7 de fevereiro de 2011

Um tiro no pé

Roberto Di Matteo no seu último jogo pelo West Brom: demissão do italiano desconsidera seu bom trabalho e pode ser fatal para as pretensões do clube

Um dos grandes pilares do grande início de temporada do West Bromwich, se não o principal, foi o treinador Roberto Di Matteo. O italiano conseguiu extrair o máximo de seu competente mas limitado elenco jogando de uma maneira muito agradável de se ver, levando um dos favoritos ao rebaixamento a apenas duas derrotas nas nove primeiras partidas. Devido a isso, ele chegou a ser nomeado o treinador de setembro da Premier League, enquanto os Baggies entraram na zona de classificação para a Champions League.

Porém, os feitos quase inimagináveis conquistados por Di Matteo foram esquecidos quando o mesmo foi demitido pelo clube ontem. Uma decisão tola. O retrospecto de uma vitória nos últimos nove jogos é realmente preocupante. Porém, a opção pela demissão desconsidera todo o ótimo trabalho que tem feito na atual temporada. Ora, ninguém imaginaria que os Baggies, pela sua história recente e suas limitações, teriam grandes momentos e seriam uma equipe difícil de ser batida – é só lembrar que uma das vitórias mais injustas dos últimos tempos foi a do Manchester United em Hawthorns.

O grande mérito de Di Matteo, aliás, é o principal motivo para que se possa dizer que os dirigentes do West Brom estão dando um tiro no pé. O italiano, ao contrário de grande parte dos treinadores de equipes que sobem para a Premier League, nunca aceitou escalar sua equipe numa espécie de “zona de conforto”, jogando defensivamente - ou seja, como um verdadeiro time pequeno. Usando ideias moderadamente ofensivas, o técnico ousou, manteve um time bem armado e conseguiu trazer bons e surpreendentes resultados.

Com a sua saída, os Baggies se veem obrigados a procurar um novo treinador e ainda causam uma ruptura muito brusca no trabalho que vinha sendo feito. E aí fica a pergunta: qual será a nova mentalidade do West Brom com um novo técnico? Sim, isso pode atrapalhar e muito: afinal, já pararam para pensar nos efeitos de uma saída de Owen Coyle do Bolton ou de Ian Holloway do Blackpool, e até mesmo numa improvabilíssima de Arsene Wenger do Arsenal? As mudanças muito provavelmente seriam bem radicais para serem assimiladas, ainda mais nesse terço final de campeonato. Isso para não dizer que talvez seja inútil contratar alguém que simplesmente se entregue a um conservadorismo defensivo.

É partir disso que a reclamação de Di Matteo, surpreso ao ser demitido, ganha ainda mais fundamentos. Ele questionou a decisão de se demitir um treinador durante um momento tão importante – os próximos jogos do West Brom serão contra Wolves e West Ham, concorrentes diretos na briga contra o rebaixamento. As vezes, demitir o treinador para dar uma chacoalhado no elenco é uma boa decisão. Porém, nesse caso, parece que a mudança será em má hora e brusca demais. Ou os Baggies conseguem um alguém que arme uma equipe muito sólida – Sam Allardyce e Roy Hodgson seriam boas apostas para tal objetivo –, ou então poderão estar novamente condenados ao rebaixamento.

Imagem: Daily Mail

6 de fevereiro de 2011

26ª rodada - Comentários

Carragher bloqueia a melhor chance de Torres na partida; na sua estreia, o espanhol foi discreto e ainda viu sua nova equipe perder em casa para o antigo clube

Além de muitos gols, a 26ª rodada da Premier League foi marcada pelo tropeço dos clubes de cima: dos quatro primeiros, apenas o Manchester City venceu. A mesma rodada teve mais duas atrações: a primeira derrota do Manchester United, justo para o lanterna Wolves, e a discreta estreia de Fernando Torres pelo Chelsea. Abaixo, os comentários de cada jogo:

Stoke 3 x 2 Sunderland (Carew, Huth (2); Richardson, Gyan) – 15 bons minutos finais e 2 gols tardios do zagueiro Huth foram suficientes para os Potters vencerem. Gyan mais uma vez se virou bem sozinho no ataque dos Black Cats e deixou sua marca, mas sua defesa decidiu falhando em momentos cruciais.

