22 de junho de 2011

O que esperar de André Villas-Boas no comando do Chelsea?

Hoje, dia 22 de Junho de 2011, quarta-feira, por 13 milhões de libras, foi confirmada a transação mais cara da história no futebol por um treinador, qual treinador? André Villas-Boas. Pois é, o que foi constantemente, digo até que enjoativamente, cogitado como novo treinador do Chelsea Football Club, se tornou realidade.

Eis o novo treinador do Chelsea, André Villas-Boas. (Getty Images)

O motivo do valor da transferência ser tão cara? Creio que pela curta experiência de Villas-Boas como treinador do Porto. Lá, ele conseguiu na primeira temporada conquistar um Campeonato Português invicto (sem derrotas) e teve uma campanha “monstruosa” na UEFA Europa League, em que inclusive se sagraram os campeões. Está certo que o valor foi bem alto, mas fazer o quê? Quando o russo Roman Abramovich (presidente do clube londrino) está interessado em algo, ninguém pode impedi-lo!

E a última temporada do Chelsea, com o experiente treinador italiano, Carlo Ancelotti não foi nada agradável para os torcedores e para o russo. Nela, os Blues não conseguiram nenhum título, apenas um segundo lugar na Premier League, um quarto na FA Cup, um terceiro na Copa da Liga Inglesa e um vice na Community Shield, além de terem sido eliminados nas Quartas-de-final da UEFA Champions League.

O “novo Mourinho” terá bastante trabalho com essa equipe do Chelsea, em que o elenco geralmente tem “mandado” mais que o treinador; por isso, ter um bom trabalho no vestiário é essencial para o português. Porém, Villas-Boas no Chelsea não é nenhuma novidade, afinal ele já foi auxiliar de José Mourinho no time londrino. Aliás, o treinador mostrou humildade em entrevista para o Chelsea TV: “Não se pode esperar tudo de uma pessoa só. Podem esperar um grupo dinâmico e unido, é isso o que vamos tentar fazer. Queremos a torcida ao nosso lado, motivada e é isso o que importa, não a minha chegada. Temos é que continuar o sucesso deste grande clube”. Se fizer o que disse na entrevista, o Chelsea da temporada 2011-12 promete, meus companheiros!

Além de um salário bem “gordo”, o treinador português terá ainda cerca de 80 milhões de euros para gastar em contratações. Eis aqui alguns dos nomes cogitados: Falcao García (Porto), João Moutinho (Porto), Neymar (Santos) e Kun Agüero (Atlético Madrid).

Bom, vamos agora a parte tática. André Villas-Boas usou no Porto o 4-3-3 que deve ter “aprendido” com Mourinho. É um esquema simples, veja como funciona.

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No meio-campo, o Porto apresenta um triângulo de base alta. Fernando é o vértice recuado, um primeiro volante combativo e disciplinado, que não deixa a zona de atuação restrita à proteção da linha defensiva. Mais à frente, alinhados, estão os meias articuladores João Moutinho (esquerda) e Guarín (direita), que alternam o passe longo para os pontas – geralmente com inversões – e a própria passagem em velocidade, triangulando com o lateral e com o atacante. Na linha dos três atacantes, Hulk e Varela alternam as jogadas pela linha de fundo e a entrada em diagonal na área. Esta é a principal característica de ambos: velocidade para abrir a defesa adversária. Com isso, eles tiram a marcação da área e abrem espaço para Falcao (atacante centralizado) jogar com marcação simples. Eles recorrem muito aos cruzamentos, altos ou rasteiros na primeira trave. É um 4-3-3 que lembra muito o usado por Mourinho quando treinava o Chelsea.*

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Hoje, com o elenco que o Chelsea disponibiliza à André Villas-Boas, vejo o português escalando um 4-3-3 dessa maneira: Cech; Ivanovic, David Luiz, Terry e Ashley Cole; Ramires, Essien e Lampard; Anelka, Torres e Malouda. Bom, resta agora esperarmos para ver o resultado dessa "aposta" do Chelsea, qualidade Villas-Boas possui, mas tem o caso da inexperiência.

