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29 de março de 2010
27 de março de 2010
Águas de março
O norte-irlandês Martin O'Neill nasceu em 1º de março de 1952. A celebração de seu último aniversário deve ter sido contida, insossa. Afinal, ele sempre sabe que está entrando em um mês difícil. O'Neill é treinador do Aston Villa desde agosto de 2006. Portanto, acaba de passar por seu quarto mês de março no Villa Park. As duas primeiras experiências foram péssimas, sem vitórias. A de 2010, apesar de ter determinado o fim do incômodo jejum, também apresenta um saldo muito negativo. Os dois triunfos, sobre Reading (FA Cup) e Wigan (Premier League), não foram suficientes para encerrar uma mística, evitar o afastamento da corrida pela quarta posição e manter a autoestima do conjunto.
Antes da partida contra o Reading, o Aston Villa não vencia em março há 16 jogos, tendo perdido seis das últimas sete partidas. O balanço de 2010 não parece, a princípio, tão desastroso. Por todas as competições, foram duas vitórias, três empates e apenas uma derrota. Mas a verdade é que os Lions ingressam em abril destroçados pelos tropeços. Não me refiro apenas à goleada por 7 a 1 imposta pelo Chelsea agora há pouco. Falo também dos empates caseiros diante de Wolverhampton e Sunderland. O aproveitamento de somente dois pontos dos últimos nove que estiveram em jogo significa para o Villa um revés quase definitivo na luta pela vaga na Champions. A sete pontos do Tottenham, a equipe encerra o mês de modo patético e sem força para seguir adiante.
Antes da partida contra o Reading, o Aston Villa não vencia em março há 16 jogos, tendo perdido seis das últimas sete partidas. O balanço de 2010 não parece, a princípio, tão desastroso. Por todas as competições, foram duas vitórias, três empates e apenas uma derrota. Mas a verdade é que os Lions ingressam em abril destroçados pelos tropeços. Não me refiro apenas à goleada por 7 a 1 imposta pelo Chelsea agora há pouco. Falo também dos empates caseiros diante de Wolverhampton e Sunderland. O aproveitamento de somente dois pontos dos últimos nove que estiveram em jogo significa para o Villa um revés quase definitivo na luta pela vaga na Champions. A sete pontos do Tottenham, a equipe encerra o mês de modo patético e sem força para seguir adiante.
Mesmo com as duas vitórias, é bem possível que este tenha sido o pior março para Martin O'Neill. O Aston Villa parecia muito mais confiável. Antes da tragédia em Stamford Bridge, a equipe tinha a melhor defesa da Premier League, título que ostentou durante quase todo o campeonato. Nas outras temporadas, o conjunto se notabilizou pela força ofensiva e pelo desequilíbrio, sempre determinante para a queda na metade final do campeonato. Agora, com Richard Dunne, era diferente. O ex-capitão do Manchester City havia se recuperado de forma impressionante no Villa Park e liderava uma defesa segura e indigesta para os adversários. Com o quase inexplicável colapso defensivo, a equipe se tornou violável e herdou os problemas ofensivos de outros instantes da temporada.
Do ponto de vista estrutural, o Villa tem inegável vocação para o ataque. Com Milner e Petrov pela faixa central e (Ashley) Young e Downing pelas pontas, é natural que a retaguarda fique exposta. Ainda assim, a conduta da equipe em momentos recentes torna estranha a reflexão sobre os dois gols sofridos diante do Wolverhampton e, especialmente, os sete marcados pelo Chelsea. Hoje, O'Neill ainda adotou postura mais cautelosa ao deixar Downing no banco, escalar Sidwell e abrir Milner pela direita. O placar do primeiro tempo indicava vitória dos Blues por 2 a 1. Na segunda parte, o time estranhamente sucumbiu em todas as vertentes, lembrando bastante o desempenho do Sunderland na goleada do mesmo Chelsea por 7 a 2, em janeiro.
O colapso em março com um Aston Villa realmente sólido é inédito. Nas outras vezes, era um time agradável, mas visivelmente frágil em alguns pontos. Agora, o regresso da defesa aos tempos de calamidade torna ainda mais cruel a sina dos torcedores Villans. De todo modo, a queda certamente não é apenas coincidência. Assim como o Manchester United costuma crescer vertiginosamente a partir de janeiro, o Villa se habituou a cair em março. No exemplo analisado, não existe a desculpa do excesso de jogos, pois, ainda que bem nas copas nacionais, os Lions não chegaram sequer à fase de grupos da Liga Europa. Fato é que, mais uma vez, as águas de março fecham - ou quase isso - a temporada de sonhos do Aston Villa.