Newcastle 4 x 4 Arsenal (Barton (2), Best, Tioté; Walcott, Djorou, Van Persie (2)) – Depois de abrirem 4 a 0 graças a um ataque fulminante e sucessivas jogadas que quebravam a defesa adversária, os Gunners sucumbiram diante dos Magpies. É verdade que o conjunto de Alan Pardew, com um bravo e sufocante segundo tempo, possui méritos; que a arbitragem, assinalando dois pênaltis duvidosos e expulsando Diaby e deixando Barton em campo (essencial para o empate, assim como Tioté), prejudicou. Mas nada justifica o segundo tempo dos visitantes, que não souberam segurar o placar em momento algum.

Man City 3 x 0 West Brom (Tevez (3)) – Os Citizens haviam conquistado 4 dos 9 pontos disputados e sofreram com uma defesa vacilante desde que Mancini modificou seu time para alocar Dzeko e Tevez juntos. Quando o italiano resolveu deixar o bósnio no banco, a equipe venceu sem tomar gols e com hat-trick do argentino, novamente atuando como o único atacante. Enquanto o City tenta recuperar terreno, os Baggies venceram apenas 1 dos últimos 10 jogos. E com a demissão de Roberto Di Matteo, os seus próximos passos são imprevisíveis.

Blackpool 5 x 3 Everton (Saha (4), Beckford; Baptiste, Puncheon, Adam) – Um resultado merecido para os Toffees, que viraram a partida graças a um estilo tão sufocante que impedia os Tangerines de passar do próprio campo. Saha foi sensacional, marcando quatro gols, e foi bem acompanhado por Fellaini e Beckford. Já os Seasiders provaram que possuem uma defesa muito fraca, sendo incapaz de deter o ataque adversário quando em pressão. Essa é a uma das razões para a recente queda livre do time.

Wigan 4 x 3 Blackburn (McCarthy (2), Rodallega, Watson; Roberts, Samba, Dunn) – A volta do meia James McCarthy rende bons resultados: o irlandês foi o destaque ao marcar dois gols e ajudar os Latics a vencer. A equipe faz hora extra na Premier League, mas com certos resultados e ajuda dos adversários o Wigan resiste ao rebaixamento.

Aston Villa 2 x 2 Fulham (Pantsil (contra), Walker; Johnson, Dempsey) – Pantsil desastroso: o ganês marcou o seu terceiro gol contra natemporada. Porém, nem isso impediu os Cottagers de arrancarem um empate, mesmo sem serem superiores. Houllier, ainda escalando jogadores fora de suas posições originais, continua sem fazer sua equipe decolar. Já o Fulham vem bem após seu o pífio Boxing Day: conquistou 14 dos últimos 24 pontos disputados.

Tottenham 2 x 1 Bolton (Van der Vaart, Kranjcar; Sturridge) – Pobre Bolton. Teve dois pênaltis marcados contra a equipe, um a favor não marcado e ainda perderam graças a um gol nos acréscimos. O consolo dos Wanderers é que Sturridge foi bem e marcou pela segunda vez em seu segundo jogo: o trio formado por ele, Elmander e Kevin Davies é promissor e pode dar liga. Mas que dê logo, porque o time que estava num confortável quinto posto já está num perigoso oitavo.

Wolverhampton 2 x 1 Manchester United (Elokobi, Doyle; Nani) – Com Evans no lugar de Ferdinand, os apagões defensivos voltaram a atormentar o Man Utd; porém desta vez foram fatais. Explorando muito os lados do campo, o time da casa impôs a primeira derrota ao líder em duas jogadas aéreas. Há aqui um retrospecto bizarro: limitado, os Wolves têm tudo para cair. Porém, já derrotaram Man City, Liverpool, Chelsea e impediram os Red Devils de conquistarem o título invicto.

West Ham 0 x 1 Birmingham (Zigic) – O calvário do West Ham continua: a equipe londrina jogou melhor, mas os Blues foram mais eficientes e abriram a ferida mal cicatrizada dos Hammers, impedido de ir a final da Copa da Liga pelos visitantes. O Birmingham deixa a zona de rebaixamento e não deve voltar para lá; já o West Ham, sem destino, continua lá.

