13 de fevereiro de 2011

27ª rodada - Comentários

Gol magistral de Wayne Rooney deu a vitória ao Manchester United no clássico contra o maior rival

A 27ª rodada da Premier League teve como destaque a vitória do Manchester United em cima do Manchester City (o que deixou os Citizens quase sem chances de conquistar o título), assim como o fim da sequência de vitórias e clean sheets do Liverpool. Abaixo, os comentários de cada jogo:

Manchester United 2 x 1 Manchester City (Nani, Rooney; Dzeko) – Kompany foi superbo pelos Citizens; porém, um de seus vacilos acabou gerando o gol da vitória dos Red Devils, quando Rooney aproveitou um momento de rara liberdade para fazer um lindo gol de bicicleta. O time da casa novamente não foi convincente, mas viu ótimas atuações de Giggs e de um Nani infernizando a vida de um fraco Zabaleta. Por sorte, quando a equipe recuou e sofreu o empate do rival, superior na segunda etapa, pode contar com um lance brilhante do Shrek. Já o City agora está relegado a disputar apenas uma vaga na Champions League.

Arsenal 2 x 0 Wolves (Van Persie (2))– Os Gunners não brilharam, mas construíram o placar com tranquilidade e ainda deram uma aula de contra-ataque no segundo gol. Van Persie, autor de ambos os tentos, mostrou estar em grande forma e já é o vice-artilheiro do clube na temporada. Enquanto o Arsenal está a quatro pontos da liderança, os Wolves continuam a caminhada para a Championship, mesmo tendo batido todos os grandes – exceto o Arsenal.

Blackburn 0 x 0 Newcastle – Depois dos quatro gols da semana passada, o Newcastle não conseguiu marcar, mesmo tendo crescido durante a partida até dominá-la por inteiro. As ótimas atuações de Tieté, Barton e Nolan não superaram a ineficiência nas finalizações, o ponto forte de um tal de Andy Carroll. Embora os treinadores tenham se mostrado satisfeitos, o resultado não foi bom: os Rovers não vencem há três jogos, e os Magpies, há cinco.

West Bromwich 3 x 3 West Ham (Dorrans, Thomas, Reid (gol contra); Ba (2), Cole) – Os Baggies foram para o intervalo vencendo por 3 a 0 e poderiam ter feito mais graças a já conhecida vulnerabilidade defensiva dos Hammers. Porém, os visitantes aproveitaram o momento instável do adversário e, comandados por Ba, autor de dois gols, chegaram a um improvável empate. O jogo mostrou a Roy Hodgson que terá muito trabalho pela frente, principalmente defensivo. Seu consolo é que seu forte é montar equipes bem sólidas.

Liverpool 1 x 1 Wigan (Meireles; Gohouri) – Raul Meireles tem estado sensacional desde a chegada de Kenny Dalglish, com cinco gols marcados desde então. Porém, seu tento não impediu um frustrante empate, numa partida em que os Reds abandonaram o seu atípico 3-4-2-1. Um balde de água fria, que mostra que o Liverpool ainda precisa melhorar se quiser lutar por Champions League – é inaceitável empatar em casa contra uma equipe na zona de rebaixamento, embora os Latics tenham atuado muito bem e merecido o empate.

Birmingham 1 x 0 Stoke (Zigic) – Não era possível esperar um grande jogo entre as duas equipes, duas das mais desinteressantes da Premier League – e realmente não houve um grande jogo. Houve, porém, um gol tardio de Zigic que consolidou a recuperação dos Blues – conquistou sete dos últimos nove pontos possíveis e se afasta cada vez mais da zona de rebaixamento. Enquanto isso, os Potters se mantêm no grupo intermediário.

Blackpool 1 x 1 Aston Villa (Grandin; Agbonlahor) – Jogos dos Tangerines são muito abertos e legais de se assistir; este não foi diferente, com um primeiro tempo realmente animador. O Blackpool poderia ter vencido; porém, não aproveitaram a superioridade numérica quando Makoun foi expulso. De qualquer maneira, foi um alívio para os comandados de Holloway ter conquistado seu primeiro ponto desde 12 de janeiro (!), enquanto o Villa continua irregular.

Sunderland 1 x 2 Tottenham (Gyan; Dawson, Kranjcar) – Excelente resultado para os Spurs, que venceram fora mesmo com um meio campo desfalcado: sem Modric, Bale e van der Vaart, Redknapp teve de contar com Pienaar, Jenas, Sandro e Kranjcar. Já o Sunderland continua sofrendo os efeitos de seus lapsos defensivos, da saída de Bent e da contusão de Welbeck; a contradição é que Gyan está muito bem sozinho no ataque e marcou novamente.