Foto: Reuters
Do ponto de vista estrutural, o Villa tem inegável vocação para o ataque. Com Milner e Petrov pela faixa central e (Ashley) Young e Downing pelas pontas, é natural que a retaguarda fique exposta. Ainda assim, a conduta da equipe em momentos recentes torna estranha a reflexão sobre os dois gols sofridos diante do Wolverhampton e, especialmente, os sete marcados pelo Chelsea. Hoje, O'Neill ainda adotou postura mais cautelosa ao deixar Downing no banco, escalar Sidwell e abrir Milner pela direita. O placar do primeiro tempo indicava vitória dos Blues por 2 a 1. Na segunda parte, o time estranhamente sucumbiu em todas as vertentes, lembrando bastante o desempenho do Sunderland na goleada do mesmo Chelsea por 7 a 2, em janeiro.
O colapso em março com um Aston Villa realmente sólido é inédito. Nas outras vezes, era um time agradável, mas visivelmente frágil em alguns pontos. Agora, o regresso da defesa aos tempos de calamidade torna ainda mais cruel a sina dos torcedores Villans. De todo modo, a queda certamente não é apenas coincidência. Assim como o Manchester United costuma crescer vertiginosamente a partir de janeiro, o Villa se habituou a cair em março. No exemplo analisado, não existe a desculpa do excesso de jogos, pois, ainda que bem nas copas nacionais, os Lions não chegaram sequer à fase de grupos da Liga Europa. Fato é que, mais uma vez, as águas de março fecham - ou quase isso - a temporada de sonhos do Aston Villa.
Foto: Reuters
24 de março de 2010
Obrigado, Big Sam
Ele pode ser adepto de invencionices. Suas equipes têm, de fato, certa propensão a jogar de modo insosso. Ainda assim, Sam Allardyce tem se notabilizado na Inglaterra como um bom treinador. De 1991 a 1996, comandou Limerick, da Irlanda, e Blackpool. Em 1997-98, pelo Notts County, Big Sam conquistou a quarta divisão com 19 pontos de vantagem sobre o segundo colocado, estabelecendo uma série de recordes. Em outubro de 1999, chegou ao Bolton para realizar um dos mais consistentes trabalhos dos últimos tempos no futebol inglês.
A temporada 1999-2000 já indicava que Allardyce faria algo bom no Reebok Stadium. Mesmo na segunda divisão, o Bolton incrivelmente chegou às semifinais das Copas da Inglaterra e da Liga. No ano seguinte, os Trotters derrotaram o Preston por 3 a 0 na final dos playoffs e ascenderam à Premier League após três anos de ausência. Depois de duas temporadas de corrida contra o rebaixamento, a equipe melhorou repentinamente. Em 2003-04, Big Sam levou o clube à primeira metade da tabela e à decisão da Copa da Liga. Em seguida, vieram a sexta posição e a vaga na antiga Copa da UEFA. A consistência provocou especulações quanto à possibilidade de Allardyce substituir Sven-Goran Eriksson na seleção inglesa.
Com o cargo ocupado por Steve McClaren, o treinador do Bolton assumiria o Newcastle em 2007. Aliás, foi no St. James' Park que ele criou uma imagem tenebrosa perante seus críticos. Apesar do início promissor, uma sequência de maus resultados, aliada a supostos problemas de relacionamento com o elenco dos Magpies, levou as partes a um rompimento amigável logo em janeiro de 2008, apenas cinco meses após o começo da temporada. Por conta das ambições exageradas e da maior visibilidade internacional do Newcastle, Big Sam não é encarado por muitos como alguém competente. Mas, à exceção de Kevin Keegan durante alguns meses, quem fez algo realmente substancial pelos Magpies nos últimos tempos?
Allardyce voltou à tona em dezembro de 2008 com a indigesta missão de salvar o afundado Blackburn, campeão inglês em 1995, do rebaixamento. E ele foi bem sucedido. Transformou uma equipe completamente desacreditada em um conjunto ainda desagradável de se ver, mas bem melhor de se torcer. Mais confiante, o Blackburn de 2009-10 já é capaz de impor dificuldades aos grandes - ainda que apenas no Ewood Park - e vencer confrontos diretos pelas posições intermediárias. Assim, o elenco de Paul Robinson, Míchel Salgado e El-Hadji Diouf é o 11º colocado da Premier League.
