
Nos próximos dias, as atividades do blog ficam por conta da apresentação dos perfis das sete principais equipes da Premier League para a temporada 2010-11. Os recursos financeiros ou mesmo o trabalho consistente dos clubes em questão criam um abismo prévio entre eles e os outros 13 conjuntos que jogarão a divisão superior do futebol inglês. Ainda que não ignoremos nenhum time, Chelsea, Manchester United, Arsenal, Tottenham, Manchester City, Aston Villa e Liverpool justificam postagens exclusivamente dedicadas a eles. A série começa com o sétimo colocado de 2009-10, o novo clube de Roy Hodgson:
Quando Yossi Benayoun atribuiu a Rafa Benítez a responsabilidade por sua saída do Liverpool, um grande problema da gestão do espanhol veio à tona. Ainda que seja um treinador excepcional, o estudioso comandante se notabilizou, nos últimos anos em Anfield, pelas apostas controversas. Uma delas, diziam em 2007, teria sido o próprio Benayoun. Entretanto, o israelense surpreendeu os mais céticos e teve três temporadas muito positivas em Merseyside. Mesmo assim, segundo o novo jogador do Chelsea, Benítez minava sua confiança. Com Riera, que não foi exatamente um sucesso no clube, a relação teve o mesmo teor. A questão é que Rafa não compensava suas extravagâncias no mercado com um bom ambiente: após seis anos, quase ninguém o aguentava.
Por isso, sua mudança para Milão soa interessante. Após doze anos de comando estrangeiro, o Liverpool volta a ter um treinador britânico. Nesse grupo, não havia muitos nomes melhores do que Roy Hodgson, o maestro da incrível recuperação do Fulham, que tinha sua queda ao Championship anunciada há quatro temporadas. Por outro lado, a característica mais notável do trabalho de Hodgson no Craven Cottage, quando interpretada de modo pessimista, causa choro e ranger de dentes em Anfield: ele se notabilizou por fazer muito com muito pouco. A sétima posição na temporada passada, as incertezas quanto à direção do clube e a opção por Roy implicariam um redimensionamento?
Duas temporadas depois de o time se aproximar efetivamente do primeiro título na Premier League, essa é uma realidade que precisa ser afastada imediatamente. E aqui aparece a grande responsabilidade de Hodgson. Mesmo que o futuro do Liverpool dependa mais dos recursos liberados pela nova cúpula do que de qualquer outra coisa, é o treinador quem vai determinar as indicações, os vetos, a mentalidade do grupo. Nesse sentido, ele parece ter começado bem. Ao conter o ímpeto dos clubes interessados em Gerrard e Torres, o treinador começa a cumprir o mais essencial pré-requisito para pretensões mais ousadas.
A temporada patética não exige revolução. Afinal, os grandes fracassos recentes ficam restritos a ela. Sob novos gestores em todas as vertentes, o Liverpool precisa de reparos e de profundidade. Se Gerrard e Torres seguirem mesmo em Anfield, o clube mantém intocável o status imponente. A partir daí, Hodgson tem de agir de forma cirúrgica. Por exemplo, a venda de Insúa para a Fiorentina deixa o elenco sem laterais-esquerdos. Assim, a negociação pelo bom hondurenho Maynor Figueroa, do Wigan, precisa ser acelerada. Além disso, caso não possa garimpar outro jogador para a posição nas categorias de base (a princípio, não há nenhum claro destaque), o novo manager tem a obrigação de procurar uma alternativa economicamente viável.
Assim, uma etapa importante são as capturas de free agents. Até certo ponto, o Liverpool pode conservar os 10 milhões de libras oriundos das transferências de Benayoun e Insúa se agir habilmente, como na contratação sem custos do left winger Milan Jovanovic, ex-Standard Liège. Este, por sinal, chega para ser a primeira opção para a banda esquerda do meio-campo. Acostumados a Harry Kewell, Sebástian Leto, Albert Riera e Ryan Babel, os torcedores recebem de braços abertos o sérvio, um dos principais nomes de sua seleção nacional no último ciclo. Incisivo, Jovanovic deve marcar muitos gols e representar um apoio ofensivo que permita a Hodgson a disposição do time no 4-4-2 com Gerrard efetivamente no ataque, opção que, embora ignorada, ganhou muitos entusiastas até para a seleção.
O Liverpool precisa de cinco aquisições: um lateral esquerdo, um lateral versátil (sim, Arbeloa faz falta), um winger (Joe Cole é free agent, vale lembrar) e dois atacantes (especula-se Loic Remy, bom jovem francês do Nice). É fundamental que se compreenda que Torres não é uma panaceia, a solução para todos os problemas. Ele se machuca com frequência e precisa de uma cobertura decente, o que não se vê desde a infeliz venda de Robbie Keane. Outro ponto importante é a utilização dos excelentes Pacheco e Nemeth, atacantes que se destacam na base há muito tempo e não foram aproveitados por Benítez. Se Hodgson tiver essa mentalidade e os recursos para executá-la, a tendência é que o conjunto seja equilibrado e retorne à Liga dos Campeões em 2011.
Possível formação titular: Reina; Johnson, Carragher, Skrtel, Figueroa; Kuyt, Mascherano, Aquilani, Jovanovic; Gerrard, Torres.
Atualização: Com a contratação de Joe Cole, Hodgson ganha um meia extremamente habilidoso, porém fisicamente instável. Uma de suas melhores características é a versatilidade, que dará várias opções ao treinador do Liverpool. Cole pode ser um winger tradicional ou um dos três meias - em qualquer posição - de um eventual 4-2-3-1.