Bolton 2 x 0 Everton (Cahill, Sturridge) - Sturridge tem sido o mais eficaz possível em sua passagem pelo Bolton: marcou uma vez em todas as suas três atuações, sendo que o tento de hoje decretou a vitória dos Wanderers. O resultado é ótimo para a equipe de Owen Coyle, que só havia vencido um jogo dos últimos seis e ainda sonha com uma vaga numa competição europeia - e ela é perfeitamente alcançável. Já os Toffees continua abaixo do seu potencial.

Imagem: BBC

11 de fevereiro de 2011

Um clássico diferente

Ferguson acredita que a "superioridade histórica" do United sobre o City seja a chave para seguir comemorando vitórias no derby da cidade de Manchester

Poucos clássicos no mundo têm tantas peculiaridades como o derby mancuniano entre City e United. A rivalidade nem sempre foi o forte do confronto, já que os Citzens se tornaram definitivamente competitivos recentemente, com a compra do clube pelo Sheikh Mansour bin Zayed Al Nahyan. Juntamente com o Arsenal, Red Devils e Sky Blues travam um disputado duelo pelo título desta edição da Premier League, considerada por muitos a mais equilibrada desde a sua instituição em 1992-93.

É comum ver, entre as equipes mancunianas, jogadores que vestiram a camisa de ambos e até mesmo treinaram o rival após a aposentadoria. O lendário Sir Matt Busby, que treinou o Manchester United em dois períodos, de 1945-1969 e 1970-1971, atuou de 1928 a 1936 com a camisa do Manchester City. Um exemplo recente é o do ex-atacante Red Devil e hoje técnico do Fulham Mark Hughes, mas que em 2008-09, treinou os Citzens. Somente entre jogadores, podemos citar Peter Schmeichel, Andy Cole, Brian Kidd (hoje auxiliar de Mancini no City) e Carlos Tevez.

Outro que merece destaque é Denis Law, ex-atacante escocês que jogou pelos dois clubes e que, curiosamente, marcou os tentos que definiram o rebaixamento do rival na temporada, como este, em 1974. Apesar deste feito "negativo", Law foi homenageado pelo Man Utd com uma estátua, ao lado das lendas George Best e Bobby Charlton. Quem tem apimentado a rivalidade nos últimos tempos é o argentino Carlos Tevez, que deixou a equipe comandada por Sir Alex Ferguson para se tornar um ídolo e capitão do arqui-rival.

Embora tivemos um insosso empate sem gols no primeiro turno, o embate deste sábado, às 10h45 - horário de Brasília -, em Old Trafford tende a ser eletrizante, já que ambos precisam vencer para se manter firmes em busca do êxito na competição. Se tomarmos por base o último confronto entre Manchester United e City no Teatro dos Sonhos - um alucinante 4 a 3, com direito a gol decisivo de Micheal Owen aos 101 minutos de jogo -, infeliz será o apaixonado pelo futebol quer perder este clássico... diferente.

7 de fevereiro de 2011

Um tiro no pé

Roberto Di Matteo no seu último jogo pelo West Brom: demissão do italiano desconsidera seu bom trabalho e pode ser fatal para as pretensões do clube

Um dos grandes pilares do grande início de temporada do West Bromwich, se não o principal, foi o treinador Roberto Di Matteo. O italiano conseguiu extrair o máximo de seu competente mas limitado elenco jogando de uma maneira muito agradável de se ver, levando um dos favoritos ao rebaixamento a apenas duas derrotas nas nove primeiras partidas. Devido a isso, ele chegou a ser nomeado o treinador de setembro da Premier League, enquanto os Baggies entraram na zona de classificação para a Champions League.

Porém, os feitos quase inimagináveis conquistados por Di Matteo foram esquecidos quando o mesmo foi demitido pelo clube ontem. Uma decisão tola. O retrospecto de uma vitória nos últimos nove jogos é realmente preocupante. Porém, a opção pela demissão desconsidera todo o ótimo trabalho que tem feito na atual temporada. Ora, ninguém imaginaria que os Baggies, pela sua história recente e suas limitações, teriam grandes momentos e seriam uma equipe difícil de ser batida – é só lembrar que uma das vitórias mais injustas dos últimos tempos foi a do Manchester United em Hawthorns.

