, aliás, chegou a ser uma grande injustiça que o time da casa tenha perdido. Sendo em algumas ocasiões superados em campo mas não no resultado final, o clube tem apenas a 4ª melhor campanha fora de casa: com 14 pontos ganhos dessa maneira, está atrás do Blackpool e a 10 pontos do Arsenal, time de melhor campanha nessa condição.
É importante dizer que é óbvio que o time tem seus méritos para estar na liderança. Ultimamente, por exemplo, liderada por um excelente Vidic, tem tido uma defesa muito consistente, ao contrário da titubeante e preocupante do início de temporada. Porém, é um conjunto que tem certos problemas do meio para frente, como as já citadas atuações abaixo da média de Rooney e a falta de um meia criativo. Isso faz com que muitas vezes a equipe dependa do seu jogo “entediante” para conseguir resultados, ou até mesmo de um brilhareco de Berbatov ou de Chicharito – bons jogadores, mas não (pelo menos ainda) extremamente confiáveis como um Cristiano Ronaldo no passado. E esses defeitos fazem com que o excelente retrospecto do clube seja na verdade distorcido, pois não reflete tão bem a sua atual fase.
Aliás, com a forma atual, não seria surpresa se o Manchester United, daqui a poucas rodadas, finalmente fosse derrotado na Premier League. Para um clube que não consegue convencer muito, a invencibilidade chega, na verdade, a ser um feito e tanto. Porém, é preciso dizer que a posição de favorito ao título é cada vez mais consolidada – e nem uma provável derrota faria o clube cair em queda livre e perder tal condição, porque é consistente demais para isso. Com o Chelsea sem conseguir reeditar as boas atuações da temporada passada, o Arsenal com seus antigos problemas e o Manchester City tendo um técnico fraquejando nos grandes jogos, é bem capaz que Sir Alex Ferguson coloque mais um troféu na devida sala do clube.
Imagem: Daily Mail13 de janeiro de 2011
Muito mais do que uma mudança: um recomeço

10 de janeiro de 2011
Hodgson out
O futebol pode mesmo ser cruel. Até uns meses atrás, Roy Hodgson era considerado o treinador do ano na Inglaterra, após duas ótimas temporadas no Fulham que resultaram numa final da Liga Europa, improvável dada a limitação da equipe. Meses depois, é demitido do Liverpool e sai pela porta dos fundos. Demissão que, aliás, não chegou a ser injusta.
O treinador sempre reclamou da herança maldita que havia herdado de Rafa Benitez. Porém, a válida reclamação aos poucos foi se tornando apenas uma desculpa esfarrapada para o insucesso atual dos Reds: ao mesmo tempo em que se batia na tecla de que o cenário deixado pelo espanhol atrapalhava seu trabalho, o inglês falhou ao tentar reconstruir o elenco. Contratou mal – Konchesky e Poulsen se tornaram verdadeiras piadas em Anfield - e deixou o clube sem conseguir montar uma equipe ideal, fazendo com que, de certa forma, fosse parecido com o dos últimos tempos de Benitez, já que o time era altamente dependente de Gerrard e Torres. Para a sua infelicidade, a fase dos dois é cada vez mais decadente.
Sem um bom time, Hodgson tinha de ao menos contar com o apoio da torcida. E talvez isso tenha sido um dos fatores mais influentes para sua saída. De início, a maior parte da torcida entendeu, aceitou e concordou com o discurso de que Benitez não havia deixado um bom legado – embora isso já tenha feito parte dos fãs do espanhol torcer o nariz. Porém, foi extremamente infeliz ao reclamar dos seus próprios torcedores, criticando a falta de apoio dos mesmos. Foi aí que ele cavou sua própria sepultura: se já não tinha a simpatia da maioria dos torcedores e o controle da situação, foi ali que se perdeu de vez.
O saldo deixado pelo inglês não é nada positivo, já que falhou na transição da era Benitez e não cumpriu a tarefa de reformular a equipe. Para piorar, sua demissão acaba atrapalhando uma reformulação ainda nessa temporada: as contratações que deveriam ocorrer nessa época não devem mais acontecer pela abrupta mudança de planos. Aliás, se se pode reclamar da “herança Benitez”, marcada pela contratação de jogadores não mais que medianos, também se pode reclamar da “herança Hodgson”: um time sem confiança, sem os esperados reforços significativos e tendo como símbolo o já citado Konchesky – um jogador bom para equipes medianas como o Fulham, mas totalmente fora de cogitação para uma equipe normalmente formada por medalhões como o Liverpool.
O futuro dos Reds, agora, é ainda mais incerto. Kenny Dalglish foi a melhor opção para o cargo de técnico interino. O momento é crítico em Anfield, e o próximo treinador deveria ter toda a tranquilidade possível para trabalhar e superar essa crise momentânea, mesmo que isso resulte em resultados negativos nos primeiros jogos. Tendo isso em vista, nada melhor do que uma pessoa que possui todo o apoio e carinho dos torcedores como Dalglish. Porém, a aposta é arriscada, já que o mesmo não treina uma equipe há mais de dez anos, estando “enferrujado” na profissão. E embora erros sejam perdoados no começo de sua trajetória, eles devem ser ao máximo evitados. O lembrete? O Liverpool está a apenas quatro pontos da zona de rebaixamento na Premier League.
Imagem: The Guardian
8 de janeiro de 2011
O reino da soberba

5 de janeiro de 2011
Roleta inglesa
3 de janeiro de 2011
A carapuça serviu?
