23 de setembro de 2009

Muitas decepções e raros sucessos

Alguns gols espetaculares, lesões e certa aversão ao jogo coletivo. Foi este o estereótipo do jogador brasileiro a que os ingleses tiveram acesso na década de 80. O responsável foi o atacante Mirandinha, primeiro tupiniquim a jogar na Inglaterra. Apesar da fama de fominha, o atacante cearense não deixou de ser uma espécie de precursor, abrindo as portas do Football aos atletas do "país do futebol". Mirandinha ficou dois anos no Newcastle United (de 1987 a 1989) e marcou 20 gols em 54 jogos.

Em virtude da tardia globalização do futebol inglês (em relação a outros centros de destaque, como a Itália e a Espanha) e das antigas dificuldades para se obter a licença de trabalho no Reino Unido, poucos brasileiros fizeram sucesso na Premier League.
De toda forma, vários jogadores tupiniquins foram contratados por clubes ingleses com enorme expectativa de sucesso. Mas a maioria fracassou.

Atletas já consagrados, como Branco (Middlesbrough, 1995-97), Mário Jardel (foto; Bolton, 2003) e Roque Júnior (Leeds, 2004), foram um fiasco. O lateral-esquerdo Branco, fundamental na Copa de 1994, sofreu com o sobrepeso. O mesmo problema acometeu o atacante Jardel, fantástico nos tempos de futebol português. O cearense ainda sofreu intensamente com problemas particulares. Por fim, à má performance do zagueiro Roque Júnior não existem explicações plausíveis além de sua precoce decadência profissional.

Alguns jogadores de "meia-idade", dos quais também se esperava muito, deixaram a desejar. São os casos de Rodrigo "Beckham" (Everton, 2002-03) e Fábio Rochemback (Middlesbrough, 2005-08). Entretanto, o exemplo mais emblemático é o de Kléberson.

Titular da seleção brasileira pentacampeã do mundo, o meia foi contratado pelo Manchester United em 2003. Boa fama, uma eventual parceria com Paul Scholes e a tutela de Sir Alex Ferguson faziam todos acreditarem que Kléberson alcançaria enorme sucesso em Old Trafford. Mas não foi o caso. Após dois anos, algumas lesões e poucas partidas, o jogador deixou Manchester rumo a Istambul, onde defenderia o Besiktas.

Após tantos casos negativos, chega a hora de falar sobre os brasileiros bem sucedidos na Inglaterra. Aquele que alcançou maior êxito, em todos os aspectos, foi Juninho Paulista (foto). Em 1995, aos 22 anos, ele chegou ao Middlesbrough. Por lá, fez duas temporadas fantásticas. Na segunda, aconteceu algo no mínimo curioso. Juninho foi eleito por jornalistas o segundo melhor jogador de 1996/97, ficando atrás apenas do italiano Gianfranco Zola, do Chelsea. Mesmo assim, o Boro foi rebaixado, o que levou às lágrimas o meia-atacante de 1,65m.

Juninho talvez tenha sido o melhor brasileiro da história da Premier League exatamente porque virou uma lenda do clube. Depois de rumar ao Atlético de Madrid em 1997, ele retornou ao time inglês (já de volta à Premier League), por empréstimo, em 1999. E não pense que acabou por aí! Em 2002, ele chegou ao Riverside Stadium para mais duas temporadas. Para deixar definitivamente seu nome na história do Middlesbrough, ajudou a equipe a conquistar seu primeiro título de elite após 128 anos de existência: a Copa da Liga de 2004.

Como você percebeu, o Middlesbrough gosta de apostar em brasileiros. Outro clube que adota a política é o Arsenal. Nesse sentido, uma dupla de volantes fez muito sucesso nos Gunners: Edu e Gilberto Silva. Ainda que ofuscados por Patrick Vieira por alguns anos, os dois cabeças-de-área conseguiram ser fundamentais nas formações de Arsène Wenger. Edu ficou no Highbury entre 2000 e 2005, e Gilberto jogou em Londres de 2002 a 2008. Ambos participaram da histórica campanha do clube em 2003/04.

Atualmente, nenhum atleta de primeiríssimo escalão - e aqui me refiro a grandes estrelas - atua na Premier League. Há ótimos jogadores, como Robinho (que insiste em negar em campo a condição de grande estrela; Manchester City), o zagueiro Alex (Chelsea), o lateral-esquerdo Fábio Aurélio (Liverpool) e o goleiro Gomes (Tottenham). As grandes esperanças estão depositadas nos ainda jovens Anderson (Manchester United), Denílson (Arsenal) e Lucas (Liverpool). A Inglaterra, afinal, espera por mais "Juninhos" e menos "Jardéis". Falando em tudo isso, você está convidado a comentar e participar da primeira enquete do blog (que minha opinião não influencie a de vocês), no canto direito superior da página.