Imagem: A Bola
Quando Yossi Benayoun atribuiu a Rafa Benítez a responsabilidade por sua saída do Liverpool, um grande problema da gestão do espanhol veio à tona. Ainda que seja um treinador excepcional, o estudioso comandante se notabilizou, nos últimos anos em Anfield, pelas apostas controversas. Uma delas, diziam em 2007, teria sido o próprio Benayoun. Entretanto, o israelense surpreendeu os mais céticos e teve três temporadas muito positivas em Merseyside. Mesmo assim, segundo o novo jogador do Chelsea, Benítez minava sua confiança. Com Riera, que não foi exatamente um sucesso no clube, a relação teve o mesmo teor. A questão é que Rafa não compensava suas extravagâncias no mercado com um bom ambiente: após seis anos, quase ninguém o aguentava.
Por isso, sua mudança para Milão soa interessante. Após doze anos de comando estrangeiro, o Liverpool volta a ter um treinador britânico. Nesse grupo, não havia muitos nomes melhores do que Roy Hodgson, o maestro da incrível recuperação do Fulham, que tinha sua queda ao Championship anunciada há quatro temporadas. Por outro lado, a característica mais notável do trabalho de Hodgson no Craven Cottage, quando interpretada de modo pessimista, causa choro e ranger de dentes em Anfield: ele se notabilizou por fazer muito com muito pouco. A sétima posição na temporada passada, as incertezas quanto à direção do clube e a opção por Roy implicariam um redimensionamento?
Duas temporadas depois de o time se aproximar efetivamente do primeiro título na Premier League, essa é uma realidade que precisa ser afastada imediatamente. E aqui aparece a grande responsabilidade de Hodgson. Mesmo que o futuro do Liverpool dependa mais dos recursos liberados pela nova cúpula do que de qualquer outra coisa, é o treinador quem vai determinar as indicações, os vetos, a mentalidade do grupo. Nesse sentido, ele parece ter começado bem. Ao conter o ímpeto dos clubes interessados em Gerrard e Torres, o treinador começa a cumprir o mais essencial pré-requisito para pretensões mais ousadas.
A temporada patética não exige revolução. Afinal, os grandes fracassos recentes ficam restritos a ela. Sob novos gestores em todas as vertentes, o Liverpool precisa de reparos e de profundidade. Se Gerrard e Torres seguirem mesmo em Anfield, o clube mantém intocável o status imponente. A partir daí, Hodgson tem de agir de forma cirúrgica. Por exemplo, a venda de Insúa para a Fiorentina deixa o elenco sem laterais-esquerdos. Assim, a negociação pelo bom hondurenho Maynor Figueroa, do Wigan, precisa ser acelerada. Além disso, caso não possa garimpar outro jogador para a posição nas categorias de base (a princípio, não há nenhum claro destaque), o novo manager tem a obrigação de procurar uma alternativa economicamente viável.
Assim, uma etapa importante são as capturas de free agents. Até certo ponto, o Liverpool pode conservar os 10 milhões de libras oriundos das transferências de Benayoun e Insúa se agir habilmente, como na contratação sem custos do left winger Milan Jovanovic, ex-Standard Liège. Este, por sinal, chega para ser a primeira opção para a banda esquerda do meio-campo. Acostumados a Harry Kewell, Sebástian Leto, Albert Riera e Ryan Babel, os torcedores recebem de braços abertos o sérvio, um dos principais nomes de sua seleção nacional no último ciclo. Incisivo, Jovanovic deve marcar muitos gols e representar um apoio ofensivo que permita a Hodgson a disposição do time no 4-4-2 com Gerrard efetivamente no ataque, opção que, embora ignorada, ganhou muitos entusiastas até para a seleção.
O Liverpool precisa de cinco aquisições: um lateral esquerdo, um lateral versátil (sim, Arbeloa faz falta), um winger (Joe Cole é free agent, vale lembrar) e dois atacantes (especula-se Loic Remy, bom jovem francês do Nice). É fundamental que se compreenda que Torres não é uma panaceia, a solução para todos os problemas. Ele se machuca com frequência e precisa de uma cobertura decente, o que não se vê desde a infeliz venda de Robbie Keane. Outro ponto importante é a utilização dos excelentes Pacheco e Nemeth, atacantes que se destacam na base há muito tempo e não foram aproveitados por Benítez. Se Hodgson tiver essa mentalidade e os recursos para executá-la, a tendência é que o conjunto seja equilibrado e retorne à Liga dos Campeões em 2011.
Possível formação titular: Reina; Johnson, Carragher, Skrtel, Figueroa; Kuyt, Mascherano, Aquilani, Jovanovic; Gerrard, Torres.
Atualização: Com a contratação de Joe Cole, Hodgson ganha um meia extremamente habilidoso, porém fisicamente instável. Uma de suas melhores características é a versatilidade, que dará várias opções ao treinador do Liverpool. Cole pode ser um winger tradicional ou um dos três meias - em qualquer posição - de um eventual 4-2-3-1.
Imagem: A Bola
3 comentários:
Jovanovic, de fato, é um excelente reforço. O sérvio não fez uma Copa brilhante, mas é fundamental será fundamental para esse novo time do Liverpool.
Gostaria de fazer parceria de links? O meu blog: http://boleiragemtatica.wordpress.com
Forte Abraço
Parabéns, Daniel.
Este blog é do mesmo nível ou melhor do que o outro.
Vi o bertosi indicando o blog e vim dar uma olhada.
Abraços
Sem dúvida, amigo. Já adicionei o endereço do blog às recomendações.
Valeu, Thiago. Gradualmente, vamos tentar intensificar o ritmo por aqui.
Abraços.
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