*Crédito para Eduardo Cecconi (@eduardocecconi), onde usei trechos de seu post no blog Tabuleiro.
**Ilustrações: TacticalPad

Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos_)

21 de junho de 2011

O futebol de resultado no English Team

Juntamente com outras promessas, o volante Jordan Henderson sucumbiu com o English Team na Eurocopa Sub-21

Com uma geração boa e talentosa, o time sub-21 inglês possui todos os elementos para fazer com que o English Team retome suas glórias e volte a integrar o hall das melhores seleções do mundo.

Entretanto, a primeira prova de fogo da futura geração futebolistíca inglesa foi um fiasco. Com excelentes jogadores, casos do volante Jordan Henderson e do atacante Scott Sinclair, a equipe sub-21 sucumbiu de maneira vergonhosa na 1ª fase da Eurocopa da categoria.

Sob o péssimo comando de Stuart Pearce, a equipe fez uma campanha bastante aquém de suas capacidades. Trocando toda a técnica e habilidade por um pragmatismo muito mal implantado, a equipe fez péssimos jogos que acabaram em empate diante de Espanha e Ucrânia, e, por fim, com uma atuação ruim aliada com alguns erros de Stuart Pearce, o English Team foi derrotado pela República Tcheca.

O futebol apresentado pela seleção de base inglesa pode ser comparado ao jogo desempenhado pelo contestado English Team de Fabio Capello, em que, mesmo com um time técnico e habilidoso, a excessiva busca pelo resultado positivo e a tentativa de manter o eficiente pragmatismo de antigamente acabam atrapalhando.

Os constantes fiascos do English Team acabaram trazendo uma enorme obsessão pelo resultado positivo, o que acaba por atingir até mesmo as seleções de base. As vitórias virão de forma natural, isto todos sabem, exceto as figuras de Fabio Capello e Stuart Pearce.

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

4 de junho de 2011

Análise da Temporada do Manchester United

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Esse é o campeão inglês e vice da UEFA Champions League, com todos os méritos. O time comandado pelo mito, Sir Alex Ferguson pode ser pragmático, sem desenvolver o futebol dos mais agradáveis de ver, mas é um time que defensivamente é bem forte. E que ataca com muita velocidade e inteligência.

Vejamos agora os números da temporada dos Red Devils. Foram ao todo (contando Premier League, Copa da Liga Inglesa, The FA Cup, Supercopa da Inglaterra e UEFA Champions League) 60 partidas. Destes jogos, venceu 41, empatou 14 e perdeu 7 delas. Marcou 117 gols e, sofreu 55.


O time dirigido por Sir Alex Ferguson jogou a maioria das partidas no 4-4-2, que conta com a movimentação de Wayne Rooney, que volta para ajudar na marcação e também para buscar o jogo, formando assim um 4-4-1-1. Um detalhe a se destacar é a forte marcação exercida pelos meias centrais (Carrick e Fletcher) e pelos zagueiros (Ferdinand e Vidic), que “encurta” os espaços para o adversário criar chances de gols. Já no ataque, conta com o apoio dos laterais Rafael (e Fábio que jogou a parte do final da temporada no lugar de seu irmão) e Evra. Além disso, conta com a movimentação de Fletcher, que cumpre a função de box-to-box, e a presença do outro meia central, Carrick, ficava mais preso no meio. É bom lembrar que Giggs cumpriu as funções do escocês enquanto este esteve lesionado, atuando boa parte da Champions League assim.

Os wingers se destacam pela criação de jogadas; aliás, Giggs e Nani foram os que mais deram assistências na temporada - 13 e 20, respectivamente. Giggs por vezes fez essa função de box-to-box em vários jogos importantes, a maioria pela Champions League, e quando ele fazia essa função, quem jogou boa parte de left winger foi o sul coreano, Park. Sendo muito importante para que esse 4-4-1-1 de Sir Alex funcionasse corretamente. Como Giggs não possui muita capacidade defensiva, Park era quem fazia a cobertura do galês.