Chelsea 0 x 1 Liverpool (Meireles) – Ancelotti foi a campo com Torres e Drogba no ataque e Anelka vindo de trás municiando os dois. Uma decisão equivocada: o francês esteve sumido (o que prejudicou o setor ofensivo da equipe, já ruim com um Lampard apagado), e o espanhol, muito discreto. Com isso, Dalglish se aproveitou da ineficácia do time da casa e viu seu cauteloso 3-4-2-1 ser bem eficaz: sua monstruosa defesa conseguiu se sobressair e alguns de seus contra-ataques deram resultado – foi assim que Meireles marcou. Enquanto os Blues têm problemas para achar o time ideal, os Reds estão quase alcançando o seu.

Imagem: BBC

4 de fevereiro de 2011

A hora da verdade

A chegada de Kenny Dalglish foi fundamental para a ascensão do Liverpool na tabela

Micheal Jordan uma vez disse que nos "Play-offs [fase decisiva da NBA, liga de basquete norte-americana] é onde se separa os homens dos meninos". O mesmo se aplica aos próximos cinco meses da Premier League. Mesmo sem convencer, o líder Manchester United segue invicto na liga desde abril - uma sequência de 29 jogos sem perder. É cedo para cravar se os Red Devils repetirão o feito do Arsenal de 2003-04, porém, a cada rodada, fica mais evidente que os cinco pontos de diferença para o segundo colocado e um jogo a menos colocam a equipe mancuniana como favorita ao título.

Após momentos de instabilidade, Liverpool, Chelsea e Fulham começam a recuperar o tempo perdido. Sob o comando de Kenny Dalglish, os Reds estão mais motivados e rendendo acima do esperado - vide Raúl Meireles - em campo. Na sétima colocação, o clube de Merseyside vai embolar ainda mais a briga por uma vaga na Liga Europa. Os Blues parecem ter afastado a má fase do período pós-demissão do auxiliar Ray Wilkins, e com as chegadas de David Luiz e Fernando Torres, terão condições de brigar em alto nível por uma vaga na Liga dos Campeões, ameaçada pelas ascensões de Manchester City e Tottenham Hotspur nos últimos anos. Já os Cottagers parecem finalmente ter encontrado com Mark Hughes o bom futebol que levou a equipe à final da Liga Europa na temporada passada.

O sinal amarelo está ligado para o Blackpool. Os Tangerines conseguiram manter Charlie Adam e trouxeram Kornilenko, Beattie, Reid e Puncheon. No papel, excelente. Entretanto, os reforços são claramente ofensivos, e a defesa, o calcanhar de Aquiles da equipe, não foi reforçada, seguindo exposta e falhando constantemente. Na zona do rebaixamento, o West Ham é quem, aparentemente, tem as melhores condições de brigar contra os descenso. O'Neil e Keane adicionaram qualidade aos setores mais críticos da equipe e as boas fases de Obinna e Green dão esperanças aos torcedores dos Hammers.

Após uma movimentada janela de transferências de janeiro, saberemos nos próximos meses quem brigará por alguma coisa ("homens") e quem estará "a passeio" no campeonato ("meninos").

31 de janeiro de 2011

Ataques destruidores

Agora Fernando Torres não precisará conviver com as vaias e provocações dos torcedores do Chelsea - a não ser que cometa um erro dos mais grosseiros possíveis

O Liverpool passou por apuros recentemente. Depois de praticamente concretizar a transferência de Luis Suarez e se ver com possibilidade de ter um grande ataque, com o uruguaio jogando ao lado de Fernando Torres, o espanhol requisitou sua transferência para o Chelsea. A custa de muito dinheiro, El Niño atingiu seu objetivo e fará uma dupla letal com Drogba. Sorte que os Reds conseguiram substitui-lo ao contratar Andy Carroll também por uma quantia absurda. No final das contas, todos ficaram felizes.

