23 de março de 2011

Ele já foi jogador: Kenny Dalglish

Atual técnico do Liverpool, Kenny Dalglish é uma das maiores lendas do clube

Até assumir o Liverpool no começo do ano, os torcedores do clube clamavam por Kenny Dalglish nos estádios cada vez que se irritavam com mais uma derrota do time comandado por Roy Hodgson. Mas porque pedir a contratação de um treinador que não exercia suas funções há dez anos? Ora, os números não mentem: após conquistar, como jogador e jogador-treinador, nove títulos do Campeonato Inglês, três da FA Cup, quatro da Copa da Liga e três da Liga dos Campeões, o ex-atacante se estabeleceu como a maior lenda dos Reds.

Nascido em Glasgow, em 1951, Dalglish sonhava em jogar pelos Rangers, time pelo qual torcia, até assinar um contrato provisório com o Celtic em 1967. Demorou até que o atacante finalmente ganhasse chances regulares no time profissional. Porém, ele não as deixou escapar quando elas apareceram: entre 1971 até a sua saída, ele disputou 269 partidas e marcou 167 gols. Durante o mesmo período, conquistou quatro vezes o Campeonato Escocês, quatro vezes a Copa da Escócia e uma vez a Copa da Liga Escocesa.

Chegou uma hora, no entanto, em que Dalglish queria deixar o Celtic, buscando voos mais altos e brilhar na Europa. A chance de fazer história em outro clube grande veio em 1977. Bob Paisley, treinador do Liverpool, precisava de um atacante para substituir o ídolo Kevin Keegan, que havia ido para o Hamburgo. Resolveu contratar Kenny, consertando de maneira mais cara um antigo erro do clube: o escocês havia passado por testes em Anfield em 1966, mas Bill Shankly, técnico do clube na época, resolveu não contratá-lo; onze anos mais tarde, os Reds tiveram de pagar £440.000 (recorde na época) para tê-lo.

A primeira temporada de Dalglish pelo Liverpool foi sensacional, com o atacante anotando incríveis 31 gols. Com a camisa 7 de Keegan, o escocês logo fez os torcedores esquecerem seu antecessor, marcando na sua estreia pelo clube, contra o Middlesbrough, na sua estreia em Anfield, contra o Newcastle, e na conquista da Supercopa Europeia, ao marcar o último gol na goleada de 6 a 0 em cima do Hamburgo de Keegan. Porém, o golpe final ainda estava por vir, e ele veio em Wembley: no mítico estádio, Kenny fez o gol do título da Liga dos Campeões, quando os Reds derrotaram o Club Brugge por 1 a 0 (confira o tento no video abaixo, a partir dos 5 minutos). Desnecessário dizer que ele já havia mostrado que era mais do que um substituto ideal para o antigo ídolo.



Dalglish, obviamente, não parou por aí. Entre as temporadas 78-79 e 84-85, ele levou o Liverpool aos momentos mais gloriosos da história do clube. Nesse período, os Reds se tornaram uma potência mundial e conquistaram o Campeonato Inglês cinco vezes e a Liga dos Campeões em duas oportunidades (80-81 e 83-84), além de ter conquistado a Copa da Liga Inglesa quatro vezes consecutivas (entre as temporadas 80-81 e 83-84). Durante esse tempo, Kenny foi o líder da equipe, mas nunca perdeu uma de suas características que o fazem ter tanto carisma: a simplicidade.

Braços erguidos e um sorriso já conhecido: essa era a comemoração registrada de Dalglish

Famoso por ser um atacante muito difícil de ser marcado - a bola parecia sempre grudar no seu pé, tamanha capacidade de detê-la -, Dalglish era uma máquina de fazer gols: ele marcou mais de 20 em cada uma de suas três primeiras temporadas. Com o tempo, suas marcas foram diminuindo, ao mesmo tempo em que começou a jogar mais atrás. Para alegria dos torcedores do Liverpool, isso tinha uma ótima razão: foi nesse tempo que Ian Rush, outra lenda do clube, fez parceria com o escocês no ataque, tornando-se o principal artilheiro da equipe e formando uma dupla de muito sucesso.

Logo após a tragédia de Heysel, que vitimou 39 pessoas antes da final da Liga dos Campeões (em que o Liverpool perdeu por 1 a 0 para a Juventus), Dalglish foi escolhido para ser o técnico dos Reds, tornando-se uma espécie de treinador-jogador. Já beirando os 35 anos, o atacante aproveitou sua nova condição no clube para aos poucos se despedir dos gramados, muito raramente entrando em campo após a temporada 86-87. Porém, durante esse tempo, King Kenny foi capaz de um feito histórico: o título do Campeonato Inglês na temporada 85-86 veio através de um gol seu, contra o Chelsea em Stamford Bridge na última rodada.


Sua idolatria aumentou em 1989 – infelizmente, diante de um caso triste. Nos fatos seguintes a tragédia de Hillsborough, Dalglish ganhou de vez o respeito e o carinho dos fãs dos Reds, ajudando as famílias das vítimas e comparecendo ao máximo de enterros e cerimônias em homenagem aos mortos. Mostrando sua solidariedade, seu carisma ganhou dimensões gigantes. Porém, aquilo tudo o afetou profundamente – ainda mais para quem já havia presenciado as tragédias de Heysel e de Ibrox (em 1971, quando 66 pessoas morreram após o clássico entre Rangers e Celtic). Cansado e com boatos de estar sofrendo problemas de saúde, o escocês deixou inesperadamente o clube em fevereiro de 1991, tendo feito sua última partida na temporada 89-90, quando jogou alguns minutos contra o Derby County.

A carreira de Dalglish pelo Liverpool foi impecável, tanto que o escocês sempre foi aclamado como a maior lenda do clube. Ver o seu time atualmente comandado por King Kenny é uma honra para seus torcedores. A sua única falha não foi pelo clube inglês, mas sim por não ter tido uma carreira de destaque na seleção de seu país. Embora tenha participado de três Copas do Mundo (74, 78 e 82), ele nunca brilhou por lá. Na Copa disputada na Espanha, chegou a enfrentar o Brasil - o que também havia acontecido em 74 -, na derrota por 4 a 1. Na ocasião, ele só entrou no segundo tempo, num time que tinha jogadores como Alex McLeish (treinador do Birmingham), Graemes Souness (ex-treinador do Liverpool, Blackburn e Newcastle), Joe Jordan (assistente técnico do Tottenham) e Alan Hansen (companheiro de Dalglish nos Reds e atual comentarista da BBC).

Um comentário:

Marcos Antônio disse...

dalglish é uma lenda do clube mesmo. Por mim ele teria emprego vitalício nos Reds, assim como o Ian Rush.