15 de maio de 2011

Fatalidades do futebol

Resta o consolo para o torcedor do West Ham, que no próximo ano terá que ver a equipe na Champioship

Após fazer uma temporada muito irregular, enfim, foi selado o rebaixamento do West Ham. Na tarde de hoje, os Hammers foram derrotados por 3 a 2 pelo Wigan e está matematicamente rebaixado para a Champioship.

Em alguns momentos da competição, a equipe chegou a esboçar uma reação na competição, contudo na maior parte da competição a equipe foi muito mal, não conseguindo demonstrar bom futebol, isto desde o início do campeonato.

Iniciando a temporada com um bom elenco, que contava com jogadores de nível bom, caso de Green, Upson, Hitzlsperger, Parker e Carton Cole, a equipe tinha tudo para se consolidar no top 10, vencer com facilidade as equipes de menor expressão e poder, até mesmo, ser uma pedra no sapato dos grandes, porém desde o início a equipe mostrava que a temporada não seria das mais agradáveis para o torcedor.

Os tropeços do início que foram considerados apenas acidentes de percurso e aconteceram pelo fato de a equipe ainda estar se entrosando, foram pouco a pouco gerando uma pequena crise interna e acabou resultando na demissão de Gianfranco Zola.

Para a vaga deixada pelo italiano, o israelense Avram Grant aceitou assumir o desafio de comandar o West Ham, assumindo a equipe na lanterna para buscar a reabilitação da mesma. Apesar de já se ter revelado bom técnico, Grant teve um péssimo início frente aos Hammers e a o rendimento e nível da equipe foram decaindo e logo o risco de demissão já lhe foi tomado, até que surgiu a janela de transferência e o West Ham começou a mostrar que poderia ter um final feliz na Premier League.

Com as negociações abertas, Avram se sentiu obrigado a começar a investir no time visando reforçar todos os setores do time. Chegaram os atacantes Demba Ba e Robbie Keane, o meia Hittzspelger, que já havia sido contratado mas sofreu 2 graves lesões que acabaram impossibilitando que jogasse e voltou nos primeiros meses do ano, e o lateral Wayne Bridge.

A chegada dos reforços aliada com a volta de contusão de Noble deram um novo ânimo a equipe, que iniciou uma grande série de invencibilidade que culminou com o início do segundo turno, e o sonho de se permanecer na Premier League começava a dar esboços de que se tornaria realidade, porém a sequência final tinha confrontos contra adversário diretos pela briga pela zona da degola e times grandes, como Manchester United e Manchester City, não tardando para que o calvário voltasse a girar em torno dos Hammers.

A irregularidade voltou a prevalecer, a equipe não conseguia mais apresentar o excelente futebol que vinha apresentando e o rebaixamento passou a ser algo iminente, e mesmo com um bom técnico e um bom elenco a equipe não conseguiu se recuperar, como consequência veio o rebaixamento, que veio da pior forma possível com os Hammers ficando na lanterna.

Como explicar uma equipe de nível bom igual ao West Ham ter um fim da forma que veio? É mais uma ação das fatalidades do futebol...

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

Manchester em festa

Neste sábado, United e City confirmaram o favoritismoe sagraram-se campeões da Premier League e da FA Cup, respectivamente

A cidade de Manchester está fazendo a festa e não é a toa. As duas equipes de futebol da cidade: o Manchester United e o Manchester City, conquistaram dois importantes títulos neste sábado. O primeiro sofreu, mas conseguiu arrancar um empate diante do Blackburn e se sagrar campeão da Premier League com uma rodada de antecedência, já o City venceu o Stoke e conquistou a FA Cup.

Estes dois título surgem para coroar duas coisa bem distintas das duas equipes. O título da Premier League vem para enaltecer uma brilhante campanha dos Red Devils na competição, enquanto isso, o City não fez uma temporada das mais brilhante frente a todo dinheiro investido na equipe mas conseguiu conquistar pelo menos um título nessa temporada.

Em um Campeonato Inglês que esta temporada apresentou certo equilíbrio, os Red Devils conseguiram chegar a ponta no momento certo e aos poucos se aproveitando dos tropeços dos outros clubes abriram vantagem que quando os outros clubes foram buscar retirá-la, o campeonato já estava no fim. 

O United mereceu ganhar esse título pelo fato de ter conseguido equilibrar de forma perfeita todas as competições que disputou, entretanto chegou ao título da liga nacional e briga pelo da Champions, consolidando a grande força de seu elenco, resumindo, foi soberano nesta temporada e não deu outra: 19° título da equipe na Premier League.