Por fim, como dito anteriormente, Rooney busca o jogo e ajuda mais na marcação do que o outro atacante, ora Javier Hernández, ora Berbatov (que atuou mais pela Premier League, sendo inclusive o artilheiro do campeonato). O inglês não começou muito bem na temporada, se envolvendo em muitas polêmicas, mas foi de extrema importância na parte final da temporada, marcando 16 gols (inclusive um na final da Champions League) e dando 11 assistências.

Por Arthur Barcelos (@arthurbarcelos)

3 de junho de 2011

Prévia: Inglaterra x Suíça

A Inglaterra de Fabio Capello tem obrigação de vencer a nada brilhante seleção suíça 

Neste sábado, o estádio de Wembley, recebe a partida entre Inglaterra e Suíça, que tem seu início às 12h45 (horário de Brasília); o jogo é válido pelas Eliminatórias da Euro-12. 

Diante da nada brilhante seleção suíça, o English Team tem a oportunidade de deixar mais do que encaminhada sua classificação para a próxima edição da Eurocopa. Dividindo a liderança do grupo com a seleção de Montenegro, que enfrenta a Bulgária, um triunfo afasta a seleção inglesa dos demais concorrentes, mesma situação também vivida por Montenegro.

Retrospecto do confronto

Pelas atuais eliminatórias, em setembro de 2010, Inglaterra e Suíça se enfrentaram na Basiléia. A partida mostrou a seleção inglesa jogando um excelente futebol e no final contou com uma excelente vitória por 3 a 1. 

A superioridade inglesa sobre a Suíça não se dá apenas nesta partida, na história, a Inglaterra jogou 21 vezes diante da equipe vinda da terra do chocolate, dessas, o English Team contou com 14 vitórias, 3 empates e 4 derrotas, ressaltando sua força.

Outro desafio o qual a Suíça vai buscar quebrar é o fato de ainda não ter marcado gol fora de casa, nas atuais Eliminatórias. Para "contribuir", Marco Streller e Alexander Frei sofreram grande pressão da imprensa local e acabaram pedindo dispensa da seleção, sobrando apenas Derdiyok para decidir na linha de frente.

O English Team para amanhã

Sem poder contar com Wayney Rooney, suspenso, Fabio Capello apostou em jogadores menos badalados, os convocados forão: Jermain Defoe, Peter Crouch, Bobby Zamora e Darren Bent, sendo que o último será o titular na partida de amanhã.

Capello deve armar o English Team em um 4-3-3, com a já conhecida linha defensiva (Glen Jonhson, Terry, Ferdinand e Ashley Cole). O meio-campo deve aparecer com Parker, Lampard e Wilshere; e é esta parte da Inglaterra que estarei curioso para ver amanhã, pelo fato de serem três meias de caracteristícas ofensivas, restando a dúvida de quem jogará mais recuado. Na frente, jogam Young e Downing mais recuados, voltando para buscar jogo e colocar a bola para Bent chegar ao gol.


Expectativas

Uma coisa é certa: a seleção inglesa deve ser responsável por buscar e criar as melhores chances ofensivas, enquanto isso veremos uma Suíça retrancada. E aqui está o problema...

Como bem lembrou o blogueiro Daniel Leite em sua prévia da partida, a seleção inglesa encontrou algumas dificuldades diante de equipe mais fechadas que buscam o contra-ataque, situação que torna-se uma incógnita para o jogo de amanhã, só aguardando e assistindo para vermos o comportamento do nosso tão amado English Team...