Porém, mais do que felizes, ficaram com ataques destruidores, provavelmente os dois melhores da Inglaterra – o do Manchester United, embora fortalecido pela ótima fase de Berbatov, está enfraquecido pela titubeante de Rooney. Os jogadores de ambas as duplas são conhecidas pelo excelente poder de finalização e alto número de gols marcados. E se Drogba e Torres já estabeleceram seus nomes no futebol atual, Carroll, a maior promessa do ataque do English Team, e Suarez, uma máquina de fazer gols na Holanda, estão muito próximo disso, só precisando provar suas forças num clube grande – ou seja, chegou a hora.

O curioso é notar que, enquanto o novo ataque traz muita esperança e um sentimento ainda maior de renovação ao Liverpool, o do Chelsea, a princípio, causa um leve incômodo na cabeça de Carlo Ancelotti. Kenny Dalglish tem em mãos uma excelente dupla de ataque, muito jovem, goleadora e não precisa fazer grandes ajustes para coloca-los na equipe. Pelo contrário: tendo os novos contratados ocupando duas vagas lá na frente, pode montar um excelente meio campo, tendo os úteis Meireles e Kuyt e Gerrard acompanhando o português no meio ou deslocado para uma das pontas – uma ótima ideia para deixar o emergente Lucas entre os titulares e colocar o eternamente apagado Maxi Rodriguez no banco.

Enquanto isso, Ancelotti provavelmente terá de fazer algumas mexidas tortuosas. Para acomodar Torres entre os titulares, poderá continuar usando seu 4-3-3 ou então começar a usar um 4-4-2. A primeira opção sacrificará alguém – provavelmente o espanhol, típico finalizador centralizado, deslocado para a ponta direita. A segunda opção, a fim de aproveitar melhor o seu potencial, assim como o de Drogba, parece mais interessante. Porém, o meio deverá ser escalado na forma de um losango, o que poderá centralizar excessivamente o jogo na zona central – uma má ideia devido às más performances de Lampard e à necessidade de ter bons laterais quando o clube não possui tais atletas para o lado direito.

Além disso, há a antiga questão: a forma física de Torres. Ela, obviamente, pode prejudicar a passagem do espanhol pelo Chelsea – como atrapalhou completamente sua participação na última Copa do Mundo. Se recuperar seu ritmo e parar de viver de lampejos que mostram que o velho El Niño está voltando, provavelmente poderá ter muito sucesso pelos Blues.

Porém, mesmo em seus tempos de muitas contusões, o espanhol conseguiu deixar sua marca constantemente. Logo, talvez não seja bom negócio cogitar seu fracasso no Chelsea caso não se veja livre do departamento médico. Tampouco usar isso de pretexto para prever qual das duas duplas será mais bem sucedida – algo que só teremos ideia quando entrarem em campo. O jeito, então, é esperar e se segurar na promessa de ver muitos gols – essa sim uma aposta extremamente válida e que não deverá falhar.

Imagem: Daylife

27 de janeiro de 2011

Sob pressão


Alex McLeish e Arsène Wenger veem na Copa da Liga Inglesa a grande oportunidade de tirar a pressão que paira sobre suas cabeças

Sem vencer um título de expressão sequer desde a conquista da Copa da Inglaterra em 2005, o trabalho com jovens promessas de Arsène Wenger começou a ser questionado nos últimos tempos, especialmente por não conseguir converter talento em eficiência nas horas mais importantes. Nos duelos com os outros três clubes do Big Four nesta edição da Premier League, os Gunners não tiveram um bom aproveitamento: uma vitória e uma derrota para o Chelsea, uma derrota para o Manchester United e um empate com o Liverpool. Todavia, os três clássicos restantes serão disputados no Emirates e o quadro ainda pode melhorar.

Na Copa da Liga Inglesa, os norte-londrinos utilizaram times mistos e passaram com facilidade por Tottenham, Newcastle, Wigan e tiveram uma relativa dificuldade para eliminar o Ipswich Town nas semi-finais. O adversário do Arsenal na decisão é o Birmingham City, que briga para não cair na Premier League após surpreender a todos na temporada passada, com uma ótima nona colocação. O elenco é limitadíssimo e por alguma razão - que não parece ser financeira -, não consegue reforçar seu plantel, com inúmeros casos de propostas rejeitadas pelos próprios jogadores que interessavam o clube. O ataque é ineficiente - o segundo pior do campeonato inglês, com 22 gols marcados em 21 jogos.

