7 de abril de 2011

Diversão cada vez mais sem graça

Queda livre do Blackpool em 2011 deixa Ian Holloway e seus jogadores em situação preocupante na Premier League

Ian Holloway, segundo ele próprio, está se divertindo na Premier League. A mentalidade ofensiva e corajosa que o Blackpool, equipe da qual é treinador, adota, entretém não só ele e os torcedores do clube como também os fãs do futebol inglês, surpresos por ver um time com um elenco digno de Championship atuar de forma tão atraente. Porém, a verdade é que a diversão está ficando cada vez mais sem graça.

Após completar 2010 na parte de cima da tabela e como uma das sensações da temporada, os Tangerines vêm sofrendo uma queda impressionante de rendimento. A pesada derrota para o Fulham por 3 a 0 na última rodada piorou um triste retrospecto: em 2011, o Blackpool só venceu dois e perdeu nove dos quatorze jogos que disputou pela Premier League, conquistando apenas nove dos quarenta e dois pontos possíveis. Com isso, a equipe caiu para a 17ª posição no campeonato, e está a apenas um ponto da zona de rebaixamento.

Nesse ano, as deficiências do Blackpool ficaram bem evidentes. A equipe, por exemplo, é dependente demais de Charlie Adam, que organiza todo o jogo do time; logo, quando ele não consegue aparecer muito para o jogo, a produção do time cai. O estilo ofensivo, de certa forma, também ficou manjado: depois de serem surpreendidos por verem um time teoricamente fraco atacando sempre que podia, os adversários finalmente se tocaram de que um pouco mais de solidez defensiva era um grande passo para bater os Seasiders.

Foi aí que o principal defeito do Blackpool ficou escancarado: a fragilidade defensiva. Os comandados de Holloway defendem muito, muito mal. Ao descobrirem que era preciso um pouco mais de cautela para combater os Tangerines, os rivais também perceberam que a defesa da equipe era muito fraca, desorganizada e insegura. O resultado disso é mostrado em números: além de ter ganho pouquíssimos jogos recentemente, a equipe se tornou a defesa mais vazada da Premier League, após ter tomado 63 gols, possui a 6ª melhor campanha longe dos próprios domínios (chegou a ser a 4ª nesse quesito) e tem a pior em casa.

Com a queda de produção, Ian Holloway já faz as contas para se livrar do rebaixamento: segundo ele, conseguir mais 6 pontos e alcançar 39 já são suficientes. A princípio, parece pouco. Porém, certo é que os Tangerines necessitam de maior solidez defensiva para se manter na competição. Isso não significa entrar numa retranca digna de clubes pequenos: o grande mérito do treinador foi ter colocado seu time jogando para frente, sem preocupação se tinha um bom elenco para isso ou não; logo, devem manter seu poderio ofensivo. O que sua equipe precisa é de maior organização e concentração em tal setor. Concentração que, aliás, deveria ter vindo há um bom tempo: o Blackpool já tomou diversos gols nos últimos minutos de várias partidas; se isso não tivesse acontecido na maioria das vezes, já estaria até com os 39 pontos pretendidos pelo treinador.

Imagem: The Guardian

5 de abril de 2011

Crítica: Real Madrid 4 x 0 Tottenham

Adebayor, ex-atacante do Arsenal, grande rival do Tottenham, foi um dos responsáveis pelo massacre em cima dos Spurs ao marcar dois gols

Texto de Rodrigo Zuckerman, do Quatro Tiempos

Contra o Lyon, o Real Madrid quebrou o estigma de amarelar nas oitavas de finais da Liga dos Campeões da Uefa e avançou de fase pela primeira vez em seis anos. Porém, a maior afirmação de que o Real Madrid de Mourinho é outro veio hoje no duelo contra o Tottenham: a vitória de 4 a 0 colocou os merengues a um passo de uma semifinal que já não vem desde de 2003/2004, quando os blancos acabaram eliminados pela Juventus. Tudo bem que o Tottenham sentiu muito a falta de um centroavante de ofício desde os 15 minutos do primeiro tempo, quando Crouch foi expulso de uma maneira estabanada, e a falta de Lennon, que sentiu uma lesão no aquecimento. Porém, não há nenhum mérito para tirar desta vitória madridista: os onze chutes a gol contra apenas um dos londrinos representam bem o que foi a partida.