Por: Felipe Ferreira (@felipepf13)

Swansea, um galês na primeira divisão inglesa




Post publicado originalmente no Blog do Frederico Jota (http://fredericojota.blogspot.com)

O Swansea é o mais novo integrante da Premier League, a primeira divisão do Campeonato Inglês, o campeonato mais interessante de todo o planeta. Os Swans (cisnes, em português), na verdade, são do País de Gales, pequenino país integrante do Reino Unido. Para chegar à primeira divisão, o Swansea, que terminou em terceiro lugar a Championship, a segundona inglesa, eliminou nos play-offs o Nottingham Forest, bicampeão europeu em 1979/1980, e, no jogo decisivo, na segunda-feira, dia 30, despachou o Reading por 4 a 2, com três gols de Scott Sinclair, ex-Chelsea. O jovem jogador, de 22 anos, disputou pouquíssimas partidas pelos Blues e chegou ao Swansea em 2010. Sinclair já participou das seleções sub-17, sub-18 e sub-19 da Inglaterra.

Não será a primeira vez que o Swansea disputará a primeira divisão. Na temporada 1981/1982, os galeses fizeram bonito. Exatamente em sua temporada de estreia, chegou em 6º lugar, uma campanha memorável, com direito a vitórias sobre Manchester United, Liverpool, Arsenal e Tottenham, além de uma goleada de 5 a 1 sobre o tradicional Leeds United, outro que disputou neste ano a segundona.

Mas o sonho do Swansea durou pouco. Na temporada seguinte, 1982/1983, o time ficou em 21º lugar e voltou para a segunda divisão. A partir daí, oscilou entre a quarta, a terceira e a segunda divisões. Sequência quebrada apenas agora, com a subida para Premier League. Claro que, para se manter, terá que se reforçar para evitar um novo bate e volta, coisa que o Blackpool fez nesta temporada.

O Swansea vai receber os grandes do futebol inglês no Liberty Stadium, que tem capacidade para pouco mais de 20 mil pessoas. A curiosidade é que o Swansea divide o espaço, desde 2005, com um clube de rugby, o Ospreys. Antes, o Swansea jogava no Vetch Field. O clube foi fundado em 1912 como Swansea Town e hoje seu nome completo é Swansea City Association Football Club.

O maior rival do Swansea é o também galês Cardiff, time da capital do País de Gales e que também joga a Championship. O rival dos Swans, fundado em 1899, porém, já jogou 15 vezes a primeira divisão inglesa, a última delas na já distante temporada de 1961/1962.

A camisa do Swansea é branca, assim como os calções e meiões. Abaixo, uma foto da camisa do Swansea da minha coleção particular.

Texto de Frederico Jota (http://twitter.com/FredericoJota)

27 de maio de 2011

Prévia: Barcelona x Manchester United

Na decisão de 2009, Ferdinand, num raro vacilo, apenas assistiu Messi sacramentar a vitória e o título do Barcelona. Dois anos depois, as duas equipes voltam a se encontrar em uma final de Champions League

Neste sábado, Barcelona e Manchester United entram em campo para o décimo jogo oficial entre as equipes válido por competições da Uefa - a segunda final de Champions League. Porém, a partida deste sábado terá um sabor mais especial para os Red Devils: a chance de uma vingança pela derrota na final de Roma em 2008/2009. A reedição da final de duas temporadas atrás não terá tantas diferenças no onze inicial das duas equipes, mas alguns jogadores em foco naquela partida não estarão em campo em Wembley.

Naquele 27 de maio de 2009, no Olímpico de Roma, o Barcelona abriu o placar com um incansável Eto'o, que fazia sua última partida pelo clube da Catalunha. O gol contra os mancunianos, com direito a um drible desconcertante em Vidic, encerrou um lindo ciclo do Rei Leão com os azulgrenás, que resolveram fazer do camaronês uma "moeda de troca" para contratar Ibrahimovic. No lado inglês, Cristiano Ronaldo era a grande esperança da equipe, mas, diferentemente de Eto'o, passou em branco nos noventa minutos e, uma semana depois, anunciou sua ida para o Real Madrid.

Mais uma vez, contamos com a grande colaboração de Victor Mendes, do blog Quatro Tiempos, que trata do futebol espanhol, para falar do Barcelona. Confira a prévia da esperada final entre Barcelona x Manchester United e depois, nos dois endereços, o resumo do embate.

