4 de novembro de 2009

Quem sobrevive a elas?

As lesões. São elas as principais responsáveis pelas eventuais quedas no nível técnico dos mais competitivos campeonatos. Na Premier League, que exige das equipes uma absurda intensidade, as contusões são ainda mais devastadoras. O site Physio Room faz levantamentos permanentes do status das contusões de jogadores que disputam a divisão de elite na Inglaterra. Você pode descobrir quais são os times mais deficitários do momento.

Certamente, apesar das poucas lesões atuais (o site parece desconsiderar os problemas com Glen Johnson e Fábio Aurélio), o clube mais afetado por contusões na temporada foi o Liverpool. Quer um exemplo? Veja como o time jogou no dia 20 de outubro contra o Lyon, pela Liga dos Campeões: Reina; Kelly , Carragher, Agger, Insúa; Mascherano, Lucas; Kuyt, Fábio Aurélio, Benayoun; Ngog. Não jogaram Glen Johnson, Aquilani, Riera e Fernando Torres. Gerrard saiu, lesionado, ainda no primeiro quarto do jogo.

O Liverpool, quando completo, tem um dos melhores onze iniciais da Premier League. No meu conceito, só é (levemente) inferior ao Chelsea. Mas realmente precisa que todos joguem. Quando algum jogador do que considero o quinteto-chave - Johnson, Aquilani, Gerrard, Benayoun e Torres - sai, o conjunto se desmonta. Ou se devasta, para mencionar a sensação de Gerrard quando Xabi Alonso deixou o clube.

Os conterrâneo do Liverpool também tem sua campanha prejudicada pelas contusões. Na 13ª posição, o Everton não pode contar com sete jogadores, entre os quais estão Jagielka, Pienaar, Osman e o importantíssimo e eternamente lesionado Mikel Arteta (foto 1).

Na temporada passada, o treinador David Moyes teve de conviver com um problema inusitado. Ele chegou a não ter nenhum atacante disponível por várias rodadas. A solução que encontrou foi escalar o australiano Tim Cahill ou o belga Marouane Fellaini como centroavante isolado. E até que se saiu bem, visto que os Toffees atingiram a quinta colocação na Premier League.

Apesar dos efeitos mais pesados terem acontecido na cidade de Liverpool, o atual campeão de lesões na Premier League é o Arsenal. Por outro lado, o desempenho da equipe não tem sido afetado. Das nove contusões com que convive Arsène Wenger, apenas duas acometem titulares absolutos: Clichy e Denílson, ambos com retorno previsto para o fim do mês. Com um elenco jovem, porém preparado para eventualidades, fundamental, de fato, é que Fàbregas, Arshavin e van Persie mantenham-se saudáveis.

Há ainda que se destacar a habilidade do treinador Roy Hodgson, do Fulham, para lidar com a situação. O elenco da equipe londrina não é dos mais abastados e, ao perder quatro jogadores-chave, deveria sofrer em níveis acima do aceitável. As ausências de Simon Davies, Danny Murphy, Andrew Johnson e Damien Duff (que saiu no intervalo) não impediram a boa vitória por 3 a 1 dos Cottagers diante do Liverpool. A equipe, da qual muito se esperava (algo parecido com as expectativas em torno do West Ham, de Gianfranco Zola), recuperou-se do péssimo início e já ocupa a décima posição.

Os outros candidatos a algo ambicioso no campeonato não enfrentam problemas significativos. O Manchester City já perdeu, em algum momento, Tévez, Adebayor ou Robinho, mas a tendência é que conte com todos eles para os próximos jogos. O United, por sua vez, tem em Rio Ferdinand seu desfalque mais importante, mas está claro que, contusão à parte, a fase do zagueiro da seleção inglesa não é boa. Já o Chelsea convive com pelo menos cinco ausências importantes: Ashley Cole, Kalou, Zirkhov, Bosingwa e Mikel. Mesmo assim, o desempenho dos Blues manteve-se excelente. Daí não ser clichê chamar o elenco de Stamford Bridge de "o melhor da Premier League".