Mourinho fez mistério durante toda a semana. Na sexta-feira, na coletiva pré-jogo contra o Sporting Gijón, havia assegurado que Benzema, Marcelo e Cristiano Ronaldo não estariam aptos à partida de ida contra o Tottenham. Entretanto, o paradigma mudou após a derrota para o Sporting Gijón no sábado, que praticamente confirmou o Barcelona como campeão espanhol desta temporada. Sem saída após a péssima partida feita, Mourinho não teve outro jeito: convocou Marcelo e Cristiano Ronaldo para o duelo, assim como Kaká. Nas quatro linhas, o português, apesar do gol, não foi brilhante, enquanto que o brasileiro ditou o ritmo da partida. Dono de uma excelente atuação, Marcelo não teve trabalho com Van der Vaart, que havia provocado seu ex-time antes do jogo.

A atuação mais surpreendente ficou por conta de Sergio Ramos. O lateral direito fez uma partida que lembrou aquele lateral de 2007/2008 e apesar de algumas desatenções com Gareth Bale, muito veloz, soube conter bem o galês na bola. Pepe, por sua vez, não deixou de cometer suas faltas bobas e acabou recebendo um cartão amarelo em um dos ataques do camisa três do Spurs, o que o tira do jogo da volta no WHL. Escalado no 4-2-3-1, toda a tática de Harry Redknapp foi por água abaixo logo nos primeiros minutos. Primeiro, aos três, quando Özil levantou e Adebayor testou firme para as redes de Gomes, que acabou enganado por Modric, que não afastou uma bola fácil. Depois, aos quinze, quando Crouch, com os nervos à flor da pele, cometeu falta em Marcelo, recebeu o segundo cartão amarelo e foi para os vestiários mais cedo.

Na parte ofensiva, o Real Madrid era infinitamente melhor, mas faltava ser mais incisivo. Özil, como alertávamos na prévia, parecia estar em outro mundo e foi facilmente batido por Sandro. Cristiano Ronaldo, por sua vez, sentiu um pouco a falta de ritmo e não levou muito perigo à meta de Gomes em boa parte da primeira etapa. Assou-Ekotto parecia nervoso e tomou um baile de Di María, um dos melhores em campo, enquanto Adebayor levava clara vantagem pelo alto. O togolês, que vinha fazendo más partidas, deu a volta por cima e foi ovacionado pela torcida merengue presente no Bernabéu.

No intervalo, Redknapp tentou concertar o erro de Peter Crouch. Sacou um decepcionante Van der Vaart, bem vaiado pelos aficionados merengues, para colocar Defoe. Assim, Modric passou a jogar mais aberto pela direita e Bale, que - estranhamente - passou os primeiros trinta minutos da primeira etapa na direita, passou a atuar com mais contundência pela esquerda. Percebendo isso, Mourinho resolveu sacar Khedira, muito ofensivo hoje, para colocar em campo Lass Diarra, que ficou responsável pela cobertura da marcação do galês. À medida que os minutos passavam, o volume de jogo do Real Madrid só crescia e o segundo gol não tardou a chegar. Aos 12 minutos, Marcelo fez boa jogada pra cima de Gallas e cruzou na medida para Adebayor, novamente em vantagem pelo alto, cabecear no canto direito de Gomes, que nada pôde fazer. A partir daí, a torcida madridista, que já fazia muita festa, inflamou o Bernabéu e foi ao delírio aos 26 minutos, quando um onipresente e incansável Di María recebeu de Özil, que subiu de produção, e, com extrema categoria, acertou um feliz chute no ângulo direito do goleiro brasileiro.

Com os 3 a 0, Mourinho deu chances a Kaká e Higuaín, para ganharem ritmo. O brasileiro mostrou vontade e até ensaiou algumas de suas características arrancadas. E foi a partir de uma jogada do meio-campista brasileiro que Cristiano Ronaldo sacramentou a partida. Kaká tabelou com Marcelo e, de esquerda, cruzou na medida para Cristiano Ronaldo, que, de primeira, acertou um belo chute de direita, chegando ao seu quinto gol nesta edição da Champions. A de se destacar a contribuição de Gomes no gol do gajo.

O resultado dará uma injeção extra de ânimo para o Real Madrid para a continuidade da temporada. Se, na Liga Espanhola, Mourinho parece ter jogado a toalha, a equipe continua muito viva e concentrada na principal competição europeia, sem contar a final da Copa do Rei contra o Barcelona, aquele que pode ser seu adversário numa histórica semifinal. Na coletiva, os jogadores seguraram a euforia, mas não há como esconder: o Real Madrid deu um sólido passo para a semifinal da Liga dos Campeões da Uefa.