A temporada até aqui
Barcelona: Campeão da Liga e melhor equipe do mundo, o Barcelona chega à final como o grande favorito. Após algumas más partidas no início de temporada, sobretudo pela lesão de Messi, figura-chave desta equipe, o Barcelona foi se achando de pouco em pouco na temporada e exercendo o futebol envolvente já conhecido por todos. Escalado no 4-3-1-2, com Messi jogando atrás de Villa e Pedro, como um enganche, o Barcelona passou a primeira parte da temporada conseguindo bons resultados e conquistando por diversas vezes a famosa manita, como no superclássico do Camp Nou e as vitórias ante Real Sociedad e Espanyol. No segundo semestre, o rendimento caiu, muito por causa da acomodação na liderança da Liga, mas a margem de derrota ainda era pequena. Após ser vice na Copa e sobreviver na LC na maratona de superclássicos, o doblete (Liga + Champions) é a pequena obsessão de um time que já está na história, sobretudo por ser a base da seleção campeão mundial e ter Messi, que a cada jogo quebra marca atrás de marca. Na temporada, o argentino já foi às redes 52 vezes, mas, com a cabeça na final, acabou deixando o português Cristiano Ronaldo disparar na artilharia da Liga Espanhola.

Manchester United: Para quem pouco se reforçou e começou a temporada levemente ofuscado pelos seus rivais, até que o clube se saiu muito bem. Os Red Devils conquistaram a Premier League com uma rodada de antecedência e de forma merecida. É verdade que a equipe teve lá seus problemas: pouquíssimas vezes brilhou durante os jogos, teve um início de campeonato vacilante, quando empataram demais fora de casa, e encarou uma reta final de jogos mais difícil do que o esperado. Porém, o time de Alex Ferguson foi mais regular do que seus adversários e a que menos pontos bobos desperdiçou, o que foi essencial para que o time conquistasse o campeonato nacional. Essencial, aliás, também foi a subida de produção de alguns jogadores: Nani e Berbatov finalmente floresceram, sendo fantásticos no apoio a Giggs na primeira metade da temporada, enquanto Rooney estava em má fase. Quando o atacante inglês retornou à boa forma, pode ainda contar com o rápido amadurecimento de Chicharito Hernandez, formando com o mexicano uma dupla essencial para os resultados positivos do Manchester United em 2011. Ajudados por um excelente setor defensivo, esse conjunto alcançou vários de seus objetivos e agora busca o double que não pode ser formado antes, já que o time foi derrotado pelo Manchester City na semifinal da Copa da Inglaterra.

Pontos fortes
Barcelona: A saída de Ibrahimovic, contratação mais cara da história do clube culé, chegou a fazer falta durante os primeiros jogos da temporada, mas acabou sendo assimilada com naturalidade graças a rápida adaptação de Villa à equipe. Sem o sueco, mas com o Guaje, Pedro e Messi, o Barcelona apresenta grande variação tática e pode atuar de diferentes formas, embora jogue mais frequentemente no 4-3-1-2, com Messi fazendo o papel de enganche (jogando atrás de Pedro e Villa), ou no 4-3-2-1, com Messi de falso nove. Quanto aos setores da equipe, destacam-se o meio-campo e o ataque. O futebol de Busquets ascendeu muito após a Copa e o canterano, que pecava por erros infantis, está mais maduro, dando segurança e participando bem dos ataques. Destacam-se também a visão de jogo privilegiada de Xavi, a técnica, qualidade e imprevisibilidade de Iniesta, os gols decisivos de Pedro e Villa e o poder de decisão de Messi.

