12 de fevereiro de 2010

Campanha não atrai jogadores da Premier League

Um fato curioso chamou a atenção na terra da rainha: nenhum jogador aceitou participar de uma campanha contra a homofobia.

A curiosidade se deve ao grande número de ações envolvendo atletas de todo o mundo no combate ao racismo - seja ele de qualquer tipo. Ainda assim, a Associação de Jogadores Profissionais Ingleses (PFA) não conseguiu encontrar um jogador sequer a aderir a essa campanha.

A não participação dos jogadores acaba com a ideia da Federação Inglesa de realizar um videoclipe com as estrelas da Premier League para encabeçar essa campanha. O diretor-geral da PFA, Gordon Taylor, disse entender o lado dos jogadores, pois temas como esse não são fáceis de se abordar. Até bem pouco tempo atrás, os "jogadores negros também não gostavam de abordar a questão racial", disse Taylor.

Muitas vezes o que impede um jogador de aderir é o fato de temer comentários maldosos. O exemplo clássico dessa situação é John Fashanu. Na década de 90, o jogador acabou assumindo sua opção sexual e foi perseguido e insultado por torcedores nos estádios, o que o fez se exilar nos Estados Unidos, onde acabou se suicidando em 1998.

Até mesmo entre os jogadores há o preconceito. Vale lembrar o caso de Rio Ferdinand, zagueiro do Manchester United e da seleção inglesa, que insultou um radialista por sua homossexualidade. Pelo menos esse episódio serviu para que Ferdinand observasse a questão com outros olhos e fosse um dos primeiros jogadores a denunciar canções homofóbicas nos estádios.

No futebol inglês, bem como em vários outros países, há a necessidade de um combate a essas atitudes racistas e discriminatórias dentro dos estádios. Sem uma política a respeito, o que se tem visto é a presença cada vez mais marcante de canções homofóbicas no cenário esportivo.

Há que se fazer algo, pois o esporte conhecido por dar iguais condições a todos praticarem - ricos, pobres, negros, brancos asiáticos, etc - não pode aceitar que atitudes como essas manchem a imagem do futebol, tão popular em todo o mundo.

9 de fevereiro de 2010

Indícios de queda e amadorismo

Respeitando a mensagem, torcedores do West Ham devem descer a ladeira

Sob a batuta da academia que revelou Frank Lampard, Jermain Defoe, Glen Johnson, Joe Cole, Michael Carrick e os irmãos Ferdinand, o West Ham se recompôs. O italiano Gianfranco Zola se comportou como um autêntico treinador promissor ao liderar uma equipe repleta de jovens jogadores à ótima nona posição na Premier League 2008/09. No entanto, os Hammers de 2009/10, praticamente os mesmos da temporada passada, entraram em colapso. Os londrinos do Upton Park começaram mal, esboçaram uma recuperação, mas marcaram apenas três pontos nas últimas cinco rodadas e estão na zona de rebaixamento ao Championship.

Os garotos Mark Noble, Stanislas e Hines não fazem bom campeonato. O zagueiro Matthew Upson e o centroavante Carlton Cole, figuras recorrentes nas convocações de Fabio Capello, perderam vários jogos por contusão. A defesa sofre com erros sucessivos, para os quais o goleiro Robert Green, que deve ir à Copa, tem contribuído. O francês Julien Faubert, que incrivelmente passou pelo Real Madrid em 2009, foi equivocadamente concebido como lateral-direito. O sistema ofensivo, assolado pelas más atuações de Guille Franco, depende demasiadamente do italiano Alessandro Diamanti. A vertiginosa queda de uma temporada para outra é o primeiro forte indício de rebaixamento.

O segundo é o desespero. Em apenas um dia, o último do mercado de inverno, o clube contratou três atacantes: o brasileiro Ilan (livre), o egípcio Mido (por empréstimo, proveniente do Middlesbrough) e o sul-africano Benni McCarthy (do Blackburn). Contratações aparentemente indiscriminadas, baseadas na lógica da peneira que, da quantidade, extrai a qualidade. Pura ilusão. No primeiro jogo pós-janela, apesar do gol de Ilan, o West Ham perdeu para o Burnley, outro conjunto que luta contra a queda, por 2 a 1. Os Clarets não venciam na Premier League desde outubro. Além de esportivamente inadequado, o pacotão gera um problema financeiro, uma vez que acrescenta três polpudos rendimentos a uma folha salarial que já conta com aberrações.