Mesmo tendo conseguido bons resultados nas últimas rodadas - um deles contra os Wolves de Mick McCarthy -, West Ham de Avram Grant não apresentou uma grande evolução em campoCom apenas doze pontos conquistados em dezessete jogos, o West Ham, na metade de dezembro, encontrava-se na última posição. Diante desse quadro, surgiram boatos de que um ultimato havia sido dado ao técnico Avram Grant, cobrando do israelense bons resultados nos jogos contra Blackburn, Fulham e Everton – sendo que os dois primeiros seriam jogados fora de casa.
Coincidência ou não, os resultados apareceram depois do possível ultimato. Na sequência citada, os Hammers se saíram bem: empataram com o Blackburn em 1 a 1, derrotaram o Fulham em pleno Craven Cottage por 3 a 1 e empataram com o Everton também por 1 a 1 – um resultado notável, pois o West Ham havia jogado 48 horas antes, enquanto os Toffees estavam devidamente descansados. Depois disso, os londrinos sacramentaram sua reação ao derrotar o concorrente direto Wolverhampton por 2 a 0. A impressão que ficou é a de que o ultimato havia sido benéfico, dado os feitos consideráveis conquistados no fim de 2010/começo de 2011: quatros jogos sem perder, oito dos últimos doze pontos conquistados e fuga da zona do rebaixamento, posto do qual não havia saído desde o início da temporada.
Porém, os resultados, embora positivos, não significam que a equipe teve uma grande evolução nos últimos dias. Mais do que isso, aliás: encobertam graves problemas do West Ham de Avram Grant e até mesmo de Gianfranco Zola, técnico da temporada passada. A equipe continua cometendo graves erros defensivos; é excessivamente dependente de Scott Parker, meia que faz praticamente tudo na equipe e, sabe-se lá como, não é constantemente pretendido por times mais fortes; possui dificuldade para encontrar outros bons meias, principalmente pelos lados do campo; e não possui atacantes com um bom poder de finalização.
A verdade é que a boa sequência de resultados do West Ham veio muito por mais por aproveitar os erros dos adversários. Porém, isso não quer dizer que os Hammers passaram o tempo todo apostando nos erros dos rivais, e sim que falhas muitas vezes gritantes dos oponentes resultaram em gols dos londrinos. Tentos contra Everton e Wolves foram marcados através de jogadores do time oposto mandando a bola contra o próprio patrimônio, enquanto erros cruciais do Fulham consagraram Carlton Cole e Frederic Piquionne. Tentos que, aliás, em certos momentos saíram enquanto a equipe de Grant era dominada. Ou seja: de certa forma, os resultados positivos não vieram por tanto mérito dos Irons.
O jogo contra o Fulham, aliás, foi uma grande prova disso. Sem Parker, e consequentemente, sem criatividade e chegada ao ataque, os Hammers marcaram graças a falhas inacreditáveis dos adversários, que facilitaram a tarefa de Cole e Piquionne nos três gols ao praticamente entregarem a bola nos pés dos atacantes rivais já diante do goleiro Schwarzer. Já o tento marcado pelos Cottagers, que contou com grande participação da zaga dos visitantes, mostrou os defeitos da defesa de Grant, quando Aaron Hughes subiu sozinho e cabeceou para as redes enquanto a zaga assistia a tudo passivamente. Foi uma partida que, embora tenha ajudado o West Ham conquistar uma vitória importante fora de casa, continuou escancarando as suas recorrentes dificuldades e, de certa forma, diminuiu o brilho do seu feito.
De qualquer forma, alguns jogadores brilharam nesses últimos jogos – caso contrário, o West Ham não conseguiria bons resultados nem mesmo contando com vastos erros dos adversários. A atuação de um jogador merece ser destacada, talvez até mais do que a de Parker: Robert Green. O goleiro fadado a más lembranças da última Copa do Mundo literalmente fechou o gol nas últimas partidas, mais notadamente contra o Fulham e contra os Wolves, quando, mesmo em casa, os Hammers tiveram alguma dificuldade para se impor diante de um dos elencos mais enfraquecidos da Premier League. Grande parte da melhora do time até aqui se deve a ele. Outro jogador que merece ser citado é o jovem Freddie Sears, que foi chamado de volta do seu empréstimo do Scunthorpe para ganhar um lugar no time titular e inclusive marcar um gol contra os Wanderers.
Porém, isso é muito pouco se Faubert e Behrami continuam sem resolver o problema do lado direito, se Ilunga e Spector – a atípica atuação contra o Manchester United pela Carling Cup não conta – continuam falhando pelo lado esquerdo, se Barrera e Luis Boa Morte não levam ao time ao ataque pelo lado os campos e se Cole, Piquionne e Obinna desperdiçam milhares de chances em todos os jogos. Esses problemas já são duradouros – tanto que a espinha dorsal formada por Green, Upson e Parker já se mostrou insuficiente para colocar o time na metade da tabela.
É por isso que reforços são bem vindos. E a diretoria do West Ham, mesmo ainda convivendo com problemas financeiros, faz muito bem ao olhar com carinho para a janela de transferências, que acabou de ser aberta. Até agora, diz-se que os Hammers estão perto de contratar Steve Sidwell, meia do Aston Villa, e de conseguirem o empréstimo de Robbie Keane, atacante do Tottenham, e Wayne Bridge, lateral-esquerdo do Manchester City. Todos bons nomes e que adicionariam muito a áreas carentes do time – principalmente os dois últimos. Que continuem assim, porque o clube precisa.
Imagem: Zimbio
