2 de dezembro de 2009

Azar da Copa


Comandada pelo experiente italiano Giovanni Trapattoni, a seleção irlandesa merecia uma lugar na próxima Copa do Mundo. Não falo de acrescentar uma nação ao torneio ou de impugnar a vaga francesa por conta do escandaloso toque na mão de Thierry Henry.

Ora, o futebol precisa conviver com imprevistos, ainda que sejam motivados por erros bisonhos. Desde que não impostos por má-fé, resultados são sagrados. O quarto lugar da Coreia do Sul em 2002 foi, certamente, mais "sujo" do que a classificação francesa, e ninguém pretende anulá-lo.

Refiro-me, então, à boa qualidade da seleção irlandesa, superior à de vários conjuntos europeus classificados, como Eslováquia, Eslovênia, Suíça e, arrisco-me a dizer, Grécia. Há mais de dois anos sem seu jogador com mais recursos técnicos, o time se sustenta à custa de um esquema sólido e da evolução tática e técnica de seus jogadores.

Nesse sentido, a Irlanda atua como se fosse uma equipe média da Premier League: todos os titulares jogam na Inglaterra, sendo que apenas o zagueiro Sean St. Ledger (Middlesbrough) não se exibe na principal divisão do futebol inglês.

O goleiro é o melhor da Premier League há muito tempo. Shay Given, do Manchester City, é ágil, mentalmente forte e, com atuações magníficas, capaz de garantir resultados positivos. Apoiam-no no sistema defensivo o lateral John O'Shea, que tem sido a primeira opção de Ferguson no Manchester United, e o experiente David Dunne, ex-capitão do Manchester City e atual peça de segurança na retaguarda do Aston Villa.

O bom St. Ledger, de vários serviços prestados ao Preston North End, e o polivalente Kevin Kilbane, do Wigan, não são exatamente estrelas internacionais, mas servem de ótimo complemento à defesa.

O meio-de-campo, como subentendido, poderia contar com Stephen Ireland, do Manchester City. Entretanto, não há tanto a lamentar: Glenn Whelan, do Stoke City, é ótimo marcador, enquanto Darron Gibson, do Manchester United, seria uma grande promessa para a Copa. Basta recordar os dois gols que marcou ontem, pela Carling Cup, em partida diante do Tottenham.

Pelos lados, há mais alternativas. Trap pode contar com o experimentado Damien Duff, hoje no Fulham, e Lian Lawrence, right winger do Stoke City, para a equipe titular. Stephen Hunt, do Hull City, e Andy Reid, do Sunderland, também são ótimas opções.

No ataque, o capitão Robbie Keane parece sempre pronto para assumir responsabilidades. Com 41 gols, o líder do Tottenham é o artilheiro da história da seleção irlandesa. A frieza ao marcar contra a França denuncia sua importância. Seu companheiro é Kevin Doyle, atualmente no Wolverhampton. Pelo Reading, ele impressionou na Premier League 2006/07, quando marcou 13 vezes.

Os irlandeses são, portanto, mais do que um bando de reivindicadores de vaga na Copa ou de coitadinhos injustiçados, conforme a crítica mundial os têm tratado. Quem gosta de aplicação tática e eficiência em contra-ataques sentirá falta da Irlanda em 2010. Você se lembra do sofrimento que a equipe impôs aos espanhóis nas oitavas-de-final em 2002? Pois bem. A ausência dos Boys in Green na África do Sul é, antes de tudo, um azar da Copa.

Foto: The Guardian

5 comentários:

Carlos d'Andréa disse...

Questões técnicas à parte, sou um fã da seleção da Irlanda. Os caras são muito limitados, nunca ganharam nada, mas gostam absurdamente do futebol. Eu adoraria assistir um jogo ao lado deles.

Expedito Paz disse...

A Irlanda com o Trapattoni tava jogando praticamente num 4-2-4, com os dois wingers atacando bastante, além dos dois atacantes mais fixos. Eu gosto de Given, Robbie Keane e McGeady. Uma pena eles não estarem na Copa.

Marcelo Studart disse...

Me amarrei no post cara. Mandou muito bem! Melhor ainda é a imagem pra ilustrar a escalação! Football Manager! *-*

De qualquer forma, eu gostaria mais de ver os irlandeses na copa do que os franceses. Mais os bosnios que os portugueses. Enfim, essas coisas acontecem! A Argentina não ganhou a Copa de 86?

Abraços!

Diário dos Esportes Golaço disse...

Muito legal o Post parabéns;

Só não concordo quando diz que oi time da Irlanda é mais qualificado do que o da Eslováquia e até mesmo o da Suíça. Não que seja pior. Mas se você andar vendo uns jogos, principalmente da Eslováquia verás que o time não é ruim não, pelo contrário, chego até a classificá-lo como médio. Tem uma boa zaga, comandada por Skrtel, do Liverpool. Um meio campo que marca bem, e tem técnica. O craque do time é o Hamsik, do Napoli, que chuta muito bem de fora da área, tem grande visão de jogo e é ambidestro.

Em suma, num resumo básico não tenho dúvidas em afirmar que o time da Eslováquia é nivelado com o da Irlanda. Se formos analisarmos posição por posição, pode até ser que a Irlanda leve a melhor, mas num conjunto, acho as duas equipes iguais. A velocidade do time eslovaco no meio-de-campo é impressionante, eles tocam a bola com muita rapidez. Os atacantes muitas vezes jogam aberto e dão trabalho às zagas adversárias.

Quanto à questão da Coréia do Sul em 2002, concordo plenamente. Foi muito pior do que esta do Henry, que na minha opinião, foi fruto do instinto do atacante.

Abraços, em breve no http:diarioesportivogolaco.blogspot.com uma cobertura inédita dos grupos da copa e suas respectivas análises.

Daniel Leite disse...

É verdade, Carlos. Conheço apenas um irlandês que não gosta de futebol: o Stephen Ireland, de quem falei na postagem...

Boa lembrança, Expedito. Não mencionei o McGeady, mas há cinco anos ele tem sido importante no Celtic. Pelos flancos no meio-de-campo, ou mesmo ao lado de Robbie Keane, poderia ser uma opção interessante. Seja bem-vindo ao blog!

Muito legal recebê-lo também, Marcelo. É por isso sempre digo: Football Manager é uma das melhores invenções da década!

De fato, Lucas. Você tem razão quando chama a atenção para a qualidade da Eslováquia. Não há na Irlanda um jogador como Hamsik, por exemplo. Talvez o desertor Ireland. Entretanto, ainda vejo os Boys in Green ocupando um patamar superior. Os eslovacos tiveram sorte por enfrentar uma República Tcheca em (péssima) fase de transição e um resto de chave um tanto fraco, visto que a Eslovênia acabou por conseguir vaga na repescagem. Num eventual confronto direto, a solidez irlandesa talvez fosse determinante.

Abraços a todos!