Kieron Dyer, que, constantemente lesionado, poderia perfeitamente seguir o caminho de Dean Ashton - também do West Ham - e abandonar o futebol, fatura incríveis 65 mil libras semanais. Sabendo disso, o co-proprietário do clube David Sullivan resolveu revelar seus planos para a próxima temporada. Mesmo que os Hammers escapem do rebaixamento, será proposta a jogadores e membros da comissão técnica uma "redução salarial voluntária" por conta da desesperadora situação financeira no Upton Park. Sullivan, que já havia administrado o Birmingham, acredita que os "valores do futebol são absurdos".

Ele pode ter razão. Especialmente quando olha para Kieron Dyer. No entanto, ao tornar públicas suas pretensões, Sullivan causa um déficit de motivação. E convenhamos: propor uma redução salarial após fazer três contratações descabidas não parece ser um apelo forte. Ninguém mais no Upton Park deve encarar seriamente a cúpula do West Ham. Sullivan e David Gold compraram metade do clube em janeiro, cometeram sérios equívocos no mercado se considerarmos a péssima situação econômica do clube, criaram um ambiente desfavorável e resolveram fazer um discurso hipócrita de "responsabilidade financeira", reclamando dos antigos contratos. Coerência e motivação devem ser conceitos ultrapassados.

Imagem: Caughtoffside.com

8 de fevereiro de 2010

Podcast - Rodada 25


Com a folga da Premier League no próximo fim de semana, não haverá podcast no dia 14, segunda-feira de carnaval.

Para conferir a classificação do campeonato, acesse o site oficial da Premier League.

Você também pode fazer o download deste podcast.

6 de fevereiro de 2010

O melhor Liverpool da temporada

Em conjunto, espírito e desempenhos individuais. O Liverpool jamais foi brilhante em 2009/10, mas o último derby do Merseyside da temporada (a menos que as equipes se encontrem na Liga Europa) já foi carinhosamente registrado pela história por conta de sua assustadora intensidade, lamentavelmente às vezes disfarçada de violência. O jogo de Anfield se adivinhava equilibrado. Os Reds, embora viessem de sucessivas partidas esteticamente irritantes, atravessavam um momento sólido, tendo sofrido apenas um gol nos últimos seis compromissos na Premier League. Desde a chegada de Landon Donovan, o Everton encontrou sua formação ideal, de forma que visualizar os Toffees em seu calendário tornou-se uma situação desagradável para qualquer time.

Ainda sem Fernando Torres, Rafa Benítez montou o Liverpool no costumeiro 4-2-3-1, com Reina; Carragher, Kyrgiakos, Agger, Insua; Mascherano, Lucas; Kuyt, Gerrard, Maxi Rodríguez; N'Gog. David Moyes, por sua vez, insistiu no esquema de sucesso recente, o 4-1-4-1, com Fellaini imediatamente à frente da zaga: Howard; Phil Neville; Heitinga, Distin, Baines; Fellaini; Donovan, Osman, Cahill, Pienaar; Saha. No primeiro terço do jogo, sobressaíram-se os sistemas defensivos e as ríspidas entradas. A tendência ao caos culminou na polêmica expulsão de Kyrgiakos, após dividida com Fellaini. Minha impressão é de que, além do zagueiro grego, o próprio Fellaini e Pienaar fizeram o bastante para merecerem a exclusão do jogo ainda no primeiro tempo.

Durante uma hora de superioridade numérica, o Everton se limitou a duas oportunidades claras, com Cahill, no fim do primeiro tempo, e Yakubu, nos acréscimos do segundo. Os nove homens de linha dos Reds se dispuseram no 4-4-1. Gerrard, Maxi Rodríguez e Kuyt foiram recuados, Carragher passou à defesa central, e Mascherano tornou-se lateral-direito (conforme ilustra a figura acima). A eficiência do esquema, que anulou o oponente e proporcionou algumas boas chances de gol, foi impulsionada pelos excelentes desempenhos individuais. O jogo homogêneo do Liverpool, com os dez titulares não-expulsos em grande forma, ainda não havia sido visto na temporada. Mesmo na vitória por 2 a 0 sobre o Manchester United, houve exceções à ótima exibição.

No derby do Merseyside, o único aspecto a lamentar é a atuação de Ryan Babel, que substituiu o cansado N'Gog (que, respeitando suas limitações, foi muito bem). Após envolver-se em entreveros com Rafa Benítez, o winger holandês parece viver uma crise de confiança que já o qualifica como um dos maiores fracassos recentes do futebol inglês. Por outro lado, seu compatriota Dirk Kuyt superou o mau início de temporada. Na ausência de Torres, como right winger (caso do derby) ou centroavante, ele foi a principal peça ofensiva da equipe em janeiro. Após marcar hoje, Kuyt chega à marca de quatro gols contra o Everton, três deles no Goodison Park.