Real Madrid 4x0 Tottenham
Real Madrid: Casillas; Sérgio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho e Marcelo; Xabi Alonso, Khedira (Lass Diarra), Özil e Di María (Kaká); Cristiano Ronaldo e Adebayor (Higuaín)
Tottenham: Gomes; Corluka (Bassong), Gallas, Dawson e Assou-Ekoto; Sandro, Modric, Lennon, Van der Vaart (Defoe) e Bale; Crouch
Árbitro: Felix Brych (ALE)
Cartão amarelo: Pepe e Adebayor (REA) Van der Vaart e Defoe (TOT)
Cartão vermelho: Crouch (TOT)

4 de abril de 2011

Prévia: Real Madrid x Tottenham

Um dos grandes nomes do Tottenham na temporada, Modric será um dos responsáveis por tentar levar os Spurs às semifinais da Liga dos Campeões

A primeira meta de José Mourinho no comando do Real Madrid foi cumprida. Após seis eliminações seguidas nas oitavas-de-finais da Uefa Champions League, o maior campeão da competição voltou a avançar de fase, após eliminar o Lyon, e espera continuar firme na disputa pela orelhuda. Para isso, terá que passar pelo surpreendente Tottenham, que na atual edição, superou a atual campeã Inter na fase de grupos e eliminou o Milan de Ibrahimovic nas oitavas de final. Nos dois únicos confrontos entre as duas equipes na história, o Real Madrid eliminou os londrinos na Copa Uefa de 1984/85, após empatar no Bernabéu e ganhar em White Hart Lane. Naquela temporada, o Real Madrid se sagraria o campeão da competição, após derrotar a Inter de Milão na final em Liverpool.

Para o grande confronto entre Real Madrid, sempre favorito, e Tottenham, sensação da competição, contamos, assim como na prévia de Arsenal x Barcelona, com a parceria dos amigos do blog Quatro Tiempos, especializado no futebol espanhol. Confira a prévia da partida e depois, nos dois sites, a análise dos confrontos. Quem escreve sobre os merengues é Rodrigo Zuckerman.

A temporada até aqui
Real Madrid: Invictos durante três meses na temporada, o Real Madrid vinha liderando a Liga Espanhola e passando por cima de seus adversários na Champions (com vitórias convincentes ante Milan e Ajax), mas voltou a sucumbir no superclássico contra o Barcelona, principal ponto de mudança na postura da equipe. A partir daí, a relação entre Mourinho e Valdano, dirigente do time, passou a se azedar por um único motivo: a contratação de mais um centroavante. Sem Higuaín por quatro meses (que operou o joelho), Valdano defendia a tese de que Benzema poderia ser mais utilizado para mostrar serviço, enquanto que Mou passou a não confiar mais no francês, que vinha recebendo muitas chances, mas não conseguia aproveitá-las. Hoje, porém, a história mudou: o franco-argelino é um dos jogadores mais fundamentais do Real Madrid e Adebayor, que acabou contratado, ainda não justificou os 3,5 milhões de euros pago por seu empréstimo e muito provavelmente não será comprado em definitivo ao término da temporada. Na Liga Espanhola, as chances de títulos pode ter chegado ao fim após a derrota para o Sporting Gijón, que sacramentou a perda da invencibilidade caseira de Mourinho em campeonatos nacionais que durava nove anos. Oito pontos atrás do Barcelona, o time de Chamartin concentrará suas forças na Champions e na Copa del Rey, onde terá um duro desafio: enfrentará o arquirrival Barcelona, no Mestalla.

Tottenham: Capitaneados pela excelente contratação de Rafael van der Vaart e pelo crescimento assustador de Gareth Bale, o Tottenham faz boa campanha na Premier League. Sempre tentando se manter entre os quatro primeiros colocados, vem batendo de frente com os times do Big Four e finalmente derrotou um desses clubes fora de casa, quando venceu o grande rival Arsenal de virada por 3 a 2. Porém, o rendimento dos Spurs caiu no último mês: os londrinos não vencem há quatro rodadas. É verdade que, além de três dessas partidas terem sido disputadas fora de White Hart Lane, a equipe sofreu por ter o seu departamento médico lotado. Porém, os jogos foram justamente contra os quatro últimos colocados do campeonato; logo, mesmo sem todos os titulares, o Tottenham poderia ter conseguido melhores resultados, ainda mais tendo boas opções no banco, principalmente do meio para frente. Com a queda, os comandados de Harry Redknapp se encontram na 5ª posição, a cinco pontos do 4ª colocado Chelsea. Por isso, parece prudente se doar ainda mais na Liga dos Campeões, onde o clube faz uma campanha memorável: depois de mostrar ao mundo quem é Bale e vencer a Inter de Milão em casa de forma incontestável, garantindo o primeiro lugar do grupo, eliminou o Milan nas oitavas de final com direito a vitória em San Siro.

