Digamos que o setubalense tenha aprendido com alguém muito competente: Sir Bobby Robson, que faleceu há pouco mais de dois meses. Mourinho acompanhou Robson, como tradutor e depois como treinador adjunto, no Sporting, no Porto e no Barcelona.
Em 2000, como treinador interino, Mourinho teve uma rápida e boa experiência no Benfica, para depois assumir o União de Leiria. Destacou-se e, em janeiro de 2002, foi chamado para substituir Octávio Machado no Porto. Terminou a temporada na terceira colocação, mas, taxativo, garantiu na época seguinte que levaria os Dragões ao título nacional (o vídeo é muito divertido!).
Arrogante, bem-humorado ou realista? Não sei dizer. Apenas afirmo que Mourinho cumpriu e ultrapassou a promessa, sendo bicampeão português e vitorioso na Copa da UEFA 2002/03. Além disso, em 2003/04, venceu de forma brilhante a Liga dos Campeões, sua maior conquista em todos os aspectos. A Península Ibérica havia ficado pequena para a "prepotência consciente" e a competência do treinador. Ele era o homem a levar o recém-abastado Chelsea, de Roman Abramovich, a tempos de glórias.
E assim o fez. O lusitano foi bicampeão da Premier League, de forma a dar aos Blues seus primeiros títulos no campeonato nacional após 50 anos. Em sua coletiva de apresentação no clube, dizia ser o Special One, ou seja, um treinador muito competente, com capacidades especiais. E ele sempre acaba por fazer jus a suas afirmações. Além dos dois troféus na Premier League, Mourinho levou também uma Copa da Inglaterra, duas Copas da Liga e uma Supercopa da Inglaterra.
Sua grande frustração, certamente, foi não ter levado os Blues à conquista da Liga dos Campeões. Os insucessos na competição europeia, o vice-campeonato inglês em 2006/07 e a personalidade forte do treinador desgastaram sua relação com o proprietário do clube, Roman Abramovich. Assim, poucos maus resultados no começo de 2007/08 foram suficientes para o rompimento da relação Mourinho-Chelsea após mais de três anos de parceria.
Na temporada seguinte, o português voltou à tona pela Internazionale. Talvez alfinetando o Chelsea, Mourinho preferiu não dizer que era especial. "Especial é a Inter", sentenciou, fazendo referência à rica história do clube, algo de que os Blues ainda não podem se orgulhar. Apesar de ter conquistado a Serie A 2008/09, está claro que o treinador ainda não chegou a seu ápice na Itália. Afinal, ele não venceu seus últimos sete jogos na Liga dos Campeões.
De toda forma, será impossível não lembrar de Mourinho quando assistirmos a Chelsea x Liverpool, no próximo domingo. Na Premier League, o português costumava levar vantagem sobre o espanhol Rafa Benítez, treinador dos Reds. Mas, na Liga dos Campeões, o trabalho nunca foi simples para o Special One, eliminado em Anfield Road em duas semifinais (2005 e 2007).
O vídeo abaixo mostra a comemoração do Liverpool após a vitória sobre os Blues na semifinal de 2005. O conjunto de Benítez era muito limitado, e o de Mourinho talvez tenha sido o melhor Chelsea de todos os tempos. Por isso, tamanha festa. Mas o que chama a atenção neste vídeo (na parte final dele, para ser mais específico) é a gentileza do treinador português, que cumprimentou vários adversários e saiu aplaudindo os torcedores locais.
O homem que pisa em outrem nas entrevistas também é capaz de belas manifestações. Daí, Mourinho ser tão popular. Controverso em algumas ações e muito competente em termos táticos e de gestão de recursos, ele é ídolo dos adeptos do Chelsea até hoje.
Foto: Daily Mail