Por que falar de contusões? Porque uma lesão decidiu o campeonato na temporada passada. O Liverpool terminou o ano a apenas quatro pontos do Manchester United, campeão. Absolutamente fundamental aos Reds, Fernando Torres perdeu 14 das 38 rodadas da Premier League 2008/09. É fácil associar sua ausência a vários empates tolos do conjunto de Rafa Benítez em Anfield Road. Por isso o United, de elenco mais completo (ainda mais rico do que o desta temporada), levou a taça.

A tabela de lesões é dinâmica. Por isso, talvez você fique com a impressão de que o texto é contraditório. Mas, no momento em que foi escrito, não era o caso.

Imagens: The Guardian e AP

2 de novembro de 2009

Podcast - Rodada 11



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30 de outubro de 2009

A reputação ilibada de Carletto

Quando o Chelsea contratou o treinador italiano Carlo Ancelotti, várias questões vieram à tona. A principal delas dava conta dos verdadeiros objetivos do clube de Roman Abramovich. Em oito temporadas à frente do Milan, Ancelotti acumulou três finais e dois títulos na Liga dos Campeões. Na Serie A, entretanto, limitou-se a um troféu. Portanto, no plano teórico, o acerto com Carlo indicava a obsessão do magnata russo pela conquista da Europa.

Entretanto, a arrancada na liderança da Premier League dá aos Blues o direito de conciliar objetivos. À exceção do que aconteceu nas duas derrotas da temporada, diante de Wigan e Aston Villa, a imagem que se faz do Chelsea é a da solidez. O time é seguro, experiente, marca muito forte e ataca em bloco. Mesmo assim, o conjunto de Ancelotti rechaça uma tradição técnica do futebol inglês. Não me refiro ao 4-4-2 ortodoxo, já abandonado por várias equipes, mas ao intenso jogo pelas laterais.

O treinador italiano arma o time com o "losango" no meio-de-campo. Michael Essien é o homem à frente da defesa, Ballack sai levemente pela direita, Lampard, pela esquerda, e Deco tem sido o responsável pela ligação imediata ao ataque. Com essa formação, não há quem atue pelos flancos de modo permanente. Na vitória diante do Liverpool, por exemplo, o Chelsea teve apenas um jogador com vocação para ocupar uma lateral: Ashley Cole. O sérvio Ivanovic, zagueiro por excelência, compôs o lado direito da defesa na ocasião.

Mais curioso é saber que o italiano não faz isso por conta da escassez de jogadores. Ele tem à disposição vários atletas com forte tendência a cair pelas pontas. Malouda, Kalou, Joe Cole e Zirkhov podem fazê-lo perfeitamente, mas são por vezes preteridos. Malouda, aliás, até joga com alguma frequência, embora adira ao losango de Ancelotti. O esquema tem feito sucesso e, até onde sei, não é constestado de forma veemente pelas cornetas britânicas

Falo isso porque lembro de treinadores culturalmente avessos aos wingers que foram muito criticados em países com essa tradição (de utilizar wingers) na Europa. Conhecemos com propriedade pelo menos dois exemplos. Vanderlei Luxemburgo cansou de sofrer pitos de jornais espanhóis por ignorar os extremos em seus tempos de Real Madrid. Assim como Felipão, durante o pouco tempo em que trabalhou em Stamford Bridge. Ancelotti, por sua vez, pôde impor ao Chelsea um sistema "italiano" com alguma tranquilidade. A formação da moda na Bota é semelhante à atual dos Blues. No 4-3-1-2 jogam a Juventus e a Internazionale, com o Milan a ensaiar o esquema.

Por que Ancelotti não foi linchado numa praça pública de Londres? Porque as pessoas confiam nele. Ninguém apostava todas as suas fichas em Luxemburgo e Scolari, vencedores, mas sem história prévia no futebol europeu de clubes. No Brasil, o treinador italiano tem fama de "retranqueiro". Mas, por lá, ele está acima de preconceitos ou suspeitas sem justificativas objetivas, ou seja, baseadas em resultados.