Já o City investiu muito no início, aliando contratações de grande quilate, como Yaya Touré, Davi Silva, Balotelli..., a um time bom. Consquentemente foi considerado grande favorito aos campeonatos que disputaria, condição plena para a equipe, que na minha opinião, tem o melhor elenco nome-a-nome da Inglaterra, entretanto, na prática é outra história, e a equipe colecionou altos e baixos e campanhas de nível ruim frente a todo investimento.

Na competição que teria menos chance de ser surpreendido, a FA Cup, foi a que os citizens apresentaram um melhor desempenho e com boas atuações foram chegando, até que na semifinal, tiveram a prova de fogo diante do rival de Manchester, e a vitória veio, chegando na final como favorito, a equipe dominou, venceu o Stoke e foi campeão.

A cidade de Mancheseter está em merecida festa, duas campanhas muito boas, tanto do United na Premier League como do City na FA Cup, grandes vitórias, grandes títulos, em uma grande temporada do United e uma grande campanha para o City.

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

10 de maio de 2011

Repeteco

Devido ao começo ruim de temporada, a grande conquista do Everton será mesmo a vitória sobre o Chelsea nos pênaltis fora de casa pela FA Cup

A vitória do Everton sobre o Manchester City por 2 a 1 no último sábado ratificou o bom momento vivido pelos Toffees em 2011. A equipe de Liverpool vem se recuperando do péssimo início de campeonato, quando chegou a flertar por um bom tempo com a zona de rebaixamento, e no momento se encontra na sétima posição. Porém, tal recuperação não seria necessária se o clube tivesse aprendido a lição do ano passado.

Tudo o que os Toffees fizeram nessa temporada foi repetir o que fizeram na época passada. Na temporada 2009/10, o Everton também começou o campeonato de maneira lamentável; porém, se recuperou com maestria, chegando a perder apenas 2 das 19 partidas em 2010. Na atual campanha, após um começo igualmente fraco, a arrancada no segundo turno também está sendo excelente: desde a derrota para o Arsenal no começo de fevereiro, o conjunto de David Moyes já venceu 7 dos últimos 12 jogos e conquistou 24 dos 36 pontos disputados. O que deveria ser motivo para comemoração, no entanto, só deixa um gosto amargo.

Vendo o Tottenham fazendo força para não se classificar para a Liga Europa e o Liverpool, que iniciou sua recuperação antes do seu maior rival, perto de roubar a vaga dos Spurs, a sensação que fica é que o Everton também poderia estar brigando por uma vaga na competição se não tivesse tropeçado tanto, principalmente em 2010. A 5 pontos dos londrinos, é quase impossível pensar que os Toffees conseguirão a milagrosa classificação. Para piorar, essa será a segunda temporada consecutiva em que o clube terminará a Premier League fora da zona de classificações para competições continentais. Algo muito ruim para quem precisa de melhorias nas receitas – a condição financeira do clube, embora não seja necessariamente ruim, também não é das melhores.

Como consolo, fica a curiosa maneira como o Everton conseguiu se recuperar. David Moyes conseguiu fazer seu time engrenar justamente quando se viu sem suas principais peças. Com Pienaar se transferindo para o Tottenham, Fellaini, Cahill e Arteta se machucando quase que simultaneamente e Saha sofrendo com as costumeiras lesões, o treinador conseguiu manter a qualidade do time mesmo tendo o seu setor mais forte bem desfigurado. Houve vezes em que o banco de sua equipe era formado por jovens jogadores que mal haviam jogado uma partida oficial. Por sorte, os substitutos, sobretudo um fantástico Osman, conseguiram dar conta do recado. Só não foi possível mesmo praticar o milagre de colocar o conjunto na zona de classificação para torneios europeus.

Sem muito dinheiro para se reforçar, é bem capaz que o elenco do Everton seja praticamente o mesmo para a próxima temporada. Caberá a todos manter um alto nível de concentração e aplicação para que o apagão do primeiro turno não se torne uma coisa rotineira pelos lados de Goodison Park.

8 de maio de 2011

Um patinho feio muito útil

Com Park em campo, o Manchester United perde em criatividade, mas ganha um jogador muito dedicado e útil taticamente

Quem acompanha o Manchester United com certa frequência sabe que Sir Alex Ferguson geralmente escala Park Ji-Sung em praticamente todos os jogos importantes, devido a sua grande utilidade tática. Mesmo sabendo disso, não deixou de ser um pouco estranho ver Nani, um dos três melhores jogadores da atual edição da Premier League e líder de assistências do campeonato, ser preterido pelo sul-coreano no duelo contra o Chelsea.

