11 de setembro de 2009

O funeral de uma polêmica

Steven George Gerrard, MBE, nasceu em Huyton (pertinho de Liverpool), aos 30 de maio de 1980. Em 2007, foi condecorado "Membro do Império Britânico" (por isso, MBE) pela rainha Elizabeth II. O motivo? Gerrard foi o líder da incrível recuperação do Liverpool na final da Liga dos Campeões da Europa de 2005, quando os Reds reverteram uma vantagem de três gols do Milan, heptacampeão continental.

Frank James Lampard Jr. conheceu o mundo aos 20 de junho de 1978, em Romford (pertinho de Londres). Lampard tem uma história curiosa como protagonista. Proveniente da frutífera Academia do West Ham, ele chegou ao Chelsea em 2001. O magnata russo Roman Abramovich assumiu o comando dos Blues em 2003. Com ele, foram a Londres os melhores jogadores do mundo. Depois de 50 anos de jejum, o simpático clube do oeste londrino conquistou um título inglês em 2005. E quem foram os principais nomes da conquista? Lampard e John Terry, na equipe muito antes de Abramovich pensar em sobrevoar o Stamford Bridge.

Este post, ao contrário do que alguns talvez pensem (com certo nível de razão), não pretende comparar os dois melhores médios centrais da Premier League, como fiz há algum tempo em meu blog pessoal. Como sabem os amantes do futebol britânico, esta semana foi muito especial para o English Team. A seleção de Fabio Capello conquistou seu bilhete para a Copa do Mundo de 2010 através de uma enfática vitória por 5 a 1 diante dos outrora algozes croatas. Gerrard e Lampard marcaram, cada um, dois gols.

Sendo assim, o Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno celebra o fim da polêmica que por muito tempo incomodou os treinadores que passaram pela Inglaterra: Lampard e Gerrard podem jogar juntos? Há dois anos, acreditava-se que não. A não-qualificação do English Team ao Euro 2008 parecia enterrar a possibilidade de uma parceria entre Gerrard e Lampard, dois organizadores que jogam com muita intensidade e, através de passes precisos, chutes fortes e muita técnica, lideram suas equipes. Mas, juntos, eles não funcionavam mesmo!

Até que, num dia ensolarado, a Inglaterra se libertou de figuras do nível de Sven-Göran Eriksson e Steve McClaren. A Football Association teve, sim, de abrir os cofres para contratar Fabio Capello. Mas não há dúvidas de que valeu a pena. Afinal, os ingleses têm uma campanha só de vitórias nas eliminatórias europeias para a Copa. Além dos números impressionantes (81,5% de aproveitamento, incluindo amistosos) e do futebol até certo ponto vistoso (ótima análise da era Capello no blog Futebol & Arte), o italiano proporcionou aos ingleses a grande alegria de ver Gerrard e Lampard jogando juntos de forma funcional e brilhante.

Aproveitando o que tem feito Rafael Benítez no Liverpool, Capello costuma deixar, com moderação, Gerrard um pouco mais solto. Lampard também assume função semelhante à que desempenha no Chelsea. Corajoso, o treinador italiano ainda coloca o excelente Gareth Barry, este um pouco mais atrelado a papéis defensivos, no time titular. Para que Gerrard e Lampard joguem juntos, é fundamental a movimentação da equipe pelos flancos. Por isso a importância de ter laterais tão bons - Johnson e Cole - e pontas tão participativos - Lennon e Rooney -, sendo que a joia do Manchester United é o mais dinâmico por cair muito pelos lados e também chegar à área adversária.

Gerrard e Lampard são os personagens desta sexta-feira porque, depois de muito tempo, provaram que, quando lado a lado, não se anulam. Este post também é uma homenagem a Fabio Capello, pois ele foi suficientemente ousado para aplicar na seleção inglesa um dos mais válidos princípios do futebol: não há esquema perfeito. A estratégia ideal deve ser montada de acordo com a disponibilidade de jogadores para cada posição. E, por serem craques, seguramente dois dos quatro melhores médios centrais do mundo, Gerrard e Lampard têm de jogar sempre!

Foto: StevenGerrard.net

5 comentários:

Gui disse...

Não só podem, como devem jogar juntos. Encaixando os dois nas posições certas como Capello vem fazendo e com Rooney na frente, a Inglaterra se candidata como favorita a Copa 2010. Mas entre eles, prefiro Gerrard. Abraços.

Daniel Leite disse...

Certamente, Guilherme, a Inglaterra está entre as três seleções que qualificaria como "grandes favoritas" ao título mundial em 2010. Brasil e Espanha também têm apresentado consistência.

Sobre a comparação entre Gerrard e Lampard, à qual não quis fazer clara referência no texto, acho-a muito subjetiva. É impossível "cravar" que um deles seja melhor. Mas, particularmente, também prefiro Gerrard. Acredito que seja mais completo e mentalmente mais forte.

Até mais!

Leandrus disse...

Eu também acho que é necessário sim escalar os dois juntos, e por isso Capello merece os méritos por fazer isso fazendo ambos jogar bem. Sorte dos dirigentes ingleses que viram um técnico competente disponível no mercado e apostaram nele. E como eu disse no meu twitter, ainda tem uns brasileiros que não gostam dele por ser muito rígido...

Ateh!

Paulo Pereira disse...

Finalmente, acrescento eu, encerrou-se uma polémica sem sentido. Lampard e Gerrard são, como é óbvio, compatíveis, elevando o nível da selecção das rosas. E esta, agora com Capello ao comando, agradece.

O Mundial da África do Sul assistirá, por certo, a onze súbditos de Sua Majestade dispostos a escreverem história. Qualidade têm, podendo ombrear com qualquer outro candidato.

ps: Gostei da recordação da proveniência de Lampard. West Ham. Joe Cole, Rio Ferdinand e, como treinador, o tio e mentor, Harry Redknapp.

Daniel Leite disse...

Tachá-lo de rígido é até aceitável, Leandrus (mesmo que isso não seja motivo para ele ser "odiado"). Absurdo seria se alguém o chamasse de "retranqueiro" depois da revolução que Capello comandou na Seleção Inglesa. Escalar Lampard, Gerrard e Barry foi uma grande vitória, por assim dizer.

Também acredito que o debate não fazia muito sentido, Paulo. Não era uma questão de incompatibilidade, mas de incapacidade dos antigos treinadores, que não buscavam alternativas para fazer o esquema funcionar. Obviamente, Lampard e Gerrard não podem ocupar o mesmo espaço do campo. Por isso, seria preciso aproveitar características específicas de ambos, como faz Capello com a explosão do Red e a capacidade de organizar do Blue.

Quanto à Academia do West Ham, a lista de revelações parece mesmo infinita. Além dos mencionados, lembro Michael Carrick, Jermain Defoe e Glen Johnson, todos nomes importantes para o English Team.

Até mais!