Pontos fortes
Real Madrid: A grande novidade desta LC tem justamente a ver com a campanha do Real Madrid. Após muitas temporadas atuando de maneira medrosa, que irritava seus aficionados, José Mourinho chegou e conseguiu transformar a mentalidade dos jogadores merengues. As partidas contra o Milan, nas quais o Real Madrid jogou com a faca nos dentes e enorme inteligência tática, foi o divisor de águas na história recente do clube na principal competição europeia. Nas oitavas, principalmente na volta, contra o Lyon, o Real Madrid não deu espaço para uma nova eliminação e atuou de maneira agressiva. Parte destes méritos se deve também a mudança feita pelo técnico no esquema tático da equipe, que encontrou no 4-2-3-1 seu módulo mais equilibrado e eficiente. A ousadia do português contrasta e muito com a covardia que exibia Pellegrini em suas alterações previsíveis. Na linha de três da meiuca, Di Maria, Özil e Cristiano Ronaldo deram conta do recado durante o primeiro semestre, com um futebol rápido, inteligente e coletivo. Com as baixas de Cristiano Ronaldo, Benzema e Marcelo, o turco-alemão será o principal nome do duelo no Bernabéu. A ênfase no conjunto é algo bastante prezado por Mourinho, que trabalhou para construir uma mentalidade coletiva e de sacrifício por pontos sempre valiosos.

Tottenham: O Tottenham tem uma das melhores linhas de meio campo da Inglaterra, se não a melhor, graças à qualidade dos jogadores e à abundante mão-de-obra que Harry Redknapp possui para montar o meio. Com Bale e Lennon sofrendo com problemas físicos e não atuando em todos os jogos, Modric vem se tornado cada vez mais a principal peça desse setor: o croata tem se mostrado cada vez mais sensacional e é um dos melhores organizadores de jogo da Inglaterra. Além de contar com van der Vaart mais a frente (responsável pela utilização do 4-4-1-1, sendo o elo do meio com o ataque) e com Pienaar e Kranjcar como úteis reservas, o treinador dos Spurs ganhou recentemente uma grata opção: com poucas opções para a faixa central, ele apostou em Sandro, que vem correspondendo muito bem. Depois de mostrar dificuldades para se adaptar ao ritmo corrido do futebol inglês, o brasileiro conseguiu uma série de grandes atuações e, com grande poder de marcação, pode até desbancar Huddlestone quando este voltar de contusão.

Pontos fracos
Real Madrid: O ponto fraco do Real Madrid talvez esteja no seu ponto mais forte para a partida. Sem Cristiano Ronaldo, Benzema e Marcelo para o jogo da ida, Özil e Di María serão os condutores da equipe, assim como Higuaín, retornando de lesão. Porém, os dois jogadores saíram-se terríveis no principal jogo do Real Madrid na temporada: no superclássico contra o Barcelona, os dois foram nulos e sucumbiram a Busquets, Piqué e Puyol. O turco-alemão caiu como uma graça no esquema de Mourinho e comparações com Zidane são inevitáveis, mas ainda falta provar mais. Contra o Lyon, nas oitavas-de-finais, também passou nulo na ida, e na volta, só acordou quando os merengues já tinham a classificação nas mãos. Outro problema é o desgaste do elenco num momento crucial na temporada. Mourinho, nem um pouco afeito a rodízio de jogadores, contribui um pouco para este desgaste ao dar pouco descanso para os titulares em momentos importantes da temporada. Fato é que jogar cansado contra uma equipe veloz como o Tottenham pode ser mortal caso os jogadores não ocupem bem os espaços em campo. As laterais também preocupam. Ainda que o futebol de Marcelo tenha evoluido bastante, o brasileiro ainda carece na marcação (um dos principais motivos por Mourinho utilizar Arbeloa em jogos mais pesados). Sergio Ramos vive uma temporada de altos e baixos e não consegue mostrar a segurança de duas/três temporadas atrás. O espanhol será o marcador direto de Bale e a possibilidade da torcida do Tottenham cantar taxi for Sergio Ramos existe.