Na temporada passada, com Roque Santa Cruz e Benni McCarthy indisponíveis, Allardyce escalou o zagueiro congolês Christopher Samba, de 1.93m, como centroavante por algumas rodadas. Invencionice até certo ponto, sim. Mas prova a disposição de Sam em se adaptar a condições adversas. Por isso, ele melhorou quase todos os clubes em que trabalhou. Parece claro que não é treinador para grandes equipes, para sustentar projetos muito ambiciosos. Contudo, ele soube fazer os poucos destaques técnicos do Blackburn - Givet na defesa, Gamst Pedersen e David Dunn no meio - funcionarem muito bem. A boa exploração do baixo potencial certamente leva os torcedores de vários dos clubes treinados por Big Sam a uma postura de agradecimento em relação a ele.
Imagem: The Guardian
A temporada 1999-2000 já indicava que Allardyce faria algo bom no Reebok Stadium. Mesmo na segunda divisão, o Bolton incrivelmente chegou às semifinais das Copas da Inglaterra e da Liga. No ano seguinte, os Trotters derrotaram o Preston por 3 a 0 na final dos playoffs e ascenderam à Premier League após três anos de ausência. Depois de duas temporadas de corrida contra o rebaixamento, a equipe melhorou repentinamente. Em 2003-04, Big Sam levou o clube à primeira metade da tabela e à decisão da Copa da Liga. Em seguida, vieram a sexta posição e a vaga na antiga Copa da UEFA. A consistência provocou especulações quanto à possibilidade de Allardyce substituir Sven-Goran Eriksson na seleção inglesa.
Com o cargo ocupado por Steve McClaren, o treinador do Bolton assumiria o Newcastle em 2007. Aliás, foi no St. James' Park que ele criou uma imagem tenebrosa perante seus críticos. Apesar do início promissor, uma sequência de maus resultados, aliada a supostos problemas de relacionamento com o elenco dos Magpies, levou as partes a um rompimento amigável logo em janeiro de 2008, apenas cinco meses após o começo da temporada. Por conta das ambições exageradas e da maior visibilidade internacional do Newcastle, Big Sam não é encarado por muitos como alguém competente. Mas, à exceção de Kevin Keegan durante alguns meses, quem fez algo realmente substancial pelos Magpies nos últimos tempos?
Allardyce voltou à tona em dezembro de 2008 com a indigesta missão de salvar o afundado Blackburn, campeão inglês em 1995, do rebaixamento. E ele foi bem sucedido. Transformou uma equipe completamente desacreditada em um conjunto ainda desagradável de se ver, mas bem melhor de se torcer. Mais confiante, o Blackburn de 2009-10 já é capaz de impor dificuldades aos grandes - ainda que apenas no Ewood Park - e vencer confrontos diretos pelas posições intermediárias. Assim, o elenco de Paul Robinson, Míchel Salgado e El-Hadji Diouf é o 11º colocado da Premier League.
Na temporada passada, com Roque Santa Cruz e Benni McCarthy indisponíveis, Allardyce escalou o zagueiro congolês Christopher Samba, de 1.93m, como centroavante por algumas rodadas. Invencionice até certo ponto, sim. Mas prova a disposição de Sam em se adaptar a condições adversas. Por isso, ele melhorou quase todos os clubes em que trabalhou. Parece claro que não é treinador para grandes equipes, para sustentar projetos muito ambiciosos. Contudo, ele soube fazer os poucos destaques técnicos do Blackburn - Givet na defesa, Gamst Pedersen e David Dunn no meio - funcionarem muito bem. A boa exploração do baixo potencial certamente leva os torcedores de vários dos clubes treinados por Big Sam a uma postura de agradecimento em relação a ele.