Manchester United: Uma das grandes forças dos Red Devils está no aspecto mental: a equipe costuma lidar muito bem com as decisões e possui uma veia vencedora incrível. Já no que se refere ao elenco, o conjunto do Manchester United é tão forte e coeso que é difícil citar apenas um setor ou um jogador. A defesa é forte demais, principalmente porque conta Van der Sar, um goleiro experiente e muito seguro, e uma zaga que é uma das melhores do mundo – Ferdinand é um líder nato e Vidic tem um poder de marcação muito alto. No meio campo, Giggs – agora também podendo ser escalado como um meia central – é o maestro de sempre, Valencia voltou de contusão atuando melhor do que antes, e Nani, líder de assistências na Premier League (18), finalmente justificou a grande quantia gasta em sua contratação. Já no ataque, Rooney, embora ainda um pouco distante da excelente forma da temporada anterior, voltou a jogar em bom nível, enquanto Chicharito Hernandez, embora enrolado com a bola nos pés, já mostrou em pouco tempo que tem o faro de gols, principalmente nos grandes jogos. Por fim, ainda há uma grande arma utilizada por Ferguson nas partidas decisivas: o sul-coreano Park. Dono de muita velocidade e comprometimento em campo, ele está sempre ponto para anular uma peça fundamental da equipe adversária e ainda ajudar no ataque. E o principal: enquanto geralmente é menosprezado, cumpre muito bem seu papel. Ele pode ser, por exemplo, o responsável por limitar a presença de Daniel Alves no ataque e ainda armar o jogo nas costas do brasileiro.

Pontos fracos
Barcelona: Difícil citar um ponto fraco nessa equipe quase perfeita do Barcelona. Mas o Barcelona da Era Guardiola costuma passar por momentos de dificuldade quando enfrenta equipes que procuram desempenhar a mesma função que os blaugranas estão acostumados a exercer: atacar e dominar o jogo. Contra Inter de José Mourinho, a partida no Camp Nou ficou marcada pelo muro armado pelo técnico de Setubal, mas no Meazza os meneghino derrotaram o Barcelona de uma maneira pouca vista antes, escancarando o problema que o Barcelona passa quando é atacado. Outras fraquezas da equipe sobressai quando o adversário pressiona a saída de bola, obrigando Piqué, Puyol ou Busquets a darem chutões para frente, e quando Xavi sofre uma forte marcação. Mesmo dispondo de outros jogadores decisivos, o Barcelona perde em criação quando seu maestro é bem marcado. Na épica semifinal da temporada passada, Mourinho soube anular as peças-chaves do time da Catalunha: asfixou Xavi e não deixou Messi receber perto da área.

Manchester United: É difícil apontar fraquezas numa equipe tão bem balanceada. Porém, elas estão presentes. Esta equipe, acima de tudo, não tem brilho, o que pode prejudicar os ingleses quando estes precisarem criar alguma oportunidade de gol, sobretudo se estiverem perdendo. Embora o Manchester United tenha sido muito bem sucedido na atual temporada, poucas vezes esse time convenceu em campo. Muito disso ocorre pela falta de um jogador mais criativo na equipe, sobretudo na faixa central do meio campo, já que Carrick, Fletcher e Scholes, atletas que por ali podem ser escalados, estão longe de se destacar por causa deste fundamento. Aliás, uma das razões para Giggs, já no final da campanha, ter sido escalado por ali pode ter sido justamente a necessidade de ter alguém com maior habilidade. Também é importante destacar o elo fraco da defesa dos Red Devils, que é o lado direito. Tanto Rafael quanto Fábio não sabem marcar muito bem – e para desespero de Ferguson, é o segundo, que vem sendo titular atualmente, quem menos sabe proteger seu posto. Por conta disso, não é improvável apostar na escalação de O’Shea por ali, uma jogador bem limitado mas que dá conta do recado na marcação.

