Um dos grandes nomes do Tottenham na temporada, Modric será um dos responsáveis por tentar levar os Spurs às semifinais da Liga dos CampeõesA primeira meta de José Mourinho no comando do Real Madrid foi cumprida. Após seis eliminações seguidas nas oitavas-de-finais da Uefa Champions League, o maior campeão da competição voltou a avançar de fase, após eliminar o Lyon, e espera continuar firme na disputa pela orelhuda. Para isso, terá que passar pelo surpreendente Tottenham, que na atual edição, superou a atual campeã Inter na fase de grupos e eliminou o Milan de Ibrahimovic nas oitavas de final. Nos dois únicos confrontos entre as duas equipes na história, o Real Madrid eliminou os londrinos na Copa Uefa de 1984/85, após empatar no Bernabéu e ganhar em White Hart Lane. Naquela temporada, o Real Madrid se sagraria o campeão da competição, após derrotar a Inter de Milão na final em Liverpool.
Para o grande confronto entre Real Madrid, sempre favorito, e Tottenham, sensação da competição, contamos, assim como na prévia de Arsenal x Barcelona, com a parceria dos amigos do blog Quatro Tiempos, especializado no futebol espanhol. Confira a prévia da partida e depois, nos dois sites, a análise dos confrontos. Quem escreve sobre os merengues é Rodrigo Zuckerman.
A temporada até aqui
Real Madrid: Invictos durante três meses na temporada, o Real Madrid vinha liderando a Liga Espanhola e passando por cima de seus adversários na Champions (com vitórias convincentes ante Milan e Ajax), mas voltou a sucumbir no superclássico contra o Barcelona, principal ponto de mudança na postura da equipe. A partir daí, a relação entre Mourinho e Valdano, dirigente do time, passou a se azedar por um único motivo: a contratação de mais um centroavante. Sem Higuaín por quatro meses (que operou o joelho), Valdano defendia a tese de que Benzema poderia ser mais utilizado para mostrar serviço, enquanto que Mou passou a não confiar mais no francês, que vinha recebendo muitas chances, mas não conseguia aproveitá-las. Hoje, porém, a história mudou: o franco-argelino é um dos jogadores mais fundamentais do Real Madrid e Adebayor, que acabou contratado, ainda não justificou os 3,5 milhões de euros pago por seu empréstimo e muito provavelmente não será comprado em definitivo ao término da temporada. Na Liga Espanhola, as chances de títulos pode ter chegado ao fim após a derrota para o Sporting Gijón, que sacramentou a perda da invencibilidade caseira de Mourinho em campeonatos nacionais que durava nove anos. Oito pontos atrás do Barcelona, o time de Chamartin concentrará suas forças na Champions e na Copa del Rey, onde terá um duro desafio: enfrentará o arquirrival Barcelona, no Mestalla.
Tottenham: Capitaneados pela excelente contratação de Rafael van der Vaart e pelo crescimento assustador de Gareth Bale, o Tottenham faz boa campanha na Premier League. Sempre tentando se manter entre os quatro primeiros colocados, vem batendo de frente com os times do Big Four e finalmente derrotou um desses clubes fora de casa, quando venceu o grande rival Arsenal de virada por 3 a 2. Porém, o rendimento dos Spurs caiu no último mês: os londrinos não vencem há quatro rodadas. É verdade que, além de três dessas partidas terem sido disputadas fora de White Hart Lane, a equipe sofreu por ter o seu departamento médico lotado. Porém, os jogos foram justamente contra os quatro últimos colocados do campeonato; logo, mesmo sem todos os titulares, o Tottenham poderia ter conseguido melhores resultados, ainda mais tendo boas opções no banco, principalmente do meio para frente. Com a queda, os comandados de Harry Redknapp se encontram na 5ª posição, a cinco pontos do 4ª colocado Chelsea. Por isso, parece prudente se doar ainda mais na Liga dos Campeões, onde o clube faz uma campanha memorável: depois de mostrar ao mundo quem é Bale e vencer a Inter de Milão em casa de forma incontestável, garantindo o primeiro lugar do grupo, eliminou o Milan nas oitavas de final com direito a vitória em San Siro.