Já ficou provado nessa temporada que Nani é mais jogador que Park, até porque este, mesmo sabendo jogar com a bola nos pés, não é nenhum craque. O português é bem mais habilidoso e tem maior virtude de criar grandes chances para sua equipe do que o asiático. Porém, a capacidade do sul-coreano taticamente é tão boa que sua escalação se torna justificável em muitas ocasiões. Hoje foi um desses dias: o ex-jogador do PSV, além de dar o passe para o gol de Chicharito, ajudou muito o meio-campo, sobretudo na sua parceria com Giggs pelo lado esquerdo daquele setor e foi extremamente combativo na marcação. Não à toa, foi um dos melhores nomes dos Red Devils contra os Blues.

Ofensivamente inferior a Nani e Valencia, porém sempre pronto para ajudar o time nos momentos decisivos, Park é mais do que uma espécie de patinho feio do Manchester United. É também um símbolo da tão temida eficiência do Manchester United. Alex Ferguson pode muitas vezes limitar sua equipe a um estilo de jogo não tão vistoso e/ou ofensivo, mas a verdade é que dessa forma quase sempre consegue os resultados que precisa para vencer. Park, com sua grande entrega e utilidade coletiva, é quase sempre uma das peças-chave para essas conquistas, dando menos brilho ao time mas aumentando demais a pegada no meio campo e dificultando as ações do adversário.

A tal eficiência do Manchester United já deu bons resultados nessa temporada: graças a ela, a equipe já está na final da Champions League e a um ponto do título da Premier League. Goste ou não dos times mais insossos de Ferguson, eles quase sempre trazem algo de bom. E goste ou não do estilo de Park, ele, com sua extrema dedicação e entrega, também é um jogador bem importante para o elenco dos Red Devils.

Imagem: Zimbio

36ª rodada - Comentários

Vidic marcou o segundo do Manchester United na partida contra o Chelsea e ajudou os Red Devils a ficarem muito perto do título

Na maior atração da 36ª rodada, o Manchester United derrotou o Chelsea por 2 a 1 e ficou muito próximo do título inglês. Precisando de apenas mais um ponto em partidas contra Blackburn e Blackpool, é quase impossível pensar que os Red Devils, time consistente e muito eficaz, deixarão esse título escapar. Na parte de baixo da tabela, a rodada viu os Wolves deixarem a zona de rebaixamento e empurrarem o Blackpool para lá. Abaixo, você confere os comentários de cada jogo. Aqui, a classificação geral do campeonato.

Aston Villa 1 x 1 Wigan (Ashley Young; N’Zogbia) – Heskey conseguiu ser o centro das atenções por não ter sido expulso após grave confronto com o árbitro no final do primeiro tempo e na saída do vestiário. Fora isso, tudo o que se viu foi mais uma partida ruim do time da casa e outra contribuição decisiva de N’Zogbia para os visitantes – o francês provavelmente tem sido o principal jogador do Wigan a essa altura do campeonato. O empate deixou o Villa na 14ª posição, com 42 pontos. Já os Latics estão na 19ª, com 36. A equipe de Roberto Martinez, aliás, é aquela que mais vem merecendo não cair: embora seja a mais cotada para descer, é o clube que mais vem lutando contra suas limitações. Melhor dizendo, é a que tem feito menos força para ir para a Championship.

Bolton 1 x 2 Sunderland (Klasnic; Zenden, Knight (contra)) – Méritos para o Sunderland, que aproveitou a ineficácia dos anfitriões no ataque e buscaram uma vitória fora de casa, mesmo jogando sem homens de frente – e é bom que se diga que Sessegnon, improvisado como atacante, se saiu muito bem. Porém, é impossível não lamentar a derrota do Bolton: o resultado negativo escancara o irregular momento da equipe de Owen Coyle no final da temporada, que pode dar um final amargo a um conjunto que brilhou muito em 2010 e 2011. Os Wanderers, estacionados nos 49 pontos, caíram para a 9ª posição. Os Black Cats, agora com 44 pontos, estão em 12º.

Everton 2 x 1 Manchester City (Distin, Osman; Yaya Touré) – Uma derrota difícil de aceitar para o Manchester City. A equipe de Mancini fez um excelente primeiro tempo, poderia ter matado o jogo mas foi engolida pelo Everton na segunda etapa, quando os comandados de David Moyes tiveram um excelente desempenho. Com o resultado, os Citizens, em 4º, com 62 pontos, perderam a chance de garantir vaga na Champions League. Já os Toffees, agora com 51 pontos, pularam para a 7ª posição e têm ainda mais motivos para se lamentar do primeiro turno irregular que tiveram – se não fosse por isso, estariam brigando por vaga na Liga Europa.