Um título na Carling Cup - conquistado pela última vez pelos Blues em 1963 - é a carta na manga do técnico Alex McLeish para aliviar a tensão da fanática torcida. O clube das West Midlands eliminou Rochdale, Milton Keynes Dons, Brentford, Aston Villa (no clássico local conhecido como Second City's derby) para chegar a semi-final, onde enfrentou o igualmente desesperado West Ham, lanterna do campeonato. Após um 2 a 1 para os Hammers no Boleyn Ground, o Brum reverteu dramaticamente a situação no St. Andrew's, vencendo por 3 a 1 na prorrogação. Coincidência ou não, nenhum dos (raros) três gols dos Blues foi marcado por um atacante - Lee Bowyer, Craig Gardner e Roger Johnson, dois meias e um zagueiro, respectivamente, marcaram os tentos da classificação.

A final será disputada no dia 27 de fevereiro, no lendário Wembley, em Londres.

24 de janeiro de 2011

É melhor deixar assim

Hat-trick contra Wigan foi um exemplo de que escalar van Persie como principal homem do ataque é uma opção válida, embora não tenha as características exatas para isso

Na última Copa do Mundo, ficou claro que Robin van Persie foi o elo fraco do setor ofensivo da seleção holandesa. Enquanto Sneijder brilhava e era ajudado pelos úteis Robben e Kuyt, o atacante do Arsenal estava abaixo do seu potencial na África do Sul. Porém, seu desempenho foi compreensível: era notável que a melhor posição para o jogador não era estar centralizado no ataque e de costas para o gol, como Bent van Markwijk o escalou durante todo o torneio.

Arsene Wenger, no entanto, escala o holandês da mesma forma no Arsenal - aliás, desde a saída de Adebayor para o Manchester City, na temporada passada. Há formas melhores de utilizá-lo, como já foi antecipado: van Persie é muito habilidoso e criativo, tendo seu potencial mais bem explorado se jogasse como um segundo atacante ou pelos lados do campo, partindo com a bola dominada em direção ao gol. Sua falta de porte físico para um homem de área, inclusive, pesa contra as possibilidades de atuar entre os zagueiros - e éclaro que dessa maneira o ataque do Arsenal carece de uma referência, embora ganhe em técnica.

Porém, é preciso reconhecer que a opção, embora duvidosa, vem dando certo. A produtividade recente do holandês prova isso. Depois de ver seu início de temporada prejudicado por lesões, van Persie tem sido sensacional: nos últimos seis jogos que disputou - todos em 2011 -, anotou sete gols: um pela Copa da Inglaterra e seis pela Premier League, marca impulsionada após seu hat-trick em cima do Wigan na rodada passada.

Sem dúvida, são números muito bons e que encorajam Wenger a mantê-lo na posição. Se mantiver a ótima forma atual, rapidamente se transformará no centroavante mais confiável do Arsenal. Os números provam isso: no campeonato local, van Persie, com seis gols, já marcou mais vezes do que Bendtner (duas vezes) e está próximo de Chamakh (que possui sete gols). Na temporada, a situação é similar: enquanto o marroquino balançou as redes dez vezes, o holandês conseguiu tal feito em oito oportunidades, e o dinamarquês, em apenas quatro. Isso tudo tendo atuado quinze vezes - Chamakh, por exemplo, já participou de vinte e oito jogos.

Há outro motivo para confiar no holandês: as suas já citadas alternativas. Se van Markwijk tinha apenas Huntelaar para substituir seu titular na Copa do Mundo, Wenger possui apenas Bendtner e Chamakh. E francamente: o primeiro se revela cada vez mais irritante e um mal finalizador, enquanto o segundo ainda se mostra um tanto irregular. Logo, a opção por centralizar o camisa 10 dos Gunners também é compreensível - embora evidencie a falta de atacantes mais renomados no elenco.