Tottenham: A preocupação natural é o setor defensivo. Se, naturalmente, os wingers do Tottenham são o destaque do time, os laterais são o elo fraco: Corluka é não mais que regular e Assou-Ekotto, embora faça boa temporada, marca muito mal – algo péssimo para quem terá de marcar jogadores do Real Madrid. Gomes também preocupa: sua fase mais instável já passou, mas ele ainda se mostra um goleiro propenso a erros numa partida em que esteja sendo o melhor do jogo. Já seca de gols de Defoe e as contusões que assolam o clube são as preocupações secundárias. O atacante inglês, uma máquina de fazer gols na temporada passada, vem fazendo uma campanha muito abaixo do seu nível. Enquanto isso, os problemas físicos dificultam demais a tarefa de Harry Redknapp na montagem da equipe: Bale e van der Vaart, por exemplo, caíram de produção desde que se machucaram e tiveram que retornar longe da forma ideal – sendo que o galês volta e meia precisa retornar ao departamento médico. Mas o problema maior está na defesa: com Hutton, Gallas, King, Woodgate e Kaboul machucados, o inglês tem de se virar para escalar o setor defensivo – tanto que, no último jogo, contra o Wigan, só possuía dois zagueiros em totais condições de jogo.

Expectativas
Real Madrid: Diferentemente da temporada passada, onde gastou além das contas, o mercado do Real Madrid foi cirúrgico, mas trouxe jogadores que soube fixar seu lugar no time titular (à exceção de Canales e Pedro Leon). A principal contratação não joga, mas deu jeito no time. José Mourinho já chegou mudando a equipe e estruturou o Real Madrid num 4-2-3-1, com uma defesa bem sólida que as anteriores, formada por Ricardo Carvalho e Pepe, e uma linha de três extremamente ofensiva no meio-campo, formada por Özil, Di Maria e Cristiano Ronaldo. Como o título da Liga ficou extremamente difícil após o último final de semana, quando o Real Madrid tropeçou em casa para o Sporting Gijón e deixou o Barcelona abrir oito pontos de vantagem, os blancos devem apostar tudo nos dois confrontos contra o Tottenham. Se nas últimas partidas da Liga, os comandados de Mourinho têm mostrado certa preguiça, não há dúvidas de que na Champions, a raça e a disposição prevalecerá, tornando o duelo mais atrativo.

Tottenham: A presença de Schalke 04 e Shakhtar entre os oito classificados permitiu ao Tottenham sonhar com confrontos mais tranquilos nas quartas de final e uma eventual passagem para as semifinais. Porém, o sorteio cruel fez com que os Spurs voltassem ao pensamento inicial: o objetivo era chegar às quartas de final, e o que viesse após isso seria lucro. O clube de Londres é o azarão por diversos motivos (por exemplo, o adversário possui um elenco melhor e está embalado pelo fim do tabu na competição e por ter José Mourinho) e ainda sofre com contusões que, se não prejudicam a montagem do time, fazem com que jogadores voltem fora da forma ideal. Porém, tirando o horroroso primeiro tempo feito contra a Inter de Milão em Giuseppe Meazza, na fase de grupos, o Tottenham tem mostrado uma excelente capacidade de se superar, se motivar e se concentrar na competição. É nessa rotina que os ingleses se agarram para superar os espanhóis.

Prováveis escalações
Real Madrid: Casillas; Sergio Ramos, Pepe, Ricardo Carvalho, Arbeloa; Xabi Alonso, Khedira; Di María, Özil, Granero; Higuaín (Adebayor).

Tottenham: Gomes, Corluka, Dawson, Bassong (Gallas) e Assou-Ekotto; Lennon, Sandro, Modric, Bale (Pienaar); van der Vaart; Crouch.