O esquema do Chelsea se sustenta, entre outros fatores, por conta do trabalho da dupla de ataque. Drogba e Anelka (aliás, desconsiderem o número atribuído ao francês no plano tático) se movimentam muito. A harmonia mútua e as inserções laterais lembram, em algum nível, a combinação entre Andy Cole e Dwight Yorke, de temporadas atrás no Manchester United.

Com dois avantes competentes e que sabem trabalhar a bola, um meio-de-campo forte e criativo e uma defesa sólida, talvez não haja mesmo necessidade de se preocupar em escalar wingers. Graças à tranquilidade que Ancelotti teve para efetivar suas convicções. Seu currículo em Reggiana, Parma, Juventus e Milan serve para isso.

Foto: British Blogs

28 de outubro de 2009

O mais antigo do mundo

Fundado a 28 de novembro de 1862, o Notts County Football Club, ou simplesmente Notts County, é o clube mais antigo do mundo a disputar uma competição. Sediado na cidade de Notthingham, o clube joga atualmente na quarta divisão do futebol inglês e luta para voltar à elite.

Sua participação em torneios se iniciou em 1877, quando entrou em campo pela Taça da Inglaterra. Por essa competição, chegou às semifinais em 1883 e 1884. Se destacando como uma das mais fortes equipes da Inglaterra, o Notts foi um dos doze fundadores da Football League em 1888, 26 anos após sua criação. A primeira temporada não foi nada feliz: 11° colocação em um competição que envolvia apenas 12 equipes.

Já na temporada 1890/91, chegaram à final, com grande elenco. O time formado na temporada 1890/91 foi o responsável pela maior glória dos Magpies: a conquista do primeiro e mais significativo título, a FA Cup. Na disputa final, em 1894, bateu o Bolton por 4 a 1 em partida realizada no Goodison Park, diante de 37000 pessoas.

A partir daí, o clube viveu um período de rebaixamentos e promoções a diferentes divisões do futebol inglês, que já havia se consolidado e contava cada vez com maior número de equipes e competições. Até a Segunda Grande Guerra, houve apenas dois fatos marcantes para os Magpies. A mudança de casa em 1910, quando deixaram o Park Hollow, nos terrenos do Castelo de Nottingham e passaram o jogar no modesto Meadow Lane; e a liderança do Campeonato Inglês por algumas rodadas na temporada de 1925/26.

Rebaixado em 1926, o Notts County amargaria meio século nas divisões inferiores do futebol da terra da rainha. Entre 1940 e 1941, suas atividades foram suspensas, pois seu estádio, onde treinavam e jogavam, foi atingido por bombardeios durante o conflito mundial.

A "época de ouro" do clube veio apenas após o fim da Segunda Guerra Mundial. O clube anunciou a contratação de um dos grandes nomes da época, Tommy Lawton, que veio do Chelsea por quantia recorde. A chegada do craque levou 10000 pessoas ao estádio, colocando o clube de volta ao cenário do futebol com destaque. Uma temporada com média de 35000 pessoas no estádio fez os Magpies conquistarem a Terceira Divisão e voltarem a disputar (pela última vez) um campeonato de nível superior ao que jogava seu maior rival, o Notthingham Forest.



À beira da ruína nos anos 60, a diretoria confiou o sucesso do clube ao escocês Jimmy Sirrel, que levou o time à conquista da Quarta Divisão de forma invicta na temporada 1970/71. Em pouco mais de uma década no controle da equipe, Sirrel levou o Notts de volta à Primeira Divisão em 81, escrevendo seu nome para sempre na história do clube. Após boa vitória sobre o então atual campeão Aston Villa, a equipe não mostrou forças e foi novamente rebaixada, fato que ocorreu nas duas temporadas seguintes, levando o clube novamente a séries inferiores.