Imagem: The Guardian
22 de março de 2010
Prematuro
Após 79 jogos e 35 gols nas duas temporadas em The Valley, Bent se viu novamente fadado ao Championship. Ele tinha de sair para desenvolver sua carreira, e o Charlton precisava vendê-lo para se redimensionar. O atacante chegou ao Tottenham em 2007 por 16,5 milhões de libras. Apesar dos 25 gols pelos Spurs, Darren não foi exatamente feliz em White Hart Lane. "Nunca teremos uma chance melhor do que esta para ganhar um jogo. Minha esposa teria marcado aquele gol", dizia o treinador Harry Redknapp, em referência a uma clara chance de gol desperdiçada pelo avante.
A descrença de Redknapp e a concorrência no sempre abastado elenco ofensivo do Tottenham levaram Bent ao Sunderland por potenciais 16,5 milhões de libras (sim, novamente). No Stadium of Light, o atacante vive o melhor momento da carreira. Com 20 gols na Premier League, Darren perde apenas para Rooney e Drogba na lista de artilheiros. Mas não perde para ninguém em outro quesito.
O dado, cortesia de @opajoe, é impressionante. Bent marcou na temporada oito gols durante os primeiros quinze minutos dos jogos, mais do que qualquer um dos outros 19 times da Premier League. No último fim de semana, mais dois, na vitória do Sunderland por 3 a 1 sobre o Birmingham. A velocidade que quase levou Darren ao atletismo faz dele o mais "precoce" artilheiro do campeonato. E ainda pode colocá-lo no grupo da seleção inglesa para a próxima Copa do Mundo. Mais tarde, vamos falar no podcast sobre este e outros aspectos referentes à 31ª rodada da Premier League.
Imagem: Zimbio
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20 de março de 2010
Queda anunciada
O Pompey vivia sua ruína financeira, e a escalação parecia pior a cada jogo. Owen Coyle deixava o Turf Moor rumo ao Reebok Stadium. Jimmy Bullard confirmava a fama de jogador mais propenso ao departamento médico do que ao campo. O movimento das placas futebolísticas na Inglaterra já indicava, em janeiro, quais seriam os rebaixados ao Championship. Arrisquei-me a dizer isso, aliás, em uma das colunas que escrevi para a Trivela. Apesar de haver muitos outros times frágeis, já é seguro afirmar que Portsmouth, Hull City e Burnley não devem disputar a Premier League na próxima temporada.
Curiosamente, uma vitória do Portsmouth parece ter sacramentado o fracasso do trio. Como o clube perdeu nove pontos por conta do caos financeiro-administrativo, as esperanças são meramente matemáticas. Mesmo assim, a equipe conseguiu vencer o Hull por 3 a 2, de virada. Os gols azuis foram marcados por Tommy Smith (que balançou as redes pela primeira vez no clube após 838 minutos), Nwankwo Kanu e Jamie O'Hara, emprestado pelo Tottenham e um dos poucos destaques da equipe na temporada. O resultado frustrou a estreia de Ian Dowie no comando dos Tigers. Ele substituiu o injustamente demitido Phil Brown e viu sua equipe perder uma chance incrível de aproximar-se de Wolverhampton e West Ham.
O Hull poderia ter caído já na última temporada. Um início avassalador e os problemas do Newcastle compensaram um segundo turno terrível e preocupante. Em 2009-10, Brown não encontrou boas alternativas ofensivas. Jozy Altidore, Jan Vennegoor of Hesselink, Amr Zaki: ninguém deu certo. Como Geovanni sucumbiu, a equipe marca poucos gols. A ida de Michael Turner, pilar defensivo em 2008-09, para o Sunderland também faz diferença. Assim, os Tigers têm o pior saldo de gols da Premier League: -35. Além disso, o tempo que Bullard perdeu por conta de mais uma grave lesão parece crucial para o iminente rebaixamento.
Outro resultado emblemático foi a vitória do Wigan sobre o Burnley por 1 a 0. O gol do colombiano Hugo Rodallega colocou os Latics sete pontos acima da zona de rebaixamento. Os últimos dois triunfos dos Clarets foram a 31 de outubro, na 11ª rodada, e a seis de fevereiro, na 25ª. A saída do treinador Owen Coyle causou uma queda vertiginosa do aproveitamento em casa, fator que sustentava a equipe na faixa intermediária da tabela durante o primeiro turno. Brian Laws, ex-comandante do Sheffield Wednesday, não se acertou em Burnley e já é fortemente contestado.