Newcastle 2 x 1 Birmingham (Ameobi, Taylor; Bowyer) – Como na partida contra os Wolves, o Birmingham foi prejudicado por passar boa parte do jogo com dez homens – o zagueiro Ridgwell foi expulso ainda no primeiro tempo. Os visitantes até estiveram perto do empate, mas não conseguiram superar o fato de ter um a menos, o ótimo primeiro tempo do Newcastle e a grande exibição de Barton, claramente um dos melhores do time na temporada. Os Magpies, com a vitória, estão em 11º, com 44 pontos. Já os Blues ainda não estão livres do rebaixamento: com 39 pontos, caíram para 16º e já foram até ultrapassados pelo Blackburn.

West Ham 1 x 1 Blackburn (Hitzlsperger; Roberts) – Difícil precisar a atuação do West Ham. Por um lado, não foram exatamente dominados pelo Blackburn, mas assistiram passivamente os visitantes cozinharem o jogo por um bom tempo. Porém, por outro, teriam conseguido os três pontos se Cole e principalmente Robbie Keane não tivessem perdido grandes chances ao fim da partida. Fato é que os anfitriões se complicaram ainda mais na luta contra o rebaixamento, embora Avram Grant continue achando que a equipe está no caminho certo. Os Hammers, com 33 pontos, seguram a lanterna do campeonato. Já os Rovers, com 39 pontos, pularam para 15º. Estes, aliás, ao conquistar 4 dos últimos 6 pontos e terem limitado um adversário direto a apenas um empate em casa, deram um grande passo para não cair.

Tottenham 1 x 1 Blackpool (Defoe; Adam) – O Tottenham tem tido problemas para derrotar equipes que se situam na equipe da tabela e não tem conseguido bons resultados na reta final de temporada. Ambos os defeitos voltaram a aparecer e foram fundamentais para que os londrinos colecionassem mais um decepcionante resultado, que seria pior se Defoe não tivesse marcado já nos últimos minutos. Os Spurs até mereciam a vitória, mas não conseguiram transformar seu domínio em gols graças ao mal desempenho dos atacantes. Agora, os Spurs estão em 5º, com 56 pontos, e o Blackpool, sem vencer desde fevereiro, em 18º, com 36. Importante registrar que Bale saiu machucado após dura entrada de Adam e pode ter se machucado seriamente.

Wolverhampton 3 x 1 West Brom (Fletcher (2), Guédioura; Odemwingie) – Boas atuações de Fletcher, Ward e Hunt e cochilo do West Brom, sem chances de ser rebaixado, permitiram ao time da casa abrir 3 a 0 logo no início do segundo tempo. A equipe de Roy Hodgson ainda tentou se recuperar, mas boas defesas de Hennessey impediram tal coisa. É bom que se diga que os Wolves são a prova de que a briga contra o descenso não é de quem quer se salvar, e sim de quem faz questão de cair: bastou uma vitória após cinco jogos de seca para o conjunto de Mick McCarthy, com 37 pontos, deixar a zona de rebaixamento. Os Baggies, com 43 pontos, estão em 13º.

Stoke 3 x 1 Arsenal (Jones, Pennant, Walters; van Persie) – A remota chance do Arsenal ser campeão finalmente foi pelo ralo com essa derrota. E a queda foi dura: o Stoke, que preferiu jogar com os titulares mesmo tendo a final da FA Cup no próximo fim de semana, jogou muito melhor e poderia ter até mesmo goleado o seu apático adversário. Uma ironia: jogou melhor justamente aquele que pratica o futebol mais feio da Premier League, num encontro contra quem pratica o mais vistoso da Inglaterra. Jogando feio ou não, os Potters estão na 8ª posição, com 46 pontos. Os Gunners estão em 3º, com 67.

Manchester United 2 x 1 Chelsea (Hernandez, Vidic; Lampard) – O Manchester United teria uma vida mais tranquila se mantivesse o domínio dos primeiros 45 minutos na etapa final e se tivesse um aproveitamento melhor nas finalizações após o gol dos visitantes, que se lançaram ao ataque e se esqueceram de defender. Sorte que as atuações de Park, Rooney e van der Sar foram tão boas no primeiro tempo que a partida foi liquidada ali mesmo, diante de um Chelsea apático e nervoso. Com a vitória, os Red Devils abriram uma diferença de seis pontos na liderança e só precisam de um mísero ponto contra Blackburn (fora) e Blackpool (casa) para serem campeões. Já os Blues, se ainda sonham com a taça, precisam torcer muito pelo improvável e ainda por cima fazer o seu papel na última rodada, quando terão pela frente o Everton fora de casa.

