7 de abril de 2010

Fogueira sem brasa

Quando Bullard cai, o KC Stadium vive um minuto de silêncio espontâneo

A eliminação do Manchester United diante do Bayern e a consequente ausência de representantes ingleses nas semifinais da Liga dos Campeões pela primeira vez desde 2003 ainda não caracterizam um cenário preocupante para o futebol nacional. Entretanto, despertam nossa atenção para outro aspecto: vários clubes da Premier League dependem excessivamente de seu principal jogador.

O retorno de Rooney estava previsto para a partida contra o Tottenham, no dia 24, pela 36ª rodada da Premier League. Estranhamente, o Shrek foi escalado 17 dias antes. Embora tenha feito boa figura, o atacante, substituído no segundo tempo, claramente atuou em condições inadequadas. Ferguson escolheu o risco por conta do provável incômodo com a impotência de seu conjunto, sem Rooney, durante a maior parte do jogo contra o Chelsea, no último sábado.

Confira os outros clubes muito dependentes da presença e inspiração de um jogador:

Arsenal, Cesc Fàbregas. O capitão dos Gunners marcou, contra o Barcelona, o gol que enterrou as chances de uma temporada vitoriosa no Emirates. No lance, o espanhol teve o quinto metatarso do pé esquerdo fraturado (tipo famoso de lesão na Inglaterra) e está praticamente fora da temporada. Sem ele, o Arsenal esteve próximo da nulidade no Camp Nou e deve perder pontos imprescindíveis na luta pelo título.

Manchester City, Carlos Tévez. O elenco dos Citizens é muito forte, especialmente em termos ofensivos. No entanto, a equipe só conseguiu rondar a quarta colocação quando Tévez iniciou uma sequencia notabilizada por hat-tricks, gols decisivos e atuações irrepreensíveis. Jogador do Mês de dezembro na Premier League, Carlitos, com 20 gols na liga, é o responsável pelo favoritismo do Manchester City na corrida pela Champions.

Liverpool, Fernando Torres. Torres é, certamente, um dos cinco melhores atacantes do mundo. Mas a dependência dos Reds em relação a El Niño não passa exatamente por isso. O Liverpool agoniza de forma assustadora sem o espanhol simplesmente porque não tem alternativas decentes. Quando Benítez chama N'Gog, os scousers sabem que o time precisará batalhar muito para marcar.

Sunderland, Darren Bent. O ex-atacante do Charlton tem 22 gols na Premier League, nove marcados nos quinze primeiros minutos dos jogos. A campanha dos Black Cats desabou quando, entre abstinência e lesão, Bent passou por uma fase não tão espetacular. A equipe de Steve Bruce, uma das mais agradáveis das rodadas iniciais, ficou 14 jogos sem vencer e chegou a correr risco de rebaixamento. Com Bent de volta à boa forma, uma curta sequência positiva já foi suficiente para tranquilizar o ambiente no Stadium of Light.

Hull City, Jimmy Bullard. Destaque no Wigan e, em menor escala, no Fulham, Bullard, de 31 anos, é um talento tardio. Desde janeiro de 2009 no KC Stadium, o inglês tem sofrido muito com lesões. O meia criativo foi o Jogador do Mês de novembro na Premier League ao elevar o padrão dos Tigers. Nas semanas em que (novamente) ficou fora por contusão, o time naufragou. Quando voltou, reacendeu as esperanças da equipe de escapar do rebaixamento.

*Há outros times em situação parecida, mas não considero que a dependência seja tão expressiva. O Tottenham, por exemplo, aprendeu a jogar sem Aaron Lennon.

Imagem: The Guardian

3 comentários:

Alessandro disse...

Ainda bem que meu Chelsea consegue se virar sem Drogba, apesar do meio campo sofrer um pouco sem Essien

twitter/sandroC25

Blog Esportivo Golaço disse...

Opa,

Concordo com tudo que voce time em todos esses times, com exceção de um, o Sunderland.

Não diria que os Gatos Negros dependem, realmente, tanto de Darren Bent. prova disso, foi o último jogo, em que Bent perdeu dois pênaltis e, mesmo assim, o Sunderland venceu.

Abs

Felipe Castro disse...

Bullard é uma das maiores figuras do futebol britânico. Figuraça!