Quanto àqueles que devem confirmar a manutenção na Premier League:
West Ham: A temporada é desastrosa, decepcionante. O pacotão ofensivo contratado em janeiro - Ilan, Mido e McCarthy - sinaliza a indecisão de uma diretoria que se perde pelas próprias palavras. Ainda que Guille Franco jogue mais do que eu recomendaria a um time competitivo, os Hammers provavelmente não caem. E não é exagero dizer que eles devem esta quase exclusivamente às fragilidades de Portsmouth, Hull e Burnley.
Wolverhampton: Mick McCarthy é o treinador que trata a corrida contra o rebaixamento de modo mais sério. Por vezes, fundamentalista. Mas é certo que suas sandices, como a escalação de uma equipe completamente reserva contra o Manchester United, funcionam quando falamos em confrontos diretos. Os Wolves devem permanecer porque vencem quando realmente precisam.
Wigan: É difícil decifrar o Wigan. Uma equipe que derrota, com autoridade, Chelsea e Liverpool no DW Stadium e perde de modo retumbante (12 a 1 no placar agregado!) para o Tottenham merece estudo de caso. De todo jeito, Rodallega consegue marcar em quase todos os momentos decisivos. Ademais, a irregularidade e a imponderabilidade sempre foram suficientes para escapar do rebaixamento.
Bolton: Owen Coyle funcionou. Nos primeiros jogos, o ex-treinador do Burnley não fazia bom trabalho no Reebok Stadium. Seu desempenho, aliás, era muito semelhante ao do antecessor Gary Megson. No entanto, uma boa sequência - aqui destaco a vitória por 2 a 1 sobre o West Ham, no Upton Park - definitivamente afastou o Bolton da zona de rebaixamento.
Observação: A classificação da Premier League está na barra lateral do blog.
Imagem: NowGoal.com
Curiosamente, uma vitória do Portsmouth parece ter sacramentado o fracasso do trio. Como o clube perdeu nove pontos por conta do caos financeiro-administrativo, as esperanças são meramente matemáticas. Mesmo assim, a equipe conseguiu vencer o Hull por 3 a 2, de virada. Os gols azuis foram marcados por Tommy Smith (que balançou as redes pela primeira vez no clube após 838 minutos), Nwankwo Kanu e Jamie O'Hara, emprestado pelo Tottenham e um dos poucos destaques da equipe na temporada. O resultado frustrou a estreia de Ian Dowie no comando dos Tigers. Ele substituiu o injustamente demitido Phil Brown e viu sua equipe perder uma chance incrível de aproximar-se de Wolverhampton e West Ham.
O Hull poderia ter caído já na última temporada. Um início avassalador e os problemas do Newcastle compensaram um segundo turno terrível e preocupante. Em 2009-10, Brown não encontrou boas alternativas ofensivas. Jozy Altidore, Jan Vennegoor of Hesselink, Amr Zaki: ninguém deu certo. Como Geovanni sucumbiu, a equipe marca poucos gols. A ida de Michael Turner, pilar defensivo em 2008-09, para o Sunderland também faz diferença. Assim, os Tigers têm o pior saldo de gols da Premier League: -35. Além disso, o tempo que Bullard perdeu por conta de mais uma grave lesão parece crucial para o iminente rebaixamento.
Outro resultado emblemático foi a vitória do Wigan sobre o Burnley por 1 a 0. O gol do colombiano Hugo Rodallega colocou os Latics sete pontos acima da zona de rebaixamento. Os últimos dois triunfos dos Clarets foram a 31 de outubro, na 11ª rodada, e a seis de fevereiro, na 25ª. A saída do treinador Owen Coyle causou uma queda vertiginosa do aproveitamento em casa, fator que sustentava a equipe na faixa intermediária da tabela durante o primeiro turno. Brian Laws, ex-comandante do Sheffield Wednesday, não se acertou em Burnley e já é fortemente contestado.
Quanto àqueles que devem confirmar a manutenção na Premier League:
West Ham: A temporada é desastrosa, decepcionante. O pacotão ofensivo contratado em janeiro - Ilan, Mido e McCarthy - sinaliza a indecisão de uma diretoria que se perde pelas próprias palavras. Ainda que Guille Franco jogue mais do que eu recomendaria a um time competitivo, os Hammers provavelmente não caem. E não é exagero dizer que eles devem esta quase exclusivamente às fragilidades de Portsmouth, Hull e Burnley.