Outro nome que também conseguiu levar o clube de volta à elite foi Neil Warnock. Sua passagem resultou no hino do clube, a canção Weelbarrrow, em partida frente ao Manchester City, em Wembley, vencida por 1 a 0. Na temporada em questão, a de 1990/91, os Magpies chegaram às quartas-de-final da Copa da Inglaterra e foram derroatados apenas pelo campeão Tottenham.

A última aparição na divisão principal do futebol inglês foi na temporada 1991/92, a última antes da criação da Premier League. Desde então, o clube transita, mais um vez em sua história, entre os diferentes níveis inferiores.

Atualmente, a equipe se encontra na Quarta Divisão e busca voltar às manchetes do futebol mundial. Para a atual temporada, contrataram o bom e jovem goleiro Kasper Schmeichel (ex-Manchester City e filho do lendário Peter Schmeichel) e o experiente zagueiro Sol Campbell. O acerto com Campbell, entretanto, não deu muito resultado, já que ele já pediu a rescisão do contrato, fato que teve repercussão na mídia inglesa nos últimos dias, pois não se sabe a causa exata do rompimento.

Administrativamente, o homem a reger a recuperação do clube é o sueco Sven-Goran Eriksson, ex-treinador da seleção inglesa (como bem lembra Lucas Imbroinise, do blog Diário Esportivo Golaço). Recentemente, Eriksson tentou articular a contratação do treinador italiano Roberto Mancini.

Apesar de não ser um dos grandes nomes do futebol inglês, o Notts County, por sua longa história, possui uma enorme simpatia em solo britânico. O clube mais antigo do mundo e que influenciou a fundação da Juventus, da Itália, não poderia deixar de ter seu espaço aqui.


26 de outubro de 2009

Podcast "Ortodoxo e Moderno" - Rodada 10



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23 de outubro de 2009

Craque das lesões

Michael James Owen. Esse é o nome de um dos maiores nomes da história recente do futebol inglês. Atacante baixinho e habilidoso, nasceu no dia 14 de Dezembro de 1979 em Chester. Terry Owen, pai de Michael, jogou futebol pelo Everton, e quis o destino que o garoto prodígio iniciasse sua meteórica carreira no outro clube da cidade, o Liverpool.

Contratado aos 16 anos, Owen assinou seu primeiro acordo profissional aos 17. Logo aos 18 anos, em maio de 1997, fez sua estreia pelos Reds. Mostrando todo o seu potencial, substituiu Robbie Fowler e marcou seu primeiro gol. Assumiu a vaga de titular ao lado de nomes de peso, como Paul Ince e Steve McManaman, e marcou 18 gols na temporada, levando também o título de jogador jovem do ano pela PFA.

Com tanto talento e a excelente temporada de estreia, era de se esperar que estivesse presente na Seleção Inglesa já na Copa do Mundo da França, em 1998. Esteve! E não foi só isso! Foi a estrela do selecionado, marcando um golaço contra a Argentina, considerado por muitos o mais belo gol inglês da história das Copas. Tudo isso com apenas 19 anos.

Em 2000, quando teria a oportunidade de mais uma vez representar bem seu país, teve inicio o fator decisivo para sua carreira: as lesões.

Já em 2001, fez parte do time mais brilhante do Liverpool dos últimos anos. Ajudou o clube a conquistar a Copa da Liga, a FA Cup e a Copa da UEFA. Nesses títulos ele não poderia passar em branco: na partida final da FA Cup, marcou dois nos últimos minutos e garantiu a histórica virada sobre o Arsenal. A onda de fatos marcantes não parou por aí. Logo após essas conquistas, enfrentou, em Munique, a Alemanha, do excelente goleiro Oliver Kahn. Anotou nada mais nada menos que 3 gols na vitória por 5 a 1, pelas Eliminatórias para a Copa de 2002. Tudo isso fez com que no final do ano Owen se tornasse o primeiro jogador britânico em 20 temporadas a conquistar o prêmio de Jogador Europeu do Ano.