O grande mérito de Di Matteo, aliás, é o principal motivo para que se possa dizer que os dirigentes do West Brom estão dando um tiro no pé. O italiano, ao contrário de grande parte dos treinadores de equipes que sobem para a Premier League, nunca aceitou escalar sua equipe numa espécie de “zona de conforto”, jogando defensivamente - ou seja, como um verdadeiro time pequeno. Usando ideias moderadamente ofensivas, o técnico ousou, manteve um time bem armado e conseguiu trazer bons e surpreendentes resultados.

Com a sua saída, os Baggies se veem obrigados a procurar um novo treinador e ainda causam uma ruptura muito brusca no trabalho que vinha sendo feito. E aí fica a pergunta: qual será a nova mentalidade do West Brom com um novo técnico? Sim, isso pode atrapalhar e muito: afinal, já pararam para pensar nos efeitos de uma saída de Owen Coyle do Bolton ou de Ian Holloway do Blackpool, e até mesmo numa improvabilíssima de Arsene Wenger do Arsenal? As mudanças muito provavelmente seriam bem radicais para serem assimiladas, ainda mais nesse terço final de campeonato. Isso para não dizer que talvez seja inútil contratar alguém que simplesmente se entregue a um conservadorismo defensivo.

É partir disso que a reclamação de Di Matteo, surpreso ao ser demitido, ganha ainda mais fundamentos. Ele questionou a decisão de se demitir um treinador durante um momento tão importante – os próximos jogos do West Brom serão contra Wolves e West Ham, concorrentes diretos na briga contra o rebaixamento. As vezes, demitir o treinador para dar uma chacoalhado no elenco é uma boa decisão. Porém, nesse caso, parece que a mudança será em má hora e brusca demais. Ou os Baggies conseguem um alguém que arme uma equipe muito sólida – Sam Allardyce e Roy Hodgson seriam boas apostas para tal objetivo –, ou então poderão estar novamente condenados ao rebaixamento.

Imagem: Daily Mail

6 de fevereiro de 2011

26ª rodada - Comentários

Carragher bloqueia a melhor chance de Torres na partida; na sua estreia, o espanhol foi discreto e ainda viu sua nova equipe perder em casa para o antigo clube

Além de muitos gols, a 26ª rodada da Premier League foi marcada pelo tropeço dos clubes de cima: dos quatro primeiros, apenas o Manchester City venceu. A mesma rodada teve mais duas atrações: a primeira derrota do Manchester United, justo para o lanterna Wolves, e a discreta estreia de Fernando Torres pelo Chelsea. Abaixo, os comentários de cada jogo:

Stoke 3 x 2 Sunderland (Carew, Huth (2); Richardson, Gyan) – 15 bons minutos finais e 2 gols tardios do zagueiro Huth foram suficientes para os Potters vencerem. Gyan mais uma vez se virou bem sozinho no ataque dos Black Cats e deixou sua marca, mas sua defesa decidiu falhando em momentos cruciais.

Newcastle 4 x 4 Arsenal (Barton (2), Best, Tioté; Walcott, Djorou, Van Persie (2)) – Depois de abrirem 4 a 0 graças a um ataque fulminante e sucessivas jogadas que quebravam a defesa adversária, os Gunners sucumbiram diante dos Magpies. É verdade que o conjunto de Alan Pardew, com um bravo e sufocante segundo tempo, possui méritos; que a arbitragem, assinalando dois pênaltis duvidosos e expulsando Diaby e deixando Barton em campo (essencial para o empate, assim como Tioté), prejudicou. Mas nada justifica o segundo tempo dos visitantes, que não souberam segurar o placar em momento algum.

Man City 3 x 0 West Brom (Tevez (3)) – Os Citizens haviam conquistado 4 dos 9 pontos disputados e sofreram com uma defesa vacilante desde que Mancini modificou seu time para alocar Dzeko e Tevez juntos. Quando o italiano resolveu deixar o bósnio no banco, a equipe venceu sem tomar gols e com hat-trick do argentino, novamente atuando como o único atacante. Enquanto o City tenta recuperar terreno, os Baggies venceram apenas 1 dos últimos 10 jogos. E com a demissão de Roberto Di Matteo, os seus próximos passos são imprevisíveis.

Blackpool 5 x 3 Everton (Saha (4), Beckford; Baptiste, Puncheon, Adam) – Um resultado merecido para os Toffees, que viraram a partida graças a um estilo tão sufocante que impedia os Tangerines de passar do próprio campo. Saha foi sensacional, marcando quatro gols, e foi bem acompanhado por Fellaini e Beckford. Já os Seasiders provaram que possuem uma defesa muito fraca, sendo incapaz de deter o ataque adversário quando em pressão. Essa é a uma das razões para a recente queda livre do time.