Wolverhampton: Mick McCarthy é o treinador que trata a corrida contra o rebaixamento de modo mais sério. Por vezes, fundamentalista. Mas é certo que suas sandices, como a escalação de uma equipe completamente reserva contra o Manchester United, funcionam quando falamos em confrontos diretos. Os Wolves devem permanecer porque vencem quando realmente precisam.
Wigan: É difícil decifrar o Wigan. Uma equipe que derrota, com autoridade, Chelsea e Liverpool no DW Stadium e perde de modo retumbante (12 a 1 no placar agregado!) para o Tottenham merece estudo de caso. De todo jeito, Rodallega consegue marcar em quase todos os momentos decisivos. Ademais, a irregularidade e a imponderabilidade sempre foram suficientes para escapar do rebaixamento.
Bolton: Owen Coyle funcionou. Nos primeiros jogos, o ex-treinador do Burnley não fazia bom trabalho no Reebok Stadium. Seu desempenho, aliás, era muito semelhante ao do antecessor Gary Megson. No entanto, uma boa sequência - aqui destaco a vitória por 2 a 1 sobre o West Ham, no Upton Park - definitivamente afastou o Bolton da zona de rebaixamento.
Observação: A classificação da Premier League está na barra lateral do blog.
Imagem: NowGoal.com
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Wolverhampton
19 de março de 2010
O promotor de sonhos
A mera obtenção da vaga já espantava. O que dizer, pois, sobre a trajetória dos Cottagers na Liga Europa? A dimensão da vitória por 4 a 1 sobre a Juventus em Londres está estampada no perfil do clube na versão inglesa da Wikipedia. A histórica virada mereceu citação logo no texto de apresentação do clube. Antes disso, a equipe já havia eliminado o Shakhtar Donetsk, último vencedor da Copa da UEFA. Quando, em dezembro, falei sobre os sorteios dos confrontos nas competições europeias, destacava o quão cruéis com o Fulham foram as bolinhas. Agora, após duas qualificações surpreendentes, não é demasiado otimismo dizer que a equipe pode chegar à final. O Wolfsburg, adversário das quartas-de-final, e o Hamburgo, eventual oponente nas semifinais, não são equipes muito superiores.
Na Premier League, a campanha do Fulham é mais tímida do que na temporada passada. Por ora, são 38 pontos em 29 jogos, aproveitamento de 43, 6%. Em 2008-09, os 53 pontos em 38 partidas caracterizaram um rendimento de 46,5%. A décima posição torna plausível a afirmação de que a equipe não tem qualquer possibilidade de reeditar a façanha de 2009. De todo jeito, a distância para a zona de rebaixamento, endossada pela recuperação após o mau início de campeonato, prova que os Cottagers chegaram a outro estágio. Aqui, vale destacar um aspecto diferente em relação ao discurso quase uniforme sobre o momento do clube.
Elogiar o Fulham não é apenas questão de santificar Hodgson. Mesmo que com a ajuda do treinador, os bons valores do time afloraram nas últimas temporadas. O goleiro australiano Mark Schwarzer, finalista da Copa da UEFA em 2006 com o Middlesbrough, tem se apresentado de modo muito seguro. Assim como o zagueiro norueguês Brede Hangeland, um dos melhores da Premier League. Esporadicamente seu parceiro, o jovem Chris Smalling chamou a atenção do Manchester United e trocará Craven Cottage por Old Trafford na próxima temporada.
No meio-campo, a experiência impulsiona o sucesso. O capitão Danny Murphy é muito consistente (aliás, é lamentável que Jimmy Bullard, no Hull City desde janeiro de 2009, não seja seu parceiro), e Damien Duff encontrou um lugar onde pode ser muito importante. Após quatro anos no West Bromwich, o winger húngaro Zoltán Gera também é peça fundamental para Hodgson. Entretanto, os dois jogadores que melhor representam o cresci
Ainda assim, é impossível falar sobre o Fulham e não trazer novamente à tona o nome de Hodgson. Não há na Premier League um treinador que consiga lidar tão bem com as limitações de seu elenco. Mesmo Tony Pulis, do Stoke City, não soube criar alternativas suficientes para não depender tanto da força de Rory Delap. Por isso, não duvido do sucesso dos Cottagers na Liga Europa. O desempenho continental deles, aliás, já é a maior demonstração de força do futebol inglês na temporada.
Fotos: Daily Mail, PremierLeague.com
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