Imagem: Zimbio

3 de abril de 2011

31ª rodada - Comentários

Chicharito Hernandez e Wayne Rooney, um dos grandes nomes da rodada, levaram o Manchester United a uma grande vitória sobre o West Ham e asseguraram a liderança dos Red Devils na Premier League

A 31ª rodada foi extremamente benéfica ao Manchester United: os Red Devils venceram o West Ham de virada fora de casa e ainda se distanciaram de Chelsea e Arsenal após estes apenas empatarem seus jogos. A sete pontos do segundo colocado, os mancunianos, mesmo sem brilharem durante o campeonato, se veem cada vez mais perto do título. Na parte de baixo da tabela, destaque para Fulham, West Brom e Birmingham, que se distanciaram por um tempo da zona de rebaixamento. Abaixo, os comentários da rodada; aqui, a classificação geral.

West Ham 2 x 4 Manchester United ernanH(Noble (2); Rooney (3), Hernandez) – O maior erro do time da casa nesse jogo foi voltar para o segundo tempo com uma postura muito defensiva, após retornar a campo vencendo graças a dois gols de pênalti. Devido a isso, um rejuvenescido Manchester United, capitaneado por um voluntarioso e fantástico Rooney, sufocou e acuou o adversário até conseguir o primeiro gol, e aproveitou o momento de desespero dos Hammers, sem saber o que fazer após ver Green ser vazado pela primeira vez na partida, para reverter a situação. É pela eficiência e pelos tropeços dos rivais que os Red Devils conseguem se manter na primeira posição, agora a sete pontos do Arsenal e a onze do Chelsea. Já o West Ham está em 18º, com 32 pontos, mas possui boas chances de recuperação.

Birmingham 2 x 1 Bolton (Phillips, Gardner; Elmander) – Todos os jogadores do Birmingham terão de dar parte do bicho do jogo para Ben Foster. Melhor jogador dos Blues na temporada, o goleiro inglês fez excelentes intervenções durante períodos em que o Bolton foi muito superior e garantiu uma importante vitória para o time da casa, agora fora da zona de rebaixamento – com 34 pontos, está na 15ª posição. Já os Wanderers, depois da segunda derrota seguida em que ficaram com a sensação de que poderiam ter levado um ponto para casa, estão na 8ª posição, com 40 pontos e cada vez mais distante da Liga Europa.

Everton 2 x 2 Aston Villa (Osman, Baines; Bent (2)) – Um jogo em que ambas as equipes não saíram satisfeitas: anfitrião e visitante acharam que poderiam ter vencido e se sentiram prejudicados por lances duvidosos – o Everton, através de Beckford, teve um gol aparentemente mal anulado, e o Aston Villa teve um pênalti contra si contestado. De qualquer maneira, é bom que se saiba que os Toffees (que jogaram com um time extremamente desfalcado), mesmo em 7º, com 41 pontos, continuam tendo uma campanha irregular; enquanto isso, o Villa, em 16º, com 34 pontos, ainda tem problemas para escapar da zona de rebaixamento. Pelo menos ficou provado que Darren Bent, o melhor do jogo, está pronto para compensar os erros da frágil defesa de seu time.

Newcastle 4 x 1 Wolverhampton (Nolan, Ameobi, Lovenkrands, Gutierrez; Evanks-Blake) – O Newcastle só havia vencido uma partida nos últimos dez jogos. Os Wolves estavam há quatro jogos invictos. Logo, o resultado final da partida parece ser inexplicável. Porém, não é. Os visitantes foram surpreendidos por defenderem muito mal – algo estranho para quem estava tão bem nesse setor ultimamente – e pela grande exibição de Joey Barton, o nome do jogo. Os Magpies finalmente podem respirar um pouco: com 39 pontos, pularam para 9º. Os Wolves, agora em 19º, com 32 pontos, continuam na UTI.

Stoke 1 x 1 Chelsea (Walters; Drogba) – As duas equipes conseguiram proporcionar um jogo cheio de oportunidades e muito divertido – porém, como a partida deveria ter uma pitada do estilo rude do Stoke, também foi bem pegado. Ambos os times tiveram seus grandes momentos, tanto que Petr Cech, por ter feito defesas salvadoras e muito difíceis, pode ser considerado o nome do jogo. Fernando Torres foi levemente desmoralizado, começando a partida no banco e vendo Drogba empatar o jogo. Porém, o clube tem mais motivos para reclamar do que o azarado espanhol: em 4º e agora a 11 pontos do Manchester United, os Blues, na condição de azarões pelo título, estão numa situação ainda mais complicada na luta pela liderança. Já os Potters, na sua usual zona de segurança, é 11º, com 38 pontos.