Além de tudo, a centralização de van Persie permite uma alocação muito melhor dos jogadores no Arsenal. Indo para o meio do ataque, ele deixa a posição na esquerda vaga para Nasri. O francês, aliás, substituía muito bem Fabregas no meio enquanto este se recuperava de contusões; porém, era obviamente impossível deixar o espanhol de fora após o seu retorno. Uma possível escalação dos dois no meio também não seria justo: afinal, tal opção faria com que Wilshere ou Song tivessem que sair do time. No momento, isso seria um equívoco: o inglês tem se mostrado um jovem muito talentoso, enquanto o camaronês evolui cada vez mais. Com Walcott na direita no lugar de um apagado Arshavin, essa é a melhor forma de aproveitar toda a boa fase e a técnica refinada possível do elenco.

Imagem: BBC

22 de janeiro de 2011

Renovação

Walcott e Bale, revelados pelo Southampton: da distante League One, os Saints catalisam a renovação na Inglaterra

Kenny Dalglish foi absolutamente fantástico como jogador. O maior da história do Liverpool, sem nenhuma dúvida. No banco, interrompeu precocemente a sua trajetória, mas os três títulos da liga com os Reds e a inesperada conquista com o Blackburn ratificam sua grandeza também como um técnico que, de volta, tenta superar o estigma de ultrapassado. Aliás, o título dos Rovers em 1994-95 foi inspirado pelo incrível Alan Shearer, de soberanos 260 gols na Premier League, pós-1992. Em Ewood ou St James', Shearer mostrou que um homem pode elevar o patamar de um clube mesmo não sendo o investidor - ele, Alan, foi o investimento que sempre valeu a pena.

E apenas com o investimento na base o Liverpool moldou o sucessor de Shearer na Inglaterra: Michael Owen, o melhor jogador do mundo em 2001. Coisa rara, um inglês melhor do mundo. E ele foi mesmo. Rápido, habilidoso, ótimo finalizador, oportunista. Owen tinha potencial para se juntar a Matthews, Best, Dalglish, Charlton e Lineker no grupo dos grandes britânicos de todos os tempos. Perdeu-se no galacticismo do Bernabéu, foi esconder seus problemas físicos no Newcastle. É mero coadjuvante hoje, mas travou com Henry e van Nistelrooy fantásticos duelos estatísticos nos primeiros anos da década.

Henry, aliás, é talvez o maior representante de um grupo de jogadores que assumem diversas responsabilidades e, quando têm sucesso, atingem um nível impressionante. Quando saiu do Emirates - ele jogou lá durante uma temporada -, o francês motivou comentários simplórios, porém próximos da exatidão, como "esse time simplesmente não pode vencer nada sem ele". De fato, não venceu. Já são três anos e meio sem Henry, sempre lembrado por 2003-04, mas absolutamente genial, por exemplo, em 2002-03, quando acumulou 24 gols e 23 assistências!

O nível impressionante a que me refiro não é representado apenas por números, mas eles são inegavelmente importantes. Os 22 gols e 17 assistências de Lampard na temporada passada simbolizam sua consistência. A falta que ele fez ao Chelsea em novembro ratifica que craques como ele e Terry, ambos pré-Abramovich, mantêm-se fundamentais. Querem melhor exemplo disso do que a gestão de Ferguson no Manchester United? É impossível mensurar a importância de Scholes e Giggs no processo de dominância doméstica do clube nas últimas duas décadas.

Mas os craques não são necessariamente máquinas de faturar troféus. Eles se notabilizam, sim, pelo que fazem em campo, mas também por sua postura. Matthew Le Tissier, o primeiro meio-campista a atingir a marca de 100 gols na Premier League, tem 16 anos de serviços prestados ao Southampton. De 1986 a 1992, na segunda divisão (quando foi parceiro de Shearer). Grande a ponto de inspirar Xavi, Matt esteve nos últimos momentos de real alegria dos Saints. O clube que revelou Walcott e Bale e, mesmo na distante League One, ajuda a garantir a produção de ídolos em série nesse lugar que tanto adora o futebol. A fila anda.

E a fila anda mesmo para este blogueiro, que, em função de outro projeto, dá um "até breve" ao espaço que cultivou durante um ano e meio. E aproveita para agradecer a parceria dos grandes André Vince, Léo Macario e Leandro Gomes. Este, ao lado do recém-chegado Thiago Ienco, segue por aqui para manter o ótimo trabalho que tem feito.

De uma forma ou de outra, eu apareço. Obrigado, amigos.