24 de janeiro de 2011

É melhor deixar assim

Hat-trick contra Wigan foi um exemplo de que escalar van Persie como principal homem do ataque é uma opção válida, embora não tenha as características exatas para isso

Na última Copa do Mundo, ficou claro que Robin van Persie foi o elo fraco do setor ofensivo da seleção holandesa. Enquanto Sneijder brilhava e era ajudado pelos úteis Robben e Kuyt, o atacante do Arsenal estava abaixo do seu potencial na África do Sul. Porém, seu desempenho foi compreensível: era notável que a melhor posição para o jogador não era estar centralizado no ataque e de costas para o gol, como Bent van Markwijk o escalou durante todo o torneio.

Arsene Wenger, no entanto, escala o holandês da mesma forma no Arsenal - aliás, desde a saída de Adebayor para o Manchester City, na temporada passada. Há formas melhores de utilizá-lo, como já foi antecipado: van Persie é muito habilidoso e criativo, tendo seu potencial mais bem explorado se jogasse como um segundo atacante ou pelos lados do campo, partindo com a bola dominada em direção ao gol. Sua falta de porte físico para um homem de área, inclusive, pesa contra as possibilidades de atuar entre os zagueiros - e éclaro que dessa maneira o ataque do Arsenal carece de uma referência, embora ganhe em técnica.

Porém, é preciso reconhecer que a opção, embora duvidosa, vem dando certo. A produtividade recente do holandês prova isso. Depois de ver seu início de temporada prejudicado por lesões, van Persie tem sido sensacional: nos últimos seis jogos que disputou - todos em 2011 -, anotou sete gols: um pela Copa da Inglaterra e seis pela Premier League, marca impulsionada após seu hat-trick em cima do Wigan na rodada passada.

Sem dúvida, são números muito bons e que encorajam Wenger a mantê-lo na posição. Se mantiver a ótima forma atual, rapidamente se transformará no centroavante mais confiável do Arsenal. Os números provam isso: no campeonato local, van Persie, com seis gols, já marcou mais vezes do que Bendtner (duas vezes) e está próximo de Chamakh (que possui sete gols). Na temporada, a situação é similar: enquanto o marroquino balançou as redes dez vezes, o holandês conseguiu tal feito em oito oportunidades, e o dinamarquês, em apenas quatro. Isso tudo tendo atuado quinze vezes - Chamakh, por exemplo, já participou de vinte e oito jogos.

Há outro motivo para confiar no holandês: as suas já citadas alternativas. Se van Markwijk tinha apenas Huntelaar para substituir seu titular na Copa do Mundo, Wenger possui apenas Bendtner e Chamakh. E francamente: o primeiro se revela cada vez mais irritante e um mal finalizador, enquanto o segundo ainda se mostra um tanto irregular. Logo, a opção por centralizar o camisa 10 dos Gunners também é compreensível - embora evidencie a falta de atacantes mais renomados no elenco.

Além de tudo, a centralização de van Persie permite uma alocação muito melhor dos jogadores no Arsenal. Indo para o meio do ataque, ele deixa a posição na esquerda vaga para Nasri. O francês, aliás, substituía muito bem Fabregas no meio enquanto este se recuperava de contusões; porém, era obviamente impossível deixar o espanhol de fora após o seu retorno. Uma possível escalação dos dois no meio também não seria justo: afinal, tal opção faria com que Wilshere ou Song tivessem que sair do time. No momento, isso seria um equívoco: o inglês tem se mostrado um jovem muito talentoso, enquanto o camaronês evolui cada vez mais. Com Walcott na direita no lugar de um apagado Arshavin, essa é a melhor forma de aproveitar toda a boa fase e a técnica refinada possível do elenco.

Imagem: BBC

2 comentários:

Kel Morandi disse...

Van Persie ta impossivel mesmo. E a principio essa formação está funcionando. Mas é claro que os Gunners carecem de um homem de área, mas possuem otimos meias e meia-atacantes!

Leandrus disse...

Carecem mesmo de um homem de área. Acredito, aliás, que seria até melhor se o Arsenal contratasse um jogador específico para a posição, mesmo com a boa forma atual de van Persie - algo que deveria ter sido feito desde a saída de Adebayor.