Wigan 4 x 3 Blackburn (McCarthy (2), Rodallega, Watson; Roberts, Samba, Dunn) – A volta do meia James McCarthy rende bons resultados: o irlandês foi o destaque ao marcar dois gols e ajudar os Latics a vencer. A equipe faz hora extra na Premier League, mas com certos resultados e ajuda dos adversários o Wigan resiste ao rebaixamento.

Aston Villa 2 x 2 Fulham (Pantsil (contra), Walker; Johnson, Dempsey) – Pantsil desastroso: o ganês marcou o seu terceiro gol contra natemporada. Porém, nem isso impediu os Cottagers de arrancarem um empate, mesmo sem serem superiores. Houllier, ainda escalando jogadores fora de suas posições originais, continua sem fazer sua equipe decolar. Já o Fulham vem bem após seu o pífio Boxing Day: conquistou 14 dos últimos 24 pontos disputados.

Tottenham 2 x 1 Bolton (Van der Vaart, Kranjcar; Sturridge) – Pobre Bolton. Teve dois pênaltis marcados contra a equipe, um a favor não marcado e ainda perderam graças a um gol nos acréscimos. O consolo dos Wanderers é que Sturridge foi bem e marcou pela segunda vez em seu segundo jogo: o trio formado por ele, Elmander e Kevin Davies é promissor e pode dar liga. Mas que dê logo, porque o time que estava num confortável quinto posto já está num perigoso oitavo.

Wolverhampton 2 x 1 Manchester United (Elokobi, Doyle; Nani) – Com Evans no lugar de Ferdinand, os apagões defensivos voltaram a atormentar o Man Utd; porém desta vez foram fatais. Explorando muito os lados do campo, o time da casa impôs a primeira derrota ao líder em duas jogadas aéreas. Há aqui um retrospecto bizarro: limitado, os Wolves têm tudo para cair. Porém, já derrotaram Man City, Liverpool, Chelsea e impediram os Red Devils de conquistarem o título invicto.

West Ham 0 x 1 Birmingham (Zigic) – O calvário do West Ham continua: a equipe londrina jogou melhor, mas os Blues foram mais eficientes e abriram a ferida mal cicatrizada dos Hammers, impedido de ir a final da Copa da Liga pelos visitantes. O Birmingham deixa a zona de rebaixamento e não deve voltar para lá; já o West Ham, sem destino, continua lá.

Chelsea 0 x 1 Liverpool (Meireles) – Ancelotti foi a campo com Torres e Drogba no ataque e Anelka vindo de trás municiando os dois. Uma decisão equivocada: o francês esteve sumido (o que prejudicou o setor ofensivo da equipe, já ruim com um Lampard apagado), e o espanhol, muito discreto. Com isso, Dalglish se aproveitou da ineficácia do time da casa e viu seu cauteloso 3-4-2-1 ser bem eficaz: sua monstruosa defesa conseguiu se sobressair e alguns de seus contra-ataques deram resultado – foi assim que Meireles marcou. Enquanto os Blues têm problemas para achar o time ideal, os Reds estão quase alcançando o seu.

Imagem: BBC

4 de fevereiro de 2011

A hora da verdade

A chegada de Kenny Dalglish foi fundamental para a ascensão do Liverpool na tabela

Micheal Jordan uma vez disse que nos "Play-offs [fase decisiva da NBA, liga de basquete norte-americana] é onde se separa os homens dos meninos". O mesmo se aplica aos próximos cinco meses da Premier League. Mesmo sem convencer, o líder Manchester United segue invicto na liga desde abril - uma sequência de 29 jogos sem perder. É cedo para cravar se os Red Devils repetirão o feito do Arsenal de 2003-04, porém, a cada rodada, fica mais evidente que os cinco pontos de diferença para o segundo colocado e um jogo a menos colocam a equipe mancuniana como favorita ao título.

Após momentos de instabilidade, Liverpool, Chelsea e Fulham começam a recuperar o tempo perdido. Sob o comando de Kenny Dalglish, os Reds estão mais motivados e rendendo acima do esperado - vide Raúl Meireles - em campo. Na sétima colocação, o clube de Merseyside vai embolar ainda mais a briga por uma vaga na Liga Europa. Os Blues parecem ter afastado a má fase do período pós-demissão do auxiliar Ray Wilkins, e com as chegadas de David Luiz e Fernando Torres, terão condições de brigar em alto nível por uma vaga na Liga dos Campeões, ameaçada pelas ascensões de Manchester City e Tottenham Hotspur nos últimos anos. Já os Cottagers parecem finalmente ter encontrado com Mark Hughes o bom futebol que levou a equipe à final da Liga Europa na temporada passada.