Imagem: BBC

2 de maio de 2011

Bom para todos

Saída de Roy Hodgson foi boa para o Liverpool, que pode ter um bem sucedido Kenny Dalglish de volta, e para o West Brom, que viu no inglês a salvação contra o rebaixamento

Na 11ª posição, com 43 pontos e a oito da zona de rebaixamento, o West Brom está quase sem chances de ser rebaixado. Se o clube precisa agradecer a alguém por isso, deve se dirigir rapidamente para Roy Hodgson. O treinador, contratado em fevereiro, justificou a aposta arriscada da diretoria ao demitir Roberto Di Matteo e recuperou uma equipe que estava em baixa.

Nessa curta, porém produtiva, caminhada, Hodgson não praticou nenhum milagre. Ao invés disso, se utilizou dos mesmos métodos usados para fazer sucesso recentemente no Fulham: aproveitou o bom elenco que tinha em mãos, deu confiança a ele e, ao implementar um esquema de jogo simples, montou uma equipe sólida. Sem craques à disposição mas podendo contar com peças muito úteis, como os meias Mulumbu, Morrison e Brunt e o atacante Odenwingie (com 14 gols e 8 assistências, foi uma das melhores aquisições da temporada – e só custou um milhão de euros!), o treinador pode capitanear a reação da equipe.

Os resultados estão aí: em dez jogos, os Baggies só perderam uma vez (em casa para o embalado Chelsea), venceram em cinco oportunidades e empataram em outras quatro, se afastando da zona de rebaixamento com louvor e quase encostando no top 10 inglês. Ao conquistar 19 dos 30 pontos que disputou, Hodgson contrariou as antigas previsões do clube, que até pouco tempo era conhecido como o ioiô inglês (sempre vagando entre a Premier League e a Championship), e ainda recuperou seu prestígio perdido no Liverpool. Este clube, aliás, também vem se dando muito bem com seu novo técnico.

A campanha de Kenny Dalglish com o Liverpool é tão fantástica quanto a de Hodgson com o West Brom. Ao conquistar 30 dos 45 pontos que disputou, o escocês levou um time desacreditado do 12º ao 5º lugar. Brigar por uma vaga na Champions League é bem difícil, mas tirar a vaga do Tottenham na Liga Europa já se tornou uma realidade.

Assim como o seu antecessor já em Hawthorns, Dalglish não fez nenhum milagre em Anfield. Porém, contou com a ajuda essencial de Steve Clarke na comissão técnica (ajudou muito a acertar a defesa da equipe e foi a contratação de janeiro tão útil quanto Suarez) e soube trabalhar com o que tinha em mãos. Sem Gerrard, sem wingers e com muitos desfalques, ele foi bem sucedido quando teve que colocar alguns jovens “na fogueira” e viu Raul Meireles, Lucas, Kuyt e todo seu setor defensivo crescerem demais de produção. Com os tropeços do Tottenham e uma preocupante irregularidade do Manchester City recentemente, os Reds poderiam até conquistar a última vaga para a Champions League se mais algumas rodadas fossem disputadas.

No fim das contas, a saída de Roy Hodgson foi benéfica para os dois clubes. O West Brom pode achar um ótimo nome no mercado para substituir Roberto Di Matteo e tem sua vaga na próxima Premier League quase garantida. Já o Liverpool pode ver a sua maior lenda de volta ao clube tendo uma passagem muito bem sucedida, para deleite dos fãs. Para o treinador inglês, infelizmente fica a frustração de não ter tido sucesso a frente de uma equipe de tradição; porém, ao menos manteve sua reputação ao ter um grande desempenho com os Baggies.

O curioso é que... Mark Hughes, que substituiu Roy Hodgson no Fulham quando este foi para o Liverpool, também vem tendo sucesso. O começo foi bem ruim e, após uma série de empates seguidas de preocupantes derrotas, os Cottagers chegaram a estar na zona de rebaixamento, quando perderam para o West Ham em casa no Boxing Day. Ali, houve muita gente que achou que a passagem do ex-treinador do Manchester City em Craven Cottage estava acabada.

Ainda bem que a diretoria do clube não resolveu demiti-lo. Desde então, Hughes vem fazendo ótimo trabalho a frente da equipe: seu time conquistou 29 dos 48 pontos disputados e agora está na 9ª posição, com 45 pontos. Para chegar a esse lugar, foi fundamental o retorno de vários jogadores contundidos durante a primeira parte do campeonato (como o essencial atacante Zamora). Sem craques mas sabendo explorar o potencial de cada jogador, como na era Hodgson, Mark Hughes será outro a ter um final tranquilo de temporada.

Imagem: Zimbio