Imagens: Icicom e Daily Mail

7 comentários:

Fernando Gonzaga disse...

você está sendo muito generoso ao chamar o Robinho de ótimo jogador...

sem dúvida nenhuma, o Juninho Paulista é até hoje, o brasileiro mais bem sucedido na Premier League..Anderson no Manchester e Denílson do Arsenal ainda podem render mais, assim como o Lucas no Liverpool...

você esqueceu de citar o Affonso Alves como fiasco também...

abraço!!

Daniel Leite disse...

Ainda considero o Robinho um ótimo jogador, embora suas performances recentes possam não corresponder a esta tese. Ele foi, durante muito tempo, o melhor jogador da "era Dunga" na Seleção e, na temporada passada, marcou 14 gols na Premier League (mesmo número atingido por Fernando Torres). Mas devo concordar que ele está devendo muito e, se ainda quiser ser considerado um atleta de alto nível, precisará de desempenhos melhores após o seu retorno. Para tanto, ele terá uma duríssima disputa de posição com Tévez e Bellamy.

Boa (ou má, depende do ponto de vista) a lembrança do Afonso, que passou um período negativo no Middlesbrough. Também havia alguma expectativa em torno de seu desempenho, em virtude dos ótimos anos no Heerenveen e de convocações à Seleção Brasileira. O Boro, aliás, é "mestre" em decepcionar-se com brasileiros. Rochemback, Doriva e Afonso não deixaram marcas muito positivas. Emerson Moisés (que fez algum sucesso em Portugal e na Espanha) não chegou a ser um fiasco, mas Juninho é o único que, verdadeiramente, salvou-se. E com grande estilo!

Abraço!

Eduardo Junior disse...

Danilo, gostei muito deste post, e tem realmente muito à ver com o título do blog. Acesse o meu: http://europafootball.blogspot.com/

Diário dos Esportes Golaço disse...

Como Robinho não é um grande jogador. O papel tático que ele desempenha na seleção é algo raríssimo de se encontrar nos jogadores de hoje. Ele prende dois zagueiros, além de ter uma agilidade e um raciocínio muuuuuuuuito rápido. Pra mim, é e sempre será craque, independente da fase.

Além de Juninho, também acho que o Roque JUnior não foi tão mal. Era um zagueiro seguro lá no Leeds, principalmente quando jogava ao lado do experiente e craque Lucas Radebe.


Abraços, espero tua visita.

Paulo Pereira disse...

Pois,

Como em todo o lado, decepções e alegrias, no mundo caótico das contratações.

Recordo, dos inumeros exemplos dados, duas: Jardel, de que fui fã durante a maior parte da carreira, seguindo atentamente o que aquele avançado alto, desengonçado, fazia no Grémio de Scolari, contando com a ajuda do loirinho Paulo Nunes, até ao brutal impacto que "Super" Mário teve em Portugal.

A codícia pelo golo, as facturas sempre elevadas que passava aos adversários, quer no Porto ou no Sporting, fizeram-me continuar a seguir, fielmente, a carreira dele.

Primeiro, nos turcos do Galatasaray, onde se impôs como melhor marcador do campeonato, contribuindo com 2 golos para vencerem a Supertaça Europeia ao colosso Real Madrid.

O pior foi depois, com o alcool, as drogas e as noitadas a transformarem-no numa sombra do jogador que poderia ter sido. Tenho pena. O Mario Jardel que conheci, em Portugal, tinha tudo para vingar em Inglaterra.

O outro exemplo, também de um avançado, é o Afonso Alves, em quem depositava enormes esperanças, por ter seguido a sua carreira na Holanda. Por motivos que desconheço, esse internacional brasileiro não se conseguiu impor em terras de Sua Majestade.

Eduardo Costa disse...

O Robinho tem chances de daqui alguns anos se tornar o maior o jogador brasileiro na Premier, mas com esse futebolzinho de engana bobô ele não joga nem na Série B aqui no Brasil.
Visitem: http://futeboleuropeuu2009.zip.net
Abraço

Daniel Leite disse...

Ainda que lhe respondendo atrasadamente, Paulo, devo dizer que minha impressão de torcedor em relação ao Jardel é um tanto diferente da sua. O Palmeiras, clube pelo qual torço, contratou-o em 2004, depois de suas passagens terríveis por Bolton e Ancona. E ele nem jogou. Não conseguiu chegar ao peso ideal e, por conseguinte, não foi aproveitado por Estevam Soares, treinador do clube àquela época.

Até mais!