O sinal amarelo está ligado para o Blackpool. Os Tangerines conseguiram manter Charlie Adam e trouxeram Kornilenko, Beattie, Reid e Puncheon. No papel, excelente. Entretanto, os reforços são claramente ofensivos, e a defesa, o calcanhar de Aquiles da equipe, não foi reforçada, seguindo exposta e falhando constantemente. Na zona do rebaixamento, o West Ham é quem, aparentemente, tem as melhores condições de brigar contra os descenso. O'Neil e Keane adicionaram qualidade aos setores mais críticos da equipe e as boas fases de Obinna e Green dão esperanças aos torcedores dos Hammers.

Após uma movimentada janela de transferências de janeiro, saberemos nos próximos meses quem brigará por alguma coisa ("homens") e quem estará "a passeio" no campeonato ("meninos").

31 de janeiro de 2011

Ataques destruidores

Agora Fernando Torres não precisará conviver com as vaias e provocações dos torcedores do Chelsea - a não ser que cometa um erro dos mais grosseiros possíveis

O Liverpool passou por apuros recentemente. Depois de praticamente concretizar a transferência de Luis Suarez e se ver com possibilidade de ter um grande ataque, com o uruguaio jogando ao lado de Fernando Torres, o espanhol requisitou sua transferência para o Chelsea. A custa de muito dinheiro, El Niño atingiu seu objetivo e fará uma dupla letal com Drogba. Sorte que os Reds conseguiram substitui-lo ao contratar Andy Carroll também por uma quantia absurda. No final das contas, todos ficaram felizes.

Porém, mais do que felizes, ficaram com ataques destruidores, provavelmente os dois melhores da Inglaterra – o do Manchester United, embora fortalecido pela ótima fase de Berbatov, está enfraquecido pela titubeante de Rooney. Os jogadores de ambas as duplas são conhecidas pelo excelente poder de finalização e alto número de gols marcados. E se Drogba e Torres já estabeleceram seus nomes no futebol atual, Carroll, a maior promessa do ataque do English Team, e Suarez, uma máquina de fazer gols na Holanda, estão muito próximo disso, só precisando provar suas forças num clube grande – ou seja, chegou a hora.

O curioso é notar que, enquanto o novo ataque traz muita esperança e um sentimento ainda maior de renovação ao Liverpool, o do Chelsea, a princípio, causa um leve incômodo na cabeça de Carlo Ancelotti. Kenny Dalglish tem em mãos uma excelente dupla de ataque, muito jovem, goleadora e não precisa fazer grandes ajustes para coloca-los na equipe. Pelo contrário: tendo os novos contratados ocupando duas vagas lá na frente, pode montar um excelente meio campo, tendo os úteis Meireles e Kuyt e Gerrard acompanhando o português no meio ou deslocado para uma das pontas – uma ótima ideia para deixar o emergente Lucas entre os titulares e colocar o eternamente apagado Maxi Rodriguez no banco.

Enquanto isso, Ancelotti provavelmente terá de fazer algumas mexidas tortuosas. Para acomodar Torres entre os titulares, poderá continuar usando seu 4-3-3 ou então começar a usar um 4-4-2. A primeira opção sacrificará alguém – provavelmente o espanhol, típico finalizador centralizado, deslocado para a ponta direita. A segunda opção, a fim de aproveitar melhor o seu potencial, assim como o de Drogba, parece mais interessante. Porém, o meio deverá ser escalado na forma de um losango, o que poderá centralizar excessivamente o jogo na zona central – uma má ideia devido às más performances de Lampard e à necessidade de ter bons laterais quando o clube não possui tais atletas para o lado direito.

Além disso, há a antiga questão: a forma física de Torres. Ela, obviamente, pode prejudicar a passagem do espanhol pelo Chelsea – como atrapalhou completamente sua participação na última Copa do Mundo. Se recuperar seu ritmo e parar de viver de lampejos que mostram que o velho El Niño está voltando, provavelmente poderá ter muito sucesso pelos Blues.

Porém, mesmo em seus tempos de muitas contusões, o espanhol conseguiu deixar sua marca constantemente. Logo, talvez não seja bom negócio cogitar seu fracasso no Chelsea caso não se veja livre do departamento médico. Tampouco usar isso de pretexto para prever qual das duas duplas será mais bem sucedida – algo que só teremos ideia quando entrarem em campo. O jeito, então, é esperar e se segurar na promessa de ver muitos gols – essa sim uma aposta extremamente válida e que não deverá falhar.

Imagem: Daylife