Expectativas
Barcelona: Desta vez, o favoritismo de 2009 está nas mãos do Barcelona. O time que deve ir a campo na final de sábado não foi definido por Josep Guardiola, embora todos, até Abidal, que se recuperou de um tumor no fígado, estejam disponíveis. Na primeira coletiva da semana, Guardiola não quis falar sobre a escalação que irá a campo, mas deixou no ar a possibilidade de escalar Mascherano ao lado de Piqué, deslocando Puyol para a lateral esquerda. Segundo o treinador, seria arriscado demais escalar Abidal e Puyol, que se ficaram muito tempo parados, em uma partida tão decisiva como esta. Pedro, que vem reclamando de fortes dores musculares, também é dor-de-cabeça para o treinador: se o canário não jogar, a opção mais plausível será a titularidade de Keita, com Iniesta sendo adiantado para a ponta esquerda e Villa para a direita.

Manchester United: Por mais que esse time tenha uma veia vencedora, o Manchester United entra na final como azarão – bem mais do que em 2009. Como os catalães muitas vezes parecem imbatíveis, a questão que fica é a seguinte: o que Sir Alex Ferguson fará para anular o Barcelona? Há algumas boas alternativas: explorar o jogo pelos flancos com Nani, Park ou Valencia; optar por um esquema mais conservador, reforçando a marcação na faixa central e deixando Rooney como único atacante; e por aí vai. Porém, a verdade é que as alternativas parecem muito bonitas no papel, mas extremamente difíceis de serem executadas. Por isso, a única coisa que se tem certeza é que todos os titulares terão de ter uma exibição perfeita para derrotar este grande esquadrão. O resto fica a cargo do mestre escocês.

Prováveis escalações
Barcelona: Víctor Valdés, Daniel Alves, Piqué, Mascherano (Puyol), Puyol (Abidal); Busquets, Xavi, Iniesta; Messi; Pedro, Villa.

Manchester United: Van der Sar, Fábio (O’Shea), Ferdinand, Vidic, Evra; Valencia, Carrick, Giggs, Park; Rooney, Chicharito (Nani).

Imagem: BBC

24 de maio de 2011

Chicharito: de aposta a peça-chave

Sem os mesmos holofotes de seus companheiros, Javier Hernán é peça-chave do atual time do Manchester United


Quando Javier Hernández foi contratado pelo Manchester United, a imprensa mexicana qualificou a ida daquele mexicano, que poucos conheciam na época, para a Inglaterra como estrondosa e espetacular. A imprensa inglesa, porém, não deu o mesmo alarde à transferência. Com isso, Chicharito chegou ao United como uma grande incógnita, uma verdadeira aposta.

Perto de ter se transferido para o PSG, em 2009, o clube francês só não o contratou pelo fato de acreditar que um jogador com um preço tão baixo (o passe de Chicharito, na época, valia cerca de 1 milhão de dólares) não seria de boa qualidade. Senso assim, para a felicidade dos torcedores Red Devils, a transferência não vingou.

Com a iminente recusa do PSG, Chicharito seguiu no Chivas, conquistando cada vez mais o status de ídolo da torcida mexicana. O atacante foi ganhando também o interesse de diversos clubes; o Manchester, porém, não titubeou, foi mais rápido e contratou o jogador.

Chegando com o status de aposta, Hernández necessitou de um jogo para crescer dentro do United. A Supercopa da Inglaterra, conquistada no início da temporada, sobre o grande rival Chelsea, presenciou uma atuação de gala de Chicharito, que logo foi ganhando a confiança de Fergunson.

Enquanto seu maior concorrente pela vaga na equipe titular, Dimitar Berbatov, anotava hat-tricks diante de equipes pequenas e de qualidade ruim (embora também tenha feito o mesmo contra o Liverpool), Hernández decidia clássicos e jogos importante. Não tardou para o mexicano ser a preferência de Fergunson...

O dinamismo e movimentação de Chicharito aliou-se perfeitamente a estrela intocável, Wayne Rooney, quando este voltou à sua boa fase. O atacante mexicano acabou tornando-se peça-chave do time Red Devil, sendo que, com sua ausência, o estilo de jogo do Manchester é totalmente diferente.

Scott Parker e Gareth Bale foram eleitos os melhores da Premier League, mas em eficiência e importância, por que não escolher Chicharito? É uma boa discussão a ser iniciada.