As fracas campanhas de sua equipe, o Liverpool, fizeram o craque buscar novos ares. Alçou voo para Madrid em Agosto de 2004 e foi ser mais um galático do Real, ao lado de outra estrela inglesa, David Beckham, e de outros grandes nomes, como Zidane, Raúl, Ronaldo, Figo e Roberto Carlos. Pelo Liverpool, seus números são impressionantes: 216 jogos, 118 gols e 6 títulos, que lhe rendem o status de um dos grandes ídolos do clube.

Novas contusões fizeram com que seus primeiros momentos na capital espanhola fossem extremamente tímidos. Mas, no fim de 2004, ele voltou a fazer a diferença e terminou a temporada com um respeitáveis 13 gols no Campeonato Espanhol. Mesmo assim, a reserva no clube e a perda de espaço na seleção fizeram Owen buscar novos caminhos. Assinou com o Newcastle United e foi jogar ao lado do lendário Alan Shearer. Pelo Real Madrid, foram 35 jogos e 13 gols.

De volta à terra natal, tinha tudo para aumentar os títulos do currículo. Ao lado do maior artilheiro da Premier League, Owen poderia levar o Newcastle ao posto de grande time do futebol inglês. No entanto, seu maior feito no novo clube foi um hat-trick perfeito (marcou com o pé esquerdo, com o direito e com a cabeça) na vitória de 4 a 2 contra o West Ham, em 17 de dezembro. Novas e serias lesões o afastaram dos gramados na maior parte do tempo em que esteve em Newcastle. A falta de sucesso pelo clube (26 gols em 4 anos) culminou com o rebaixamento na última temporada.

Dado como um jogador acabado para o futebol, Owen assinou um contrato sem custos com o tricampeão Manchester United, dando a volta por cima e tendo a chance de mostrar que ainda pode ser um grande nome do futebol da Terra da Rainha.

Pela seleção, nunca teve o prazer de conquistar um título, mas sempre teve boas atuações e já gravou seu nome definitivamente na história da equipe nacional. É o quarto maior artilheiro da história da seleção com 40 gols, atrás apenas de Bobby Charlton (49 gols), Gary Lineker (48) e Jimmy Greaves (44). Por enquanto, disputou três Copas do Mundo e 89 jogos.

O talento de Michael Owen é indiscutível! Com certeza pode dar ainda muito ao futebol mundial. Aos 29 anos tem a chance de provar a todos (e a si mesmo) que pode voltar a ser o Owen do Liverpool e levar o Manchester ao tetra e sua seleção ao título na Copa de 2010. Isso, é claro, se conseguir convencer Fabio Capello a convocá-lo.



A próxima chance de mostrar toda sua capacidade será neste fim de semana, quando voltará para onde tudo começou e enfrentará o Liverpool pela 10ª rodada da Premier League. Resta saber se será bem ou mal recebido pela torcida da qual já foi o maior ídolo e se conseguirá sucesso semelhante ao que teve do outro lado!

21 de outubro de 2009

Duas surpresas em Liverpool x Man Utd

No próximo domingo, o Liverpool recebe o Manchester United. A partida, válida pela nona rodada da Premier League, apresenta várias peculiaridades. Certamente, o clássico do noroeste inglês é o de maior rivalidade no país entre clubes gigantes. Isso ficará claro quando Michael Owen, antigo ídolo dos Reds, pisar pela primeira vez em Anfield como um Red Devil.

O Manchester United ainda mantém viva na memória a humilhante derrota da temporada passada, por 4 a 1, em Old Trafford. O Liverpool, por sua vez, precisa desesperadamente da vitória. A equipe perdeu seus últimos quatro jogos (dois na Premier League, dois na Champions), o que representa a pior sequência do clube desde abril de 1987. Ademais, os comandados de Rafa Benítez estão na oitava posição no campeonato, enquanto o United ocupa a liderança.