Pontos fortes
Real Madrid: A grande novidade desta LC tem justamente a ver com a campanha do Real Madrid. Após muitas temporadas atuando de maneira medrosa, que irritava seus aficionados, José Mourinho chegou e conseguiu transformar a mentalidade dos jogadores merengues. As partidas contra o Milan, nas quais o Real Madrid jogou com a faca nos dentes e enorme inteligência tática, foi o divisor de águas na história recente do clube na principal competição europeia. Nas oitavas, principalmente na volta, contra o Lyon, o Real Madrid não deu espaço para uma nova eliminação e atuou de maneira agressiva. Parte destes méritos se deve também a mudança feita pelo técnico no esquema tático da equipe, que encontrou no 4-2-3-1 seu módulo mais equilibrado e eficiente. A ousadia do português contrasta e muito com a covardia que exibia Pellegrini em suas alterações previsíveis. Na linha de três da meiuca, Di Maria, Özil e Cristiano Ronaldo deram conta do recado durante o primeiro semestre, com um futebol rápido, inteligente e coletivo. Com as baixas de Cristiano Ronaldo, Benzema e Marcelo, o turco-alemão será o principal nome do duelo no Bernabéu. A ênfase no conjunto é algo bastante prezado por Mourinho, que trabalhou para construir uma mentalidade coletiva e de sacrifício por pontos sempre valiosos.
Tottenham: O Tottenham tem uma das melhores linhas de meio campo da Inglaterra, se não a melhor, graças à qualidade dos jogadores e à abundante mão-de-obra que Harry Redknapp possui para montar o meio. Com Bale e Lennon sofrendo com problemas físicos e não atuando em todos os jogos, Modric vem se tornado cada vez mais a principal peça desse setor: o croata tem se mostrado cada vez mais sensacional e é um dos melhores organizadores de jogo da Inglaterra. Além de contar com van der Vaart mais a frente (responsável pela utilização do 4-4-1-1, sendo o elo do meio com o ataque) e com Pienaar e Kranjcar como úteis reservas, o treinador dos Spurs ganhou recentemente uma grata opção: com poucas opções para a faixa central, ele apostou em Sandro, que vem correspondendo muito bem. Depois de mostrar dificuldades para se adaptar ao ritmo corrido do futebol inglês, o brasileiro conseguiu uma série de grandes atuações e, com grande poder de marcação, pode até desbancar Huddlestone quando este voltar de contusão.
Pontos fracos
Real Madrid: O ponto fraco do Real Madrid talvez esteja no seu ponto mais forte para a partida. Sem Cristiano Ronaldo, Benzema e Marcelo para o jogo da ida, Özil e Di María serão os condutores da equipe, assim como Higuaín, retornando de lesão. Porém, os dois jogadores saíram-se terríveis no principal jogo do Real Madrid na temporada: no superclássico contra o Barcelona, os dois foram nulos e sucumbiram a Busquets, Piqué e Puyol. O turco-alemão caiu como uma graça no esquema de Mourinho e comparações com Zidane são inevitáveis, mas ainda falta provar mais. Contra o Lyon, nas oitavas-de-finais, também passou nulo na ida, e na volta, só acordou quando os merengues já tinham a classificação nas mãos. Outro problema é o desgaste do elenco num momento crucial na temporada. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Tottenham pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo. As laterais também preocupam. Ainda que o futebol de Marcelo tenha evoluido bastante, o brasileiro ainda carece na marcação (um dos principais motivos por Mourinho utilizar Arbeloa em jogos mais pesados). Sergio Ramos vive uma temporada de altos e baixos e não consegue mostrar a segurança de duas/três temporadas atrás. O espanhol será o marcador direto de Bale e a possibilidade da torcida do Tottenham cantar taxi for Sergio Ramos existe.