Outro importante mentor da vitória foi Steven Gerrard, que, após contusões e algumas atuações contestáveis, retomou seu estilo de jogo intenso e de imposição técnica. Maxi Rodríguez, por sua vez, deu a Benítez uma alternativa de categoria superior à de Riera para o lado esquerdo. O sistema defensivo, incluindo Lucas e sua boa dinâmica, foram especialmente corretos após a expulsão de Kyrgiakos, a quem - acreditem - atribui-se a melhora da retaguarda do Liverpool nas últimas rodadas. Mas, apesar das outras menções honrosas, o homem do jogo foi Javier Mascherano (que marcou no encontro do Goodison Park), impecável no duro duelo com Steven Pienaar pelo lado direito da defesa.

Quanto ao Everton, as considerações também são positivas. Contudo, os Toffees sofreram hoje por conta de um paradoxo: o retorno de Mikel Arteta é muito bem-vindo, mas a saída forçada de Fellaini, que deu vaga ao espanhol, acabou por ser determinante para a queda na capacidade de combate do meio de campo e, portanto, para a vitória do Liverpool. Mesmo assim, a equipe jogou como poderia, com boas alternativas laterais - Donovan pela direita e Pienaar pela esquerda - e Cahill, sempre muito perigoso pelo alto, aproximando-se de Saha. Apesar da derrota no derby, a fase do time de David Moyes ainda deve ser interpretada de forma muito otimista.

Você pode conferir a análise completa da rodada no podcast da próxima segunda-feira.

Foto: Telegraph

4 de fevereiro de 2010

Dívidas vendidas

O Portsmouth, que amarga a lanterna da Premier League nesta temporada, escreve um capítulo curioso para a história do futebol. Em menos de um ano, a equipe tem agora seu quarto dono. Imerso em dívidas e à beira da falência, o Pompey deixou de pagar seus jogadores em quatro ocasiões - fato raro para o futebol inglês - e se viu negociando nesta última semana, mais uma vez, a venda do clube.

O proprietário agora é um empresário de Hong Kong, o chinês Balram Chainrai. O quarto dono do Portsmouth no ano adquiriu o clube após não receber um pagamento do antigo dono, Ali al-Faraj, de um empréstimo realizado através de sua empesa.

Essa teia de transferência da posse do clube - de Sulaiman al-Fahim para Sacha Gaydamack, de Sacha para Ali al-Faraj e de Faraj para Chanrai - não deve parar. O chinês, agora dono de 90% do Portsmouth, deverá vendê-lo em breve a um quinto dono. Chanrai venderia o clube para recuperar o dinheiro investido na equipe, que dificilmente trará lucro ao seu proprietário.

O Portsmouth vive uma fase terrível. Como se não bastasse a última colocação no campeonato inglês, há salários atrasados de jogadores e funcionários e uma dívida gigante para pagar. Impedido de contratar reforços, deve ver sua situação dentro de campo piorando cada vez mais. Fora dos gramados, o clube tenta recorrer da decisão e voltar ao mercado e se reforçar, mas, ao que tudo indica, dificilmente conseguirá. E o pior ainda pode estar por vir! Dependendo da decisão desse julgamento, o clube pode ser forçado a entrar em concordata e passar para administração pública.

Para o Portsmouth resta velha máxima: nem tudo é tão ruim que não possa piorar!


A crise não é só do Portsmouth!

A crise financeira no futebol da terra da rainha, evidenciada com as seguidas vendas do Pompey, não é exclusividade dessse clube. O todo poderoso Manchester United e o gigante Liverpool também veem suas contas no vermelho e podem passar pelo mesmo processo de venda em breve.

Os Red Devils, que pertencem à familia norte-americana Glazer, mesmo sendo o clube inglês que mais lucrou o último ano (R$140 milhões) vêm se afogando em dívidas para saldar os compromissos de seus donos, que não conseguem pagar os empréstimos realizados para efetuar a compra do próprio clube em 2005. Essa situação tem gerado até mesmo protestos da torcida do United, que tem comprado cachecóis verde-amarelos - em alusão às cores do Newton Heath, clube que deu origem ao Manchester - para pedir a volta aos valores originais.

O Liverpool está em situação parecida. Também com donos norte-americanos, os Reds sofrem com os altos salários pagos e o constante aumento de suas dívidas. A equipe não consegue buscar reforços e pode ser vendida em junho, caso não consiga arrecadar 100 milhões de Libras até lá para quitar parte de sua dívida com o Royal Bank of Scotland. Em má fase dentro de campo, o clube poderá ver a situação piorar, perdendo alguns de seus bons jogadores, entre eles o artilheiro Fernando Torres.

A crise financeira dos clubes do futebol mais rico do mundo preocupa, pois os times ingleses podem ser punidos pela UEFA e ficarem fora das competições européias. De acordo com Michel Platini, presidente da UEFA, deve-se promover a estabilidade dos clubes e, caso nao seja cumprida, eles poderão ser punidos.