West Brom 2 x 1 Liverpool (Brunt (2); Skrtel) – Brunt, depois de só anotar mais uma assistência após disparar em tal lista com dez passes para gol, voltou aos noticiários ao marcar dois gols de pênalti. Porém, a estrela do jogo foi Roy Hodgson. O técnico disse que o resultado não foi uma vingança ao seu ex-clube, mas certamente foi interessante vê-lo levar seu novo time a uma vitória contra o Liverpool – a primeira nos últimos dez encontros entre as equipes. Porém, mais interessante do que isso é perceber que Hodgson está invicto com o West Brom, que venceu duas vezes e empatou três com ele no comando. Na 12ª posição e com 36 pontos, os Baggies mostram que consertaram o erro de demitir Roberto Di Matteo contratando um treinador que sabia e soube montar uma equipe muito consistente e organizada. Já os Reds, em 6º, com 45 pontos, começam a se distanciar da Liga Europa.

Wigan 0 x 0 Tottenham – Na temporada passada, o Tottenham derrotou o Wigan por 9 a 1 em casa e 3 a 0 fora; na atual, perderam por 1 a 0 em White Hart Lane e empataram sem gols no DW Stadium. Porém, pior do que pensar dessa forma, é pensar que o Tottenham tem perdido diversos pontos para os times da parte de baixo da tabela, algo quase inadmissível – é justamente por isso que estão em 5º, com muitas dificuldades para entrar na zona da UCL. No jogo de ontem, tentando poupar jogadores para o confronto contra o Real Madrid, Redknapp armou o time no 4-4-2, com Defoe e Pavlyuchenko no ataque, van der Vaart voltando a compor a linha de quatro homens no meio e sem Bale (machucado) e Lennon (no banco) nas pontas. Não deu nada certo. Sorte é que o Wigan, embora tenha atuado bem, não aproveitou a oportunidade. Nada bom para que é o lanterna da Premier League.

Arsenal 0 x 0 Blackburn – Parece que alguma maldição caiu sobre o time do Arsenal desde a perda da Carling Cup. Desde então, o time tem colecionado diversas atuações muito pobres e só venceu uma de sete partidas disputadas – derrotou o nanico Leyton Orient, da League One, pela FA Cup. O jogo dessa rodada só provou como jogo dos londrinos não flui, assim como eles possuem uma dificuldade gigante para marcar gols. Agora a 7 pontos do Manchester United, na 2ª posição, os Gunners precisam de uma análise cuidadosa para que se entenda o porquê da queda vertiginosa desde o final de fevereiro. Enquanto isso, o Blackburn agradece por ter encontrado o Arsenal na em má forma: antes a seis jogos sem vencer, puderam sobreviver na luta ao rebaixamento, indo a 34 pontos e se estabelecendo na 14ª posição.

Fulham 3 x 0 Blackpool (Zamora (2), Etuhu) – Bobby Zamora marcou seus primeiros gols após a sua grave contusão sofrida no começo da temporada; coincidentemente, seu último tento antes de se machucar havia sido anotado contra o Blackpool. Os Tangerines, aliás, começam a entrar numa situação desesperadora, após mais um derrota em que voltaram a defender muito mal: só venceram uma vez no ano e estão em 17º, com 33 pontos. Já o Fulham, em 10º e com 38 pontos, continuam se recuperando muito bem no campeonato. Estranhamente, ninguém cita a ótima campanha de Mark Hughes a frente do clube após o Boxing Day, quando esteve perto de ser demitido enquanto os Cottagers estavam na zona de rebaixamento.

Manchester City 5 x 0 Sunderland (Johnson, Tevez, Silva, Vieira, Yaya Toure) – Roberto Mancini teve um acesso de loucura e finalmente escalou um time mais ofensivo, com Tevez e Balotelli sendo municiados por Silva e Johnson, finalmente entre os titulares. A nova formação deu bons resultados, com o time goleando os visitantes sem contestação alguma. Se o treinador italiano tivesse arriscado mais durante o campeonato como hoje, os Citizens poderiam estar numa situação melhor do que a atual – estão em 3º, a dez pontos do Manchester United. Já a Sunderland provou que está numa queda livre preocupante: há sete jogos sem vencer, estão em 12º, com 38 pontos. E nem adiantar culpar Bent por isso: é impossível que a saída do atacante tenha desestabilizado um clube que tem o ataque formado por Gyan e Welbeck e ainda se reforçou com Muntari e Sessegnon no meio da temporada.

Imagem: BBC