Embora os números recentes e a lista de desfalques indiquem o contrário, o Liverpool está autorizado pela história a acreditar num triunfo. Como exemplos, vamos relembrar duas decisões diante do Manchester United em copas nacionais. Uma em 1977, outra em 2003. Os campeões contrariam a lógica. Veja por quê.

Final da FA Cup de 1977. O Liverpool era o time do momento, visto que havia conquistado a Football League (o antigo campeonato inglês) e a Copa Europeia (atual Liga dos Campeões), sob a batuta do vitoriosíssimo Bob Paisley. O United tinha, pois, uma missão: levar o troféu da Copa da Inglaterra para Manchester significaria afastar seu maior rival da tríplice coroa (conquistas no campeonato e na copa nacionais e na copa continental).

E os Red Devils conseguiram. Mais de 98 mil torcedores foram ao Estádio de Wembley para assistir à vitória do Manchester United sobre o Liverpool por 2 a 1. O jogo foi decidido em alucinantes quatro minutos. Aos seis do segundo tempo, uma sequência de toques de cabeça colocou Stuart Pearson cara a cara com o goleiro Ray Clemence. Pearson o fuzilou, marcando o primeiro do conjunto de Manchester. Exatamente dois minutos mais tarde, o lateral-esquerdo galês Joey Jones fez ótimo lançamento na entrada da área para Jimmy Case, que dominou com estilo, girou e marcou um golaço, empatando o jogo.

O Liverpool era claramente mais técnico. Entretanto, outro erro defensivo foi fatal. Pouco mais de dois minutos após o empate, a indecisão dos zagueiros dos Reds fez a bola sobrar para Jimmy Greenhoff, que, finalizando por cobertura, garantiu o título do Manchester United. Esse triunfo foi emblemático não apenas por conta da superioridade teórica do rival. Ao evitar a conquista da tríplice coroa pelo Liverpool, os Red Devils o impediram de ser o primeiro clube inglês a alcançar o feito. E quem conseguiu a proeza foi justamente o United, 22 anos depois. Em 1999, o conjunto de Alex Ferguson levou o Treble, como é conhecida a tríplice coroa na Inglaterra.

No vídeo abaixo, você assiste aos incríveis quatro minutos que decidiram o jogo e acompanha a festa do Manchester United pela FA Cup de 1977:



Final da Copa da Liga de 2003. Pois bem. Em 2003, o Manchester United era o grande time. Vinha de uma sucessão fantástica de títulos sob o comando de Alex Ferguson e tinha, sem dúvida, um dos melhores times da Europa. O adversário na final da Copa da Liga, o Liverpool, apresentava alguns ótimos nomes, como os ainda relativamente jovens Steven Gerrard e Michael Owen. Mas o conjunto de Manchester era realmente muito melhor. É só analisar as formações que iniciaram a partida:

Manchester United: Barthez; Gary Neville, Brown, Ferdinand, Silvestre; Beckham, Keane, Verón, Giggs; Scholes; van Nistelrooy.

Liverpool: Dudek; Carragher, Henchoz, Hyypia, Riise; Diouf, Hamman, Gerrard, Murphy; Owen, Heskey.

Todavia, você pode esquecer isso. O Liverpool, treinado pelo copeiro francês Gérard Houllier, jogou mais e decidiu o jogo através de seus dois grandes valores. Aos 39 minutos, Steven Gerrard recebeu passe do norueguês John Arne Riise e, da quina da área, arriscou o chute. A bola desviou no pé direito de David Beckham e entrou de forma espetacular. A quatro minutos do fim, Michael Owen foi lançado pelo alemão Dietmar Hamann e finalizou com precisão o ótimo contra-ataque. O Liverpool conquistava mais uma copa (a sexta da década), desta vez contra o muito mais qualificado Manchester United.

Veja no vídeo abaixo de que forma o Liverpool superou o Manchester United pela Copa da Liga de 2003:



Imagem: Zimbio