3 de fevereiro de 2010

Não agrave a crise, Capello

O caráter futebolístico de Terry é oposto a suas atitudes mesquinhas

No Brasil, a faixa de capitão é banalizada por seu uso indiscriminado. Ninguém se importa com ela. O meia Marquinhos, que chegou à Vila Belmiro há pouco, tomou-a para si já nas primeiras partidas como jogador do Santos. Existem infinitos exemplos similares por aqui. Na Europa, lembro-me de um caso. Quando, em 2007, assumiu o Newcastle, Sam Allardyce escolheu para a função o camaronês Geremi, então recém-contratado. Contudo, falo de uma clara exceção que durou apenas alguns meses, período em que Big Sam fez um controverso e mal-sucedido trabalho no St. James Park.

A regra europeia indica que, para ocupar o cargo de capitão, um jogador precisa criar laços com a entidade (clube ou seleção) e alcançar um patamar de plena confiança em relação ao treinador e aos colegas. Como em vários exemplos da vida cotidiana, trata-se de uma conquista que demanda muito tempo, mas pode ser pulverizada com um simples deslize. Por isso, o triângulo amoroso envolvendo o zagueiro John Terry, capitão da Seleção Inglesa e do Chelsea, o lateral Wayne Bridge, do Manchester City, e sua ex-namorada Vanessa Perroncel assumiu contornos dramáticos mesmo no campo futebolístico, a princípio distante da picuinha conjugal.

Em Stamford Bridge, não há problemas. Wayne trocou Londres por Manchester há um ano e, apesar de Terry parecer bastante consternado em campo, a crise que se desenha no English Team passa longe do vestiário do Chelsea, como bem sugeriu Carlo Ancelotti. Quanto à seleção, o debate sobre a eventual mudança na capitania está muito vivo. O treinador Fabio Capello, a quem caberá a decisão, já se pronunciou a respeito, frisando que quer ouvir "a verdade" do capitão e conhecer as opiniões dos outros jogadores. A tendência é que Capello e Terry se reúnam na próxima sexta-feira para chegar a uma resolução.

Evidentemente, o desfecho do caso passa por questões internas, às quais provavelmente não teremos acesso. De todo jeito, a minha impressão é de que Terry deve ser mantido como capitão. O zagueiro, que, de acordo com a BBC, não renunciará ao posto, sempre teve notável conduta profissional. Seu desespero após desperdiçar a chance de dar ao Chelsea o título da Liga dos Campeões em 2008 é apenas um dos indícios do tamanho do comprometimento do zagueiro com as equipes que defende. Desde que assumiu a capitania dos Blues, em 2004, John tem, do ponto de vista futebolístico (por favor, não me interpretem mal), demonstrado caráter e moral irrepreensíveis.

Se pensarmos sobre os possíveis substitutos de Terry, veremos que, em maior ou menor escala, vários já se envolveram em escândalos esportivos ou pessoais. Por não comparecer a um exame anti-doping, Rio Ferdinand foi suspenso por oito meses entre 2003 e 2004. Ashley Cole nunca foi um marido fiel. Steven Gerrard chegou a ser detido por conta de uma briga num bar. Os tabloides britânicos (OK, tenhamos certas restrições quanto a isto) sempre mencionam a tendência de Frank Lampard à boemia. Quando mais jovem, Wayne Rooney tinha incrível afeição por confusões. O antigo capitão David Beckham, por sua vez, não deve ser titular na Copa.

A intenção aqui não é absolver Terry, que errou grosseiramente, ou nivelar a conduta humana de modo rasteiro, mas endossar a vontade dos jogadores, que, segundo notícias recentes, apoiam a manutenção da atual capitania. Por outro lado, Bridge já declarou que, se não houver a mudança, abandonará a seleção. Parece uma opinião muito cruel, mas, neste caso, o melhor a fazer é deixar a faixa no braço de Terry e evitar uma crise muito mais significativa, representada pela perda de um líder inato e da oposição ao desejo da - pelo que se percebe - maciça maioria do elenco. Quanto à lateral-esquerda, o único aspecto conveniente dessa lamentável história: Leighton Baines, do Everton, está bem melhor do que Bridge há muito tempo.

Imagem: The Times

2 de fevereiro de 2010

Podcast - Rodada 24 / Transferências



Roteiro: Na primeira parte do podcast, comentamos os 10 jogos da 24ª rodada. Num segundo momento, entram em pauta as últimas transferências envolvendo clubes ingleses no mercado de inverno.

Para conferir a classificação do campeonato, acesse o site oficial da Premier League.

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