Tottenham: A preocupação natural é o setor defensivo. Se, naturalmente, os wingers do Tottenham são o destaque do time, os laterais são o elo fraco: Corluka é não mais que regular e Assou-Ekotto, embora faça boa temporada, marca muito mal – algo péssimo para quem terá de marcar jogadores do Real Madrid. Gomes também preocupa: sua fase mais instável já passou, mas ele ainda se mostra um goleiro propenso a erros numa partida em que esteja sendo o melhor do jogo. Já seca de gols de Defoe e as contusões que assolam o clube são as preocupações secundárias. O atacante inglês, uma máquina de fazer gols na temporada passada, vem fazendo uma campanha muito abaixo do seu nível. Enquanto isso, os problemas físicos dificultam demais a tarefa de Harry Redknapp na montagem da equipe: Bale e van der Vaart, por exemplo, caíram de produção desde que se machucaram e tiveram que retornar longe da forma ideal – sendo que o galês volta e meia precisa retornar ao departamento médico. Mas o problema maior está na defesa: com Hutton, Gallas, King, Woodgate e Kaboul machucados, o inglês tem de se virar para escalar o setor defensivo – tanto que, no último jogo, contra o Wigan, só possuía dois zagueiros em totais condições de jogo.
Expectativas
Real Madrid: Diferentemente da temporada passada, onde gastou além das contas, o mercado do Real Madrid foi cirúrgico, mas trouxe jogadores que soube fixar seu lugar no time titular (à exceção de Canales e Pedro Leon). A principal contratação não joga, mas deu jeito no time. José Mourinho já chegou mudando a equipe e estruturou o Real Madrid num 4-2-3-1, com uma defesa bem sólida que as anteriores, formada por Ricardo Carvalho e Pepe, e uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo, formada por Özil, Di Maria e Cristiano Ronaldo. Como o título da Liga ficou extremamente difícil após o último final de semana, quando o Real Madrid tropeçou em casa para o Sporting Gijón e deixou o Barcelona abrir oito pontos de vantagem, os blancos devem apostar tudo nos dois confrontos contra o Tottenham. Se nas últimas partidas da Liga, os comandados de Mourinho têm mostrado certa preguiça, não há dúvidas de que na Champions, a raça e a disposição prevalecerá, tornando o duelo mais atrativo.
Tottenham: A presença de Schalke 04 e Shakhtar entre os oito classificados permitiu ao Tottenham sonhar com confrontos mais tranquilos nas quartas de final e uma eventual passagem para as semifinais. Porém, o sorteio cruel fez com que os Spurs voltassem ao pensamento inicial: o objetivo era chegar às quartas de final, e o que viesse após isso seria lucro. O clube de Londres é o azarão por diversos motivos (por exemplo, o adversário possui um elenco melhor e está embalado pelo fim do tabu na competição e por ter José Mourinho) e ainda sofre com contusões que, se não prejudicam a montagem do time, fazem com que jogadores voltem fora da forma ideal. Porém, tirando o horroroso primeiro tempo feito contra a Inter de Milão em Giuseppe Meazza, na fase de grupos, o Tottenham tem mostrado uma excelente capacidade de se superar, se motivar e se concentrar na competição. É nessa rotina que os ingleses se agarram para superar os espanhóis.
Prováveis escalações
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Arbeloa; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Granero; Higuaín (Adebayor).
Tottenham: Gomes, Corluka, Dawson, Bassong (Gallas) e Assou-Ekotto; Lennon, Sandro, Modric, Bale (Pienaar); van der Vaart; Crouch.
Imagem: Zimbio
2 comentários:
A prévia foi muito bem feita, mas com a confirmação de Marcelo e Cristiano Ronaldo entre os titulares pelos jornais espanhois esta segunda, acho que o ponto fraco do Real Madrid passa a ser somente o centrovante.
O do Tottenham, sem dúvidas, é o lado direito da defesa. Sem seu lateral titular, e com a fragilidade defensiva de Lennon, o lado tem tudo para ser o grande mapa da mina para Marcelo e Cristiano Ronaldo.
Passa lá no blog quando puder.
Abração
Embora Hutton tenha sido titular durante uma parte da temporada, para mim Corluka é o dono da posição - não por ser exatamente superior, mas sim porque o escocês é bem fraco. Aliás, como o croata marca um pouco melhor, acredito que os problemas serão reduzidos; porém, sem dúvidas, os espanhóis deverão fazer um belo estrago por aquele setor.
Ateh!
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